Notas iniciais
Hey, leiam também "Eu ela e MINHAS ex-namoradas"! É a versão do Dante de toda a história! ;P

Domingo de manhã, Rodrigo odiava levantar cedo no domingo, mas aquele era o dia da minha vingança por ele ter me feito sair da cama no dia anterior, a se era. Eu até o deixei na minha cama por um tempo, enquanto tomava um banho e me arrumava, mas quando já estava pronta subi na cama e comecei a pular de joelhos nela:

-Levanta! Levanta! – eu falava animada e divertida, sentindo Rodrigo se revirar na cama conforme o colchão se movia, ele também já passava a resmungar alguma coisa.

-Anda Rodrigo! É domingo! O dia ta lindo! Vamos sair pra caminhar hein! Vamos! – eu ria da cara dele enquanto ele jogava um braço em cima de mim para que eu parasse de me mexer -Ai! Nãovai me machucar seu bruto – já perdia um pouco do bom grado, mas insistindo – Anda Rodrigo,levanta daí! Se não eu vou te tacar um copo de água fria! – eu passei a mexer-lo e sacudi-lo diretamente – Deixa de ser dorminhoco meu deus! – soltei outro riso já voltando a me divertir quando senti ele pegando meus braços e me puxando para ele como se eu fosse algum bichinho de pelúcia que havia se mexido – Nãão! Me larga! – eu ria enquanto ele apoiava a cabeça em cima de mim e então eu começava a fazer cosquinhas nele.

-Me deixa dormir... – ele resmungou arrastando de novo o rosto em meu colo, como se ajeitando

-Não! Anda vem vamos sair, por favor! – eu pedi mais uma vez, cutucando-o de novo até ele desistir

-Ok ok! – ele dizia se soltando e tomando coragem pra levantar. Enquanto eu sorria já vitoriosamente, Rodrigo quase nunca cedia as minhas vontades, sério, e eu me sentia bem quando aquilo acontecia, pelo menos quando não fazia em troca de nada.

- Então Mah... – Ele falava quando a gente estava já saindo do meu apartamento, eu trancava a porta, eu e Rodrigo poderíamos namorar há mil anos, mas meu apartamento era MEU e ninguém mais tinha a chave, tirando talvez minha mãe, mas aquilo não contava muito– Eu tava querendo saber se você vai poder pagar o mecânico pro carro amanhã, porque você sabe como é, a situação ta meio apertada... – ele dizia aquilo num tom que claramente falava “ poxa eu to aqui me esforçando para ir no parque com você, vai me negar isso?” enquanto eu o olhava meio boquiaberta, ele só podia mesmo estar brincando.

- É, a situação ta apertada pra todo mundo amor. – Falei num tom meio irônico apressando o passo até o elevador, e ok sabia que ele ia voltar com o papo no elevador, mas acho que meu tom gozado foi o suficiente pra fazer ele se calar pelo menos por um tempo.

Rodrigo agia como uma criança mimada, e olha que nem havia dito de verdade, eu odiava quando agia daquele modo, como se a pessoa virasse seu maior inimigo por lhe dizer um não, sério aquilo era infantil, se fosse para ficar com aquela cara do meu lado, eu acho que ele poderia muito bem ter ficado em casa, não ia me importar, verdade.

Ainda andávamos de mãos dadas, mesmo sem nos falar direito, eu olhava umas crianças ao longe jogando bola e me sentia um pouco triste por ainda não ter conseguido engravidar, me perguntava se o problema realmente ainda era só comigo, já que o todo machão ali não havia aceitado fazer o exame. Fui tirada dos meus devaneios ao escutar Rodrigo proferir o nome de seu melhor amigo, virei o rosto imediatamente para frente procurando-o até mesmo um pouco ansiosa:

-Dante?? – Rodrigo chamou como se estivesse em duvida, e eu não podia tirar a razão dele, se era inacreditável que ele mesmo estivesse em pé tão cedo, quanto mais Dante! Sorri de forma agradável mesmo que admirada com a disposição dele, mas logo meu olhar foi chamado para a mulher ao seu lado, uma mulher bonita, aliás, linda, com traços orientais tão femininos e delicados me dava vontade de observá-la sem nem piscar.

-Rodrigo, Marcela... – Dante falou abrindo um sorrisinho, mas seu tom entregava tudo: ele não queria nos ver ali.

-Você são amigos do David? –a mulher falou num tom meio ansioso enquanto vinha em minha direção e na de Rodrigo para nos cumprimentar.

-Gente essa é a... a Sayuri... minha.. – vi Dante hesitar e ao mesmo tempo a mulher tomar posse da fala e falar até mesmo estufando um pouco ao dizê-lo.

-Namorada! – eu continuava a olhá-la com um ar surpreso passando o mesmo ao rosto de Dante que tampava a cara atrás dela e então abri um sorriso divertido, quase segurei o riso na verdade, quer dizer então que ele estava namorando mesmo? Bem quando ele disse que estava acompanhado no restaurante desconfiei que fosse algo mais sério mesmo, mas namorando? E ele nem tinha nos dito! Eu lhe dei dois beijinhos e começamos a conversar enquanto via Rodrigo puxar Dante para longe, provavelmente para tirar satisfação da falta de informação sobre o namoro.

- É um prazer conhecer você! – eu disse meio surpresa ainda, mas sorrindo amável –Namorada do Dante? Ele nem nos disse isso! Acho que vou puxar a orelha dele amanha no trabalho por não ter contado antes! –ri de leve vendo-a rir também

-Oh, sim, namorado... na verdade Dante acabou de combinar comigo de ir conversar com meus pais sobre casamento! – ai sim eu fiquei pasma, Dante se casar? Ow...

- Casamento? – disse com os olhos levemente arregalados, mas então abrindo ainda mais o sorriso, mesmo que não fosse tão verídico quanto antes – Mas que ótima noticia! Alguém que realmente conseguiu prender Dante até ele falar de casamento! – eu estava rindo cada vez mais forçada, mas não entendia o porque já que havia sido exatamente eu mesma que havia desejado isso para ele, um dia antes. – Mas me diz, vocês estão juntos então há quanto tempo?

- Sim casamento! – ela parecia exultante em estar falando isso para mim, e então com a pergunta ela pareceu ficar pensativa – Oh, não sei direito... deve ter por volta de uns quatro meses!

-Ah, que legal! – Eu sorria ainda mais desconfiada, se ele tava namorando há todo esse tempo, porque raios não tinha nem comentado? Claro que eu não achava que Dante fosse “sozinho” solteiro, confesso que achava, mas acreditava que ele tinha uns casos... sei la né. Percebi os dois voltando para perto de nós e Sayuri abraçar Dante de uma forma delicada e Dante corresponde-la até que formavam mesmo um casal bonito, lindo na verdade.Não pude deixar de reparar que enquanto isso meu namorado DE ANOS nem me estender a mão me estendeu.

-A Sayuri estava me contando que vocês estavam planejando se casar, que legal Dante! – eu disse sorrindo com um ar encantado, sempre tinha sido assim quando se referiam em casamentos comigo, acho que esse era o sonho de toda mulher né? Pelo menos era o meu.

-A sim sim claro, casamento.... OI?? – Ele me olhou arregalando os olhos surpreso como se não soubesse de nada daquilo, mas tentando disfarçar, principalmente enquanto Sayuri o olhava e dava um beliscão nele

- Aí.. – ouvi-o resmungar – É é, a gente estava falando sobre isso, mas não é nada confirmado ainda! – ele dizia com um tom de quem estava tentando dar pouco caso aquilo, mas ela interrompeu-o

-AINDA... Falta só meus pais concordarem! – dizia agora também mais firmemente e senti que meu sorriso ameaçava fugir de minha face, é tava entendido porque eles iam casar, ela tinha dado um jeito de colocar Dante no cabresto, por assim dizer.

-Você vai se casar Dante?? – perguntou Rodrigo e começou a rir com um ar tão debochado que eu senti uma certa raiva dele

-Qual a graça Rodrigo?? – Eu disse num tom mais sério claramente o repreendendo, não é que eu estivesse triste por Dante casar, era só que... ah provavelmente aquilo nem era interessante de se pensar, muito menos para falar aqui agora, provavelmente eu só tinha me sentido irritada com o Rodrigo fazendo babaquisse, como sempre, mas os dois pareciam um pouco assustados com minha reação aos risos dele, quase encarei-os e perguntei “qual foi?”

-Não é nada amor eu só estava... – ele começou tentando se desculpar ainda me olhando daquele jeito surpreso, eu achei que devia ser normal, já que eu realmente nunca me estresso muito menos o repreendia por quase nada.

-Não estava nada, estava fingindo que casamento é a pior coisa do mundo, era isso que você estava fazendo!- falei com um tom de acusação encarando-o ainda mais séria, vendo ele também ficando um pouco sério e me respondendo:

-Claro que não Mah, eu só...

-Tá tá.. – eu disse num tom de quem tava de saco cheio, porque era exatamente assim que eu me sentia com ele de saco totalmente cheio – Eu to indo pra casa! – Falei num tom de caso encerrado, nunca fui de discutir, muito menos na frente dos outros, se ele quisesse conversar comigo sobre o que tinha acontecido que fosse em casa, ou melhor por telefone, já que eu não queria mais ter de vê-lo hoje, com certeza não.

-Mah!! –Escutei alguém me chamar já prevendo que seria Rodrigo, eu já fechei os punhos como se tentasse me controlar, droga ele sabia que eu odiava quando ele me seguia, porque ele sempre dava um jeito de me fazer sentir culpada e ME fazer pedir desculpas por algo que ele tinha feito, hunf ele era um manipulador idiota isso sim.

– Mah o que houve??

Eu parei respirei fundo e comecei a virar com vontade de dizer tudo isso que eu estava pensando, na verdade não tudo que eu vinha pensando há pelo menos há uns 2 meses, principalmente que eu estava de saco cheio dele fazendo drama e se fazendo de ofendido por tudo.

-Não era pra você me seguir Rodrigo, você é tão... Dante... – Eu estava mesmo em choque, quer dizer que nem a decência de me seguir ele tinha? Ta eu sei que acabei de dizer que não queria que ele me seguisse, mas mandar Dante me seguir também era demais! Se fosse para alguém fazer o trabalho sujo que fosse o próprio né?

-Caramba, quanto amor! – Ele disse meio irônico e abriu um sorriso, e eu admirei a face tranqüila dele mais uma vez, Dante era tão calmo com certas coisas que eu nunca queria vê-lo bravo, não mesmo, percebi por um momento que eu gostava daquele jeito meio gozador de tudo . – Tá tudo bem o que houve?

- Nada, porque deveria ter acontecido alguma coisa? – tentei falar sem demonstrar sentimentos, simplesmente ser indiferente quanto às bobeiras de Rodrigo era a melhor solução, sempre tinha sido.

-Não sei você ficou tão brava do nada, o Rodrigo só deu risada e você pareceu ficar tão brava, a gente não entendeu nada. – ele dizia fazendo uma cara mesmo de confuso, talvez eu tivesse exagerado? Mas eu não achava que o tinha não mesmo.

-É sempre assim, ninguém nunca entende nada, sempre parece que a louca sou eu! Aí que ódio.. – eu comecei a expressa a minha raiva, quer dizer ele tinha perguntado não tinha? Então ai estava, Dante sabia bem que eu não era de ficar chateada muito menos brava por nada, esperava que ele entendesse que para eu estar assim, a situação já estava se levando daquele jeito há muito tempo.-Se veio aqui defender ele, pode ir embora Dante. – eu disse me tocando da possibilidade, olhei-o como se estivesse o analisando, e ok eu admito ter sido um pouco grossa.

-Não! – ele falou quase no mesmo momento em que eu terminei, e eu senti pelo menos um nono de minha raiva passar, pelo menos Dante estava sendo MEU amigo em vez de ser dele.– Eu só quero saber o porquê você tá desse jeito? Tão irritada, aconteceu alguma coisa, vocês brigaram?

-Sim, quer dizer, não.. – eu suspirei e tentei continuar encarando-o mas não conseguia, parecia que meu rosto esquentava mais e eu não sabia se estava prestes a agarrar seu pescoço e esgana-lo ou cair em lagrimas... – A gente não brigou, é só que me irrita demais esse pouco caso que ele faz com casamento sabe? E eu já disse isso pra ele, já disse um monte de vezes, ele sabe que eu quero me casar e age como se não fosse importante, como se... – Parei de falar, porque raios tinha de dizer aquilo a Dante? Eu? Que sempre tinha sido tão reservada com meus problemas, meus pensamentos, mas agora a situação era diferente ATÉ Dante ia se casar, o que não suportava nem mulheres ciumentas, vejam só!

-Olha, calma é o jeito do Digo! Apesar de tudo ele é um cara legal! –eu quase ri da tentativa ridiculamente falha dele tentar defender Rodrigo, mas ainda estava muito pensativa e brava com aquilo para fazê-lo.

-Porque ele não podia sei lá simplesmente me pedir em casamento assim como você fez com a sua namorada?? – voltei a encará-lo agora com um olhar meio inquisitivo, se Dante podia se apaixonar e se casar porque Rodrigo que se dizia loucamente apaixonado por mim há anos não me pedia em casamento?

-O que ?? – ele falou meio surpreso, que eu tinha dito de errado agora? – Eu e a Sayuri? Não, é claro que não Mah! – ele tentava se explicar e eu suspirei enquanto ele tentava “fugir” do compromisso, homens. – Não a gente não vai se casar ela quem começou com esse assunto hoje e eu pra evitar uma briga apenas concordei, não...

Mas agora eu já tinha ficado curiosa — Mas não era ela quem estava ontem com você no restaurante? A que te chutou, achei que tivessem feito às pazes ela pareceu gostar tanto de você... –minha voz tinha diminuído bastante no final da frase, como se eu não gostasse de falar aquilo, mas eu estava ocupada pensando em outras coisas para perceber.

-Não, claro que não! – ele disse e eu ergui uma sobrancelha – Ontem no restaurante era uma situação totalmente diferente! Quer dizer, mais ou menos! – ele estava começando a se embolar nas palavras e aquilo me deixou meio confusa.

-O que você quer dizer?

-Ontem eu.. – Ele ia começar a dizer, mas eu o interrompi meio rápido, não queria mesmo saber aquele tipo de coisa, porque como eu ficaria quando ficasse amiga de Sayuri sabendo que Dante a traia antes?

-Tá eu não quero saber se você traiu a sua namorada ontem...

-Eu não traí ninguém, porque ela não é a minha namorada! – ele me interrompeu quase exaltado, como se estivesse tentando me fazer entender uma coisa há horas e eu não conseguisse pegar o que era. Eu fiquei meio aliviada com aquilo, tentava me convencer que era porque se Dante não fosse se casar ainda, Rodrigo não estava tão errado quanto eu achava antes.

O silêncio a seguir foi quase constrangedor, eu não queria dar na cara que tinha percebido que o rumo da conversa tinha mudado, mas eu percebia e ele sabia que eu já tinha percebido aquilo, baixei levemente o olhar e então voltei ao primeiro foco da discussão

-Eu só queria me casar com ele Dante, viver com ele, mas ele parece não fazer nada pra mudar isso, ele parece não se importar... – eu o abracei, tinha me dado vontade de abraçá-lo, sabe? E ele correspondeu do mesmo modo que eu achei que iria, abraçar Dante era bom, na verdade era ótimo, ele me fazia acreditar que por alguns segundos estava protegida, ou despreocupada com o que quer que fosse, eu deveria mesmo passar a abraçá-lo mais vezes.

Logo ouvi a voz de Rodrigo me tirando do pequeno refugio de tranqüilidade de segundos a trás, o tom dele era bravo, provavelmente tinha me visto abraçar Dante, e por algum motivo idiota não tinha gostado, eu não cheguei a mencionar que Rodrigo morria de ciúmes de mim não, né? Principalmente com Dante? Ah não? Pois bem eu to dizendo agora. Ele morria de ciúmes, principalmente quando via eu preparar sanduíches para levar para o trabalho, se eu fizesse aquilo na frente dele, nossa era briga na certa! Nem parecia que estávamos falando de nosso amigo.

-Vamos pra casa Mah! –Ele nem me olhava só encarava Dante como se quisesse mata-lo só com o olhar, eu revirei de leve os olhos ainda abraçada com Dante por mais alguns milésimos e então já estávamos separados de novo, eu o olhava calmamente, como se achasse graça do ciúmes de Rodrigo, porque simplesmente eu e Dante não tínhamos nada a ver! E principalmente pelo fato dele ser um dos meus melhores amigos também. Lembro-me como se fosse hoje que Dante foi à única pessoa no trabalho que me dei bem logo de cara, e que dias depois já estávamos combinando de sair, onde ele me apresentou ao Rodrigo.

-Para Rodrigo, você tá me machucando!! – Eu disse meio que me deixando levar para ver se a força que ele fazia em meu pulso diminuía, ele já devia até mesmo estar avermelhado.

-Mas é pra machucar mesmo! – ele disse estúpido me fazendo ficar séria, mas que raios eu podia fazer? Eu era uma garota!E daquelas que sempre tinham sido fraca mesmo, ia me preparar para voltar a brigar com ele, mas Dante assumiu meu lugar.

-Ei ei ei, quer soltar ela! – vi Dante segurando o pulso de Rodrigo que me segurava, ele olhava-o sério, como se não estivesse gostando de ver o modo qual Rodrigo me tratava, e nem eu gostava, eu não era nenhum tipo de propriedade dele.-Solta ele David! – a namorada dele o segurou pelo ombro, me senti levemente irritada com o fato dela simplesmente se meter naquilo, ok Dante talvez também não devesse, mas será que ela não ficaria grata de alguém segura-lo se fosse ela no meu lugar? O modo como ela dizia “David” quase me fez emburrar mais a cara.

-Não! – Dante continuava ainda segurando Rodrigo, parecia inconformado — Solta ela você Rodrigo!

Rodrigo me soltou e então olhou para Dante e o empurrou com força, eu fiquei assustada, segurei meu pulso para ver se tinha machucado rapidamente, mas quem ligava para o próprio pulso quando Rodrigo estava prestes a bater em Dante?

-Fica longe dela Dante!! Eu não sei quantas garotas você tem, na verdade também não quero saber, mas fica longe dela! – ele gritava até quase histérico. – A marcela é minha! Minha garota!! – ele falava, aliais gritava, e eu estava parada apenas assistindo aquela cena ridícula, eu entendia que ele poderia sentir ciúmes de Dante, eu gostava muito de Dante, mas como AMIGA, eu já tinha deixado explicito umas mil vezes, ele estava exagerando, sério. E além do mais eu odiava também quando falavam que eu era “de alguém”, não estávamos mais na idade média.

-Você enlouqueceu?? – eu via Dante agindo do mesmo modo que eu me sentia: descrente. Não dava para acreditar que o ciúme dele ia tão longe – A Marcela é minha amiga! Ela é sua namorada, agora toma cuidado porque eu não sei por quanto tempo, seu idiota! – parecia que Dante tinha dito a coisa errada na hora errada, apesar de eu concordar totalmente com o que ele havia dito. Meu namoro com Rodrigo a cada momento ficava mais pendurado, e ele agora tinha avisado, e como diz o ditado “quem avisa amigo é...” mas não parecia que Rodrigo tinha levado por esse lado.

O rosto dele tinha ficado vermelho e quando eu o vi já tinha saído da minha frente onde estava parado com aquela posição de mãe protegendo a cria, e estava dando um soco daqueles bem fortes mesmo na cara de Dante, Sayuri e eu gritamos ao mesmo tempo:

-Dante!! – eu disse

-David!! – ela disse e então saiu em disparada ao seu lado, quase me esqueci de ir brigar com Rodrigo ou ver como Dante estava por causa daquele grito dela, David, David... Porque ela não o chamava de Dante como uma pessoa normal?

Rodrigo parecia satisfeito ao ver Dante caindo atordoado no chão e Sayuri tentava faze-lo acordar no chão ainda, pessoas já se aglomeravam e outras até ofereciam ajuda para pega-lo e leva-lo ao ambulatório mas ela dizia coisas como “ não se aproxime ele bateu com a cabeça, não mexam nele! Ai meu Deus ta sangrando muito! David acorda David!”mexendo nele como se estivesse vendo se tinha fraturado ou sei lá o que, que exagerada! Ele só tinha batido de leve e só escorria um filete. Meu deus porque eu estava implicando tanto com a mulher? Eu me sentia a cada momento mais do contra dela, como que se perguntassem algo e ela dissesse esquerda só para contrariar eu falaria direita, mas voltando ao foco...

- Você ta louco? – Eu me vi ecoando as palavras de Dante antes de cair para Rodrigo brava – Ta cheirando meia? Porque raios você bateu nele seu estúpido! – eu gritava brava ainda meio estupefata com a situação, também não era para menos vai.

- Eu louco? Eu? Você não escutou o que esse idiota falou? Ele falou na minha cara! Que ia roubar você de mim Marcela! – eu o olhava agora basicamente como se ele estivesse bêbado, soltei um riso alto, sério mesmo, o Dante caído a garota tentando acordar ele desesperada, Rodrigo surtando e eu RINDO! Porque eu não pude acreditar que aquilo tava acontecendo, não podia ser verdade, eu devia ta sonhando e só isso.

- Você deve ta me zoando Rodrigo sério mesmo! – Eu disse quando percebi que tanto Sayuri quanto Rodrigo me encaravam como se a bêbada fosse eu, saco não era um sonho voltei a ficar séria, mas mais calma que antes – Vai embora daqui Rodrigo, vai pra sua casa...me deixa quieta, ok? – falei isso calmamente o encarando enquanto ele parecia ficar quase desesperado com o que eu estava falando

-Não, a gente vai pra casa, a gente vai!– ele tentou me pegar pelo pulso de novo mas dessa vez eu desviei tirando meu braço do dele antes de sua mão se fechar

-Não, você vai para casa Rodrigo, me deixa em paz! – Eu havia gritado, já fazia tanto anos que não gritava que nem sabia que era capaz ainda de soltar um barulho tão alto com minha garganta me surpreendi comigo mesma – Eu vou ficar aqui pra pedir desculpas para o Dante pelo idiota que você é! Eu não quero mais olhar para você hoje Rodrigo então vê se me some! Entendeu? Se não você pode começar a considerar as palavras do Dante! – eu dizia ainda irritada, mas ao mesmo tempo controlando meu tom agora, falando pausadamente como se estivesse tentando fazer um estrangeiro entender o que eu queria.

Rodrigo ficou calado, o rosto voltava a ficar vermelho com minha rejeita a ele, por ter preferido ficar com Dante, mas eu não ligava, sabia que aquela reação resignada era orgulho, mas não duraria muito tempo, sabia bem que quando ele se tocasse de quão ridículo havia sido minha caixa postal estaria cheia de mensagens.

Pedimos ajuda há umas das pessoas que estavam perto observando todo aquele circo, e então conseguimos leva-lo para o ambulatório do parque. Não que eu estivesse morta de preocupação sabe? Mas me sentia bem incomodada em olhar Dante deitado naquela maca, principalmente sabendo que o motivo tinha sido eu. Sayuri não saiu de seu lado nem um minuto e eu me mantive um pouco mais longe porque, sei lá, não queria ficar em cima dando a impressão de que o que Rodrigo tinha dito era verdade, até porque não era, Dante era só meu amigo.

Confesso ter sentido um alivio enorme ao ver os olhos dele se abrindo finalmente, na verdade eu abri um sorriso assim que seus olhos encontraram os meus, finalmente! Ele devia ter ficado desacordado o que uns 15 minutos? Talvez um pouco mais.

-Dante! – Eu disse enquanto me aproximava dele, não ia ficar de longe como se fosse uma leprosa já com ele acordado, que Sayuri não me levasse a mal.A primeira coisa que fiz quando cheguei o suficiente perto foi tirar aquele gelo do nariz dele, vendo-o muito vermelho como se fosse um palhaço e talvez um pouquinho inchado nada que não fosse sumir rápido, pelo menos eu achava, tendo em conta que nunca levei uma porrada dessas na vida, nem vi ninguém com uma do tipo... Podemos claramente perceber que eu não sei nada.

-Ai! – ele resmungou de um jeito tão bonitinho que me fez sorrir mais para ele, vi Sayuri segurando-o pelos ombros quando ele tinha tentado levantar e comecei a concordar com o que ela iria a falar em seguir sem nem mesmo saber, afinal a enfermeira ali era ela.

-Fica deitado que pode voltar a sangrar! – ela disse com aquele ar profissional que cotinha um que de sentimentalismo e acariciou o rosto dele de um jeito que me fez revirar os olhos.

-Cadê o Rodrigo?? – ele disse e ai mesmo que meu sorriso sumiu de vez, bah, eu já tinha sentido meu celular vibrar por umas 5 vezes com sms dele, e talvez umas duas ligações perdidas, a primeira dizia que queria conversar, a 5° e ultima até o momento dizia que se sentia um idiota e para eu desculpa-lo, ta vendo a diferença?

Senti o olhar de Sayuri em meu rosto como se me perguntasse quem deveria falar para ele o que tinha acontecido, não que eu achasse que ele não tinha percebido, mas tomei a posição, ela mudou o olhar de preocupada para quase como acusadora quando viu que eu ainda estava quieta, era melhor falar mesmo vai que aquela mulher me aplicasse uma injeção letal.

- O Digo ficou com raiva e acabou batendo em você! – eu quase resmungava, era um completo sacrifício para mim dizer o quão panaca meu namorado e suposto melhor amigo dele tinha sido. – E bom, você apanhou, mas foi adorável o que você fez por mim não é Sayuri? – eu olhei esperançosa para Sayuri, qual é, ela tinha de me dar um apoio aqui vai!

-Oh, meu Herói! – ela falou num tom quase debochado e eu abri um sorriso disso também, Sayuri o olhava com aquela cara de mãe que repreende sem estar brava um filho que tinha feito uma bagunça e eu percebi que queria muito olha-lo assim por um momento.

-Que cara mais idiota, não se pode nem abraçar mais a amiga no parque que a gente acaba apanhando!!! –ele se forçou contra os braços de Sayuri e então sentou ignorando-a quando ela reclamava e mandava-o voltar a deitar. – Mah você não pode voltar pra sua casa, o idiota do seu namorado pode estar lá e vai acabar fazendo uma burrada e...

-Ele não vai estar lá Dante, depois eu vou falar com ele, não tenho medo dele! – eu o interrompi negando levemente com a cabeça, Rodrigo não iria querer me ver hoje nem a pau, ou melhor, era o contrario, provavelmente ele iria mesmo estar no portão me esperando, mas eu já estava pensando num modo bem interessante de fazê-lo ir embora rapidinho.

-Melhor você ir pra casa David, você teve sorte de não ter seu nariz quebrado, mas provavelmente vai ter que descansar! – Sayuri o puxou para perto e eu abri um sorriso vendo o quão bonitinho ele ficava sendo embalado como um bebe, haha teria de rir dele depois.

-Bom, agora que sei que você está melhor, é bom eu ir pra casa! –peguei minha bolsa e já fui logo me ajeitando para ir embora, agora sim estava na hora da verdade.

-A gente se vê Marcela! – Sayuri deu um sorriso igual ao da hora em que me cumprimentou e eu correspondi automaticamente, agora não entendia porque há minutos atrás eu estava implicando com ela, era uma ótima garota, eu devia estar surtando mesmo.

-Até amanha Mah... – ele disse com o tom cansado e conformado que eu já conhecia, e enfim pude ir embora tranquilamente para casa, pelo menos até chegar ao portão do prédio e ver Rodrigo parado ali, com a roupa do parque, quase ri, mas não de um jeito gracioso, quando eu o vi com aquela cara de “por favor, me escuta e me deixa entrar”

-Não começa, eu não quero falar com você hoje...– Eu disse parando em frente do prédio tirando a chave da bolsa, precisava me mudar para algum lugar realmente decente com porteiro e garagem, mas como eu não tinha interesse em carro ainda, e nem tinha dinheiro para bancar o condomínio de um desses eu vinha me virando só com aquele elevador antigo que meu prédio tinha, até porque eu amava minha casa, pelo fato dela ter sido a primeira que eu pude pagar depois de sair de casa, sabe aquele primeiro ar de liberdade? Mas enfim.

- Tudo isso por causa dele Mah? Você ta realmente brava comigo por causa dele? – ele me perguntava com um tom que eu não pude identificar direito o que era, parecia uma mistura de raiva e frustração.

- Tudo isso Rodrigo? Tudo isso? Não, não é por causa dele não é por causa de mim! – Eu falei, eu disse que não queria conversar, e aturar ele falando naquele tom de “você liga mais pra ele que pra mim” era o cumulo, porque quem eu estava sustentando no momento não era Dante e sim ele. Até desisti de abrir o portão do prédio e parei para conversar logo com ele, melhor do lado de fora do que com ele entrando em meu prédio, queria ter certeza de que aquela conversa não ia ser terminada com ele tentando me agarrar para fazermos sexo, é porque Rodrigo costumava gostar bastante de brigar feio comigo para fazer isso, achava excitante, enquanto eu achava um saco, o desgaste emocional era maior do que a “alegria” de fazer “as pazes” com ele.

- Não parece Marcela! Porque é só falar do seu protegido que você fica assim! Nervosinha!– ele falava agora já bravo com um tom de acusação de novo

- Meu protegido? Deixa de ser ridículo Rodrigo! – eu dizia agora o encarando irritada com o que ele falava, sabia bem o que ele estava insinuando e me deixava brava por ele não dizer aquilo diretamente, até porque nem era a primeira vez que ele vinha com aquele papo. – Para de insinuar as coisas e diz logo o que você quer pra eu poder virar minha cara e entrar em paz! – eu repliquei o encarando séria, ele não achou que eu fosse seguir em frente, na maioria das vezes eu estava indisposta a brigar então eu o abraçava, falava coisas do tipo “para Diih, você sabe que meu único protegido no mundo é você, deixa de ciúmes bobo”.

- Porque você não admite que gosta dele? Hein? Porque você não admite isso pra mim pra eu poder ir embora em paz e nunca mais ter de te olhar hein? – ele perguntou agora chegando ao ponto que ele queria e eu sentir ficar vermelha de raiva, ele era meu namorado há anos como podia ter a cara de pau de dizer mesmo algo assim para mim? Eu nem acreditava que ele tivesse coragem de pensar uma coisa daquelas, mas Rodrigo ultimamente vinha me surpreendendo cada vez mais, e não de um modo legal.

- Porque eu não gosto dele! – eu falava já quase gritando – Pelo amor de deus! Porque eu estaria com você se eu gostasse dele Rodrigo? Escuta o que você ta falando não faz sentido! – eu botei as mãos na cabeça, sério estava quase desesperada, de onde ele tinha tirado aquilo? Bem que diziam que para ser designer você precisava ser criativo, vejam só como a mente dele era fértil.

-Gosta Marcela! Gosta! E se deixa levar por tudo que ele fala sobre a gente! Tudo! Ele ta sempre tentando fazer a gente brigar, como agora você não percebe? Ele quer fazer a gente terminar! – ele falava como se estivesse apontando para um letreiro luminoso que piscava, mas que eu fosse a única no mundo que não conseguisse ver.

- Rodrigo pelo amor de deus para... – eu baixei meu tom de voz e falei com ar de cansada – Para! Eu não quero discutir com você... – eu via ele tentando me interromper mas só um olhar mais séria bastou para que não o fizesse – Olha eu to cansada, eu quero deitar tomar um banho, esquecer que você fez esse papel ridículo hoje ok? – eu passei a mão no cabelo vendo o próprio Rodrigo tentar se acalmar, ele chegou perto de mim como se pedisse permissão para me abraçar e como não me mexi ele viu como um consentimento.

-Desculpa Mah... –Ele dizia perto de mim, mas eu não estava ligando agora para aquilo, suspirei e concordei com cabeça só para fazê-lo ir embora o mais rápido possível – Você ta muito brava comigo? – Eu fiz um não com a cabeça soltando outro suspiro sentindo a boca dele em meu rosto me dando um beijo como se estivesse feliz e aquilo tudo fosse só um mal entendido.

- Eu vou subir ok? Amanhã você me liga... – eu disse me afastando dele desanimada, Rodrigo conseguia me deixar cabisbaixa e olha que eu não era do tipo que ficavaassim fácil.

-Sim eu ligo..mas.. – Eu parei para olhá-lo ele parecia sem jeito de falar algo, mas ao ver meu olhar confuso acabou soltando de uma vez – Não dava para você me dar o dinheiro pro conserto hoje? Para eu poder levar assim de manhãzinha... – ele me olhava com um ar, pidão ao mesmo tempo temeroso que eu fosse brigar com ele de novo, e para falar a vontade eu até sentia vontade de mandá-lo a merda, mas o máximo que fiz foi suspirar de novo tirar o talão de cheque da bolsa e entregar a ele. Não queria mais confusão e se aquilo fosse o fazer ir embora feliz que fosse.

-Obrigado Mah.! – escutei a voz dele satisfeita vinda do meu lado enquanto eu colocava a caneta na bolsa e então ele se afastou indo em direção ao carro sem nem mesmo me dar um beijo de despedida. É... Ótimo namorado que eu tinha.

Notas finais
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Deixem um Review e façam um autor feliz o> auhauha

Beijos a todos o