Eu,ele e Suas Ex-namoradas
4 Cap. 4 – Christina
Notas iniciais
Finalmente era segunda! E sim eu também acho esse um pensamento bem estranho, mas pra quem teve um fim de semana tão horrível quanto o meu, provavelmente dava para a gente relevar isso certo?
Eu me levantei meio molenga, não estava assim tão animada com o fato de ir para o trabalho, já estava cansada da vida que estava levando, sério, de uns meses para cá me sentia quase miserável, desde que Rodrigo tinha virado um folgado sustentado por mim tudo parecia desandar, meu salário parecia 4 vezes menor e minha vontade de para tudo estava se esvaindo junto do meu dinheiro, até Dante vinha percebendo que eu estava mal, e não é que Dante seja um mau amigo que não se preocupe, pelo contrario, Dante sempre se preocupou e sempre esteve ali por mim, mas ele sabia que eu não gostava de que comentassem comigo de meus problemas, então mesmo sabendo ele não falava nada.
Ouvi meu celular vibrar enquanto eu acabava de me maquiar, não é que eu fosse que nem Anna pro trabalho, eu só estava tirando olheiras e me dando um ar mais vivo, porque ninguém merecia trabalhar parecendo um zumbi certo?
-Alo..?. – Eu disse meio desligada sem nem ter olhado o visor enquanto escolhia uma sandália rasteira para colocar, hoje ia de jeans pro trabalho, o que era um pouco diferente. Só eu sabia bem o quanto gostava de vestidos e como era difícil eu resistir de comprar um, e então achar uma blusa para usar naquele monte de pano colorido e seus forros. Acabei encontrando uma bata laranja e a jogando na cama para vestir depois.
-Marcela...? – Era a voz de Rodrigo no telefone, e eu suspirei, saco, ele nem tinha mais trabalho, ele nem fazia questão de levantar cedo para ir procurar um emprego, porque ele estava acordado E me ligando agora?
-Oi Rodrigo... – Eu disse não em um tom que chegasse a ser seco, mas estava quase lá, ele percebeu e o ouvi gaguejar antes de continuar a falar comigo.
-Se...será que eu posso ir ai falar com você Mah? – Ele dizia isso em um tom tão amedrontado e acuado que eu me senti mal, tadinho eu devia ter pegado pesado com ele...
-Pode sim Digo...vem – Eu falei mais calorosa que antes e pude perceber o tom dele mudando palpavelmente para mais confiante, antes de bater na minha cara. Eu parei encarando o celular pensando no que tinha acontecido, antes de quase joga-lo longe de mim
Ele tinha feito, ele tinha feito isso DE NOVO! Tinha me feito sentir culpa com algo que ELE era o culpado, sinico, manipulador, como eu podia namorar alguém assim?
Eu peguei o celular e o coloquei no bolso, vesti minha bata e passei o pente no cabelo de qualquer modo, não interessava mais como eu estava me interessava sair logo de casa, por isso se eu demorei 10 minutos para sair foi muito, nem tomar café da manha eu tinha, muito menos feito o sanduíche de Dante.
Eu cheguei ao trabalho e como sempre quando fui colocar minha bolsa no armário ela esbarrou no porta lápis, meu deus será que eu nunca ia aprender? Eu coloquei a bolsa dentro do armário e assim que o fechei e me abaixei para pegar as canetas ouvi o riso em seguida da voz de Dante
-Bom dia! – Ele colocou umas sacolas na mesa dele e então veio se juntar a mim como sempre fazia, não tive como não sorri para ele, não é que eu seja retardada mental como vocês devem estar pensando, sei que acabei de brigar e fugir do meu namorado, mas é que quem liga pra isso perto do riso do Dante? Ele animava meu astral, totalmente.
-Bom dia! – Eu respondi rindo também, deveriam carimbar na minha testa “desastrada”, talvez eu tatuasse isso um dia, há, eu então o olhei com meu sorriso de sempre, mas que Rodrigo dizia que era o “sorriso do Dante” para se ver até onde uma implicância pode chegar, porque de acordo com ele com todos os outros eu sorria de um modo normal, mas para o Dante meu sorriso era diferente, era maior, era mais amável, era sei lá mais o quê que a mente fértil daquele idiota poderia produzir.
Já devia ter se passado uns 20 ou 30 segundos, mas meu sorriso não diminuiu em nenhum momento, outra coisa que Rodrigo insistia em falar “o sorriso do Dante não morre nunca, nunca é forçado”. E nem meu olhar tinha mudado de foco ainda, apesar de tentar pegar dele o lápis com o qual tentou me ajudar.
-Ahm, tudo bem Dante, você já pode me dar o lápis se você quiser! – Eu disse olhando levemente para nossas mãos e mudando meu sorriso para algo mais divertido, eu tentava puxar o lápis, mas ele segurava com tanta força que até os nós de suas mãos estavam brancos. Eu não pude mais observar seu sorriso, mas escutar ele batendo com a cabeça no meu armário também destruiu com o meu.
-Dante! – Eu disse preocupada colocando as mãos na cabeça dele, mas ele só sabia se encolher e rir, pensei que poderia ter tido alguma concussão.
-Tudo bem, ta tudo bem! – Ele fazia um sinal para eu me acalmar e então virou para o resto do escritório que já tinham vindo para cima de nossa divisória para saber o que tinha acontecido e se ele estava bem, quase me ofendi, porque se fosse EU a causadora do barulho ninguém além de Dante ia me perguntar como eu estava, hunf
-O Dante ta tão caidinho por ela que não sabe nem mais o que ta fazendo! – Tony disse e quem ficou sem graça daquela vez tinha sido eu, porque Dante gostando de mim? Haha valeu... Nem reparei no sinal que Dante tinha feito para Tony se calar.
-Tá bom gente o show acabou, vocês não tem mais o que fazer não?? – Eu disse tentando soar séria e não deixar ninguém reparar que ainda estava corada por causa do comentário idiota de Tony.
-Você ta bem Dante? – Eu perguntei de novo preocupada, e então comecei a apalpar a cabeça dele procurando algum calo, mas eu não estava bem apertando, como se deve fazer para encontrar um calo, então eu acredito que estava mais fazendo carinho nele do que outra coisa...
- Eu to bem! – Ele soltou outro riso e eu neguei de leve com a cabeça, como ele podia ter tanto bom humor depois de bater tão forte assim? – E você? Ta bem? Falou com o Rodrigo?
-Ah... – Murchei instantaneamente, e ninguém podia me culpar por aquilo. – Falei, infelizmente! – Eu voltava a ajeitar as coisas na minha mesa para fugir do assunto ou pelo menos para ele se tocar de que eu não queria falar daquilo.
Percebi com minha visão periférica ele pegando as próprias coisas e as ajeitando no armário e me senti aliviada por não ter de voltar a falar aquilo.
-Ah! Eu comprei o nosso café da manhã! –Ele disse do nada e eu me virei meio surpresa, ele comprou nosso café da manhã? Ele não se lembrava de comer ele próprio, como tinha comprado comida logo no dia em que eu não havia comido...? Pensei que ele estivesse delirando, sério, vai ver que a batida tinha sido muito forte né;
-Nossa que milagre! – Eu ri divertida quando vi a comida e o todinho na mão dele, ele estava mesmo falando a verdade, incrível! Peguei um dos todinhos dele e girei na cadeira para expressar minha alegria. – Eu adoro isso!
-Eu sei! – Ele falou prontamente num tom tão obvio que sorri de novo meu “sorriso Dante” e então ele já estava esticando um misto para mim o qual eu peguei grata percebendo a fome que eu estava. – Você já tomou o café?
-Pra falar a verdade não! Eu quis sair correndo de casa porque o... – Perdi a voz e fiquei quieta tentando pensar em como o chamaria e como diria aquilo – O idiota do meu namorado me ligou logo de manhã falando que ia passar em casa e eu quis sair logo pra não precisar encontrar com ele!
-Ah. – Ele me olhou um pouco curioso agora – E porque você fugiu dele?
-Porque ele é um idiota? – Eu disse simplesmente o encarando como se falasse do tempo, nem estava mentindo.
Eu o observei rir enquanto tentava manter minha cara de essa foi a pergunta mais obvia do mundo já feita para mim. Mas logo eu já sorria de novo para ele.
-Ele ficou bravo comigo né? Brigou com você?
-Esquece isso Dante! – Eu disse mais uma vez perdendo o pouco do sorriso e me virando pro computador o ligando, tentava mudar de assunto de qualquer jeito.
-Eu preciso falar com ele! Resolver isso, não é justo ele brigar com você toda a vez que eu chegar perto de você! Caramba a gente é amigo, tanto eu com você como eu com ele...
-Dante esquece isso! – Eu disse voltando a encara-lo mais séria agora.
-Quero que ele saiba isso, se ele não te escuta tem que pelo menos me escutar! Não dá pra ser assim sempre! Eu não posso nem chegar perto de você quando ele ta do lado, é ridículo!
-DANTE! – Eu quase gritei, não gritar também já é um exagero, eu falei bem alto pro nível de voz que a gente costuma usar no trabalho, mas não gritei, mas só isso foi o suficiente pra ele me olhar assustado e quem estava em volta também. – Você não deve nada pra ele! Se ficar dando corda é aí que ele vai piorar!
-Não to dando corda! Se eu ignorar ao sim isso vai continuar!
-Tá dando corda sim! Se ele achar que você ta incomodado, ele vai acabar achando que é ciúmes, ele já fica dizendo que você quer separar a gente, só vai piorar as coisas! – Eu acabei falando automaticamente, logo me tocando do que havia dito, quer dizer, Dante não sabia daquilo, então provavelmente aquilo acabaria sendo mais lenha na fogueira.
-Ah ele disse isso pra você também?? – Eu o observei confusa, para mim Rodrigo nunca tinha falado aquilo com mais ninguém.
-Como assim pra mim também?
-Ele falou isso pra Sayuri ontem também! Ela me acusou de um monte de coisa que eu nem tava sabendo!
-Ele fez o que? – Eu perguntei incrédula e ao mesmo tempo com raiva, Rodrigo podia ser um verdadeiro canalha quando queria! Dizer aquilo logo para Sayuri?
-Mah! – Ele falou com aquele tom de culpado – Ele deve ter dito isso porque tava nervoso! – Ele dizia tentando consertar a provável burrada que achava que tinha feito, e tinha mesmo, mas ele não precisava se preocupa com isso.
-Dante! – De repente notei Anna parada atrás de Dante com aquele ar dela e suspirei voltando-me para o meu computador antes que ela dissesse para que eu fizesse isso.
-Anna! – Escutei a voz dele respondendo-a calmamente
-Você pode vir comigo até a minha sala? – A voz dela era séria e então eu olhei-o de novo, o vi voltando a me encarar por um momento como se perguntasse a mim se ele podia ir, ele era louco, mas que eu ia fazer? Dei de ombros e apontei Anna com a cabeça e então me voltei de novo para meu computador. Eu não estava com uma grande vontade de trabalhar hoje, não mesmo, mas era melhor estar ali no trabalho do que em casa a mercê do Rodrigo a minha porta a qualquer momento.
Estava prestes a colocar meu fone de ouvido quando escutei a voz de Anna gritar do escritório dela:
-Não! – ela parecia descontrolada, como se Dante tivesse dito ou feito alguma coisa errada, muito errada e todos nós olhávamos a cena abismadamente – Só estou mandando você sair da minha sala!!
-Você ta precisando de férias Anna! – Ele disse abusado e eu pude sentir minha boca entreabrindo meio surpresa, Dante tinha de estar louco para enfrentar Anna, e enquanto isso ela o empurrava e batia nele, será que ele tinha tentado agarra-la? –FÉRIAS, SABE O QUE É?
-Não me teste David! – Ela falava num tom quase mortífero e a tensão em todo departamento era grande, ninguém falava além dos dois. – Minha paciência não é tão longa quanto você acha que é!
-Isso é uma ameaça? – Ele perguntou como se fosse sua cartada final, não dava para acreditar que estava desafiando a chefe no meio de todos os funcionários, eu pensava que ela iria demiti-lo ali mesmo, na frente de todo mundo quando ela simplesmente disse:
-Vai trabalhar David! – Encerrando o assunto me deixando mais abismada com a cena ainda, como assim alguém tinha tido coragem para desafiá-la e ela simplesmente tinha deixado para lá? E nem havia sido na privacidade de sua sala, mas sim no meio do corredor! Anna tinha acabado de perder a moral com metade do setor, e eu não achava que era porque Dante era um ótimo designer que eu sabia que era.
Todo mundo o encarava, e agora a sanidade deveria ter batido de novo nele, porque ele parecia sem graça, mas não era para menos.
-Que é, não escutaram?? Dá pra vocês irem trabalhar? – Ele falou todo grosso com quem estava por perto olhando, e eu ainda observava as pessoas se afastarem dele, eu não desviei o olhar ao vê-lo entrar na divisória e me ignorar simplesmente, observava como as bochechas dele ficavam fofinhas quando estavam vermelhas de raiva.
-Dante! – Eu chamei-o com jeito, sabia que ele estava bravo.
-Que é? – Eu esperava mesmo uma resposta grossa,, mas foi impulsivo me encolher um pouco como se me protegesse daquele modo agressivo dele, estava olhando-a meio assustada e sabia disso, nunca tinha visto Dante tão bravo antes, na verdade nunca tinha visto Dante bravo.
-Oi, desculpa.. – Eu disse meio sem graça. – É que tem uma moça no telefone querendo falar com você, já é a segunda vez que ela ta te ligando desde que você foi pra sala da Anna.
-Ah, sim...-Ele pegou o fone da minha mão e então já falava com um tom mais calmo e delicado – Me desculpa Mah, eu não quis brigar com você, eu to um pouco nervoso!
-Deixa pra lá! – Eu sorri tranquilamente para ele e então me virei na cadeira pegando mais da comida que ele tinha me trago.
Botei meu fone no ouvido, uma das coisas que eu gostava de ter então logo dava a Dante era privacidade e sabia bem como era difícil ter naquele cubículo minúsculo, não estava nem um pouco interessada em saber da vida amorosa dele, sério o que eu já sabia me bastava, não era questão de ciúmes, mas sempre queria que Dante estivesse com alguém e sempre que o via com alguém queria que ela desaparecesse, sei estranho, mas quem não é?
Voltei à realidade quando vi Dante se levantar do nada e encarei-o meio confusa, ele não estava no telefone até meio segundo atrás? Não tive nem tempo de perguntar-lhe nada porque ele já tinha ido embora correndo com o celular na mão, ele estava definitivamente estranho já fazia uns dias, mas quem sou eu para dizer alguma coisa né?
Não pude ficar pensando muito tempo sobre Dante, de novo, porque quando minha mente começava a se desviar de seu comportamento exagerado meu celular vibrou na mesa duas vezes indicando que havia chego uma mensagem, nem precisava pega-lo para saber de quem era: Rodrigo.
“Vou esperar você sair hoje! Bj”
Eu bufei com um pouco de raiva abrindo o celular e o respondendo
“Não precisa obrigada.”. Digitei furiosamente recebendo a resposta em menos de 5 minutos.
“Te encontro em casa então...”. Suspirei de novo, que eu podia fazer para fugir dele? Não via nenhum jeito de como fazer isso sério, quer dizer, para começar nem sabia o que eu queria da vida, suspirei de novo olhando para o lado e vendo que Dante ainda não tinha voltado, e então me levantei, e daí que não tinha feito quase nada desde que tinha chego ao trabalho? Tony também não fazia nada além de perturbar os outros e ainda estava empregado, apesar de eu achar que Anna não ia muito com a minha cara sabia que ela não me demitiria por ficar 5 minutos fora da mesa procurando Dante.
-Dante!?!!? – Bati na porta uma vez calmamente escutando o barulho de algo caindono chão e se quebrando – Você ta bem?? – Eu bati de novo na porta, mas nem sabia direito o porquê já que tinha certeza que ele havia me escutado, afinal tinha deixado algo cair no chão, será que ele tava se drogando na banheiro?
-Eu to bem! – Eu ouvi ele dizer aquilo e achei o tom meio afobado, com ose estivesse correndo para fazer algo, continuei pensando na hipótese das drogas, mas ele só havia saído da divisória com o celular, não tinha como ter levado mais nada para ali dentro.
-Merda!! – Eu o escutei falar, merda? Porque merda? Porque alguém falaria merda estando trancado em um banheiro a pelo menos 15 minutos? Bati de novo na porta
-Dante?? – Meu tom estava mudando de preocupado para desconfiado, ok ele só tinha ido para o banheiro com o celular, mas que ele estava fazendo com aquele celular no banheiro? E porque o deixou cair quando eu bati na porta? Sim porque se ele só estava com o celular deve ter sido ele que tinha caído, a não ser que ele tenha conseguido esconder a droga dentro do banheiro e agora estava tentando colocar no lugar.
-Eu já vou sair! – Eu escutei a voz sem rosto falar de novo ainda mais afobado que antes, em outra situação eu só acabaria rindo dele, mas minha vida já estava bem complicada para eu ter que rir das maluquices de Dante me perguntei como Sayuri agüentava aquilo sempre e então balancei a cabeça me corrigindo já que de acordo com ele, Sayuri não passava de um caso e não sua noiva futura mulher.
Eu ainda esperava Dante sair do banheiro, sinceramente parecia até mesmo que ele tinha decido limpar o banheiro, porque não havia outro motivo pra tanta demora, a não ser que agora ele estivesse tentando dissipar a fumaça, isso supondo que a droga que ele estava usando era tragável e soltasse fumaça... ah não da o alarme de incêndio teria disparado, droga. Desencostei da parede ao ouvir a porta destrancando e logo olhando um Dante meio vermelho esbaforido e que me sorria totalmente forçado.
- Ta tudo bem?? – Não poupei esforços para disfarça minha suspeitas.
-Tá tudo ótimo, porque teria alguma coisa errada? – Ele disse sem desfazer aquele sorrisinho e então eu ergui minhas sobrancelhas.
-Você saiu correndo pro banheiro do nada, a gente achou que você estava passando mal! – Olhei para trás apontando para umas duas ou três pessoas que estavam disfarçadamente nos observando um realmente preocupado e os outros só curioso, agradeci por Tony não estar ali no momento para não fazer mais uma de suas gracinhas.
-Eu to legal! – Ele falou fechando a porta do banheiro parecendo mais controlado, como se tivesse se safado de alguma coisa – Eu acho que acabou o papel higiênico! – Falou como só um detalhe o como me fez erguer ainda mais a sobrancelha, se ele dissesse que ele tinha acabado com o papel, mas daquele modo parecia que nem tinha usado-o, e o que ele estava fazendo sem usar o papel no banheiro? Eu te digo: com certeza eram drogas! Eu ia ter de conversar sériamente com ele depois...
-Você ta bem mesmo? –Eu perguntei de novo como se desconfiasse que ele tivesse mentido para mim sobre o lance das drogas só porque tinha gente olhando, eu me questionava se deveria tocar no assunto agora ou depois...
-Eu estou sim Mah! — Ele falou com aquele tom confiante de novo e sorrindo para mim. – Foi só um momento pessoal e digestão! – Fez uma careta para mim e eu fiquei parada um tempo o encarando antes de rir dele e me sentar de novo:
-Você é realmente muito estranho Dante!
-Você não faz idéia!
-Mas é por isso que você me ama! – Cada um se virou para o próprio computador ao mesmo tempo como se tivéssemos combinado
-Deixa só o Rodrigo ouvir isso!
-Ui, que medinho dele! – Ele disse debochado e então nossos olhares se encontraram de novo como no momento do lápis caído, mas dessa vez nós dois percebemos e eu fiquei sem jeito e para que ele não percebesse o xinguei:
-Idiota! – Falei com um tom que não despistava muita coisa para o modo qual eu me sentia
-Eu sei... – Ele respondeu no que me pareceu ser o mesmo tom que eu havia usado então ao desviar meu olhar do dele esbocei um sorrisinho de novo.
A tarde foi passando do mesmo modo calmo e quase sempre tediante que eram as segundas feiras, quase todo mundo ainda estava de ressaca e o humor ia melhorando conforme o dia passava, percebi Dante tentando se aproximar de mim querendo conversar sobre Rodrigo, mas eu fugia todas as vezes, ou então desconversava, ou então alguém fazia isso por mim, não queria ficar falando sobre meus problemas com Dante, ele já parecia ter muitos com o relacionamento pendente com a Sayuri e com a outra garota do restaurante para se preocupar comigo.
Deixamos a empresa juntos, e Rodrigo não estava lá para minha felicidade, mas então meu celular vibrou me avisando que ele devia chegar na minha casa pouco depois de mim, Dante me ofereceu uma carona e eu quase aceitei só para não correr o risco de pegar Rodrigo virando a rua, ou algo do tipo, e eu estava quase vencendo meu medo de motos quando pensei na possibilidade de pegar Rodrigo na esquina descendo da moto de Dante, aquilo sim que não ia prestar!Então passei a vez e me apressei para ir para casa.
Por sorte Rodrigo só foi tocar meu interfone quando eu já tinha saído do banho, estava com uma toalha presa no meu cabelo e ele insistia em me deixar mensagens dizendo que sabia que eu estava em casa e tocar meu interfone ou mensagens na minha secretaria eletrônica dizendo que não ia embora até falar comigo, me fazendo ir para meu quarto fechar a porta e ligar uma musica para abafar o som, sabia que ele não escutaria lá de baixo e se escutasse e daí? Ele dizia mesmo que sabia que eu estava ali...
Meia hora depois parecia ter enfim desistido, e eu suspirei tranqüila depois de arriscar por a cabeça para fora da janela da sala e ver a rua vazia, peguei meu celular e disquei um numero que já sabia de cabeça.
- Lu? Ta fazendo o que? – Eu olhava a geladeira enquanto falava com minha melhor amiga no telefone, porque SIM eu tenho uma melhor amiga, minha vida não é só Rodrigo e trabalho como vocês podem ver, ou pelo menos quase não.
- Nossa! Vai chover!! Você me ligando Mah? – Ouvi uma risada divertida vindo pelo telefone – Matou alguém? Ta na cadeia? – Ela claramente me zoava, é fazer o que, Rodrigo e o meu trabalho acabavam tomando muito tempo de mim.
-Há há engraçadinha, não aconteceu nada...eu só tava aqui pensando se minha melhor amiga não queria vir dormir aqui em casa ué... faz tanto tempo que a gente não se vê Lu, eu tenho tanta coisa pra te contar... – Comecei e ela foi logo me interrompendo
-Você já terminou com o Rodrigo e pegou o gatinho do Dante? – Foi bem direta com a situação o que me fez soltar um riso
-Claro que não! Que mania chata sua de dizer que eu e o Dante nos amamos, na verdade foi você que começou com tudo isso! Deve ser praga sua! – Eu disse mais pensativa desistindo de encontrar algo para comer em casa pegando só uma cerveja das de Rodrigo e abrindo-a sem jeito em seguida
- Claro que comecei, já disse eu prevejo o futuro Marcela... E se não sou somais eu dizendo isso vamos e convenhamos que devo ter no mínimo razão sobre... – a interrompi antes de terminar
-Então me preveja o futuro com o Rodrigo ele é meu namorado não o Dante, não sei por que você não fica com ele já que tem tanto fogo assim com o cara... – resmunguei um pouco – Não, você não tem razão de nada, é uma bêbada chata que eu to esperando daqui a uma hora entendido? Ótimo tchau! – Ri antes de desligar o telefone debaixo de seus protestos, mas por mais que ela reclamasse uma hora depois ela estava lá.
-Achei que não ia mais vir... – Disse ao abrir a porta vendo-a entrar com a mochila jogada nas costas, Luciana era uma garota bonita, tinha os cabelos pretos com mexas avermelhadas lisos na altura do queixo, olhos grandes, mas delicados, seu nariz era meio arrebitadinho e seu sorriso era enorme apesar de sua boca ser pequena; Ela já foi entrando sem nem mesmo me olhar direito, olhava o estado de meu apartamento provavelmente procurando um indicio da terceira guerra mundial.
-Que você tem? Que ele te fez? – Perguntou perdendo o bom humor que tinha no telefone, não entendi o porque
-Quem me fez o que? – Perguntei confusa
-Rodrigo! Quem mais ia ser estúpido o suficiente para me ligar bêbado a essa hora perguntando o que você com outro cara... – Ela me olhou agora séria como se procurasse uma explicação
-Eu não tenho nada com ninguém, a gente só ta meio brigado e ele ta falando essas gracinhas porque to brava com ele... – Eu revirei os olhos enquanto ia para o sofá e pegava de novo minha cerveja
- Brigados por causa de que?
-Ah... ele foi todo estúpido com o Dante ontem, bateu nele e disse que ele tava dando em ci... – Parei de falar ao olhá-la e encontra-la com um grande sorriso e as sobrancelhas erguidas – NÃO TENHO NADA COM O DANTE!- eu gritei para ver se aquilo entrava na cabeça dela, meu deus todo mundo só sabia perturbar por causa daquilo.
- Ei! Eu não disse nada!- Ela me respondeu erguendo as mãos em sinal de desarmada mas ainda com aquele tom divertido de quem desconfia de algo, largou a mochila no sofá e se sentou pegando a garrafa de mim.
Tínhamos pedido pizza e comido a mesma rindo enquanto relembrávamos historias da escola, porque sim eu conhecia Luciana da escola, na verdade Lu tinha morado comigo uns tempos enquanto ainda procurava emprego, parecia que eu estava mesmo obstinada a bancar quem estava a minha volta, mas ela tinha me pagado tudo! Pelo menos os pais dela haviam feito isso quando e descobriram que ela estava morando de favor sem encontrar emprego nenhum e então foi obrigada a voltar para casa deles, acontece...
Devia ser por volta de 3:30 e nós duas dormiamos, quando o interfone e minha caixa postal voltou a tocar
“Oi, aqui é a marcela, agora eu não posso atender, mas deixa seu recado que quando der eu te retorno! Beijão! – piii”
-Marcela? ‘cê ta ai? Me atende Mah! Vamo conversar!! – Era a voz de Rodrigo bêbada que soava dali e eu me revirei na cama não querendo acreditar que isso acontecia, Luciana ainda não tinha acordado, graças a deus, porque eu bem sabia o escândalo que ela iria fazer se o fizesse.
-MARCELA! – ele agora gritava pela secretaria – EU NÃO VOU EMBORA! VOCÊ VAI TER DE ME ESCUTAR ME ENGULIR!- eu bufei vendo Luciana levantar assustada com os gritos de Rodrigo e o barulho do interfone
-Arrrg... – Eu vi minha amiga se levantar e pensei que ela ia tacar o telefone no chão quando simplesmente a vi batendo na cara de Rodrigo, ela seguiu para a cozinha, não parecia nem de longe tão bêbada de sono quanto eu.
Eu me levantei coçando os olhos atrás dela, e só a observei pegarum balde e encher de água gelada do filtro, por um momento estúpido cheguei a pensar que ela estava realmente com uma enorme sede, até vê-la com dificuldade levar o balde a janela da sala que dava para onde Rodrigo estava.
-Marcela! –Ele gritou feliz ao ver a janela se abrindo, enquanto eu na verdade estava atrás da cortina de outra observando-o se ajoelhar no chão e começando a cantar algo, talvez ter visto a janela aberta tivesse lhe dado a inspiração para me fazer uma serenata, as 3 horas da manhã, estúpido, eu já ouvia algumas pessoas reclamando pela janela para ele se calar, afinal ele gritava desde o telefonema
E então foi quando ele começou a cantar, ou tentar fazer isso, que Luciana virou o balde e eu observei a água cair escapando e pegando nele ao mesmo tempo enquanto ele agora pulava a xingava.
-Porra Marcela! Você é maluca? Caralho! –Ele esperneava no meio da rua e para fazê-lo calar a boca só de birra me vi tacando o balde que Lu tinha deixado no chão em cima dele.
-Aii! – Eu e Lu nos olhávamos escutando-o gritar ao ser atingido pelo balde e não me preocupei em nenhum momento ver se ele estava vivo ou se a gravidade tinha o matado, vaso ruim não quebra e isso é a maior verdade já contada na terra. Rimos da cara dele e vimos a policia chegando, deveria ter sido chamada por algum vizinho bravo, e então voltamos a dormir, ao contrario de Rodrigo nós duas teríamos de acordar para trabalhar ao amanhecer.
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