Eu,ele e Suas Ex-namoradas
5 Cap. 5 - Rodrigo
Notas iniciais
Parecia que fazia só 10 minutos que eu havia fechado os olhos depois de Rodrigo ir embora carregado por policias, eu não me importei nem pensei muito sobre quem o tiraria de lá, uma coisa eu tinha certeza esse alguém não ia ser eu.
Lu levantou resmungando reclamando do idiota do meu namorado que tina estragado nossa noite de sono e eu a deixei na cama enquanto tomava meu banho e me arrumava, coloquei um vestido frente única com uma estampa de bolas grandes laranja, e ela começou
-Nossa você continua se vestindo como se fosse uma menininha de 13 anos é obvio que o Dante nunca vai querer nada com você... – Ela esfregava os olhos e seguia pro banheiro e eu simplesmente a ignorei, estava muito cedo pra eu ficar brava com alguma coisa.
Quando ela saiu do banho quando eu tava acabando de fazer o terceiro sanduíche, o que eu levava pro trabalho, ela veio pegou o dela e logo estranhou
-Ué, tem um sobrando... – Ela dava a primeira mordida logo tentando dizer algo o aprovando.
-Não tem não... Esse daqui eu levo pro trabalho pro Dante... – Eu disse tranquilamente, vendo-a engolir e fazer aquela cara de “e vocês nunca transaram mesmo?” – Não me enche... – falei meio amuada, agora o peso de ter tacado água o balde e de saber que Rodrigo tinha ido para a cadeia nem que fosse por uma noite vinha sobre mim me engolindo de uma vez só.
-Ok.. – ela percebeu que eu estava abalada, pelo menos sabia que em cima ela não ia ficar.
Cada uma tomou seu rumo e foi para o trabalho, achei estranho Dante ainda não estar lá e quando vi Anna passar superei o medo que tinha dela só para perguntar dele.
- Anna, cadê o Dante?
- Ele não veio... tava passando mal – Ela disse sem parar para me olhar ou sequer me dar alguma atenção, como se fosse uma afronta só o fato de eu ter perguntado.
-Ah – Disse e então suspirei meio chateada ante a expectativa de passar o dia sozinha, sério mesmo, não é que eu não falasse com mais ninguém no trabalho, não, eu falava com todo mundo, mas nunca me dei tão bem quanto eu me dava com Dante.
O dia foi passando e eu mal percebi até o almoço pouco depois de voltarmos la pras 14:30 senti meu celular vibrar, e li a mensagem de Dante.
“Mah, oi, só pra te avisar, espera eu chegar aí no trampo as 17, preciso falar com você!”
Confesso que fiquei curiosa, o que Dante tinha pra falar comigo? De um dia pro outro? É porque se fosse coisa antiga ele teria me dito antes, tipo no dia anterior, mas deixei aquilo pra la, talvez fosse só pra me conter que Rodrigo estava na cadeia ainda.
“Ok, você ta bem? A Anna disse que você estava passando mal!”
Digitei nas teclas do celular e enviei, Anna não tinha me dado nenhum tipo de explicação mesmo, Dante poderia estar morrendo e ela nem me contaria, não tinha nenhum tipo ode sentimento, era literalmente uma vaca.
“Eu to bem, relaxa!”
Recebi como resposta e então deixei o celular de lado mesmo querendo mandar mais mensagens a ele dizendo qualquer baboseira só para o assunto não morrer, mas tinha de voltar ao trabalho né, eu prestei atenção em como eu evoluía no site que eu estava trabalhando, já que se Anna colocasse na cabeça que eu produzia melhor longe de Dante ela tentaria de novo me mudar de divisória.
Finalmente deu 17 horas e eu passei antes no banheiro para reforçar a maquiagem antes de encontrar Dante, não que eu estivesse me maquiando para ele, nada disso, eu sempre me maquiava ou retocava a maquiagem antes de sair do trabalho, porque uma coisa era você chegar lá de manhã cheia de sono, e, outra era você sair às 17 da tarde parecendo que estava morta.
Fiquei parada na porta do prédio esperando por Dante por quase uns 20 minutos até que não foi bem ele que apareceu, mas sim Rodrigo, meu sorriso ansioso desapareceu com uma carranca meio brava.
-Que você ta fazendo aqui? – Perguntei meio brusca.
-Vim te dizer desculpas... –Me virei e comecei a andar meio brava não queria escutar desculpas dele, estava cansada das desculpas dele — Vai Mah, por favor, eu pedi pro Dante manda aquela mensagem porque sabia que se fosse eu você ia esperar, por favor – Ele foi me seguindo conforme eu andava para não ter de aumentar o tom de voz, e então segurou meu pulso, mas bem diferente da ultima vez que ele o tinha feito no parque, dessa vez ele segurava meu braço com carinho e até mesmo cuidado, eu me virei para ele o escutando mas ainda mantendo a pose brava.
- Isso é para você... – Ele falou erguendo com a outra mão um buquê de margaridas, minhas flores preferidas e eu me segurei para não sorrir grande, ele tinha se lembrado das minhas flores preferidas! Como eu não tinha visto aquilo na mão dele antes? Estava com tanta pressa de fugir dele que nem havia reparado nisso ou então na roupa que ele vestia, mas agora eu reparava e reparava bem, ele estava bem vestido de um modo que fazia tempos que não o via, e provavelmente estava com aquele perfume que devia adorar, senti uma vontade louca de abraçá-lo.
- Obrigada – Falei ainda meio dura pegando as flores olhando-as em meus braços, minha boca podia não sorrir, mas provavelmente meus olhos já brilhavam com a felicidade dele ter feito aquilo tudo para me agradar.
-Então, a gente vai ter de esperar algumas horas ainda pra reserva do restaurante... então a gente pode ir pro seu apartamento, para você se trocar se quiser – Ele deu de ombros claramente sem ter idéia do que fazer até a hora da reserva chegar, eu o olhava agora meio boba, ele tinha feito uma reserva? Ele ia mesmo me levar em um restaurante de reserva? Só podia ser brincadeira! Fazia pelo menos uns seis meses que jantar fora significava comer em algum lugar barato e nada legal e agora ele queria me levar para um restaurante com reserva? Então uma luz me iluminou e eu fechei a cara de novo falando.
-Se você acha que eu vou pagar a conta pode tirando o... – Ele me interrompeu com um riso meio sem graça e logo negando com a cabeça.
-Não! Não hoje o jantar é por minha conta Mah! – Ele disse dando um sorriso que me fez ficar quieta olhando-o desconfiado, onde ele tinha arranjado dinheiro então? Tanto fazia, contanto que não fosse mesmo eu que pagasse.
- Ok... – Disse começando a andar na direção do carro dele, o sentindo passar o braço por meus ombros querendo me abraçar e eu apressei o passo deixando o mesmo no ar.
Chegamos no meu apartamento e eu ainda estava pensando sériamente em deixa-lo esperando no carro, mas decidi ser boazinha e o deixei entrar, ele ficou sentado na sala vendo TV, enquanto eu tomava meu banho e logo em seguida passava a me arrumar, ao passar de um lado para o outro quando necessário reparei que dessa vez ele não estava fumando no meu sofá, nem mesmo tinha puxado a mesinha de centro, e eu achei isso bom mesmo, já que se ele o tivesse feito não iria jantar com ele nem se fosse em um lugar 5 estrelas. Deixei meus cabelos lisos soltos e me maquiei de novo, mas dessa vez também passei blush e uma sombra fraca, coloquei um vestido tomara que caia lilás de um tecido leve que caia escorrido pelo meu corpo.
-To pronta... – Eu disse parando de vez na sala e esperando que ele fizesse alguma expressão de “uau como você ficou linda Mah” mas talvez aquilo fosse mesmo pedir de mais, porque nem mesmo tirar os olhos da TV para me olhar ele tirou.
-Aham... Vai se calçar.. – Falou desligado olhando ainda a tv e eu quase pensei em desisti de ir, mas ele tinha feito reserva, então eu respirei fundo e disse agradavelmente.
-Eu já estou calçada Rodrigo... – Ele então olhou para mim reparando que eu realmente estavapronta, coçou a cabeça e então se levantou relutante.
-Ah sim, sim, vamos então né... – Ele pegou o controle para desligar, mas sempre ficava enrolando uma cena mais para desligar até eu pegar o controle de sua mão e simplesmente desliga-la vendo-o suspirar depois.
-Ok vamos...- Ele falou agora com um tom meio derrotado.
Me surpreendi ao vê-lo parar num restaurante de massas, primeiro as flores, depois o comunicado do jantar, agora alem disso era num restaurante com meu tipo de comida preferida! Ele estava mesmo me surpreendendo.
-Como você conseguiu uma reserva para tão em cima aqui? – Perguntei meio curiosa enquanto andávamos de mãos dadas para dentro do restaurante o observei abrir um sorrisinho de lado.
-Eu tenho meus contatos amor... – Disse daquele jeitinho metido que no inicio quando o conheci me tirava do sério de tão irritante, mas que acabei aprendendo a aceitar e percebe que ele queria risos quando o usava.
Nos sentamos e o garçom veio nos atender, e eu fiquei olhando ele escolher o vinho que íamos tomar, mas fiquei brava quando ele começou a dizer também o que a gente ia comer.
-Não, eu não vou querer espaguetti... Obrigada, eu vou querer um capeletti de frango ao molho vermelho, isso – Sorri ao garçom, o vendo ir e então voltei a olhar Rodrigo que me observava desautorizar ele, percebi que ele respirou fundo para não brigar comigo, ou algo do tipo, ridículo.
-Então... – Eu comecei num tom mais frio que eu tinha usado com o garçom, vendo-o me olhar.
- Então... – Ele repetiu e pude perceber estar querendo ver por onde começava – Mah... eu te amo... – Ele disse e mesmo assim não me deixei abalar, a primeira vez Rodrigo tinha dito que me amava foi enquanto gozava dentro mim a primeira vez, e bem entenda que aquela não foi uma transa muito amorosa, nós basicamente quebramos a casa, então o conceito de amor dele ficou meio abalado para mim pelo resto da vida. E pulando a parte em que ele enrolava com isso até eu fingir que acreditava, já tinha se passado uns 20 minutos... O garçom já tinha nos trago as taças de vinho pedidas, mas avisou que talvez a comida fosse demorar um pouco. Nós tínhamos passado já por vários momentos desagradáveis onde ele errou um monte de coisas na conversa, tipo meu filme preferido que TOTALMENTE não era guerra nas estrelas, mas sim inteligência artificial, e me fazia chorar sempre que eu via, e também meu livro preferido dizendo que era o código da vinci e eu me perguntei quando eu tinha LIDO aquilo já que nem me lembrava! Mas eu superei e decidi acabar deixado para lá, agora eu estava rindo de uma piada que um amigo o tinha contado sobre um português
-...E então eu disse pro cara “ Pelo amor de deus! Você quer que eu fique mais morto que o puffy! – E eu parei de rir na hora, mas ele não, não tinha visto graça nenhuma em ele meter o FLUFY na história, muito menos porque além dele ter sido insensível quanto a isso ele ainda tinha errado o nome do coitado. Ele então pareceu notar que eu estava séria e parou de rir tossindo levemente e dando um gole na taça
- Que foi não entendeu a piada?- Ele perguntou preocupado
-É Flufy... – eu disse calmamente o olhando.
-Então foi isso que eu disse... Plufy! – Ele repetiu mais animado como se tentasse me animar também enquanto eu simplesmente ergui as sobrancelhas para ele. Mas ele simplesmente pareceu me ignorar e mergulhou a cara na taça virando-a inteira e eu até pensei em entendê-lo quer dizer estava sem graça por ter errado o nome do meu cachorro, mas aquele era o terceiro erro da noite, erro GRAVE entenda bem, errar do livro, compreensível, do filme a gente releva, mas fazer comentários insensíveis sobre meu cachorro e ERRAR o nome dele também! Eu tava quase ficando brava
– Então eu fico feliz que você tenha reconsiderado Mah... – Ele mudou o tom agora para algo mais sério e eu até mesmo abri um sorrisinho pensando como ele diria gora que ter brigado comigo tinha sido a coisa mais odiosa que ele já tinha feito na vida dele, e que simplesmente não podia mais passar um segundo longe de mim, mas mais uma vez não foi isso que aconteceu — Sabe que tenha decidido voltar pra mim, sério acho que foi uma das melhores decisões que você fez na vida, já que eu fui e sou a melhor coisa que te aconteceu mesmo nesses últimos anos... – Eu estava o olhando totalmente embasbacada, qual é ele devia estar de brincadeira comigo.
- É flufy! FLUFY! O nome do meu cachorro era Flufy! – Eu estava aumentando meu tom de voz e até mesmo umas pessoas em volta olhavam para mim meio assustadas – Eu não suporto guerra nas estrelas! E nunca NUNCA na minha vida sequer cheguei a LER o código da vinci! – Eu estava brava e dava para perceber pelo tom rosado que minha face estava tomando – E não a melhor coisa não foi ter te aceitado de volta! Essa foi a PIOR coisa que eu pude ter pensado em fazer! Porque... Porque você é um... um... folgado! – Eu estava com as mãos fechadas na toalha da mesa, e por mais que não gostasse de discutir ou “xingar” os outros eu estava no meu limite – Folgado! – Disse de novo mais brava – Você é um ridículo, dissimulado, que não quer fazer nada da vida e acha que EU posso ficar bancando você pela vida inteira! Eu não sou sua mãe Rodrigo! Sou sua namorada! Ou melhor, eu ERA a sua namorada! E olha que legal dessa vez você não pode culpar o Dante por ter me feito terminar com você! Porque foi você que estragou tudo... TUDO! – Dizia brava antes de me levantar da mesa, não dei chance em momento algum para que ele respondesse ou se defendesse eu estava cansada de dar chances para ele fazer aquilo. Eu saí do restaurante e foi sentir o ar frio me tocando que as lagrimas começaram a descer em minha face. Peguei um táxi e fui para o único lugar que sabia que ele não iria me procurar e a única pessoa que não ia ficar tentando me fazer voltar atrás ou me enchendo com o assunto, para a casa do Dante.
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