Notas iniciais
Hey-ey-ey, hey-ey-ey, like a girl gone wild... Como vão? Primeiramente, quero pedir desde já o perdão de vocês se houver muitos erros, não deu tempo de revisar, prometo voltar ao capítulo depois quando tiver um tempinho. Segundamente... é, acho que não tem segundamente. Boa leitura! ♥

Olhos azuis encaravam seu reflexo no espelho, mechas negras e lisas caindo sobre um rosto pálido. Takao jogou água sobre o rosto pela quarta vez. Suspirou.

— Ah, qual é. Você consegue. Pelo amor de Deus, não pode ser tão difícil. — disse ele ao espelho.

O banheiro cheirava a hortelã e erva cidreira. Típico da elegante casa Midorima, riu mentalmente.

— Ok, Kazunari. Você tem que sair do banheiro do Shin-chan. Agora.

O moreno permaneceu imóvel por mais alguns segundos, encarando a si mesmo, procurando em seus olhos a coragem que lhe faltava.

Estava apavorado, mas tinha de fazer isso. "Respire três vezes bem fundo e você pode conquistar o mundo", dizia sua mãe. Quando Takao expirou pela terceira vez, sentiu-se mais confiante e abriu a porta. Midorima estava parado à sua frente, parecendo desconcertado.

— Você ficou lá por um bom tempo. — disse ele, seu tom desconfiado. Takao deu de ombros. — Então... o que você quer?

Takao olhou nos olhos do outro.

— Shin-chan, nós precisamos conversar.

O amigo não pareceu muito animado pela proposta, mas guiou o moreno até seu quarto. Quando eles se sentaram na cama, Takao teve uma espécie de déjà vu. Mas dessa vez, quem desembucharia seria ele, e não Shin-chan.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo, sem saber bem o que fazer. Takao podia dizer, pelo jeito que ele beliscava sua foca de pelúcia (item da sorte do dia), que Midorima ainda estava magoado. Lá vamos nós. O moreno cerrou os punhos, optando por ser direto e simplesmente dizer de uma vez.

— Shin-chan, eu sou um idiota. Tudo aquilo que eu te disse... era tudo baboseira, eu não estava sendo eu mesmo. E eu fiz tudo aquilo, falei tudo aquilo, porque...

Não conseguiu completar a frase. Midorima o olhava pelo canto do olho, sua expressão cheia de expectativa. Takao sentiu seus pensamentos se embolarem. As palavras que ele ensaiara prenderam-se em sua garganta. E então, ainda encarando o outro, reparou que a lente esquerda de seus óculos estava rachada nas beiradas.

— Shin-chan o que houve com seus óculos?

Uma sombra de irritação perpassou o rosto do amigo.

— Naquele dia em que você saiu correndo, eu caí no chão, e bom... isso aconteceu.

Takao pôs a mão na boca, tentando abafar o riso. Mas Midorima não pareceu apreciar o gesto, fechando a cara. Droga, acho que eu piorei as coisas. Takao forçou o riso a aquietar-se, ficando sério novamente.

— Desculpe, eu te compro novas lentes depois.

— Não preciso da sua gentileza, obrigado.

Ai.

— Shin-chan, eu não tiro sua razão de estar puto. Você está totalmente certo. Eu fui um completo babaca. A verdade é que eu estava bravo comigo, por ter feito toda aquela estupidez, e descontei em você só porque você mencionou o Akashi. Eu sei, é ridículo. E não é desculpa nenhuma por ter te tratado tão mal.

Midorima não parecia afetado ou convencido. O moreno engoliu em seco.

— O que eu disse... sobre você não ter nada a ver com meus problemas... eu estava errado. Você é meu melhor amigo, amigos ajudam uns aos outros com seus problemas, certo? E eu sei que você só estava tentando ajudar. O fato é que...

O telefone da sala tocou, interrompendo-o. Takao bufou, incomodado.

— Com licença, eu tenho que atender.

Com isso, Midorima levantou-se e saiu, deixando Kazunari sozinho em seu quarto. Ele respirou fundo, bagunçando seus cabelos negros, ainda molhados pela sessão de jogar água no rosto que fizera no banheiro. Shin-chan provavelmente iria demorar.

Takao resolveu perambular pelo cômodo, xeretando as coisas de seu amigo. Na estante ao lado da cama, havia uma foto da família Midorima: Shin-chan ao meio, cruzando os braços e usando um chapéu de cowboy ridículo azul (provavelmente seu item da sorte) e sua mãe, Sayuu, abrançando-o. Atrás deles, Kenzo mantia-se impecável em roupas formais, mãos nos bolsos, um pequeno sorriso no rosto. Takao fez uma careta, colocando a foto de volta. Eles pareciam felizes. Takao suspirou. Tinha que estragar tudo, não é, Kenzo?

Ao lado do retrato, ele avistou o celular de Shin-chan. De repente, uma pitada de curiosidade o atingiu.

Quem sabe se eu só...

Não. Isso é errado.

Takao olhou novamente para o aparelho. Mas Shin-chan não precisa saber...

O moreno pegou o telefone, procurando as mensagens enviadas, e achou as últimas 3.

São essas que ele apagou no meu celular.

Tentado, o moreno abriu a primeira.

"Akashi me contou que você beijou Kise enquanto estava alterado"

Takao arquejou. O quê?! Kise não havia lhe contado aquilo!

— Filho da mãe!

Takao estava a meio caminho de abrir a mensagem seguinte quando uma sombra o cobriu.

— O que você está fazendo?

O moreno sobressaltou-se, girando o corpo e encontrando um Midorima nada satisfeito. Ele abriu a boca para dizer algo, mas seus pensamentos se esvaíram. Midorima tinha uma mão de cada lado da estante, prendendo-o ali, o rosto a um palmo de distância do seu. Takao sentiu seus joelhos enfraquecerem e seu coração acelerar, mas manteve seu olhar firme. Takao notou que Shin-chan também havia percebido a proximidade entre eles, mas, se ficou incomodado, ele não demonstrou.

— Devolva meu celular, por favor.

Takao forçou-se a sair do transe em que se encontrava. Entregou o aparelho e desvencilhou-se do amigo, posicionando-se o mais longe possível dali, acalmando as batidas de seu coração. Midorima guardou-o no bolso e o encarou, esperando. Takao limpou a garganta.

— Então... ahn... Shin-chan, eu realmente queria me desculpar por tudo o que eu disse. Eu trouxe algo pra você, me dê só um minuto.

Takao vasculhou a mochila que trouxera consigo, seu coração ainda acelerado, quando seus dedos encontraram um objeto frio e embrulhado. O moreno pegou-o com cuidado, entregando ao amigo o pacote enrolado em jornal.

— É uma oferta de paz.

Midorima olhou o embrulho cautelosa e minuciosamente, levantando uma sobrancelha. Takao riu.

— Pode abrir, Shin-chan, não é uma bomba.

O garoto desfez o bolo de jornal devagar, ainda desconfiado. Quando finalmente viu seu conteúdo, seus olhos arregalaram-se, e ele olhou de Takao para o presente, surpreso.

— É o mesmo canário. Onde você achou um exatamente igual?

— Um mágico não revela seus truques, não é, Shin-chan?

Midorima parecia não ter certeza de como agir. O moreno sorriu, dando um passo para perto do amigo.

— Então... eu estou perdoado?

Midorima parou por um instante, olhando bem para a peça de porcelana em suas mãos. E então, suspirou, abrindo um pequeno sorriso ao olhar para cima. O estômago de Takao encheu-se de borboletas.

— Bakao.

E Kazunari não precisava de uma resposta mais clara. Ele sorriu de volta, segurando o impulso de abraçar o outro e... fazer outras coisas.

— Bom, agora que isso já está resolvido, vamos assistir um filme, Shin-chan!

Midorima revirou os olhos, mas guiou-o até o sofá da sala.

— Tudo bem, mas é minha vez de escolher. Você tem um péssimo gosto.

O moreno deu um sorriso provocativo.

— Você chorou no último filme que eu escolhi.

Pelo canto do olho, ele viu Midorima corar.

— Eu não sei do que você está falando, isso é ridículo.

Kazunari riu baixinho.

Tsunderima.

— É claro que não, Shin-chan. Eu estou apenas inventando. Mas deixando isso de lado, o que acha de um jokenpo? O perdedor faz a pipoca.

Midorima deu de ombros, e é claro, venceu. Mas dessa vez, Takao sentiu-se quase aliviado ao perder para o outro; ao menos Shin-chan não estava mais tão abalado, ele esperava. Mas, apesar de sua derrota, não se surpreendeu quando um par de mãos maiores que as suas apareceram ao seu lado, dispostas a ajudar, porque esse era o tipo de pessoa que Midorima era. Takao sentiu-se derreter por dentro, e se perguntou pela milionésima vez o que ele havia feito para merecer alguém como Shin-chan.

— Ne, Shin-chan.

— Hmm?

— Seu lugar não é na cozinha.

— E qual seria o porquê disso?

— Isso que você está colocando no forno se chama pipoca de microondas. Você não acha que tem alguma coisa errada?

Pelo canto do olho, o moreno viu Midorima ruborizar. Era uma visão que nunca deixava de entretê-lo.

— Vamos, deixa que eu faço isso. Me espera no sofá.

O amigo obedeceu, empurrando os óculos para a ponte do nariz, numa tentativa vã de esconder seu constrangimento. Shin-chan é adorável demais às vezes, pensou, meneando a cabeça em desaprovação.

Não muitos minutos depois, Takao estava sentado a uma almofada de distância de seu amigo, esperando enquanto ele preparava o DVD. As coisas estavam andando tranquilamente, nada fora do comum, quando Takao sentiu o espaço ao seu lado afundar com o peso de alguém. Ele virou-se para encontrar Midorima, olhando-o, parecendo totalmente indiferente. Takao levantou uma sobrancelha questionadora.

— Bom, você só pegou uma tigela de pipoca. Como espera dividi-la se estiver do outro lado?

Kazunari tentou acalmar seu batimento cardíaco. Não gagueje, não gagueje.

— C-Claro.

Eu sou uma vergonha para a humanidade, pensou, batendo-se mentalmente.

Takao focou-se no filme que começava à sua frente, entupindo-se de pipoca. Após algum tempo, ele viu-se entretido pela história, e teve que dar um pouco de crédito ao amigo. Shin-chan estava constantemente falando sobre Star Wars, mas ele sempre achara ser algo tosco e sem muito valor. Talvez isso não fosse bem verdade, afinal: o filme estava realmente prendendo sua atenção, ele conseguira até mesmo esquecer que não estava sozinho. Foi por isso que, ao sentir uma textura macia em sua mão, o moreno pulou de susto. Olhando para baixo, ele descobriu serem as bandagens de Shin-chan, que, em busca da pipoca, haviam resvalado em seus dedos.

Kazunari prendeu a respiração, arriscando um olhar para o outro. Midorima não parecia ter a intenção de desculpar-se, tratando o incidente como algo natural. E é natural, pensou. Você é que é um idiota.

Para sua infelicidade, a mão de Midorima encontrara a sua novamente repetidas vezes, para depois afastar-se como se não fosse grande coisa, causando-lhe sensações engraçadas no estômago. Tudo o que queria era esticar os dedos e entrelaçá-los com os do outro, mas limitou-se a estufar suas bochechas com pipoca. É claro que eventualmente a tigela se esvaziou, e Takao teve de se contentar em morder os lábios para impedir seus impulsos idiotas.

Como se não fosse o suficiente, Midorima adormeceu nos momentos finais do filme, recostando sua cabeça sobre o ombro de Takao. O corpo do moreno tensionou. Enquanto os créditos rolavam na tela, ele ponderou se deveria acordá-lo ou não. Decidiu deixá-lo por mais alguns minutos, afinal, que mal havia?

Takao suspirou, contemplando o semblante sereno do amigo. Seus óculos estavam escorregando, então o moreno resolveu tirá-los, depositando-os na mesa de centro. Olhando assim, de perto, percebeu que os cílios de Midorima eram verde-escuro, e não pretos como ele pensara. Céus, ele queria muito beijá-lo.

Takao aproximou-se vagarosamente para observar os detalhes de seu rosto. Estava a poucos centímetros quando viu as pálpebras de Midorima se abrirem. Seu pescoço se moveu tão rápido que provocou um alto estalo, e Takao ficou surpreso por não ter quebrado. Por sorte, Midorima estava sonolento e sem seus óculos, o que significava que provavelmente ele não havia enxergado muita coisa.

— ... Takao?

Sua voz soava rouca, e os cabelos na nuca do moreno se arrepiaram.

— S-Shin-chan.

— Você está muito perto.

Takao engoliu em seco.

— Ahn... foi mal. Pode dormir, Shin-chan.

Midorima murmurou algumas palavras incoerentes, aninhando sua cabeça no ombro do moreno e caindo no sono outra vez.

Takao suspirou aliviado. Seus próprios olhos começaram a pesar, e ele deixou-se embalar pelo som da respiração ritmada de Shin-chan. Encontrou uma posição mais confortável, com um braço ao redor dos ombros do outro e a cabeça encostada sobre a dele, e aos poucos, também adormeceu.

Notas finais
Então, eu não sabia bem se devia marcar linguagem imprópria ou não nos avisos, por causa do "filho da mãe"... resolvi não marcar, foi só uma vezinha e não é nenhum xingamento pesado, ninguém está se ferindo, certo? Certo. Reviews? Kissus