Eu te odeio, Midorima Shintarou

14 Dia 2: circuito de obstáculos


Notas iniciais
Hello, my people! Venho chegando com novo capítulo. Por favor deixem seus comentários, é sempre um prazer enorme ler todos e quero saber o que vocês estão achando! Espero que gostem e boa leitura ♥

Midorima estava com problemas.

Toda vez que ele fechava os olhos, a sensação dos lábios de Takao e das mãos dele em seu rosto lhe vinha à memória.

Ele estava com um par de hashis a meio caminho da boca quando fechou os olhos e lá estava de novo. O toque, a respiração, a textura dos cabelos pretos. Midorima suprimiu um arrepio na espinha.

E o que era ainda pior, agora Takao sabia que ele o afetava. Ele havia sentado ao seu lado no café da manhã, e estava, neste exato momento, encarando-o descaradamente com um sorriso besta e enorme no rosto, enquanto Midorima comia.

Midorima estava começando a ficar incomodado.

— Bakao, você por acaso perdeu seu bom senso no meu rosto?

Takao sorriu ainda mais, o maldito.

— É que você tem um rosto tão lindo Shin-chan, eu poderia olhar o dia inteiro.

Midorima entrou em choque. Seu rosto ficou vermelho feito um tomate, o que, levando em consideração seus cabelos verdes, provavelmente era uma comparação bem precisa de sua aparência agora. Não é como se Takao nunca tivesse flertado antes, mas ele sabia que era sempre de brincadeira. Agora, porém, depois dos eventos recentes…

E por quê seu coração estava batendo tão rápido? Era apenas Takao!

— Vai comer, seu esquisito… — murmurou Midorima, tentando manter sua dignidade.

Os colegas de time à volta deles se entreolharam. Já haviam visto Takao dar em cima de todos os colegas de time para irritá-los, mas era a primeira vez que seus avanços provocavam uma reação assim. Midorima sentiu seu rosto queimar mais ainda. Ele havia se esquecido de que estavam no meio de tanta gente.

Um breve silêncio se seguiu, no qual Otsubo limpou a garganta.

— É bom ver que vocês estão se dando bem de novo, crianças. Agora parem de flertar, por favor.

Takao sorriu.

— Está com ciúmes, Otsubo-chann? — disse ele, batendo os cílios e chegando perto do capitão. Otsubo empurrou o rosto dele com a mão, xingando. Os colegas de time riram.

Midorima ainda estava tentando desfazer o rubor no seu rosto.

Após a refeição, o treinador de Shutoku havia direcionado o time para o gramado ao lado de fora da casa. Ele havia preparado um circuito com obstáculos, para ajudar no treinamento físico como uma mini preparação para os jogos que viriam mais tarde, depois do almoço.

O treinador tinha uma altura não tão impressionante de 1,57m e um bigode que parecia estar permanentemente suado, para desgosto de Midorima. Ele também usava uma camisa branca que talvez tivesse lhe servido em seus anos áureos, mas que agora definitivamente estava pequena para a pança cumulativa de meia idade que espiava sob a barra da blusa, e uma pochete azul esportiva estava esmagada sob a pele e a gordura.

— Muito bem! — soou a voz ribombante do baixinho. — Para o circuito, queremos dividir vocês em duas equipes.

Os meninos se entreolharam.

— Queremos incitar a competitividade entre vocês, então vocês farão o circuito em times e o time que fizer o pior tempo terá de limpar a piscina do alojamento.

Com essas palavras, o homem apontou o dedo gordo e oleoso para o grande recipiente vazio de plástico plantado no chão: a piscina. Lodo subia pelas paredes em diferentes tons de verde e preto, com bichos não identificados que fizeram a nuca de Midorima suar.

Os adolescentes, visivelmente tensos, estavam em silêncio mortal.

O treinador riu.

— Qual o problema? Se vocês não querem limpar a piscina, garantam que o time de vocês seja o mais rápido. Agora, para as divisões!

Os times foram feitos por ordem alfabética, com a primeira metade do alfabeto em um time e a segunda, em outro. Quando o treinador chamou o nome de Midorima em conjunto com o de Takao, ele não sabia se estava aliviado ou preocupado. Em condições normais, seu trabalho em equipe com Takao mostrava um desempenho acima da média nacional, mas ultimamente as coisas estavam… diferentes.

Ele tentava convencer a si mesmo de que tudo daria certo quando Takao o chamou com um “psst!”. Quando olhou, o amigo apoiou uma mão no ombro de Midorima e se aproximou de seu rosto.

— Hmmm, mesmo time. Meu signo deve estar com sorte hoje, né? — sussurrou ele ao pé de seu ouvido, causando arrepios na espinha de Midorima. E simples assim, sem esperar por resposta, afastou-se com um sorriso malicioso e saiu andando para pegar o colete amarelo do time.

Enquanto tentava desacelerar seus próprios batimentos cardíacos e balbuciava uma resposta que nem mesmo poderia ser ouvida, Midorima se convenceu de que Takao estava ativamente tentando deixá-lo louco.

Midorima estava saltando entre cones de um lado para o outro, e suas pernas musculosas e panturrilhas definidas balançavam com cada movimento, fazendo Takao engolir em seco. Ter ficado atrás de Midorima no circuito a princípio parecia uma benção, mas acabou rapidamente se convertendo em maldição. Os glúteos de Midorima eram visíveis sob os shorts, pelo amor de Deus. Como um homem deveria se concentrar assim? É claro que ele havia derrubado um cone ou dois. E é claro que isso descontou pontos e tempo.

Em um outro trecho, Midorima fez barra e flexionou os braços e Takao havia escorregado de sua barra e caído no chão, atrasando o time todo em uns bons 4 segundos. Ele quase sentia o corte afiado do olhar de morte que seus colegas lhe lançavam… exceto por um. Midorima estava tendo problemas em encará-lo sem ficar com a cara totalmente vermelha. E Takao estava muito consciente desse fato.

Quando ele caía, quando derrubava os cones ou corria mais devagar do que o esperado, Midorima apenas lhe lançava um olhar… um que Takao não conseguia decifrar muito bem. A única coisa que ele sabia é que Midorima estava visivelmente constrangido. E isso era simplesmente divertido demais. Ele estivera flertando com Midorima a manhã toda e Midorima não só não o havia mandado para o inferno como também estava corando.

E o melhor, Midorima também não estava se concentrando. Ele olhava em sua direção a cada cinco minutos, desviando os olhos assim que Takao o flagrava. O garoto mais gentil, inteligente, observador, dedicado, alto, torneado e bonito do acampamento estava afetado pelos seus flertes. E esse garoto era também o melhor amigo de Takao e a pessoa por quem estivera apaixonado provavelmente desde os 12 anos de idade.

Era quase bom demais para ser verdade.

Exceto que, por causa de todas as distrações, os dois haviam perdido, e agora esfregavam as paredes da piscina.

Essas luvas são muito mais finas do que elas deveriam ser, pensou Takao, enquanto empurrava novamente o esfregão pela lateral da parede enlodada. As luvas de plástico grudavam em suas mãos pelo suor e o sol castigava suas costas e nuca. Ele praguejou internamente pela décima vez naquela tarde por terem perdido no circuito.

— Ei, Shin-chan. — chamou ele.

— Hmmm?

— Sua cabeça criou lodo também? É por isso o cabelo verde?

Midorima franziu o cenho. No segundo seguinte, um cabo de esfregão estava se chocando contra o couro cabeludo de Takao. Ele riu e colocou as mãos sobre o ferimento.

— Você é cruel, Shin-chan!

— E você é um idiota.

— E você é muito lindo.

Midorima encarou-o em choque, e Takao pôde observar com prazer enquanto o rosto do outro se coloria de vermelho. Takao sorriu.

— Especialmente quando está com raiva… — continuou ele.

Midorima, num movimento gracioso, varreu com a ponta do esfregão um pedaço de lodo que estava no fundo da piscina e, com a mira e maestria de alguém que fazia cestas de 3 pontos com facilidade, atirou-o pelo ar. O lodo aterrissou efetivamente no topo da cabeça de Takao, num sonoro e molhado “plop”. Takao soltou um gritinho, já catando um pouco de lodo para sua vingança.

— É bom que vocês estejam se esforçando para limpar essa piscina, e não se distraindo com coisas triviais. — soou a voz de Otsubo ao longe.

Takao e Midorima se entreolharam. Takao riu, segurando sua boca com a mão. Midorima revirou os olhos, mas Takao conseguia ver a sombra de um sorriso no canto de sua bochecha.

— Vai limpar esse lodo aí. — disse ele, indicando com o queixo a massa de lodo que agora sujava o cabelo de Takao.

— Ora se não é o sujo falando do mal lavado… literalmente. — respondeu Takao, apontando para uma mancha enorme de lodo que ele provocara na lateral da bermuda de Midorima.

Seu amigo seguiu o dedo com os olhos, avaliando o estrago, e bateu na própria testa com um suspiro.

— Ótimo. Vamos os dois, então.

Midorima estava tenso enquanto guiava seu amigo infrator até as duchas, que ficavam em cubículos reclusos a uma pequena distância da piscina. Takao estava estranhamente calado durante o percurso, o que era o motivo de Midorima estar nervoso. Um Takao calado significava não ter ninguém para distraí-lo, o que por sua vez queria dizer que ele estaria pensando no beijo. Especialmente agora que estavam a sós de novo. A ausência da usual falação de seu melhor amigo provavelmente significava que ele estava pensando o mesmo. E essa ideia fazia o coração de Midorima disparar e a palma de suas mãos suarem.

Ele limpou a garganta, tentando difundir a tensão.

— Eu vou entrar nessa aqui.

Takao encarou-o, sem resposta. Midorima forçou-se a desviar o olhar, abriu a porta para a ducha e fechou atrás de si.

Ele girou a torneira, deixando um jato de água cair em sua perna. Então, o barulho da porta do cubículo se abrindo soou, e Midorima virou-se, surpreso.

Takao entrou e fechou a porta. O box era pequeno, e ele estava a apenas alguns centímetros. Ambos estavam de uniforme, e agora que Takao entrara, o ombro de Midorima estava sob a água, ficando encharcado.

— Oi. — disse ele.

Midorima engoliu em seco, sentindo seu pulso acelerar e seu rosto esquentar.

— Oi.

— Você pode me ajudar a tirar isso? — disse Takao, apontando para o próprio couro cabeludo.

Midorima sabia que ele poderia mandá-lo fazer aquilo sozinho. Mas havia algo tentadoramente íntimo em passar os dedos pelos cabelos de Takao, enxaguando e esfregando xampu. Ele engoliu em seco.

Ele não devia. Deviam se limpar o mais rápido possível e voltar para ajudar os outros e fazer mais exercícios. Além disso…

— Você não acha… um pouco constrangedor? — disse ele, evitando contato visual e coçando a nuca.

Takao parecia inabalado.

— Não.

Midorima suspirou.

— T-tá, passa pra cá. — pegou-se dizendo.

Takao lhe entregou a garrafa de xampu que carregava consigo. Midorima pegou-a e abriu a tampa. Colocou uma generosa quantidade em sua palma e olhou para Takao.

Os olhos azuis estavam encarando intensamente os seus. O coração de Midorima pulou uma batida.

— Vou começar. — anunciou, sentindo a garganta seca. Takao assentiu.

Lentamente, Midorima pressionou a palma de sua mão sobre a cabeça do outro, espalhando o xampu. Takao fechou os olhos, fazendo uma expressão de completa tranquilidade. Ele começou a esfregar com a ponta dos dedos, e Takao inclinou sua cabeça em direção ao toque.

Midorima abriu um pequeno sorriso. Sentiu seu peito esquentar. Apesar de amigos de infância, nunca haviam tomado banho juntos antes. Os cabelos de Takao eram macios sob o toque. Ele catou alguns punhados de lodo com os dedos e jogou perto do ralo.

As roupas de Takao estavam começando a se grudar ao corpo pelo vapor e respingos de água, revelando seus contornos. Midorima encarou, engolindo em seco. Ele sentiu seu sangue fervendo.

Takao abriu um dos olhos e o pegou encarando. Abriu um sorriso de lado em resposta.

— Gosta do que vê?

Midorima enrubeceu.

— Cale a boca. É hora de enxaguar.

Com isso, ele segurou Takao pelos ombros e girou-os, invertendo as posições para que Takao estivesse sob o chuveiro agora. A risada de seu amigo provocou uma sensação leve em seu peito.

— Você é tão fácil de provocar, Shin-chan.

Midorima franziu o cenho.

— Bom, espero que se divirta limpando o próprio cabelo… — disse ele, se virando para sair.

Takao segurou seu pulso e riu baixinho.

— Fica. — pediu.

Midorima se virou. A expressão de Takao havia mudado.

Ainda segurando seu pulso, Takao puxou-o para perto. Midorima pôde apenas assistir, hipnotizado, enquanto o outro colocava os braços ao redor de seu pescoço. Ele aproximou o rosto do seu e parou, respirando sobre a boca de Midorima, esperando que ele o encontrasse no meio do caminho.

Cada fibra de seu corpo suplicava para que ele o beijasse. Então Midorima o fez.

Takao estava encharcado e quente, e… macio. Ele abraçou-o de volta, passando os braços por suas costas e suspirando no beijo. Ele jamais pensou que beijar seu melhor amigo fosse ser tão certo, tão agradável. Takao angulou seu rosto e beijou-lhe de novo, e de novo, e de novo.

O som da água caindo abafava os suspiros, mas Midorima pôde ouvir que o outro estava ficando sem ar. Ele também estava. Parou por um momento, encostando sua testa na de Takao, ainda segurando-o.

Olhos azuis encontraram os seus sob cílios pretos e pesados de água. Então, uma cabeça morena aninhou-se em seu peito, e ele teve a certeza de que seu amigo provavelmente poderia ouvir o martelar de seu coração sob a camisa molhada.

— Eu estou muito feliz, Shin-chan.

A voz veio num sussurro, abafada, mas foi suficiente para fazer seu coração se apertar em seu peito. Midorima não conseguia se lembrar a última vez em que se sentira feliz assim. Talvez quando eles comiam balas de limão juntos depois da aula. Ou nos treinos em que ele e Takao venciam de virada. Ou quando vencia jogos importantes, com Takao ao seu lado. Ou quando Takao mandava mensagens tarde da noite, fazendo alguma piada besta. Ou quando viam filmes juntos.

Um sentimento intenso por aquele garoto passou como uma onda por seu corpo, e Midorima apertou mais seu abraço. Pousou uma mão sobre os cabelos negros e encostou a testa no ombro de Takao.

— Eu também, Kazu.

Takao estremeceu ao som do apelido, e se desvencilhou do abraço para beijar a bochecha de Midorima. Os lábios pareciam queimar sua pele no ponto de encosto.

A imagem de Kenzo encarando-o com nojo passou brevemente por sua cabeça.

Ele percebeu, então que provavelmente estavam ali há tempo demais.

— Nós devíamos voltar. — disse ele, esperando que sua voz não demonstrasse sua angústia interna.

O que é que ele estava fazendo? Havia decidido se afastar de Takao.

Mas agora isso parecia simplesmente impossível. E Midorima tinha a sensação de que a tendência era apenas piorar.

Takao sabia que talvez ele estivesse provocando demais. Mas ele não conseguia parar.

“Eu também, Kazu.”

As palavras ecoavam em sua mente, fazendo seu coração disparar.

Takao nunca estivera tão feliz. Era bom demais para ser verdade.

Desde o momento da ducha, ele estava aproveitando toda e qualquer oportunidade para chegar perto, encostar em Midorima, provocá-lo, monopolizá-lo. Entre um treino e outro, Takao dava um jeito de reservá-lo para si por alguns segundos. Algumas vezes, roubava um beijo ou dois. Outras, provocava-o e lhe arrancava um sorriso.

Midorima estava beijando-o de volta, respondendo às provocações e retribuindo os toques sutis, à sua própria maneira tímida. Ás vezes, ele buscava água para Takao, ou colocava uma mão reconfortante em seu ombro quando ele errava algum passe. Cada pequeno gesto fazia Takao se sentir nas nuvens.

Nos jogos amistosos entre as escolas, Kise pareceu notar a mudança entre eles, e lhe lançava piscadelas, sorrisos maliciosos e dedões positivos de aprovação quando Midorima não estava olhando. Takao apenas ria, embriagado de felicidade.

Agora, um pouco depois da janta, Takao conseguira puxá-lo para dentro de um dos armários de limpeza, e os dois estavam espremidos um contra o outro. Midorima estava de pé contra a parede, com Takao entre seus braços. O queixo de Midorima repousava sobre sua cabeça, e ele podia ouvir a respiração calma do outro e o lento batimento cardíaco acalmando seu corpo. Midorima quebrou o silêncio.

— Eu não estou reclamando, mas não pensei que você fosse ser tão…

Ele não terminou a frase, parecendo perdido em palavras. Takao riu.

— Grudento?

Midorima bufou.

— Eu não ia usar essa palavra, mas sim.

Takao aninhou-se no peito do outro.

— Desculpe. É só que… isso não parece real.

Midorima franziu o cenho e puxou-o para encará-lo nos olhos.

— Como assim?

Orbes verdes e confusas penetravam sua alma, e Takao subitamente se sentiu exposto e tão, tão vulnerável.

— Parece que a qualquer momento nós vamos acordar desse delírio coletivo e as coisas vão voltar a ser como antes. Só… amigos.

Midorima encarou-o. Por alguns segundos, ele nada respondeu, e Takao começou a ficar tenso. Talvez seria isso. Ele havia dito a coisa errada que despertaria Shin-chan de seja qual fosse o feitiço que o estava afetando e agora eles seriam apenas amigos pro resto da vida.

Então, Midorima enrubeceu e desviou o olhar, murmurando algo ininteligível.

— O quê? — indagou Takao.

Seu amigo suspirou profundamente, como se falar estivesse lhe custando energia.

— Acho que não conseguiria nem se eu quisesse. — repetiu, alto o suficiente para ser compreendido dessa vez.

Takao encarou-o, atônito.

— Eu não consigo parar de pensar em você desde ontem a noite. — continuou ele, olhando para todas as direções que não a de Takao.

O rosto de Takao se iluminou num sorriso que ia de uma orelha à outra.

— Mesmo? — perguntou.

Midorima enrubeceu.

— Não me faça repetir. Isso é difícil.

Takao riu. Midorima continuou sério. Então, olhou-o nos olhos, e num sussurro, completou:

— Eu estou assustado, Takao.

Isto o alarmou. Ele inclinou a cabeça para o lado e suavizou sua voz.

— Por quê?

Midorima desviou o olhar novamente.

— Isto. — disse ele, gesticulando entre os dois. — Eu nunca fiz isto. Eu não sei o que eu estou fazendo. E meu pai…

As reticências perduraram, e Midorima suspirou, deixando-as sumir no silêncio.

Takao pegou uma das mãos enfaixadas do amigo na sua e segurou o queixo dele, virando-o para encará-lo.

— Não existe um jeito certo. A gente só… vai lidando com tudo. Juntos. Sempre fizemos isso de qualquer forma, né?

Midorima encarou-o, seus olhos verdes hesitantes.

— E quanto ao seu pai… do que você tem tento medo?

Ele olhou para os pés de Takao.

— Talvez… de ele não me olhar do mesmo jeito. De perder o respeito dele.

Takao sentiu seu peito apertar.

— Se ele deixar de respeitar você por quem você é, ele não merece tanta preocupação sua, você não acha? — respondeu, tentando soar neutro, mas a ideia de Kenzo desprezando um filho que se importava tanto o fazia tremer de raiva.

— Ele é… importante pra mim. Não sei exatamente o por quê. Sei que ele não é uma pessoa muito boa, mas… é meu pai. Além disso, tem a questão da sua mãe e do meu pai…

O moreno fez desenhos nas costas da mão de Midorima, tentando acalmá-lo.

— Quando a hora chegar, vamos lidar com isso juntos também. Eu vou estar lá com você.

Seu amigo demorou um pouco para responder, não parecendo convencido, mas por fim acenou com a cabeça. Takao decidiu mudar o assunto da conversa.

— Agora… como vamos convencer o Miyaji-san a trocar de cama comigo?

Midorima engasgou com sua própria saliva.

— O quê?! Quem disse que vamos fazer uma coisa dessas?

Takao deu de ombros.

— Você não acha que é a chance perfeita?

Midorima gaguejou e enrubeceu.

— A chance perfeita… p-pra quê?!

Takao olhou-o por alguns segundos e riu alto, tentando se controlar para que não fizesse muito barulho.

— Shin-chan como você é maldoso, eu só queria uma festa do pijama só nossa. Mais nada.

Midorima não pareceu convencido. O sorriso de Takao minguou e ele coçou a nuca, desviando o olhar em constrangimento. Era aquele sentimento de vulnerabilidade de novo.

— Eu sinto que tudo isso vai desaparecer se eu deixar você ir embora agora. Eu só queria garantir que isso é real quando eu acordar de manhã.

Ele sentiu o olhar de Midorima fixo em seu rosto, mas se recusou a olhar de volta.

— Eu não vou a lugar nenhum, Takao. Amanhã te encontro antes do café. Aqui mesmo. Ok?

Takao engoliu em seco e finalmente encontrou seu olhar, nervoso. Midorima parecia determinado e… talvez carinhoso.

— Ok.

Após alguns minutos a mais em que nenhum fez menção de ir embora, eles se despediram com um boa noite e um selinho e seguiram caminhos separados no corredor.

Naquela noite, Takao demorou para conseguir dormir, lutando contra o enorme sorriso em seu rosto.

Notas finais
E chegamos ao fim do segundo dia! Nossos pombinhos estão se dando bem... Lembrando que leitores fantasmas machucam o coração do escritor! ~Kissus