Notas iniciais
OI GARERA! Mil desculpas pela demora descarada, eu tinha planejado postar muito mais rápido, mas a escola tá comendo meu tempo e pedindo mais. Espero que esse capítulo compense. Nos vemos nas notas finais, boa leitura, meus amores! ♥

Takao não era de se acovardar ou fugir de uma briga. Se ele tinha um problema com alguém, ele simplesmente chegava até dita pessoa e a confrontava. Mas ele não era estúpido — ou pelo menos gostava de pensar que não — e sabia muito bem que Akashi poderia cortar suas artérias em fiapos antes que pudesse dizer "desgraçado". Então ele respirou fundo, cerrou os punhos e rangeu os dentes, engolindo alguns insultos nada delicados.

Por ter passado muito tempo ao lado de Kise, Takao aprendeu um truque ou dois. Mesmo em situações como essa, ele ainda conseguia forçar um sorriso quase perfeito.

— Boa noite, Akashi-san. Que bom que vai jantar conosco.

Akashi não pareceu convencido, seus olhos parecendo penetrar a alma do moreno.

— Sim, de fato. Espero que minha presença não lhes seja intrusa.

Foi necessário um esforço considerável para Takao refrear-se de responder honestamente.

— É claro que não, Sei-chan. — disse Kanako — Por que você e o Kazu não sobem para o quarto dele enquanto preparo tudo?

Takao olhou de um para o outro, se perguntando se sua mãe havia combinado tudo aquilo com Akashi e pretendia matá-lo ou se ela realmente não sabia que estava mandando um assassino para o quarto de seu filho.

— Claro. — disse ele, sem desviar os olhos do ruivo — Por aqui, Akashi-san.

Takao subiu as escadas, olhando de relance para sua mãe, sorridente e acenando inocentemente. Tentou não pensar em como poderia ser a última vez que a via enquanto abria a porta para o garoto mais aterrorizante do Japão.

Akashi entrou logo depois do moreno e sentou-se em sua cama sem fazer cerimônias, até então calado. Assim que Takao sentou-se à poltrona de frente à cama, o outro desferiu-lhe o olhar mais reprovador que ele já vira. O moreno se encolheu.

— Não acredito que você seja uma pessoa verdadeiramente cruel ou insensível e que tenha feito algo tão estúpido propositalmente, o que só me leva à conclusão de que é um completo idiota.

Takao franziu o cenho. Quem aquele riquinho esnobe pensava que era? E do que diabos estava falando? Ele encheu os pulmões, pronto para dizer umas poucas e boas, mas Akashi não permitiu.

— Estou falando do que você fez com Shintarou. As coisas sem sentido que você disse a ele foram impensadas e ridículas.

Takao congelou. Espera, o quê?

— O que eu fiz com... as coisas que... como você.... — balbuciou, sem conseguir formar frases coerentes — Ele te contou?

Seijuurou revirou os olhos.

— Você está se desviando do assunto. Tome responsabilidade por suas ações. Shintarou ficou realmente abalado por causa de seu surto infundado.

Irônico a fonte do meu surto dizer que ele é infundado, pensou. Takao tinha muitas respostas na cabeça: que Akashi não tinha o direito de julgá-lo sem nem mesmo entendê-lo, que se a primeira pessoa para quem Shin-chan havia ligado era ele, seus ciúmes faziam perfeito sentido, que Shin-chan também era um babaca, que também estava magoado e tinha seus próprios problemas, que Seijuurou não tinha que meter sua mentezinha ocupada e superior nisso, mas o que saiu de sua boca foi algo totalmente diferente:

— Como assim realmente abalado?

O moreno odiava como sua voz soara preocupada. Ao olhar para o ruivo, ruborizou: Akashi lhe sorria de forma sugestiva.

— E-eu não estou preocupado, só estou perguntando.

— Kazunari, não é necessário continuar com esse teatro sem sentido. Seus sentimentos por Shintarou são um tanto transparentes, mesmo sem minhas habilidades de observação.

Takao brincou com uma mecha de cabelo, olhando para todas as direções menos para o ruivo à sua frente.

— Vamos ao ponto. O motivo de eu ter vindo aqui é esclarecer algumas coisas a você. — disse Seijuurou, sério.

O moreno ergueu o rosto. Era agora. Akashi diria que Midorima era só dele e o mandaria ficar longe de sua propriedade para nunca mais magoá-lo e sua amizade com Shin-chan estaria acabada. Se é que já não estava.

— É verdade que você usou uma fraqueza de Shintarou contra ele, e isso o magoou profundamente, mas tenho certeza de que você está igualmente perturbado. E vim aqui dizer que seus motivos são absurdos: nunca pretendi ou pretenderei ter um relacionamento romântico com Shintarou. Sequer somos próximos. Ele é meramente um velho conhecido; mas não possuo muitos amigos, e gostaria de dizer-lhe que não vou abrir mão dele independente de como você se sinta. Mas não permitirei que o magoe assim novamente. Acredito que está inventando sofrimento para si e para Shintarou quando não há motivo algum para tal. Garanto-lhe que seus sentimentos por ele são retribuídos. Está perdendo seu tempo e complicando desnecessariamente a situação.

Takao estava boquiaberto.

A perda de palavras estava se tornando algo bem frequente para ele, ao que tudo indicava. É claro que Akashi sabia de muitas coisas, mas não havia como ele saber de suas suspeitas sobre ele e Shin-chan, muito menos sobre... ele engoliu em seco. Sobre Midorima retribuir seus sentimentos. Mas então, como...?

Akashi parecia indiferente à sua perplexidade.

— Creio também que Shintarou não será capaz de guardar mágoas suas por muito tempo. Não sei o quanto sua cegueira o atrapalha a ver, mas Shintarou é bastante afeiçoado a você. Sugiro que peça desculpas o quanto antes.

Takao sentiu que teria problemas de circulação se seu sangue continuasse fluindo para seu rosto. Finalmente fora de transe, conseguiu reunir palavras.

— Por que você está fazendo isso?

Akashi pareceu surpreso pela pergunta, e o simples fato de que ele não havia previsto alguma coisa era impressionante. O ruivo assumiu um olhar distante, imerso em pensamentos, e sua boca se curvou num sorriso sutil. E então voltou-se para Takao.

— Não me é satisfatório quando um de meus companheiros está com problemas.

O moreno tentava pensar em algo para dizer quando ouviu a voz de sua mãe chamando-os para descer. O rosto de Akashi endureceu-se novamente. Os nós dos dedos do ruivo estavam brancos. Takao ergueu uma sobrancelha, curioso.

— Qual o prob...

— Esqueci de dizer algo.

Takao calou-se, na expectativa.

— Cuidado com as pessoas em quem você confia.

O moreno ficou atônito, e se não estava confuso antes, definitivamente o estava agora.

Akashi não pareceu se afetar por isso, no entanto. O ruivo levantou-se.

— Perdão, receio não poder ficar para o jantar. Lembrei-me de alguns compromissos aos quais devo atender. Se me concede sua licença.

E com isso, Seijuurou foi-se escada abaixo. Takao ouviu a voz do outro explicando rapidamente à Kanako que estava de saída e pedindo desculpas. E então ouviu o som da porta da frente abrindo e fechando.

Que diabos havia acontecido ali? Akashi o havia ajudado? Talvez ele não seja assim tão mau, pensou.

O moreno pegou seu telefone, pronto para escrever uma mensagem para o ruivo agradecendo-o, mas parou a meio caminho. Ele estava mesmo a ponto de agradecer Akashi Seijuurou? E daí que ele havia sido legal, o cara sabia de cada detalhe de sua briga com Shin-chan, isso era mais que assustador e psicótico. Takao largou o celular, como se fosse venenoso. Resolveu descer, dar algumas explicações à sua pobre mãe e devorar sozinho um jantar para dois.

— E então, Kazu? Quem é seu amigo estranho?

Takao sorriu. Cogitou contar a ela sobre as inclinações psicopatas do garoto que havia estado a sós com ele nos últimos minutos, mas decidiu poupá-la da preocupação.

— Digamos que é um velho conhecido de um amigo meu. Sujeito esquisito, mas acho que no fundo ele é legal. — encarou-a. — Não chame ele pra jantar com a gente de novo. Aliás, não chame mais ninguém sem me consultar, ok?

Sua mãe ergueu as mãos em rendição, voltando sua atenção para a tigela de arroz, cantarolando uma música antiga. Takao escondeu um risinho.

— Você está de bom humor.

Kanako sorriu, a boca cheia de comida.

— Sim, eu estou. As coisas deram certo no trabalho hoje. Acho que vou ganhar esse caso.

Porções de arroz, peixe e ervilhas cuspidas caíram sobre o rosto de Takao, que fez uma careta. Sua mãe jogou a cabeça para trás, soltando uma gargalhada, o que resultou em mais comida mastigada espalhada na mesa e em Takao.

— Ah, você vai pagar por isso.

Kazunari espetou pedaços de peixe e ervilhas, jogando tudo nas roupas de sua mãe. Kanako riu, retribuindo o gesto.

...

Ao fim de meia hora, os ataques haviam acabado (assim como toda a comida) e ambos puseram-se a arrumar a bagunça que haviam feito.

— Sabe, Kazu — começou Kanako. — Você arruinou minha blusa nova.

— Você que declarou guerra.

— É, acho que eu mereci. Mas você vai lavá-la de qualquer jeito.

— Ah, mãe...

— Sinto muito, querido, hoje é seu dia de cuidar da roupa suja. Pode começar, eu termino aqui.

Takao suspirou, resignando-se ao seu destino. O moreno andou até os fundos, onde ficava a lavanderia.

Shirou espreguiçava-se ao sol, como um lagarto. Ele sorriu, abaixando-se e dando tapinhas na barriga do animal. Shirou rosnou, mas continuou deitado e imóvel.

— Você se faz de durão mas é só um dengoso. Assim como uma certa cenoura que eu conheço.

Talvez eu devesse falar com ele...

Enquanto Takao ligava a máquina de lavar, percebeu que sua mãe havia comprado cuecas novas para ele — e das bem caras — e as pendurado no varal. Fez uma nota mental de agradecê-la. E, depois disso... iria até a casa de Midorima.

Notas finais
Eu simplesmente amo o Sei, e vocês? Talvez eu faça umas cenas AkaFuri no futuro. Então, sobre o capítulo: eu deixei umas dicas meio óbvias (ou pelo menos eu acho que estão óbvias, não estou acostumava a escrever suspense) e queria saber se alguém aí captou alguma coisa. Alguma conclusão ou descoberta? Um beijo e um queijo pra quem acertar! o/ Quero suas opiniões, reclamações, indignações, reflexões e demais "ões". Kissus ♥