Na manhã seguinte Grissom foi acordado por uma enfermeira na sala de espera.

– Sr. Grissom — ela cutucou seu ombro e ele acordou imediatamente, pondo-se de pé, assustado.

– O que aconteceu? Sara está bem? — a enfermeira sorriu, enquanto ele esfregava as mãos no rosto, meio atordoado.

– Ela está bem, sim. O Dr. Matheus pediu para avisar-lhe que sua esposa será transferida para o quarto em meia hora.

– Tudo bem, obrigada pela informação — suspirou aliviado.

– Voltarei depois para leva-lo até ela, ok? — Grissom balançou a cabeça concordando e a enfermeira saiu.

Quarenta minutos já se passara e a enfermeira ainda não havia voltado, ele andava de um lado para o outro na sala de espera, impaciente, quando finalmente, ela retornou.

– Me acompanhe por favor — ela disse.

Eles foram andando por um corredor do lado oposto ao que haviam percorrido no dia anterior, quando Grissom fora ver Sara na UTI. Chegaram ao quarto e a enfermeira lhe abriu a porta.

– Obrigada — agradeceu ele.

– Se precisar de alguma coisa é só apertar o botão ao lado da cama, quando ela acordar faça isso imediatamente, o médico vai precisar examiná-la, então.

– Claro, eu o farei — replicou.

Grissom entrou no quarto devagar, o lugar era claro e arejado, as paredes pintadas em um tom amêndoa, a janela dava para o jardim na lateral do hospital. Sara já não tinha tantos fios e tubos conectados ao seu corpo, ele notou, a máscara de oxigênio havia sido substituída por um tubo fino em seu nariz. Ela parecia dormir calmamente, Grissom puxou a poltrona que havia no quarto para perto da lateral da cama, sentou-se e pegou sua mão, ficaria ali até que ela acordasse, nunca mais a deixaria, estava decidido.



Era por volta do meio dia, Grissom olhava pela janela, observando um pequeno pássaro que havia pousado no peitoril da janela, cantando suavemente e fazendo ele lembrar das suas viagens com Sara pelas florestas tropicais, quando passavam horas procurando determinada espécie de ave que ela queria fotografar. Grissom sorriu com a lembrança.

Sara abriu os olhos devagar, sentia-os pesados. Onde estava? Ela observou o quarto, fixando os olhos nas paredes, começou a reconhecer o hospital, onde já havia estado tantas vezes por causa de outras pessoas. Sentiu que alguma coisa prendia sua mão, quando virou a cabeça para ver o que era, seu coração deu um salto e as lembranças voltaram a sua mente.

A separação, a dor, a solidão, o tiro e .... Grissom? O que ele fazia ali? Por que viera, se havia expulsado ela de sua vida?

– Griss? — chamou com voz pastosa.

Grissom congelou, seu coração falhou uma batida com aquele chamado, olhou para Sara, ela estava de olhos abertos, havia acordado, finalmente havia voltado para ele, lágrimas inundaram seus olhos.

– Sara, meu amor — levantou-se da poltrona, queria abraça-la mas não era possível ainda, então só apertou sua mão com força, enquanto beijava-lhe a testa, o rosto e os lábios levemente. — Graças à Deus você acordou. Eu estava com tanto medo de perder você, meu amor. Tanto medo...

Sara olhava para ele sem entender nada. Como assim perde-la? Ele a havia deixado e agora sentira medo de perde-la?

– Vou chamar a enfermeira e o médico, ele precisa examinar você, depois nós teremos tempo de conversar — ele apertou o botão que a enfermeira havia lhe indicado. — Vou ligar para o pessoal também, todos estão muito preocupados com você, nos deu um grande susto.

A enfermeira e o Dr. Matheus entraram no quarto.

– Então, resolveu se juntar a nós, Sra. Grissom? — o médico estava sorridente.

Sra. Grissom? Sara olhou para Grissom, confusa.

– Sr. Grissom poderia se retirar por alguns minutos — pediu a enfermeira. — Não vamos demorar.

Ele aquiesceu e saiu do quarto, fechando a porta pegou o celular no bolso da jaqueta, discou o número de Nick, daria a notícia a ele e pediria para avisar o restante dos amigos, pediria também que explicasse a todos que deveriam esperar algumas horas para visita-la pois Grissom queria conversar com Sara primeiro.

– Nick? É o Grissom.

– Sim. Aconteceu alguma coisa? A Sara está bem? — perguntou preocupado.

– Ela está bem, acabou de acordar. O médico está com ela agora, você pode avisar o pessoal?

– Mas é claro, vamos todos para o hospital agora mesmo.

– Ah, Nick? Era sobre isso que eu queria falar, será que vocês poderiam esperar um pouco, eu sei que estão ansiosos para vê-la, mas eu gostaria de conversar com ela primeiro, resolver as coisa. Ela está meio confusa.

– Tudo bem. Não vai ser fácil conter a ansiedade de todo mundo, você sabe. Mas eu vou tentar, talvez consiga segurá-los por mais ou menos uma hora — Nick riu.

– Obrigado, Nick — despediu-se e desligou o telefone. O médico e a enfermeira saíram do quarto.

– Então Dr., como ela está?

– Sinais vitais normais, a cirurgia está começando a cicatrizar muito bem, sem infecções. Ela está bem.

– Eu sei que é cedo para perguntar isso, mas o Sr. sabe quanto tempo ela ainda vai ficar no hospital?

–Isso depende da melhora dela, mas se continuar bem como está agora, talvez em três semanas ela poderá ser liberada.

– Obrigado doutor — apertou a mão do médico e entrou no quarto.

Sara, que estava um pouco mais reclinada na cama, olhou para ele. Seus olhos estavam vazios e aquilo assustou Grissom. Será que ela iria querer ouvir sua explicação? Será que poderia perdoá-lo?