Após aquela noite eles haviam concordado em namorar escondido, eram muitos discretos no trabalho para que ninguém desconfiasse de nada. Iam e voltavam do trabalho por caminhos diferentes, evitavam conversas pessoais na frente dos colegas, só não conseguia evitar os olhares que trocavam sem que ninguém percebesse.

Aos poucos foram se descobrindo, passavam todas as horas livres juntos, conversando e fazendo amor. Sara viu um Grissom diferente do chefe que conhecia no laboratório, em casa ele era gentil, amoroso, carinhoso e fazia todas as suas vontades; enquanto ele conheceu a mulher romântica que se escondia dentro dela.

Tinham muito em comum, apesar da diferença de idade ambos gostavam de ler, viajar, ouvir música, havia lugares em comum que os dois gostariam de conhecer. O ciúme também era igual, Sara não gostava e qualquer mulher que se aproximava demais de Grissom; ele não gostava de qualquer homem que se aproximava dela, embora tivesse uma cisma especial com Greg.

Depois de alguns meses de relacionamento Grissom a convidou para morar com ele e Sara aceitou, enfim estavam felizes, apesar do fato de que ninguém do laboratório saber sobre eles fosse uma pequena nuvem sobre a felicidade deles.

Quando Sara fora sequestrada a alguns anos e deixada no deserto para morrer, Grissom ficou desesperado e acabou revelando o relacionamento deles. Assim que a encontraram ele jurou que a faria feliz, mesmo que isso significasse deixa-la ir embora de sua vida. Isso acabou acontecendo, mesmo tendo pedido sua mão em casamento, Sara precisou ir para longe dele, deixando Grissom desolado.

Ela ter voltado quando Warrick morreu foi como um bálsamo em sua dor de perder o amigo, mas ela partiu novamente e Grissom se sentiu perdido, sozinho, com o sentimento de que não pertencia mais àquele lugar, precisava ir atrás dela e torna-la sua.

Grissom despertou de suas lembranças e se viu sentado no sofá segurando nas mãos a foto do casamento deles, foi um dia tão feliz, Sara estava radiante, assim como ele também. Ele levantou-se do sofá e foi para o quarto, tomou um banho, se vestiu e quando ia saindo do quarto notou que algo brilhava em cima da cômoda, se aproximou e viu a aliança de casamento dela, pegou-a e guardou no bolso da jaqueta, se tudo desse certo ele precisaria daquela aliança. Colocaria a aliança novamente no dedo dela e dessa vez seria definitivamente.


Grissom chegou a sala de esperado hospital, Russel estava lá e havia uma mulher com ele.

– Olá Grissom — ele e a mulher se levantaram do sofá. — Esta é minha esposa, Bárbara.

– Muito prazer, Gil Grissom — cumprimentou a mulher com um aperto de mão.

– O prazer é meu — replicou Bárbara.

Os três se sentaram nos sofás da pequena sala de espera.

– Russel, eu preciso saber uma coisa — pediu Grissom quebrando o silêncio.

– Claro, se eu puder ajudar.

– Como ela estava? Quero que seja sincero comigo, preciso saber como ela reagiu à nossa separação.

– Ora Grissom, deixe isso para lá, você está aqui agora, é o que importa para ela nesse momento.

– Por favor, eu quero saber.

– Ela estava... — Russel hesitou — Não era mais a mesma, sabe, antes ela sorria, era alegre, conversava com todos. Eu mesmo, sinceramente, não conseguia entender como ela podia ser tão feliz com um casamento à distância, mas ela era. Então, tudo mudou, de repente ela já não sorria mais, sua alegria se foi, as conversa se tornaram somente as que eram necessárias para os casos, estava tomando remédios para dormir, dobrava quase todos os turnos...

Grissom ergueu-se do sofá e foi até a janela, sentia-se sufocado, não conseguia respirar, as paredes pareciam se fechar ao seu redor. Fizera Sara infeliz novamente e mais uma vez quebrara sua promessa. A paisagem que via pela janela, não acalmava seu coração, nem diminuía sua dor, mas ele merecia aquela dor por tê-la feito sofrer.

– A Sara foi sequestrada há alguns anos atrás — começou a falar ainda de costas para o casal Russel. — Deixaram ela no deserto, embaixo de um de um carro para que morresse. Quando nós a encontramos, muitas horas depois, e jurei a mim mesmo que a faria feliz, ainda que isso significasse deixa-la partir — fez uma pausa enquanto um lágrima descia por sua face. — Ela é tão jovem...

Russel levantou-se do sofá e foi até Grissom, colocou a mão em seu ombro, a última frase dele o fez entender o que havia acontecido.

– Agora eu entendo por que a deixou. Você ficou com medo de ser trocado por alguém mais jovem, pensou que se isso acontecesse, a dor seria insuportável, mas se você a liberasse do compromisso, teria que conviver com um decisão sua, em vez de fazê-la se sentir culpada por deixa-lo. Assim ela não sofreria tendo que tomar uma decisão, fazendo uma escolha.

– Sim — Grissom sussurrou — fui um covarde, não me abri com ela, não falei dos meus sentimentos, do meu medo, tomei a decisão sozinho e a decepcionei.

– Você está aqui agora, Grissom, pode mudar essa situação, pedir perdão e fazer Sara feliz.

– Obrigado Russel — apertou-lhe a mão. — Por ficar aqui, por ouvir meu desabafo e entender a situação.

– Que isso, não foi nada. Temos que ir agora. Ficará bem?

– Sim, obrigado — despediu-se de Russel e Bárbara, que saíram em seguida.


As horas passaram lentamente, o médico foi falar com ele logo após a saída de Russel e a sua esposa. Ele lhe dissera que Sara estava reagindo bem a medicação, por isso começariam a diminuir os sedativos na manhã seguinte, então, ela iria para o quarto e Grissom poderia ficar com ela.

Mais tarde ele foi até a cantina do hospital, não sentia fome, mas precisava de um café. Foi lá que Nick e Greg o encontraram minutos depois.

– Oi Grssom — cumprimento Nick.

– Oi Nick — olhou para Greg. — Oi Greg.

– Então, como está Sara? — perguntou Nick enquanto sentavam-se à mesa.

– Ela está reagindo bem, o Dr. Matheus me informou que amanhã eles vão começar a diminuir os sedativos dela e transferi-la para o quarto.

– Que ótima notícia Griss — disse Nick soltando um suspiro de alivio e olhando de Greg para Grissom. — Sabe, o Greg tem uma coisa para falar pra você.

Greg olhou para Nick, depois para Grissom.

– Me desculpe — disse ele. — Não deveria ter dito aquelas coisas para você essa manhã. Eu estava nervoso e ....

– Tudo bem, Greg — cortou Grissom. — Você tinha razão, a culpa de tudo o que aconteceu com Sara é minha mesmo...

– Que isso gente — interrompeu Nick. — A culpa não é de ninguém, o que aconteceu foi um acidente, uma fatalidade, poderia ser qualquer um de nós passando por isso. Nós temos que ir agora, temos muito trabalho para fazer e resolver esse caso.

Grissom assentiu e eles se despediram.