Eu no CHB
4 Triste sim.
Notas iniciais
“Bom dia, sweet” foi a primeira coisa que ouvi quando despertei. Tentar entender o que aconteceu, era impossível, mas lembrar não era complicado. Em resumo, aquela bandeira devia estar amaldiçoada, ou sei lá, e assim que eu toquei nela, ouvi palavras estranhas, e desmaiei. Antes disso tive o vislumbre de uma tempestade de raios, e de Ian indo ao meu encontro.
Espero agora, que quando eu abra os olhos, esteja no meu cubículo de quarto, com minhas irmãs, pronta para mais um dia de diversão. Primeiro veio a luz, depois os rostos: Ian, Bia, Will, e uma garota que parecia a Rachel, quase ex do Percy. Ian segurava minha mão delicadamente, enquanto conversava com bia, e Rachel lia um livro. Eu estava em um tipo de maca, com cobertas até o pescoço. Meus cortes estavam enfaixados, e minhas armas estavam no chão. Olhei para o lado e falei a primeira coisa que me veio a cabeça.
– Água. – disse com uma voz rouca e meio falhando.
Will foi buscar água, e Bia logo me abraçou enquanto eu me sentava. Retribuí o abraço, mas não soltei a mão de Ian. Will voltou com um copo de água, o qual eu bebi até a ultima gota refrescante.
– O que – tossi um pouco por causa da garganta ainda seca – o que aconteceu ontem?
Rachel respondeu:
– A bandeira foi encantada por Hera, que nos avisou que algo ruim estava por vir por causa da ira de Zeus. Você ouviu uma profecia do oráculo de Delfos, que hoje me habita. Não sei como, mas nós duas ouvimos a profecia que inclui três filhos ou filhas de Hermes, e um filho de Apolo.
– Rachel estava conosco – disse Bia – e quando ela desmaiou, o que também aconteceu com você segundo Ian, uma tempestade de raios queimou cerca de dez quilômetros ao redor de onde vocês estavam. – ela desviou o olhar – duas pessoas nesse raio morreram, mas vocês sobreviveram. Hera não foi rápida o suficiente, mais deixou claro que vocês fazem parte.
Fiquei pasma ao saber que duas pessoas morreram. No mesmo instante, lembrei de Travis, que estava por perto
– Travis! – falei desesperada, prestes a me levantar – Cadê o Travis!
Comecei a chorar pensando que a pessoa da minha família , uma das que eu mais amava poderia ter morrido, mas Ian me acalmou.
– Calma Lety! – disse ele me empurrando de volta para cima da cama, e só então eu reparei no meu joelho enfaixado. – Não aconteceu nada com o Travis. Os campistas que morreram foram Lucy, filha de Iris, e Steve, filho de Hefesto. Morreram juntos, abraçados. O funeral será hoje, daqui a uma hora.
Foi aí que eu desmoronei. A garota que salvou minha vida e seu namorado, tinham morrido, em parte por causa de meu pai. Chorei, chorei incansavelmente, e voltei para meu chalé com bia, ainda abalada e mancando. No meio do caminho, Ian me carregou, e mesmo que eu não tivesse nada, além de uma amizade com ele, me aconcheguei em seus braços fortes, e me concentrei em seus olhos azuis.
Depois de tomar um banho, e vestir a roupa do camp, e um casaco de capuz preto, resolvi que devia fazer algo para agradece-la por aquele breve momento em que ela salvou a minha vida.
Subimos as escadas, e nos reunimos no centro de um campo, onde estavam os corpos dos dois. Nico fazia oferendas em um canto, e Lucy estava coberta com uma mortalha colorida, e seu nome estava bordado com pedrinhas lindas. A mortalha de Steve parecia feita de fogo, e tinha o nome bordado em fero.
A voz simples e sinistra de nico soou:
– Façam suas homenagens.
Ian olhou pra mim, ele estava com o violão como havíamos combinado, e demos alguns passos á frente.
– Eu vou cantar.
Ian começou a tocar uma música suave dos Beatles.
Lety: Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes
Lety e Ian: Cellophane flowers of yellow and green
Towering over your head
Look for the girl with the sun in her eyes
And she´s gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lety: Follow her down to a bridge by a fountain
Where rocking horse people eat marshmallow pies
Everyone smiles as you drift past the flowers
That grow so incredibly high
Lety e Ian: Newspaper taxis appear on the shore
Waiting to take you away
Climb in the back with your head in the clouds
And you´re gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Picture your self...
Todos aplaudiram nossa homenagem, e Butch começou a chorar pela morte de sua irmã. O pessoal de Hermes também estava abalado.
Não prestei atenção em mais nenhum minuto. Passei todo o tempo abraçada a Ian, sem ligar nem ouvir nada.
Depois que eles foram cremados, Connor, eu Ian, Will, e outros líderes do chalé nos acompanharam até a casa grande, onde conversamos sobre a profecia. Quíron disse que já havia conversado com Rachel, e que era dever meu e de Ian escolher mais dois filhos de Hermes, e partir á tarde. Eu escolhi Bia, e pedi a Ian que não escolhesse nem Travis, nem Connor. Ele realizou meu desejo de proteger os gêmeos que eu mais amava no mundo, e escolheu Clara, que ele julgava digna de ir em uma missão, mesmo estando apenas a um dia no Camp. Fiquei feliz de ir na minha primeira missão com três amigos.
O clima de ansiedade se sobrepôs ao de tristeza, e minhas irmãs ficaram ultra mega felizes e ansiosas em ir numa missão. Almocei pouca coisa, mais comi tudo, e não ofereci nada a Hermes. Estou com um pouco de raiva dele...
Voltamos para o quarto, e as meninas não paravam de tagarelar. Arrumei minha mochila com coisas simples. Roupas de frio e de calor, um par de all star, além do que eu estou usando e sanduiches, água, dracmas e tals.
– Gente, — disse bia – vou levar um livro. Acho que vou levar Insurgente, eu não li ainda
– Parece até que nossa vida tem pouca aventura – respondi rindo – pra quê mais????
– Eu visto um short, ou uma bermuda, ou uma leggin? – perguntou Clara.
– Veste um short e uma meia calça. Quente e fresco ao mesmo tempo – respondi enquanto procurava meu celular, e o colocava na bolsa.
– Vamos subindo! – disse bia, enquanto passava um batom coral, e pegava a espada.
– Vamos. – saímos do quarto rindo, parecendo umas bestas. – gente, vão na frente, vou pegar umas flechas extras com o Connor. Se eu demorar, apareçam.
– Tá bom – disseram elas enquanto passavam pela porta do chalé.
Cheguei perto de Connor e dei um susto. Nos dois caímos na gargalhada.
– Conn, eu preciso de umas flechas extra. Tem algumas aí?
– Claro. E vou te dar umas modificadas também – disse ele vasculhando uma das milhares de caixas do chalé. – Presente de primeira missão!
Ele me entregou flechas normais, e umas com a ponta redonda e cheiro de pólvora. Connor, Connor, o que você tá armando. Pus na aljava, e me lembrei da minha adaga com cabo de flocos de neve. A adaga de Steve, e fui busca-la no meu quarto.
Assim que entrei e sentei na cama para abrir meu baú, Ian entra.
– Oi – eu digo
– Oi – ele responde se sentando ao meu lado. – eu queria te agradecer, e te dar um presente.
– Agradecer? – falei incrédula.
– É! Sabe ontem? Na hora dos raios, se eu não tivesse corrido para segurar, seu campo de força não teria me protegido.
– Campo de força? – disse surpresa – Deixando pra lá, o que você tem aí? – ele escondia alguma coisa nas costas.
– Um cinto com bainha – disse ele me entregando um cinto preto com renda branca e um lugar para eu colocar a adaga de Steve, a minha adaga.
– Obrigada – disse sorrindo, e fechando o cinto. Nem reparei que meu colar havia soltado, e que Ian estava com ele na mão.
– Deixa eu colocar – ele disse se aproximando.
Estávamos com os rostos quase colados. Eu podia ver as cicatrizes em sua testa, suas sobrancelhas castanhas, seus olhos azul-algodão-doce com leves risquinhos mais escuros, seu nariz meio torto, e aquela boca que daqui a uns três segundos estaria colada na minha. A porta se abre:
– Ei Lety! – diz bia entrando sem olhar, e quando se depara com nos dois tão próximos, cora, assim como eu – Desculpa gente... eu não sabia
– Já estávamos indo. — digo me apressando.
Deixo Ian passar na minha frente, e passo com Bia me seguindo de perto.
– Ai, ai, Lety pimentão. – diz ela rindo – Três dias aqui e está melhor de vida que uma filha de Afrodite.
Nos duas rimos, e nos encaminhamos para nossa primeira missão. E eu sinceramente espero que não seja a última.
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