Eu estrelo você
4 Meu primeiro encontro
Notas iniciais
Vinícius POV
Hoje é sábado, 13:47, estou levando o Gabriel no psicólogo.
Estamos andando nas grandes ruas do centro da cidade.
Hoje eu vou no shopping com o Guilherme... Tomara que ele não seja hétero !! Eu demorei uns 90 anos pra escolher minhas roupas e uns 300 pra fazer o meu cabelo ficar perfeito !
Mas antes preciso levar o Gabriel no psicólogo... Aliás, ele está surpreendentemente quieto, desde quando saímos de casa.
— Gabriel ? — Perguntei, enquanto andava ao lado dele.
— ... — Ele me deixou no vácuo.
— Gabriel !! Acorda !! —insisti.
— Acorda não, Vini ! — Disse ele.
— Por quê não ? Qual é o problema ? — Perguntei.
— Têm muita gente... — Respondeu ele.
— Claro que têm... As cidades são assim... — É mesmo, acho que é a primeira vez que o Gabriel sai na rua a pé, desde quando perdeu as memórias.
— Medo Vini... — Murmurou Gabriel, enquanto pegava a minha mão.
— Para !! — Exclamei, enquanto soltava minha mão da dele.
— M-mais.... M-m-mais... — Ele tentou dizer, só que eu o interrompi.
— Mais nada ! A gente já chegou ! — Exclamei.
Entramos por uma pequena porta, e subimos uma escada.
Lá em cima ficava o escritório do psicólogo.
O Gabriel se sentou numa das cadeiras que haviam lá, e eu fui falar com a secretária do psicólogo.
— Oi, minha avó marcou horário aqui.. — Falei.
— Qual é o teu nome ? — Perguntou a secretária.
— Não sou eu quem vou passar, é ele. — Eu disse, enquanto apontava o dedo pro Gabriel. — O nome dele é Gabriel Riquelme.
— Certo, pelo que eu vi aqui, vocês estão marcados pras 14:00. A dona Leila está atendendo uma moça agora, espere uns 10 minutos que ela já atende vocês. — Falou a secretária.
Leila ? Então é "a" psicóloga ?
Me sentei ao lado do Gabriel e fiquei esperando com ele.
— Vini... — Murmurou Gabriel, enquanto enrolava um cachinho de cabelo no dedo.
— Não me chama de Vini.
Esse negócio de Vini... Vini... É das antigas...
*Flashback ON ~~Há um ano atrás*
Eu e Gabriel estávamos na biblioteca da escola, no intervalo.
— Ei Vini, você não acha que já está na hora de você começar a me chamar de um jeito mais carinhoso ? — Perguntou Gabriel.
— Errr... Não. — Respondi.
— M-mas nós somos namorados agora... Seria tão bonitinho se você me desse um apelido carinhoso como Gabi... Bielzinho ou Rick... — Disse Gabriel, um pouco envergonhado.
— Rick ? — Perguntei.
— Meu segundo nome é Riquelme, você não se lembra ?
— A-a-ah... C-claro que eu lembro. — Falei.
— É ? Prove... Qual é o meu nome completo ? — Perguntou Gabriel.
— Gabriel Riquelme................
Gabriel deu um suspiro e falou :
— V-viu... V-você não se lembra... Você sabe pelo menos quando é o meu aniversário ?
— Errr..... D-dez... O-oito.. V-vinte e três... C-cinco.... Trinta... Um.... ? J-janeiro... Outubro... ? É dia 27 de Março ! — Exclamei.
— Completamente errado. — Falou ele, com uma expressão chateada no rosto.
— Ah.... Não precisa ficar triste por causa disso vai, você também não sabe qual é o meu nome completo e nem quando eu faço aniversário. — Falei.
— Pablo Vinícius Rodrigues da Alvorada. E seu aniversário é dia 17 de Novembro. Senhor escorpiano. — Disse Gabriel.
É, ele se lembra mesmo...
— A propósito, o seu último sobre nome é bem diferente... "Da Alvorada". — Falou ele, enquanto pegava um livro na prateleira.
— É tosco. — Falei.
— Não é tosco... Eu quero muito ter esse nome quando nós morarmos juntos... Eu me chamarei Gabriel Riquelme Oliveira da Alvorada. — Disse ele, com um sorrisinho no rosto.
— Aff, cansei, vou ir com a Isabel, nós não podemos nos falar no intervalo para que não desconfiem, você sabe disso. — Falei, enquanto saía da biblioteca o deixando sozinho.
Haha, só usava essa desculpa porquê não queria ficar com ele na escola, o Gabriel é muito chato, credo.
*Flashback OFF*
— Sabe o que eu estava lembrando agora, seu idiota ? — Perguntei.
— Seu idiota ! — Exclamou Gabriel.
— Idiota é você, bem, eu estava lembrando de uma conversa nossa na biblioteca da escola. — Falei.
— "Biboteca" da escola... — Murmurou Gabriel.
— Gabriel Riquelme. — Chamou a psicóloga de dentro da sala dela.
Eu e o Gabriel fomos até a porta, e uma moça passou ao nosso lado, saindo de lá.
Quando entramos, era uma sala bem organizada... Toda iluminada por causa da grande janela.
— Olá, meu nome é Leila, qual de vocês é o Gabriel ? — Perguntou a mulher.
— Ele é o Gabriel. — Falei, enquanto colocava a mão na cabeça do Gabriel.
— E você é quem ? O irmão ? — Perguntou ela.
— Sou o amigo dele, vim só trazê-lo aqui. — Respondi.
A Leila é uma mulher jovem, cabelos negros e longos, olhos castanho-escuro, pele branca... Ela é bem bonita.
Ela estava usando uma roupa normal, eu pensei que ela fosse usar uma roupa de médica, mas, não era o caso.
— Sentem-se. — Pediu a psicóloga.
Eu e Gabriel nos sentamos num sofá, e ela se sentou no outro com uma pasta em mãos.
— Aqui diz que o Gabriel caiu, bateu a cabeça e perdeu as memórias, não é... ? — Perguntou ela.
— É, foi isso mesmo. — Respondi.
Gabriel estava muito quieto, não falava nada.
— Gabriel ? Como você está ? — Perguntou a mulher, num tom amigável.
Ele se apegou no meu braço e continuou quieto.
Tentei me soltar de uma maneira que não fosse chamar a atenção da psicóloga.
— Parece que ele não consegue se comunicar direito... — Murmurou ela.
— Consegue sim, lá em casa ele fala igual um papagaio. — Falei. — Só na rua que ele fica quieto desse jeito.
— Mas isso não é bom, ele tem que se comunicar com as pessoas. Se não, como ele vai conseguir ficar na escola ? — Disse a mulher.
É verdade, ela têm razão.
— V-Vini... "Vamo" embora... — Murmurou Gabriel.
A psicóloga escultou o quê ele disse, e fixou seu olhar nele abraçando o meu braço.
— Não. — Falei.
— Garoto, levante-se e sente aqui neste sofá. — Pediu a mulher.
Fiz o quê ela disse e deixei o Gabriel sozinho no outro sofá.
— Vini ! Volta aqui ! — Pediu ele.
— Eu só vou devolver o "Vini" se você falar comigo. — Falou a mulher.
— Meu nome é Vinícius. — Falei.
— M-meu nome é Vinícius... — Repetiu Gabriel.
— NÃO É NÃO ! — Exclamei.
— Vamos lá, Gabriel... Você lembra quem é a sua mãe ? — Perguntou a mulher.
— E-eu tenho mãe... ? — Perguntou ele.
Eu não me lembro ao certo o quê aconteceu com a mãe dele, mas, eu acho que ela morreu.
— Hm... Então, você se lembra quem é o seu pai ? — Perguntou a psicóloga.
— É o moço que me levou no médico ! — Respondeu Gabriel.
— Hm... E o "Vini" ? Ele é quem ? — Perguntou a mulher.
— O Vini é o menino que vai se casar comigo ! — Respondeu ele.
MAS O QUÊ !!!???????
— Ah é... ? — Perguntou ela.
— É !!! Ele é meu namorado !!! — Exclamou ele.
— E-e-ei... E-ele e-está m-m-mentindo... — Sussurrei...
Ela meio que me ignorou, e continuou perguntando às coisas ao Gabriel.
— Desde quando ele é seu namorado ? — Perguntou a mulher.
— Desde o ano passado ! — Respondeu Gabriel.
— Você se lembra ?? — Perguntou ela.
— Lembra ! — Respondeu ele.
— O quê mais você lembra do ano passado ? — Perguntou ela.
— Lembra do Vini passeando comigo num parque... Lembra do Vini conversando comigo numa "biboteca", lembra do Vini assistindo filme comigo... Lembra do Vini comendo "mixica" no quintal da casa dele... E-e... — Contou Gabriel, que provavelmente não se lembrou de mais coisas.
Ele se lembra de eu indo com ele num parque... ? Isso faz tempo... Quer dizer que ele se lembra de algumas coisas, desde antes de perder as memórias ?
Espera um pouco... T-tudo que ele disse é relacionado a mim...
— Você percebeu, não é ? O garoto sente algo muito forte por você. — Sussurrou a mulher, não deixando o Gabriel escutar.
— E-eu já sabia disso... — Falei.
— Então, Gabriel, me diz... Você se lembra o quê aconteceu quinta-feira e ontem ? — Perguntou a mulher.
— Lembra ! — Respondeu ele.
— Me conte, como foi o seu dia ?
— O começo da quinta foi muito chato ! Eu fiquei deitado na cama por um tempão ! — Exclamou Gabriel.
— Por quê ? — Perguntou a psicóloga.
— Porquê eu tava esperando o Vini chegar... E-eu pensei que ele fosse me abandonar d-de novo... — Falou ele.
— Chegar ? Aonde você estava ? — Perguntou ela.
— Na casa do meu papai ! — Respondeu ele.
— Hm... E ele chegou ? — Perguntou ela.
— Sim !! Aí ele me deu comida e depois nós fomos pra casa dele ! — Contou Gabriel.
— Eu, você e a Maria. Seu idiota — Falei.
— A Maria também ! — Exclamou ele.
— E o que vocês fizeram quando chegaram na casa do "Vini" ? — Perguntou a mulher.
— Eu e o Vini fomos pro quarto... Aí eu peguei o "saxixão" dele ! — Contou Gabriel.
............. MAS O QUÊ !!!? EU FALEI PRO DESGRAÇADO NÃO CONTAR !!!
— N-n-n-não é-é isso... É-é q-q-que... — Tentei falar, mas fui interrompido pela mulher.
— E o que você fez com esse "saxixão" ? — Perguntou ela.
— Eu segurei ele assim ó ! Ele é deeesse tamanho !! — Exclamou Gabriel, enquanto abria as mãos pra mostrar o tamanho.
A mulher deu uma rápida olhada para o meu shorts com um olhar pervertido, e depois continuou conversando com o Gabriel.
Droga !! Ela está maliciando !! Preciso dizer alguma coisa... Ou...
— N-não... E-ele está f-falando errado.. N-não foi isso... — Murmurei, mas fui interrompido de novo.
— É... ? E depois, o Vini fez alguma coisa ? — Perguntou ela.
— Fez ! —Exclamou Gabriel.
— O quê ? — Perguntou ela.
— Ele colocou o "saxixão" no buraco ! — Exclamou Gabriel.
— N-n-n-n-n-n-n-n-n-não.................................. — Murmurei.
— Hm............ — Murmurou a mulher.
— Mas quase não coube !! Era muito apertado !! — Exclamou Gabriel.
— EU CANSEI !!! CANSEI DE VOCÊ !!! CANSEI DESSA SUA PERSONALIDADE INFANTIL !!! CANSEI DE TUDO !!! — Exclamei, enquanto deixava o dinheiro que o pai dele deu em cima da mesa da mulher, me levantava e saía dali.
Desci as escadas correndo e fui andando pela calçada.
Ouvi o Gabriel gritando e chorando de lá de cima.
— NÃO VINI !!! N-NÃO VAI EMBORA !!! — Gritou ele, enquanto chorava.
Olhei pra trás e vi ele na janela, mas nem liguei.
Preciso achar um modo de me afastar do Gabriel... Ele está tornando minha vida um pesadelo... D-droga !
Fui até uma pracinha e me sentei em um dos bancos.
Droga... Droga... Droga... Ele não liga pra mim... Ele só quer acabar com a minha vida... Gabriel desgraçado... Eu te odeio...
— Odeio......... — Murmurei.
— Vinícius ? — Perguntou uma voz.
Olhei pra ver quem era... Era o Guilherme.
— G-G-Gui... — Gaguejei.
— Por quê você está chorando !!? — Perguntou ele, enquanto sentava do meu lado.
— S-só estou com muita raiva ! — Respondi.
— Por quê ?
— Têm um menino que está acabando com a minha vida !! — Exclamei.
— O quê ele fez ?? — Perguntou Guilherme.
— Ele fica contando meus segredos pra todo m-mundo... D-droga... A-aquele maldito... — Respondi.
— Aff... Que filho da pulta... Me fala quem é que eu arregaço ele. — Disse Gui.
— V-você não p-pode... E-ele está doente... — Murmurei.
— Mesmo assim !! Isso não é motivo !! — Exclamou ele.
— Deixa... Vamos esquecer isso... — Pedi.
— Okay.
Sequei minhas lágrimas de raiva e decidi parar de pensar no Gabriel.
Aliás... Agora que estou percebendo... E-eu estou m-muito perto do Gui....
— N-n-nós v-vamos no s-shopping h-hoje... — Murmurei.
— Ah sim, vamos, eu só tinha ido no mercado ali pra minha mãe, agora estou voltando pra casa pra me arrumar. — Contou ele.
— A-ah... A Isa n-não vai mais... — Falei.
— Ah ! Sério ? Por quê ?
— Ela foi pra casa do namorado dela.
— E ela têm namorado ???
— Têm. — Respondi, sim, eu respondi com sinceridade... Se ele estivesse interessado apenas na Isa, ele iria parar agora... Mas, o problema, é que ele também não iria no cinema comigo...
De qualquer forma eu iria parar de me iludir, se este fosse o caso.
— Entendi... Agora eu tenho que ir pra casa. — Falou ele, enquanto se levantava.
— T-Tá bom... E-então n-não v-v-vamos m-mais... ? — Perguntei.
— Claro que vamos ! A propósito, quer vir comigo na minha casa ?
NOSSA !! ELE ESTÁ ME CONVIDANDO PRA IR PRA CASA DELE !! S-SÉRIO ISSO ??? N-NÃO ACREDITO !!!
— Q-q-q-q-q-quero... — Respondi.
— Eu moro bem pertinho daqui, não se preocupa. — Falou ele.
Fui andando um pouco atrás dele...
E-estou indo pra casa do Gui... O-o quê eu vou fazer... ?
Pensando bem... Essa cena me é familiar...
Parece aquela cena daquele anime... Sekai-ichi hatsukoi ! Quando o Takano-san convida o Onodera pra ir à casa dele.
S-s-s-s-significa q-q-q-quê e-e-e-ele v-v-v-vai.... M-M-M-ME C-C-C-COMER ????
O-o-o quê eu f-faço !!? I-irei perder minha virgindade h-h-hoje !!? Finalmente irei sentir como é a s-s-sensação d-d-de um pênis de verdade m-m-me p-p-penetrando ?
— O quê foi ? Não precisa ficar tão nervoso. — Falou Guilherme.
C-C-COMO ELE SABE QUE ESTOU NERVOSO !!? ALIÁS !! ISSO FOI A MESMA COISA QUE O TAKANO-SAN DISSE AO ONODERA QUANDO ELES ESTAVAM À CAMINHO DA CASA DELE !
— N-não é c-como se eu estivesse n-nervoso, só estou com um pouco de v-vergonha porquê eu n-não tenho costumes de ir na casa dos outros... — Falei.
— Ah tá. — Disse Gui.
Chegamos na casa dele, é uma casa verde e bem normal.
— Cheguei. — Falou ele, enquanto deixava as sacolas em cima da pia.
— Oi. — Falei, cumprimentando a mãe do Gui.
— Oi. — Disse ela.
— Vem. — Chamou ele.
Eu e o Gui entramos em seu quarto, b-bem, não sou bom pra descrever casas e cômodos, eu apenas considero este quarto um quarto comum, também.
Guilherme pegou uma toalha no seu guarda-roupas e falou :
— Vou tomar banho rapidinho, me espera aí. — Disse ele.
— Tá. — Falei.
Gui saiu do quarto e me deixou sozinho lá.
A cama do G-Gui... S-será q-q-que eu devo... ?
O Onodera fez isso e se deu bem..... E-ele acabou sendo comido pelo Takano-san !! M-m-mas... S-S-SERÁ Q-Q-QUE EU DEVO !!?
— T-t-tudo b-bem V-v-vinícius... É s-s-só u-u-uma v-v-vez... E-e-e ele n-n-não i-i-i-irá v-v-v-ver... — Sussurrei para mim mesmo.
Me deitei na cama dele e cheirei seu travesseiro...
Hm.... O cheirinho do Gui... Q-quem dera eu dormisse c-com esse cheirinho t-todos os dias...
Fiquei deitadinho na cama dele até que eu escutei o barulho da água do chuveiro caindo, parar.
Me sentei no chão e fiquei esperando ele adentrar o quarto.
É a-a-agora... E-eu irei vê-lo molhado e s-sem camisa...
A-a-ai... E-eu vou m-morrer...
— Pronto, eu disse que seria rápido, né ? — Falou ele, enquanto adentrava o quarto apenas com uma toalha amarrada na cintura.
— F-f-f-f-f-foi.... M-mas não p-p-pense q-q-que eu f-f-fiquei e-e-esperando... P-p-pois eu me d-d-distraí a-a-aqui c-c-com m-m-meus p-p-p-pensamentos... — Falei.
— Cara, já falei que não precisa ficar tão nervoso, relaxa. — Disse ele, enquanto se sentava no chão, bem do meu lado.
Fiquei olhando pra baixo.
— Olhe pra mim. — Pediu ele.
Virei o rosto e comecei a encará-lo... Era muito difícil ficar olhando-o daquele jeito, tão de perto.
— Você quer pegar no meu pau ? — Perguntou Guilherme.
Droga !! Mas o quê diabos de pergunta é essa !!? O que eu faço !!? Será que eu falo que quero !!? Será que eu digo que não !!? O quê ele está pensando !!? Ele quer mesmo me comer ?? Ou será que ele está me testando !? D-droga !!!!!!!
— N-n-n-não.. — Respondi.
Ele pegou na minha mão, e começou a controlá-la.
Guilherme passou minha mão em seu tanquinho gostoso... Bem devagarinho.
Senti seu corpo escorregadio por causa do banho... Era delicioso !
Gui olhou pra mim e deu risada.
— Haha, deixa eu me trocar logo pra nós irmos. — Falou ele, enquanto se levantava e ia até o guarda-roupa.
Ele se trocou na minha frente, só que virado de costas... Eu só consegui ver o seu bumbum.
Gui colocou uma roupa bem bonita, e depois, secou o cabelo com um secador e passou um perfume com cheiro bem suave.
— Vamos. — Disse ele.
Nós saímos da casa dele, pegamos um ônibus e chegamos rapidinho no shopping, demorou uns 15 minutos, apenas.
— Aonde você quer ir primeiro ? No cinema ou na praça de alimentação ? — Perguntou Guilherme.
— Pode ser no cinema. Não que eu queira ir aí primeiro só pra ficar mais perto de você, mas é que estou ansioso pra ver o filme. — Falei.
— Beleza, então bora. — Disse ele.
Enquanto isso :
— Eu já estou indo embora, agora é outro psicólogo que continuará com as consultas. — Falou Leila, enquanto descia as escadas do seu consultório ao lado do Gabriel.
— Continuará as consultas ! — Exclamou ele.
Os dois foram pra calçada e ficaram ali na frente.
— Você quer que eu te leve pra casa ? — Perguntou a mulher.
— Quero não ! O Vini vai vir me buscar ! — Respondeu Gabriel.
— Eu acho que ele não vai vir não Gabriel, ele ficou bem bravo. Sem contar que o Vini não é uma boa companhia pra você. — Disse a mulher.
— Mais eu quero voltar pra casa com o Vini ! — Falou Gabriel.
— Tem mesmo certeza ?? — Perguntou ela.
— Tenho ! Ele vai vir me buscar ! Ele não pode me abandonar de novo ! Eu o amo muito ! — Respondeu ele.
— Tudo bem, tchau, até mais. — Falou ela, enquanto deixava o Gabriel pra trás.
Ele sentou-se na calçada, em frente ao psicólogo e ficou esperando.
Eu e Guilherme adentramos o cinema, eu estava segurando um pote com pipoca amanteigada bem grande !
Ele sentou do meu lado, o lugar estava bem cheio.
— Você não vai ficar com medo, vai ? — Perguntou Guilherme.
— Claro que não. — Respondi.
— Mas, se você ficar, eu estou bem aqui... Pode me abraçar se quiser. — Falou ele, enquanto soltava uma risadinha.
— Convencido, não fique achando que eu quero te abraçar, hunf. — Eu disse.
— Então, já que você não quer, eu quero. — Falou Gui, enquanto me puxava pela cintura e colocava a cabeça em cima do meu ombro.
— M-m-me s-solta... T-t-têm m-m-muita g-g-gente... — Murmurei.
— Não, e nem tente se soltar. Eu sou mais forte, não importa o quanto você se debata eu não vou te soltar, menino fraquinho. — Falou ele.
Não tive escolha a não ser ficar grudadinho nele... E-era muito aconchegante... Com o decorrer do filme eu perdi a vergonha, e até peguei nas mãos do Gui.
Depois do cinema nós fomos comer na praça de alimentação... E depois, fomos na playland.
Ele pegou um coala de pelúcia pra mim na máquina, muito fofo !!!
Como ele consegue ser bom em tudo ??
Depois pegamos o ônibus e voltamos pra nossa cidade. Já era de noite, estava ventando muito e com um pouco de garoa.
Os relâmpagos estavam clareando os céus a cada minuto. Uma bela tempestade iria cair.
Descemos do ônibus e ficamos esperando no ponto.
— D-droga, eu não trouxe um guarda-chuva. — Falei.
— Eu trouxe, pode deixar que eu te levo ! — Exclamou ele.
— N-não precisa se dar o trabalho... — Murmurei.
— Preciso sim, não quero que você pegue um resfriado. — Disse ele.
O Gui... Está se importando comigo... Q-que fofo...
Como diz aquela frase... Quem ama, cuida... Será que ele me ama ???
Fomos andando bem juntinhos, porquê o guarda-chuva era pequeno.
Ele me levou até o portão de casa.
A chuva havia ficado bem forte, já.
— Está tudo bem ? V-você consegue voltar sozinho ?? — Perguntei.
— Sim sim, é perto. — Respondeu ele.
— Hm... T-tudo bem... — Murmurei.
— Você gostou de hoje ?? — Perguntou Gui.
— S-s-s-sim... E-eu gostei m-muito... M-mas não pense que foi por sua causa... E-eu teria me divertido o mesmo tanto c-c-com qualquer outra pessoa. — Falei.
— Hahaha, ah é ? — Perguntou ele.
— Sim. — Respondi.
— Então tá... Até mais.. — Murmurou ele.
— A-a-até mais.... — Murmurei.
Ficamos alguns segundos parados um na frente do outro... Quando resolvi abraçá-lo.
— Obrigado, Gui... — Falei.
— B-bobo... — Disse ele, enquanto retribuía o abraço.
Ele me abraçou bem forte... Era tão bom !
Quando íamos nos soltar... Ele aproximou seu rosto do do meu e me deu um beijo...
Senti sua língua dentro da minha boca, e, apesar do frio da ventania, senti um calor enorme dentro do meu corpo.
F-foi o meu primeiro beijo...
Quando nos afastamos, eu e ele sorrimos um pro outro.
Ele foi embora com seu guarda-chuva, e eu entrei pra dentro de casa.
Fui pro meu quarto e me deitei na cama, fiquei lá sozinho com as luzes apagadas. Apenas os relâmpagos iluminavam o meu quarto. Fiquei abraçado com o coala de pelúcia que o Gui pegou pra mim.
M-meu primeiro beijo... F-foi bom...E-eu quero beijá-lo de novo...
Maria entrou no meu quarto, acendeu a luz e perguntou :
— Você já chegou... Cadê o Gabriel ? — Perguntou ela.
Puts..... O Gabriel....
Enquanto isso, na frente do psicólogo que já havia fechado... Gabriel estava lá, sentado na calçada tomando chuva e tremendo de frio, enquanto olhava pro céu com um olhar vazio e obscuro.
— C-cadê o-o.... V-vini....... ?
— E-ele m-me abandonou.... D-de novo..... — Sussurrou Gabriel, para si mesmo.
Continua no capítulo 05.
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