Eu estrelo você
5 Esquecimento
Notas iniciais
Vinícius POV
Agora é sábado à noite, acabei de voltar do meu primeiro encontro com o Gui, tudo estava perfeito até minha avó começar a reclamar do Gabriel.
— Responde Vinícius ! Aonde está o Gabriel ?? — Insistiu minha avó.
Caramba... Eu me esqueci daquele idiota, aff, meu encontro foi tão maravilhoso que mal pude fazer contato com o mundo exterior
— Eu não sei... — Falei.
— Como assim não sabe ? Você não estava passeando com ele ?
— Não. Eu deixei ele lá na psicóloga e fui no shopping com um outro amigo.
— COMO ASSIM VOCÊ DEIXOU ELE LÁ !? VOCÊ É LOUCO ? COMO PÔDE DEIXAR SEU AMIGO SOZINHO ?? DOENTE AINDA POR CIMA !!? — Falou minha avó num tom alto e inconformado.
— Ele não está doente, aposto que está fingindo. — Eu disse, da boca pra fora, pois não tinha um argumento melhor pra fazer.
— Se ele estivesse fingindo, seria muito fácil saber ! — Disse Maria. — Agora, como vamos achar ele ? O quê eu vou falar pro pai dele ? Droga !
— Sei lá. — Falei.
— SEI LÁ !!? VOCÊ DEIXOU ELE LÁ, AGORA, PODE IR PROCURAR POR ELE ! — Ordenou minha vó.
— Hã ?? Está chovendo, e muito forte. — Falei.
— NÃO QUERO SABER ! VAI LOGO !
— EU NÃO VOU COISA NENHUMA, É BOM DEIXAR AQUELE IDIOTA FINGIDO PRA LÁ, AFF. — Falei, enquanto expulsava minha avó do quarto e trancava a porta.
Me deitei na cama de novo e fiquei pensando.
— Aonde será que ele está ? Tomara que a psicóloga tenha levado ele pra casa dela. — Sussurrei para mim mesmo.
Ouvi um barulho apitando e fui ver o que era. O barulho vinha do meu tablet.
Apertei o botão pra desbloquear e respondi a mensagem no facebook.
Oxe... Meu tablet está pegando... Ele não tinha quebrado aquela vez ? Quanta sorte ! Então ele não quebrou afinal de contas !
Fiquei duas horas mexendo no tablet, mal fui jantar. Eu precisava colocar as conversas em dia !
— VINÍCIUS ! ABRE A PORTA !! — Gritou minha mãe, do lado de fora.
Abri a porta e ela entrou no quarto.
— COMO ASSIM VOCÊ DEIXOU SEU AMIGO DOENTE NO PSICÓLOGO ? CADÊ A RESPONSABILIDADE ? CADÊ A EDUCAÇÃO QUE EU TE DEI !?
— calma. — Falei.
— CALMA !? VOCÊ SABIA QUE ELE FICOU LÁ, SENTADINHO, TOMANDO A MAIOR CHUVA !!? — Gritou minha mãe.
— Ficou ? Então você achou ele ? — Perguntei.
— Achei, quando eu estava voltando do serviço vi ele lá na entrada do psicólogo, sentado na calçada e tomando chuva. — Disse minha mãe. — Agora ele está tomando banho.
— Uffa, que bom, agora vocês já podem parar de me encher o saco. — Afirmei.
— Deixa eu ver uma coisa no seu tablet. — Pediu ela.
Peguei meu tablet e emprestei pra minha mãe.
— O quê foi ? — Perguntei.
— Nada, agora esse tablet será meu até você criar juízo. — Respondeu ela, enquanto saía do quarto e guardava meu tablet em sua bolsa.
— HÃ !? MAS QUE MERDA !! A CULPA NÃO FOI MINHA !! ELE FICOU LÁ TOMANDO CHUVA PORQUÊ QUIZ ! — Exclamei.
Minha mãe virou o rosto e falou :
— ABAIXA O TOM PRA FALAR COMIGO, PORQUÊ EU NÃO SOU SUA PULTA ! EU SOU SUA MÃE ! EU VOU FICAR COM O TABLET ATÉ QUANDO EU QUISER ! E SE VOCÊ OUSAR TENTAR PEGÁ-LO EU ACABO COM VOCÊ ! — Gritou ela. — Seu irresponsável.
Aff !!
Me deitei na cama e fiquei pensando de novo.
Tinha que ter alguma coisa pra estragar o meu dia perfeito ! E essa coisa tinha que ser... Gabriel !!!
Droga ! Ele bem que podia ter voltado sozinho pra casa ! Ele já conhecia o caminho ! Por quê ele ficou lá tomando chuva !? Aposto que foi só pra criar caso !
Gabriel adentrou o quarto, com um pijaminha e com o cabelo molhadinho pois acabou de sair do banho.
— VOCÊ NÃO VAI DORMIR AQUI ! PODE SAIR ! POR SUA CULPA EU LEVEI A MAIOR BRONCA E AINDA PERDI O MEU TABLET ! — Exclamei.
Ele veio até mim e ficou em pé, na minha frente.
— Sai. — Pediu ele.
— Hã ? Como assim, "sai" ? — Perguntei.
— Eu durmo aí, então saia. — Respondeu Gabriel.
Olhei pro rosto dele e percebi uma diferença... Os olhos dele, estavam vazios... Não possuíam mais aquela estrelinha que vivia brilhando.
— Esse é o MEU quarto, e essa é a MINHA cama. — Falei.
Gabriel fez um movimento, pegando um objeto que de cara não pude ver o que era.
Com sua mão esquerda ele pegou naquela minha região... Que só os meninos têm... Mas, por cima das roupas. E com sua mão direita, colocou o estranho objeto no meu nariz.
— Eu mandei sair, não vou repetir. E não faça nenhum movimento suspeito. — Falou ele.
— M-mas o quê... — Fui falar, mas acabei interrompido por ele.
— Me desculpe, eu falei errado... Digo, você pode fazer um movimento suspeito... Mas, será muito perigoso. — Disse ele, enquanto apertava minhas bolas com mais força, e apertava também, meu nariz com o objeto.
Gabriel foi orientando meu corpo até a saída do quarto, sem me soltar. Quando chegamos até a porta, ele soltou minhas bolas que ficaram muito doloridas.
— Muito bem. — Disse ele, enquanto usava o objeto pra grampear meu nariz... Sim, era um grampeador.
— AAAAAAAAAAAAAAAAHHH ! — Gritei.
Gabriel me empurrou pra fora do quarto e fechou a porta.
— AAAAHHHH ! MEU NARIZ ! — Exclamei.
— O quê foi, o quê foi !? — Perguntou Maria.
— O Gabriel grampeou meu nariz !! — Respondi.
— Nossa ! Vem cá !
Fui até a minha avó e ela arrancou o grampo, e depois, colocou um curativo no meu nariz.
D-droga... Quem aquele babaca pensa que é... ? A Senjougahara ? Me poupe !
— Por quê ele te grampeou ? — Perguntou minha avó.
— Eu sei lá ! — Respondi.
— Alguma coisa você fez.
— Eu não fiz nada !
— Hm... Então tá bom.
Depois daquilo, tomei banho, jantei e me dirigi pro meu quarto de novo.
Desgraçado... Eu vou acabar com ele...
Tentei abrir a porta do meu quarto e consegui... Ele não a trancou ?
Gabriel já estava dormindo, na minha cama, todo enrolado.
O meu colchão já estava todo pronto pra eu dormir, também.
— Tsk... Seu maldito... Amanhã nós acertamos as contas... — Sussurrei, enquanto me deitava no meu colchão.
No dia seguinte, domingo às 10:45 eu acordei e tomei café da manhã. Gabriel continuou dormindo, aquele preguiçoso.
Saí de casa e fui andar um pouco, parei numa pracinha e fiquei pensando em coisas aleatórias.
A manhã estava bem ensolarada, tinha certeza de que iria fazer um baita calor !
— Nossa cara, você adora vir aqui mesmo, hein ? — Perguntou uma voz.
Olhei pra ver quem era... Mas nem precisava, era impossível eu não reconhecer aquela voz !
— Sim, eu gosto, é bem relaxante. — Respondi.
Ele se sentou no banco, bem do meu lado. Era Guilherme.
— O quê você tanto fica pensando quando está aqui ? — Perguntou Gui.
— A-a-ah... E-em muitas coisas... — Respondi.
— "Muitas coisas" poderia ser... Tudo que aconteceu ontem ? — Perguntou ele.
— S-s-sim...
— Foi bem legal, né ?
— Foi, eu nunca saído daquele jeito com ninguém antes. — Falei.
— Hm... Quer ir de novo, qualquer dia ? — Perguntou Gui.
— Claro ! Eu vou adorar ! — Respondi.
Ficamos um do lado do outro, sem falar nada por alguns minutos...
D-droga... Estou com vergonha... É a primeira vez que nos falamos desde aquele beijo de ontem...
— Vinícius... Você é gay ? — Perguntou ele.
Essa pergunta... B-bom, acho que ela é bem óbvia depois do acontecido...
— Sou. — Respondi. — E você ?
— Eu sou bissexual.
— Hm... — Murmurei.
— Têm alguém que sabe sobre você ? — Perguntou ele.
— Só minha melhor amiga e um... Coleguinha. — Respondi. O coleguinha era o retardado do Gabriel.
— Saquei, não têm ninguém que sabe sobre mim, exceto você. — Disse ele.
— S-s-sério ? T-tudo bem S-só não pense que eu me sinto feliz por ser o primeiro a saber. — Falei.
— Você gostou... ? — Perguntou ele.
— D-d-d-d-do q-quê ?
— Do nosso beijo ?
— S-s-sim...
— Eu também gostei, e muito... — Falou Guilherme.
— Q-q-que bom.
— E-eu q-quero te beijar mais v-vezes... — Disse ele.
— E-e-eu t-t-também...
— Você quer namorar comigo ?
E-essa pergunta ! POR ESSA EU NÃO ESPERAVA, TÃO CEDO ASSIM ? NÃO ACREDITO !!! ELE GOSTA TANTO ASSIM DE MIM !? SERÁ QUE ELE ERA APAIXONADO POR MIM A BASTANTE TEMPO E EU NÃO SABIA ?
— M-mas ainda é-é muito cedo... E eu nunca namorei ninguém antes. — Eu falei aquilo. Instintivamente, pois nunca considerei o que eu tive com o Gabriel como um namoro.
— Só que eu gosto muito de você... Quero sair contigo mais vezes... Quero te beijar mais vezes... Quero fazer tudo com você... Tudo. — Falou ele.
— A-a-ah... M-mas... Me diz, o quê você vê em mim ? — Perguntei.
— Acho você fofo, bonito, divertido, gentil, e foi o primeiro garoto pelo qual já me apaixonei. — Respondeu ele.
— S-sério ?
— Sim.
O Gui... Como ele é incrível ! Então ele realmente era apaixonado por mim...
Nunca ninguém se declarou assim pra mim antes... Bom, o Gabriel não conta. Prefiro excluir ele das minhas memórias.
— Então tudo bem, eu quero sim namorar com você. — Falei.
Guilherme ao ouvir aquilo, não quis saber de mais nada, apenas me agarrou e me beijou, ali naquele banquinho da praça.
Mesmo com as pessoas olhando, mesmo sendo um lugar público, eu ignorei tudo isso. Apenas quis ser beijado mais e mais por ele.
Sentir o calor dele é tão bom... Eu amo isso...
Após nos beijarmos, ficamos um olhando dentro dos olhos do outro, e sorrimos.
— B-bom, agora eu preciso ir... Estou voltando da padaria agora, preciso levar os pães pra casa.
— Café da manhã à essa hora ? — Perguntei.
— É, só eu vou tomar café da manhã mesmo. — Respondeu ele. — A propósito, o quê houve com seu nariz ?
— A-a-a-ah... Uma espinha muito horrorosa, apenas. Nada de mais.
— Então tá bom, até mais Vini. — Disse ele, enquanto me dava um selinho e se levantava. — Posso te chamar assim, não é ?
— P-p-pode. — Falei.
— Falou então. — Disse ele, enquanto ia embora.
— T-tchau.
O Gui é tão gostoso, ai cara, não vejo a hora de ir pra cama com ele, de verdade. Agora que estamos namorando, se ele me der outra oferta daquelas eu não irei recusar. Vai ser tão delicioso !
Voltei pra casa e entrei no meu quarto. Está muito quente ! Andei um pouco da praça pra cá e já fiquei soado !
Gabriel ainda estava dormindo. Droga, que preguiçoso.
— GA... — Eu ia gritar, mas parei porquê vi uma coisa que não era normal.
Gabriel estava enrolado em uns três cobertores de lã naquele calor de matar.
Tirei todos os cobertores de cima dele e toquei na testa dele.
Ele estava vermelho, soando, e muito quente.
— Gabriel ! Acorda ! Já é tarde ! E está muito quente ! Você não pode ficar com todos esses cobertores !
— F-f-frio... — Murmurou ele.
— MARIA !!! O GABRIEL TÁ DOENTE !! — Chamei pela minha avó.
Ela entrou no quarto e "examinou" o Gabriel.
— Ai meu deus, agora ele está com febre... VIU VINÍCIUS, É TUDO CULPA SUA ! TUDO POR VOCÊ TER DEIXADO ELE LÁ SOZINHO NA CHUVA !!
— Culpa minha nada, aff.
Maria deu dipirona pro Gabriel tomar. Depois disso, ele se deitou na minha cama de novo e dormiu.
— Agora você pelo menos, tenha um pingo de ética e cuide dele. — Falou minha avó. — Toma, pega esse paninho úmido e coloca na testa dele.
Tsk... Eu, cuidar dele ? Droga.
Ele nunca cuidou de mim, por quê eu tenho que cuidar !!?
Coloquei o paninho na testa dele e fiquei o observando dormir.
— Eu agora estou namorando um menino... O nome dele é Guilherme... Ele é o meu... Primeiro namorado. — Sussurrei no ouvido do Gabriel.
— Eu amo muito ele, e ele também me ama... Diferente de você. Tudo que você sabe fazer é me ferrar, você só me causa problemas, você é um incômodo. — Sussurrei no ouvido dele.
*Flashback ON* ~~ à um ano atrás.
Na época em que eu namorava o Gabriel. Nós dois estávamos num parque bem grande e bonito, sentados em baixo de uma árvore com nossas bicicletas um do lado da outra.
— Nossa... — Murmurou Gabriel.
— O quê foi ? — Perguntei.
— Eu nunca pensei que um dia você me namoraria.. E nunca pensei que um dia você iria querer vir aqui comigo... — Respondeu ele.
Eu não queria ir, ele que insistiu.
— Só vim aqui porquê você inventou que estava gordo e que queria emagrecer. Mas, se você ficar mais magro do que isso você vai sumir. — Falei.
— Eu estou gordo !! Olhe !! — Falou ele, enquanto mexia na parte do braço, perto da axila. — Veja como a minha carne aqui está molenga !!
— Err...
— Está tudo frouxo !!
— Isso é paranóia sua. — Falei.
— Hm... Então você me acha bonito do jeito que estou agora ? — Perguntou ele.
— Não, você é mais ou menos.
— Então eu preciso ficar bonito, assim as pessoas vão olhar pra gente e vão dizer : "olhem só que garotos bonitos, eles formam um ótimo casal juntos". Devo emagrecer, malhar e alisar meu cabelo. — Falou ele.
— Eu não ! Morro de vergonha ! Não quero que saibam sobre a gente, eu já disse. — Falei.
Gabriel se levantou do gramado e falou :
— Sabe Vini, eu acredito que todos nós, os humanos, viemos para esse mundo pra cumprir um objetivo. — Falou ele.
— Hm.....
— O objetivo de cada pessoa, alterna... Uns vêm para sofrerem pra pagar os pecados cometidos em vidas passadas... Outros vêm pra terem uma vida ótima, porquê só passaram por mágoas na vida passada... E outros vêm para realizarem sonhos ou objetivos que não foram cumpridos ou terminados. — Contou ele.
— Legal, mas, o que quê tem ? — Perguntei.
— Eu tenho certeza de que vim pra essa vida com o objetivo de realizar um certo sonho... — Contou ele.
— Que sonho ?
— Meu sonho é ser amado por alguém que eu ame... Muito... E, desde que eu te conheci, só consigo sonhar isso com você. — Disse ele. — Eu te amo muito Vini, quero passar o resto da minha vida com você... Aliás, mais do que amar, eu estrelo você.
— Hm... Obrigado. — Falei.
— Traduzindo, o meu objetivo neste mundo é fazer com que um dia você me estrele... Após cumprir isso, eu poderei até morrer. — Falou Gabriel.
— Credo, vira essa boca pra lá.
— Hihi, só falei por falar. Eu não quero morrer, pois eu quero viver bastante... E mais do que isso, quero passar todos os anos da minha vida ao seu lado. — Disse ele, enquanto se sentava na minha frente de pernas cruzadas com um sorriso no rosto.
— Quantos anos ?
— Eu já disse, todos. Minha vida inteira. Eu quero ser a pessoa que te fará sorrir sempre, quero ser a pessoa que te fará carinho sempre, quero ser a pessoa que cuidará de você, e se a situação exigir, poderei até morrer por você.
— Nossa, quanto drama, você me ama mesmo hein. — Falei.
— Não Vini, eu não te amo, eu estrelo você, pois as estrelas são mais brilhantes do que o amor. E eu acredito que meu sentimento por você seja muito... "Brilhante". Um brilho inacabável.
— Um brilho que um dia, pode morrer e se tornar um grande buraco negro, sugando e destruindo tudo ao seu redor. — Falei.
— Isso vai depender de você. — Disse ele.
— Vixi, então lascou.
— Não se preocupe, isso nunca irá acontecer, pois eu definitivamente farei você me estrelar também... É uma promessa. E depois disso, viveremos juntos para sempre. — Falou ele, enquanto tentava me dar um abraço.
O empurrei pra trás e falei :
— PARA !! ISSO É VERGONHOSO !! ESTAMOS NUM PARQUE !! TÊM MUITA GENTE AQUI, AFFE ! — Exclamei.
Algumas pessoas ficaram nos mirando com um olhar feio. Eu morri de vergonha.
— Aff, aff, olha o quê você fez... Agora tá todo mundo olhando... Maldição... — Me levantei, peguei minha bicicleta e subi em cima dela.
— D-d-desculpa V-vini... É que nós somos namorados, e e-eu p-pensei q-que poderia t-te dar um abraço... — Murmurou ele.
— NÃO ! VOCÊ NÃO PODE ! — Gritei.
— Você vai... Me abandonar... ? — Perguntou ele, com um tom de voz sombrio.
— Vou. — Respondi, enquanto saía dali em minha bicicleta, o deixando sozinho.
*Flashback OFF*
Exatamente... Você, Gabriel, sempre me fez passar vergonha... Com minha família... Com meus amigos... Em público... Você sempre foi muito possessivo em relação à mim, e isso é insuportável.
— Você sempre foi de dizer aquelas baboseiras de amor... Mas eu nunca acreditei em nada... Pra mim sempre foi mentira, sempre fingi acreditar só pra você não encher o saco... — Sussurrei no ouvido dele.
— Eu te odeio, eu não gosto de você, te abandonei aquela primeira vez no parque pra você parar de tentar algo comigo. Te abandonei uma segunda vez na escola, parando de falar com você e cortando todos os nossos laços. Te abandonei uma terceira vez te deixando na chuva... E se for necessário, abandonarei uma quarta. Você é um estorvo. — Sussurrei no ouvido dele, de novo.
— Depois que eu parei de falar com você na escola, você não fez mais nenhum amigo, não é ? Exceto a Márcia. Mas saiba que nem mesmo ela se importa com você... Ninguém se importa. Se você morrer, não fará falta à ninguém. — Sussurrei.
— O quê eu preciso fazer, pra você me deixar em paz e nunca mais me perseguir !? Te matar !? — Sussurrei.
Lágrimas escorreram dos olhos do Gabriel, apesar dele estar dormindo.
Bom, ele não estava dormindo afinal de contas, ótimo.
Saí do quarto e deixei Gabriel dormindo, fui na casa do Guilherme passar o dia com ele e só voltei de noite.
Foi incrível ! Nós namoramos bastante ! Isso sim é namorar de verdade.. Beijos, abraços, pegadas... A-ai, me sinto bem só de lembrar...
Cheguei em casa e fui direto pro meu quarto. Gabriel estava sentado na minha cama.
Olhei pra ele e vi que a febre tinha passado. Ótimo, menos um incômodo.
— VINÍCIUS !! EU MANDEI VOCÊ CUIDAR DO GABRIEL, MAS VOCÊ SAI E DEIXA ELE SOZINHO !!? — Berrou minha avó.
— Calma, ele já melhorou, não é Gabriel ? — Fui até ele.
Gabriel virou o rosto e ficou me encarando.
— O que foi ? Responde.
Ele ficou analisando bem o meu rosto e o Meu corpo, como se tivesse me vendo pela primeira vez.
— RESPONDA LOGO, BESTA !! — Exclamei.
— Quem é você ? — Perguntou Gabriel, se referindo à mim.
Continua no capítulo 06.
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