Eu estrelo você

6 Suposto fingimento


Notas iniciais
*Não sei muito bem o quê dizer sobre esse capítulo... Bem, ele será meio enrolação, porém, muito importante, então eu espero que gostem =3 *Escrevi esse capítulo escutando Lana Del Rey e-e, AI MEU DEUS, COMO ELA CONSEGUE SER TÃO PERFEITA ? TÃO DIVA ? TÃO MARAVILHOSA ??? ME RESPONDAM !!!, AI CARA, BORN TO DIE

Vinícius POV

— Como assim quem sou eu ? Você é uma anta ? — Perguntei.

Gabriel fixou o olhar no meu rosto, e continuou me encarando sem falar nada, como se estivesse pensando.

— Vinícius, será que ele esqueceu de você ? — Perguntou minha avó.

— Isso é muito difícil, do jeito que ele era possessivo comigo... É, eu duvido muito. Talvez ele só esteja fingindo pra criar caso. — Respondi.

— Você acha que ele está fingindo ? Mas por quê ? — Perguntou minha avó.

— A-ah, eu sei lá, o Gabriel é um retardado metido a inteligente que gosta de brincar com o psicológico dos outros, você não se lembra daquela vez ? — Perguntei.

— Quando ?

— N-nada... E-esquece... — Respondi.

Uma vez o Gabriel fez um jogo psicológico com minha avó, que o fez descobrir uma coisa muito grave sobre ela. Mas ela até hoje não sabe que nós descobrimos.

*Flashback ON* ~~ Há um ano atrás.

Eu e o Gabriel estávamos sentados um do lado do outro no sofá da sala daqui de casa, eu estava mexendo no tablet e ele estava lendo um livro. A Maria estava na cozinha lavando a louça.

— Maria, ontem quando eu estava saindo daqui, um homem me parou e perguntou se eu conhecia alguma Maria — Falou Gabriel.

— Que homem ? — Perguntou Maria.

— Era um coroa, com cabelo grisalho e bem alto. — Respondeu Gabriel. — Bem, eu disse à ele que conhecia uma Maria, e falei que ela era avó do meu amiguinhozinho querido do coração. — Gabriel deu um sorrisinho.

— Cala a boca. — Falei friamente, mas continuei prestando atenção na conversa dos dois pois a tela no jogo do meu tablet estava carregando.

— E o quê mais ? — Perguntou Maria.

— Ele disse que precisava muito falar com você, falou que era de uma funerária, se não me engano... — Murmurou Gabriel.

— Funerária ? Ué, o quê será que ele queria comigo ? — Perguntou minha avó.

— O quê ele queria eu não sei, mas ele me disse que o nome dele era Valdemar. — Respondeu Gabriel.

— V-Valdemar ? N-não conheço, deve ser um estranho. — Falou minha avó.

— O mais engraçado é que ele estava acompanhado com uma moça bem bonita, e apesar dele ser um velhaco e ela uma mulher exemplar cheia de curvas, pareciam um casal juntos... — Contou Gabriel.

— Ah é ? Como era essa mulher ? — Perguntou Maria.

— Era loira, a pele dela era bem branquinha, e tinha peitos bem grandes. A cor dos olhos eu não sei, porquê odeio olhar nos olhos das pessoas. — Falou Gabriel, enquanto virava uma página do livro.

— Entendi. Não a conheço também. — Disse minha avó.

— Eles pareciam aquele tipo de casal de novela, onde o velho-tolo e ingênuo cai nos feitiços de uma sucuri nova, e depois é assassinado e deixa toda a herança para a sucuri. — Afirmou Gabriel.

— Por quê você acha isso ? — Perguntou Maria.

— Porquê é sempre assim, os velhos sempre são enganados por mulheres mais novas, e aquela parecia ser do tipo que irá roubar até a alma dele. — Respondeu Gabriel.

— Hahá, enganar os velhotes são a especialidade das loiras oxigenadas. — Falei.

— Ah, mas eles não deviam ser um casal não. Talvez a mulher fosse uma conhecida ou algo do tipo. — Disse Maria.

Gabriel veio e cochichou no meu ouvido :

— Percebeu, Vini ?

— O quê ?

— A Maria falou... "Talvez a mulher fosse uma conhecida". — Afirmou Gabriel.

— E o quê que tem ?

— Quando nós vemos um velho com uma mulher mais nova, qual é a primeira coisa que pensamos ? — Perguntou Gabriel.

— Que é uma loira oxigenada interessada em herança ?

— Fora isso.

— Que é uma filha ?

— Sim, exato. — Afirmou Gabriel.

— Aonde você quer chegar ? — Perguntei.

— Uma pessoa normal teria dito "talvez a mulher fosse a filha dele", mas a Maria não disse. Ela falou "talvez seja uma conhecida", isso quer dizer que ela sabe que a mulher não é filha do velho... — Murmurou Gabriel.

— E.... ?

— Provavelmente, o velho deve ter dito à ela : "eu não tenho filhos".

— Mas e daí !? — Perguntei.

— Você é ingênuo ? Ela está nos enganando, ela sabe sim quem é o velho. — Respondeu Gabriel.

— Problema dela. — Falei.

— Não é só isso... O velho disse que era de uma funerária, mas, desde quando pessoas que trabalham em funerária são ricas ? E ele não parecia ser um rico que possuía algum tipo de herança... — Murmurou Gabriel.

— Isso quer dizer que você estava errado em achar que a loira queria a herança dele. — Falei.

— Não. Pense direito. O velho disse que era de uma funerária, mas aquilo provavelmente era uma mentira. — Falou Gabriel.

— Por quê acha que um velho mentiria pra você ? — Perguntei.

— Talvez eu saiba a resposta, irei confirmar agora. — Disse Gabriel. — Aliás Maria, aquele velho era bem estranho, ele usava um uniforme de funerária e estava com as botas todas sujas de barro, será que ele estava cavando alguma cova ?

— Ué, e-eu não sei. Mas acho que não. — Falou Maria.

Gabriel parou de ler e olhou pra cozinha, depois tornou à cochichar no meu ouvido.

— Olha lá, ela parou de lavar a louça, e agora está parada olhando pro nada... Provavelmente está pensando : "Ele estava usando um uniforme de funerária ? E estava sujo de barro ? Mas como assim ?". — Disse Gabriel.

— Errr, será que ela ficou confusa ? — Perguntei, enquanto olhava pra cozinha também.

— Ela sabe que o velho não é um funerário, e sabe que o velho mentiu pra mim. Por isso agora está achando estranho isso parecer verdade. — Respondeu Gabriel.

— Que estranho... — Murmurei.

— Com isso podemos confirmar que o velho mentiu pra mim, e se ele não era de uma funerária, então talvez poderia ser mesmo um rico. E se era um rico... Isso também explicaria a mulher ao lado dele. — Contou Gabriel.

— Não sei porque você está pensando tanto nisso... — Murmurei.

— É que estou entediado. — Disse ele.

— Um cara sujo com uma mulher bonita e nova ? Que estranho. — Falou Maria.

— Pois é... Será que eles fizeram sexo num cemitério ? — Disse Gabriel.

— Mas hein !? — Exclamei.

— Sim ué, eu tenho um primo mais velho que já comeu uma mulher num cemitério. — Afirmou Gabriel.

— Nossa, então quer dizer que era um velho bem safado. — Disse Maria.

— Claro que sim, velhos que ficam com mulheres mais novas ou são safados, ou são tontos iludidos... — Murmurou Gabriel, enquanto se virava pra mim e dizia. — Aliás Vini... Será que eu me encaixo no perfil de um velho ?

— Aham, com certeza. — Eu respondi aquilo sem entender o sentido original da pergunta, só depois eu percebi que foi uma indireta, uma indireta dizendo que ele é um tonto iludido e que parece um velho correndo atrás de uma moça (que viria a ser eu).

— Eu creio que não, ele não é rico, não há motivos pra mulheres mais novas ficarem atrás dele... — Murmurou Maria.

— Ohhh... Viu Vini ? A Maria sabe bastante sobre o velho. — Cochichou ele.

— Mas se ele não é rico, então porquê a mulher... ? — Perguntei ao Gabriel, mas fui interrompido.

— Não existe mulher. Era uma mentira. — Respondeu ele, apenas à mim, sem deixar a Maria ouvir.

— Hã ? — Cochichei também.

— Na realidade, eu encontrei apenas o velho, e ele me disse apenas essas coisas : "Você conhece alguma Maria ? É aquela que mora naquela casa ? Você fala pra ela que eu preciso urgente conversar com ela ? Meu nome é Valdemar" .

— Ele só disse isso ? — Perguntei.

— Sim, o resto eu inventei pra confirmar uma suspeita... E eu estava certo... Hey Vini, a sua vovó pula a cerca. — Disse Gabriel enquanto apontava discretamente pra Maria que estava na cozinha, totalmente "petrificada"

— E-e-eu duvido m-muito... — Murmurei.

— Ela costuma sair de casa ? — Perguntou Gabriel.

— Sim, ela sai todos os dias, m-mas... — Respondi mas decidi parar de falar pra pensar.

— Você não sabe aonde ela vai, não é ? Todo o dia ela fala que vai à um lugar diferente, não é ? Então é isso mesmo, olhe pra ela agora. Ela deve estar chateada pensando que o amante dela está a traindo. — Contou Gabriel.

— M-mas ela é velha... Têm mais de 50 anos... E o meu avô... — Murmurei, mas fui interrompido pelo Gabriel.

— Seu avô trabalha o dia inteiro, e quando vêm do serviço, chega bem cansado e vai direto pra cama dormir. — Falou Gabriel.

— ... — Fiquei pensando sem dizer nada.

— Mulher é um bicho difícil de entender... Por isso escolhi ser gay. — Disse Gabriel. — Mas Vini, pense pelo lado bom... Agora temos um segredo enorme da Maria em mãos, se um dia ela chegar a nos pegar juntos, podemos chantageá-la.

— Você tá doido ??? No que você está pensando ??? Nós nem temos certeza disso !!! — Exclamei, inconformado.

— Ué, mas está estampado na testa dela q... — Gabriel foi dizer, mas o interrompi.

— Você nunca vai chantagear minha avó. Uma porquê isso que você concluiu não é verdade, e duas porquê ela nunca vai nos pegar juntos. — Falei.

— Hm... Tá bom. — Disse ele.

*Flashback OFF*

No final das contas ele estava certo, um dia eu segui a Maria pra ver aonde ela ia... E foi pra se encontrar com o tal Valdemar. Depois os dois entraram num carro que provavelmente era dele e foram pra sabe se lá onde.

Não toquei no assunto com ela, por causa do quê o Gabriel me sugeriu aquela vez... Se um dia eu precisar, terei uma arma pra usar contra ela.

De qualquer modo, ele é muito inteligente... Eu acredito que ele é do tipo que poderia forjar uma amnésia pra cumprir algum objetivo, talvez ele queira tanto me conquistar que tenha inventado tudo... Ou será que estou sendo muito egocêntrico ?

T-tsk... Só de pensar que posso estar sendo enganado pelo Gabriel, só de pensar que posso estar sendo manipulado por ele... Isso me dá raiva. É por isso que, não importa o quê aconteça, não irei me apaixonar e farei ele desistir, não importa o quê tente !

— Eu acho que é bom levarmos ele num psiquiatra, só pra confirmar... Pois se ele se esqueceu mesmo de você Vinícius, significa que a situação agravou.

— Maria, faz batata ? — Pediu Gabriel, num tom de voz normal.

— S-s-sim, e-eu faço... Mas... — Murmurou minha avó.

Ué... Ele se lembra da Maria ? Não pode ser que ele tenha se esquecido só de mim.

— Eu quero batata... — Exclamou ele.

— Gabriel... Você sabe quem eu sou ? — Perguntou minha avó.

— Sei ué ! Você é a Maria ! — Respondeu ele.

— E dele ? Você se lembra ? — Perguntou ela, se referindo à mim.

— N-não sei... Ele é visita ? — Perguntou Gabriel.

Fui até ele e o chacoalhei bem forte.

— LARGA DE SER FINGIDO !! VOCÊ SABE SIM QUEM SOU EU !! COMO VOCÊ PODE LEMBRAR DA MARIA E NÃO LEMBRAR DE MIM !? VAI, ME DIZ ENTÃO, SE VOCÊ SÓ LEMBRA DA MARIA, O QUÊ DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI NESSA CASA ? POR QUÊ VOCÊ ESTÁ MORANDO NA CASA DA MARIA ? O QUÊ ELA É SUA ? POR QUÊ VOCÊ NÃO ESTÁ COM O SEU PAI ? POR QUÊ VOCÊ NÃO ESTÁ NA SUA CASA ? VOCÊ SABE !? ME RESPONDA !

Gabriel se assustou e ficou quieto.

— Para Vinícius, isso não vai ajudar. — Falou minha avó.

— M-mas...

— Amanhã nós levamos ele no psiquiatra urgente, aí vamos descobrir tudinho. — Disse ela.

— Tá bom. Mas que horas ? Amanhã têm aula. — Falei.

— Aula, é mesmo, amanhã é segunda-feira, a psicóloga falou pro Gabriel ir á escola nesta semana, não foi ? Então você vai levá-lo junto, vai ser até bom que talvez ele se lembre de algo. — Disse Maria.

— E de tarde VOCÊ vai levar ele no psiquiatra ? — Perguntei.

— Vou, você não vai querer vir ? — Perguntou ela.

— Não. Amanhã de tarde eu vou sair. — Respondi.

— Aonde você vai ? Você tem saído bastante ultimamente. — Disse ela.

— A-ah... É-é-é q-que... — Murmurei.

— Hm ????

— Eu estou namorando... — Falei.

— SÉRIO ? JÁ ESTAVA NA HORA ! FINALMENTE VOCÊ ARRUMOU UMA NAMORADA VINÍCIUS !

— É, é, e eu estou saindo bastante com ela.

— Que bom, assim você fica menos dentro de casa criando raízes. — Disse ela.

— Tá, tá, mas vou ter que levar o Gabriel mesmo pra escola ?

— Vai.

— Isso vai ser muito chato. — Falei, enquanto olhava pro Gabriel que estava em silêncio na minha cama.

— M-maria... Quem é esse menino... ? — Perguntou Gabriel.

— Meu nome é Vinícius. Eu sou o neto da Maria e moro aqui, você se esqueceu de mim por causa de uma amnésia. — Respondi.

— Vinícius... ? Eu me esqueci ? — Perguntou ele.

— Sim, você se esqueceu de muita coisa, amanhã nós vamos pra escola pra ver se você se lembra de algo.

— Eu me lembro q-que fui numa psicóloga pra ver o quê eu tinha, e o porquê de eu ter perdido as memórias...

— Eu fui com você.

— N-não, eu fui sozinho.

Estranho, muito estranho. Parece que ele se lembra das coisas que aconteceram após ele ter perdido as memórias, porém, não lembra de mim e nem de nada que aconteceu antes da tal perca.

No dia seguinte, acordei cedo pra ir à aula e aproveitei pra chamar o Gabriel também.

— Ei idiota, levanta logo, hoje nós vamos pra escola. — Falei, enquanto jogava uma travesseiro nele.

— Não q-q-quero ir... E-eu quero f-ficar d-dormindo... — Murmurou ele.

Puxei as cobertas dele, fazendo-o encolher na cama de frio.

— LEVANTA LOGO SEU FILHO DA PULTA !!! — Berrei.

— T-tá bom Vinícius. — Falou ele, enquanto se levantava e se espreguiçava.

Pelo menos, depois de "se esquecer" de mim, consegui fixar na cabeça dele para que me chame de Vinícius.

O Gabriel parece estar mais sério também, ele não está mais infantil daquele jeito...

Lavamos o rosto, escovamos os dentes, tomamos café da manhã e depois fomos colocar o uniforme da escola.

Gabriel acidentalmente vestiu a camiseta do lado errado, e eu fui ajudá-lo.

— Não é assim, está do lado errado, deixa que eu arrumo. — Falei.

— Não me toque. — Disse ele, se afastando de mim rapidamente.

— ... H-hã ?

— Você é um estranho e não quero que me toque, apenas isso. — Afirmou ele, enquanto vestia a camiseta de novo.

— Por quê não admite logo, hein... ? — Perguntei.

— Admite o quê ?

— Que está fingindo a perca de memória... Você já deveria saber que não importa o quê você faça, eu nunca vou gostar de você. — Falei.

— Eu não estou fingindo, realmente não me lembro de muita coisa... Sempre que eu me pergunto algo, não consigo me responder... E tenho a sensação de que há um "buraco" em cima da resposta. — Contou ele.

— Err...

— Eu me pergunto coisas como... "Quem são meus parentes ? Quantos são ? Como é a escola ? Onde é a escola ?" E aí, eu inconscientemente tento me responder, mas a resposta não sai. Tipo : "Ah, a escola fica lá naquela rua perto do... Do quê era mesmo ? E que rua era essa ?" — Contou ele. — É muito desagradável.

— Eu não quero saber disso. Se você está fingindo, então irei fingir também e entrar na sua onda, mas só pra ver até onde você vai chegar. — Afirmei.

— Olha Vinícius. Eu gostaria de te fazer algumas perguntas porquê creio que você sabe umas coisas sobre mim, mas... Eu sinto que é melhor eu não te perguntar nada, porquê você não irá me ajudar. — Falou ele.

— Não vou mesmo. Não preciso ajudar um fingido à recuperar as memórias, afinal, você nem perdeu elas ! — Exclamei.

— Aliás... Não sei o quê você quis dizer com o "não importa o quê você faça, eu nunca vou gostar de você", mas, eu não preciso que alguém como você goste de mim. Se pra você eu sou um fingido, pra mim você é um estranho. — Falou ele, enquanto saía do quarto.

Aff... Ele me deu uma patada ? Acho que é a primeira vez que ele me da uma... Droga, não que eu me importe com o que ele me fala, mas isso é ridículo !

Saímos de casa juntos e fomos andando até a escola. Gabriel foi olhando pra todos os cantos, como se estivesse analisando tudo.

— Sinto como se já tivesse passado por aqui antes. Acho que estou me lembrando. — Falou ele.

— Hm. Que bom. — Eu disse, friamente.

— Eu me lembro de tudo desde quando acordei na casa da Maria, eu estava bastante atordoado e no início não lembrava nem de algumas palavras, mas, fui lembrando aos poucos. — Contou ele.

— Do quê você se lembra ? — Perguntei.

— Lembro de tudo, até que fui na psicóloga, depois eu fiquei lá na entrada tomando chuva por quê.......... — Murmurou ele.

— Por quê... ?

— Não sei, não me lembro disso... Por quê eu fiquei lá tomando chuva ? Acho que foi porquê eu não me lembrava do caminho pra casa. Argh ! Droga ! É tudo tão confuso ! É tão horrível perder as memórias ! — Exclamou ele.

É... Tá parecendo mesmo que ele perdeu as memórias de novo e se esqueceu de mim... Mas não sei... Poderia ele estar fingindo ?

Poderia ele estar fingindo desde o começo, e nunca ter perdido nem uma memória ?

Mas acho que se ele estivesse apenas fingindo, os médicos ou a psicóloga teriam notado... D-droga, até eu estou confuso... Não sei o quê pensar !

Eu e Gabriel chegamos no portão da escola, ficando no meio de vários alunos.

— Se lembra de algo ? — Perguntei.

— Me lembro dessa escola... Dessa rua... E da lanchonete ali na frente, eu entrava lá pra comprar alguma coisa, mas, o quê será que era ? — Perguntou ele.

— Vamos lá, talvez você se lembre. — Respondi.

Eu e Gabriel entramos na lanchonete que fica na frente da escola.

Ao entrar lá, o garoto de cabelos negros e bagunçados ficou olhando tudo, checando todos os cantos e tudo que vendia.

— Aquele salgadinho, sensações de frango grelhado, eu lembro que comia bastante dele. — Falou Gabriel.

— Sim, você comia. — Falei.

— Você sabia ? — Perguntou ele.

— Aham, eu era seu melhor amigo à bastante tempo. — Respondi.

— É estranho Vinícius, eu não sei porquê eu não lembro de você, pelo que me disse, você falava comigo mesmo depois de eu ter ficado com amnésia, não é ? Então eu deveria me lembrar... M-mas, por quê eu não lembro ?? — Perguntou ele.

— Não sei, eu acho que você se esqueceu de mim após a febre. — Respondi.

— Isso é estranho...

Depois daquilo, eu e ele fomos até a secretaria da escola.

Apresentei vários papéis de consulta do Gabriel, atestado e tudo mais, e contei à coordenadora que ele estava com amnésia.

Ela checou os papéis e ficou chocada.

— Que coisa, é a primeira vez que teremos um aluno com amnésia aqui na escola. — Disse a mulher.

— Os médicos disseram que é bom pra ele recuperar as memórias.

— Entendo... Garoto, vá pra sua sala, eu verei o que eu faço com o Gabriel. — Ordenou ela.

Fui pra minha sala e deixei o Gabriel lá... O quê eu poderia fazer ? Nada. Ele não era da minha sala afinal de contas.

— Como é perder as memórias, garoto ? — Perguntou a mulher.

— É horrível, sempre que eu penso em algo, não consigo completar o pensamento, e eu acabo me fazendo milhares de perguntas... É como se tivessem buracos na minha cabeça. — Explicou ele.

— Deve ser difícil, mas, não sei se é apropriado você acompanhar aula nesse estado. Têm certeza de que quer isso ? — Perguntou a mulher.

— Sim, eu quero. Preciso tentar me lembrar.

— Você não conseguirá fazer nenhum exercício nesse estado... B-bem, fique aqui. Eu vou ir na sala dos professores avisar sobre você, e quando der o sinal, você sobe junto com o professor, certo ?

— Certo.

Márcia POV

Eu estava na minha sala de aula, sentada na minha carteira dormindo, quando ouvi a voz do professor que havia adentrado a sala.

Levantei a cabeça para vê-lo, e ele estava junto do Riquelme.

O Riquelme têm faltado bastante, o quê será que houve ? Nem no face ele entrou mais.

— Depois que o professor chega, ninguém mais entra ! — Exclamou o professor, ameaçando os alunos que ainda estavam lá no corredor.

Depois que todos se sentaram, o professor começou a falar :

— Gente, a dona Valéria acabou de falar comigo sobre o colega de vocês... Ele está com amnésia e perdeu as memórias. — Falou o professor, se referindo ao Riquelme.

O Riquelme perdeu as memórias ? Como assim ? Mas nossa, que coisa esquisita ? O quê será que aconteceu com ele ?

— O Gabriel ? Esqueceu das coisas ? — Cochichou o povo.

— Ele veio só assistir a aula para ver se consegue lembrar de algo, mas, sem muvuca por enquanto, quando eu terminar de passar a matéria, deixo um tempo no final da aula pra vocês conversarem com ele. — Disse o professor.

— Você se lembra do seu lugar, Gabriel ? — Perguntou o professor de geografia.

— N-não sei, acho que sim... — Respondeu o Riquelme, enquanto vinha em minha direção e se sentava na minha frente.

Ele acertou o lugar, era aí mesmo que ele sentava. Ele se lembrou, será ?

Como será que é conversar com um amigo que perdeu a memória ? Deve ser engraçado... Será que ele vai se lembrar de mim ?

Qualquer coisa eu poderei ajudá-lo a recuperar as memórias.

Riquelme se virou pra trás e falou :

— Oi Márcia, desculpa por eu ter faltado bastante, mas, foi algo que eu precisei fazer. — Disse ele, com um leve sorriso no rosto.

Continua no capítulo 07.

Notas finais
*O Gabriel se lembrou do lugar e da Márcia instantaneamente ? Que estranho... Agora surge a hipótese do Gabriel ter fingido tudo só pra conquistar o Vini... Será ? XD, o que vocês acham ??? Fiquem confusos ~~ *AI CARA, JÁ FALEI QUE A LANINHA É UMA DIVA ? POR ELA EU VIRARIA HÉTERO