Eu estrelo você

3 Isabel ! A melhor amiga do mundo !


Notas iniciais
*Qualquer erro desgraçado na minha gramática que vocês encontrarem, é só me avisarem que eu arrumo e--e meeeh !! Odeio português !! *A história vai tomar um pequeno novo rumo, no próximo capítulo, vocês conhecerão melhor a personalidade do Vinícius. *Espero que gostem =3

Vinícius POV

— Gabriel... Guarda isso... — Pedi.

— Guarda isso ! — Exclamou Gabriel.

— Tá, eu guardo... — Me levantei, fui até o Gabriel e peguei o vibrador.

— Onde você vai colocar ele ? — Perguntou Gabriel, que bom, ele já está se lembrando de como falar normalmente.

— Vou colocar no lugar que estava, nesse buraco aqui dentro do guarda-roupa. — Respondi.

— Nossa ! Como esse buraco foi parar aí ? — Perguntou Gabriel, enquanto olhava dentro do guarda-roupa.

— Ele já estava aí quando ganhei o guarda-roupa. — Respondi, enquanto colocava o vibrador no buraco e jogava algumas roupas em cima pra tapar.

— Você guardou ! — Exclamou Gabriel.

— É, e você, nunca mais mexa naquele buraco, okay ?

— Naquele buraco... Okay ! — Exclamou Gabriel, com um sorrisinho no rosto.

Me deitei novamente na cama, de lado, e fechei os olhos.

— Vini ! — Exclamou Gabriel.

— O quê ?

— Por quê você tem um "saxixão" escondido ? — Perguntou Gabriel.

— A-ah.. Estou guardando pra comer no natal. — Respondi.

— Comer no natal ! — Exclamou ele.

Fiquei alguns minutos deitado sem falar nada, e o Gabriel ficou sentado no chão fazendo alguma coisa.

— Ei, idiota. — Falei.

— O quê foi, Vini ?

— Depois de amanhã é sábado, eu vou te levar no psicólogo. — Falei. — A Maria já marcou a consulta, e o seu pai deu o dinheiro pra pagar a sessão.

— Levar no "pissicógo"... ?

Haha, mas que besta, sem dúvida parece que estou falando com uma criança de 3 anos.

— Bom, pra falar de um jeito mais fácil... Sábado eu vou te levar pra passear, tá bom ?

— Tam dam !!! Sábado eu vou passear com o Vini ! — Exclamou Gabriel.

— Para de falar isso, já enjoou. — Falei.

— Enjoou não !

Continuei deitado na minha cama até cochilar. Acordei algumas horas depois, já de noite.

Olhei pra todos os cantos do quarto e não vi o Gabriel. Aonde ele foi ?

Saí do quarto e fui até a cozinha. Minha avó Maria estava fazendo a janta.

— Maria, cadê o Gabriel ? — Perguntei.

Não pensem que eu me importo com ele, eu só perguntei porquê vai saber, talvez ele esteja destruindo alguma coisa por ai.

— Ele está lá no meu quarto assistindo filme com a sua mãe. — Respondeu Maria.

C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-Com a minha.... M-m-m-mãe..... ?

Isso é péssimo !!! Muito péssimo !!! Infinitamente péssimo !!!

Minha mãe conhece o Gabriel de tempos atrás, e ela sempre desconfiou que eu e ele tínhamos alguma coisa... Como eu já disse, ele era muito grudento comigo. Como ele podia ser tão insensível !? Não tava nem aí se minha mãe descobrisse que tínhamos uma relação !

É isso aí... Eu já namorei aquele idiota antes...

Nós dois sempre fomos melhores amigos, desde a sexta série, mas, quando chegamos na puberdade, começamos a nos identificar mais com a homossexualidade.

Gabriel que sempre gostou de animes, começou a assistir alguns dos gêneros yaoi, e depois, me fez assistir também... Pois é, nem queiram saber a merda que isso deu.

Nós namoramos por pouco tempo, e depois, nossa amizade se acabou. Eu nunca gostei dele, só acho que cheguei a namorá-lo por pura carência minha, e fazer isso, foi um erro.

*Flashback ON ~~ Há um ano atrás*

Eu e Gabriel estávamos assistindo um filme no quarto da minha avó, sentados na cama dela. Nós sempre assistíamos.

— V-Vini... — Murmurou Gabriel.

— O quê ? — Perguntei.

— E-eu..... Etto... — Murmurou ele.

— Fala logo. — Odeio quando ele fica com isso, falando as coisas com dengo... É afeminado demais...

— E-e-e-eu... Posso t-te tocar... ? — Perguntou ele, enquanto virava o rosto pro lado.

— Não, mas vai ser todo dia isso ?? — Perguntei.

— Isso o quê... ?

— Você querendo me tocar, que saco ! — Exclamei.

— M-m-mais... A-a gente só fica assim, juntos e sozinhos uma vez por semana... — Murmurou ele.

— E daí ? Se você gostasse de mim, devia ficar satisfeito só por eu estar perto de você. — Falei.

— Mas Vini ! N-nós somos namorados e ainda nem demos o nosso primeiro beijo... — Murmurou ele.

— E nem vamos dar. Eca. Beijar você. — Falei.

— Puxa...... — Murmurou Gabriel, enquanto abaixava a cabeça.

Continuamos assistindo o filme por mais vinte e cinco minutos.

Gabriel ficou todo esse tempo de cabeça baixa e calado. Já estava me dando nos nervos !

— E você vai ficar se fazendo de triste aí até quando ????? — Perguntei.

— E-e-eu n-não estou m-me fazendo d-de t-triste... E-eu estou t-triste.. — Respondeu ele.

— Ah é ? E cadê as lágrimas ? — Perguntei.

— E-eu prefiro morrer do que chorar na s-sua frente... — Respondeu ele.

— Hm... — Murmurei.

Me sentei ao lado dele na cama, bem juntinho, e coloquei minha cabeça em cima do ombro direito dele.

Só fiz isso pra ele parar de encher o saco, não entendam errado.

Ficamos daquele jeito por alguns minutos...

Olhei pro rosto do Gabriel e ele estava todo vermelho, depois olhei pra sua bermuda e vi um belo volume, e por último, toquei no seu peito com minha mão, e senti seu coração batendo muuuuito rápido.

Acho que ele está bem envergonhado, que engraçado...

Soltei uma risadinha bem baixinha, que Gabriel conseguiu escutar.

— V-Vini... — Murmurou Gabriel. Lá vem, sempre que ele vem com esse "V-Vini...", significa que ele vai falar alguma coisa relacionada à nós, ou pedir algo.

— O que... ? — Perguntei.

— Eu sinto algo muito, mas muito forte por você... — Disse ele.

— Hm.... — Murmurei.

— É como nos mangás yaoi... Onde os protagonistas começam a sentir algo muito forte por seus melhores amigos... — Falou Gabriel.

— Hm.... — Continuei escutando o quê ele tinha à dizer.

— E como nos mangás, eu quero que um dia você me corresponda... Para que possamos ser muito felizes j-j-juntos... — Falou ele.

— E por quê você acha que eu não te correspondo ? Nós somos namorados, não somos ? — Perguntei.

— E-eu não acho... Eu tenho certeza... V-você não sente por mim o mesmo que eu sinto por você... — Murmurou ele.

— Como você sabe ? — Perguntei.

— Intuição... E-eu sinto como se tivesse uma "aura" negativa rondando seu corpo... Ela é bem desconfortante... Fica me dizendo que eu não sou o ideal pra você, que você não me quer, e que eu só vou sofrer se tentar continuar com isso. — Respondeu ele.

Não consegui segurar, e acabei dando outra risadinha.

— D-de qualquer forma... O que eu sinto é muito forte mesmo, e eu não consigo parar de sentir isso por você... Por mais que eu saiba que vou me machucar muito... Por mais que eu saiba que vou sofrer... Eu não consigo controlar esse sentimento... — Falou Gabriel. — É ao contrário... Ele é que me controla.

— Falando de amor de novo, é ? — Perguntei.

— Acho que a palavra "amor" e a frase "eu te amo" ficaram muito desvalorizadas... Todo mundo fala isso pra todo mundo... E-então... Eu vou considerar que o quê eu sinto por você é mais forte que o amor. — Falou ele.

— Então, o que você sente por mim ? — Perguntei.

— Eu sinto por você algo tão grande e brilhante como uma estrela... — Respondeu ele.

— Eita... — Dei risada, de novo.

— É sério ! — Exclamou ele, enquanto arranhava minha mão com aquelas unhas do capeta.

— Ai caralho, que bosta. — Falei.

— Eu gosto tanto de você que quero dizer que te amo pelo menos 1000 vezes ao dia... Mas, como "eu te amo" é uma frase desvalorizada... O que acha de criarmos uma frase só nossa ? — Perguntou ele.

— Que frase ?

— Bom, se o quê eu sinto por você é como uma estrela... Podemos dizer... "Eu estrelo você", um para o outro. — Sugeriu Gabriel.

— Hm... E isso vai ser como um "eu te amo", só que mais forte ? — Perguntei.

— Sim ! Um sentimento superior ao amor ! E o legal é que poderemos dizer em público, pois ninguém vai entender o significado. — Respondeu ele.

— Tudo bem então. — Concordei.

— Mas Vini... E-eu quero te pedir uma coisa.

— O quê foi agora ?

— Eu só quero que você me diga "Eu estrelo você" , quando você sentir por mim o mesmo que eu sinto por você... Algo muuuuuuito forte. — Falou ele, com um sorriso no rosto. — Eu vou tentar de tudo, para você me estrelar também.

— "Você me estrelar", que engraçado, hahahhaha, tudo bem então. — Concordei.

Minha mãe entrou no quarto e me viu sorrindo com a cabeça em cima do ombro do Gabriel.

Ela fez uma cara séria, e parecia indignada.

Gabriel maldito... A CULPA FOI TODA SUA !! NINGUÉM MANDOU VOCÊ QUERER "ME TOCAR" ARGGGG

*Flashback OFF*

Foi nessa que minha mãe passou a tratar o Gabriel com frieza sempre que ele vinha aqui.

Por isso... Os dois juntos no mesmo quarto pode ser um desastre fatal.

Adentrei o quarto e vi o Gabriel e minha mãe sentados na cama da minha avó.

Ele estava fazendo trancinhas no cabelo dela com um sorrisinho no rosto.

— Gabriel ! Essa ficou muito grande, estou parecendo uma índia ! — Exclamou minha mãe.

— Parecendo uma índia ! — Exclamou Gabriel, enquanto dava risada.

Errr... Uffa... Q-que alívio....

— Vini ! Você acordou ! — Exclamou ele, enquanto vinha até mim e me puxava pelo braço.

— É... Acordei.

— Olha a "tranxa" que eu fiz ! — Exclamou ele, enquanto me levava até minha mãe.

— Estou vendo... — Murmurei.

— Tam dam !! Ela parece uma índia ! Hihihihi — Falou Gabriel, ele parecia contente.

— Tava dormindo, né preguiçoso ? — Perguntou minha mãe.

— Aham. — Respondi.

— Mãe do Vini ! — Exclamou Gabriel.

— Sim ?

— Quando eu e o Vini crescermos, vamos casar e morar juntos ! — Exclamou Gabriel. — Você vai vir visitar a gente ??

— ...................gi.................. — Murmurei.

Minha mãe fechou a cara e não respondeu nada.

— Hein ?? Responde !! — Insistiu Gabriel.

— P-por quê você quer casar com o meu filho ? — Perguntou ela.

— Porquê eu amo ele, muito muito muito muito muito muito muito muito muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito. — Respondeu Gabriel, com um sorriso no rosto.

— E-ele está b-b-brincando m-mãe... — Murmurei. — Ele perdeu as memórias...

— É mesmo Vinícius ? Pois eu acho que ele está se lembrando bem rápido. — Disse minha mãe, enquanto saía do quarto e fechava a porta, deixando eu e o Gabriel sozinhos lá.

Acabou... Minha vida acabou... Agora com certeza minha mãe sabe... Ela vai ir conversar com minha avó à respeito... E daí... Minha família não irá mais gostar de mim...

Minha avó é muito evangélica, ela odeia essas coisas... E minha mãe, é igual minha vó... Elas falam que Deus criou o homem e a mulher para que eles ficassem juntos, e blá blá blá.

Me sentei na cama e fiquei pensando.

— Vini ?? Você tá triste ? — Perguntou Gabriel.

— Uhum... Culpa sua... — Respondi. — Desgraçado...

— ... — Gabriel ficou em silêncio, abriu a porta e saiu do quarto da minha avó. Me deixando sozinho.

Eu sei que uma hora ou outra eu teria que contar pra minha família sobre minha sexualidade... Mas ainda está muito cedo... Eu sou muito novo... Não é a hora certa... Eu não estou pronto para que saibam...

T-tudo culpa do G-Gabriel... D-droga...

Uma lágrima escorreu do meu olho, fazendo uma trilha de água no meu rosto.

— Tam dam !!! — Exclamou Gabriel, enquanto entrava no quarto de novo, vestindo minhas roupas.

Minhas roupas ficaram grandes nele, e ele ainda colocou tudo errado... Não abotoou nada, não fechou o zíper da calça, e a camiseta estava do avesso.

— Mister mister, mister mister, mister mister ! — Exclamou ele, enquanto tentava dançar a coreografia da música Mr. Mr. da Girls Generation que eu adoro. Obviamente ele dançou tudo errado, mas ficou engraçado.

— Hahahahahahaha. — Ri dele.

— shanniekuu eosnanea, HELLOOOOO, Mister mister !! — Tentou cantar ele, absolutamente tudo errado, pois a música é coreana.

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. — dei muita risada, ele estava muito engraçado !

— Mister mister, mister mister, mister mister.. ! — Exclamou.

O Gabriel nunca dançaria essa música se tivesse as memórias, ele achava a coreografia muito aviadada e morria de vergonha de tentar dançar.

— Não é assim que se dança, animal. — Tentei ensiná-lo a dançar.

Ficamos uma hora dançando, e ele sempre me fazendo rir com os movimentos errados.

Depois nós tomamos banho, jantamos e fomos dormir. Minha avó estava falando sério, eu tive que dormir no chão mesmo...

Já são dez e meia da noite, amanhã de manhã eu tenho aula, por isso preciso dormir cedo.

— Vini... — Murmurou Gabriel, de cima da minha cama.

— O quê... ? — Murmurei.

— D-dorme aqui comigo... ? — Perguntou ele.

— Por quê ?

— Não quero que o Vini pegue resfriado ! — Disse ele.

— Não precisa, eu estou dormindo em cima de um colchão. — Falei.

— T-tá b-bom... — Murmurou Gabriel.

No dia seguinte. Gabriel acordou primeiro do que eu, às 06:00 e foi até a cozinha.

Lá ele viu minha avó esquentando alguma coisa no fogão e ficou olhando.

— Gabriel ? Já acordou ? Tá cedo ainda ! — Exclamou Maria.

— Cedo ainda ! — Exclamou Gabriel.

— O que houve ? — Perguntou ela.

— Não estou com sono. — Respondeu Gabriel.

— Ah... Já escovou os dentes ? — Perguntou Maria.

— Escovou os dentes... A-aaaah... Não ! — Respondeu Gabriel, enquanto bocejava.

Maria pegou a escovinha do Gabriel na mochila dele, e o deu.

Ele se lembra como escovar os dentes, também.

Após escovar, ele tornou a observar minha avó.

— O quê você tá fazendo !?? — Perguntou Gabriel.

— Estou fazendo o leite com toddy pro Vinícius. — Respondeu Maria.

— TODDY PRO VINI !!!!!! — Exclamou Gabriel, todo animado, acordando a casa inteira.

O grito dele me acordou por um segundo, só que eu ignorei, virei pro lado e voltei a dormir.

— Não Gabriel... Não grita desse jeito... É muito cedo, você tem que fazer silêncio... Assim... Shhh... — Sussurrou minha avó, bem baixinho.

— Fazer silêncio.... Shhh... — Sussurrou Gabriel.

— Quer levar o toddy pro Vini lá no quarto dele ? — Perguntou minha avó.

— Toddy pro Vini... — Respondeu Gabriel, com um tom bem baixinho.

Maria deu a xícara cheia de leite com toddy quentinho pro Gabriel me trazer.

Ele veio andando no maior cuidado pra não derramar.

Ele entrou no quarto, colocou a xícara em cima da mesinha do meu pc falecido e veio me acordar.

— TODDY PRO VINI !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! — Berrou Gabriel.

Tomei um susto e acordei.

— A-aaahhh, não grite a essa hora !!! — Exclamei.

— Toddy pro Vini... — Sussurrou ele, enquanto me entregava a xícara.

Bocejei, me espreguicei e peguei a xícara da mão dele pra beber o leite com toddy.

Depois de beber o toddy, fui pra escola, e no intervalo, me encontrei com aquela pessoa...

Guilherme... É o menino que eu gosto...

Mesmo no refeitório da escola que têm um cheiro de comida no intervalo, eu consigo sentir o cheirinho dele se aproximando de mim... É tão... Bom...

Eu estava sentado em um dos bancos do refeitório ao lado da minha amiga Isabel.

Guilherme estava na fila pra pegar a merenda.

— Olha lá Vinícius, o Guilherme... — Murmurou Isabel.

— O-o-o-o q-q-que que t-t-têm... ? — Perguntei.

— Vai ir falar com ele hoje ?? — Perguntou ela.

— E-eu não... Tá doida.. ?

— Por quê ?? Você gosta dele !! Larga de ser frocho!! — Exclamou Isabel.

— E daí ?? Isso não é problema seu. — Falei friamente.

— Ou !! Guilherme !! Vem cá !! — Falou Isabel, chamando o menino que acabou de pegar a comida.

A-ah... Ele é tão lindo...

O Gui é um pouco mais alto do que eu, seu cabelo é castanho escuro, seus olhos são azuis assim como os meus... Ele é branco, só que um pouquinho mais escuro que eu...

Ele têm um corpo atlético, eu amo ver ele sem camisa no jogo de futebol... Sempre me imagino tocando naquele tanquinho dele.......

— O quê foi ? — Perguntou Guilherme.

— Senta ai. — Respondeu minha amiga, Isabel. Falando pra ele sentar ao meu lado.

M-m-m-m-maldita !!!!!

Ele sentou-se do meu lado, e eu consegui sentir sua perna encostada na minha.

— Você têm quantos anos ? — Perguntou Isabel.

— 16, por quê ?

— Ah, então você é do segundo ano ? — Perguntou Isa.

— Aham.

Ela continuou conversando normalmente com ele, e eu fiquei calado.

Pelo menos, ao ouvir a conversa dos dois, descobri várias coisas sobre ele que eu não sabia.

Descobri que ele tem poucos amigos, descobri que o pai dele morreu assim como o meu, descobri que ele não faz nada o dia inteiro, descobri que ele tem três irmãs, descobri aonde ele mora... E o melhor... Descobri que ele é solteiro !

— Ei, Vinícius, vai ficar calado até quando ? Têm algo te deixando constrangido ? — Perguntou Isabel. Desgraçada, esse modo direto dela falar me irrita muito !

— A-ah... N-não, é que eu só estava escutando a conversa de vocês... O meu pai também está morto — Falei.

— Ixiii, ele morreu quando ? — Perguntou Guilherme.

— Quando eu era bebê. — Respondi.

— Lamento cara... Crescer sem um pai deve ter sido ruim pra você... — Falou Guilherme.

— Aham...

— Vocês têm alguma coisa pra fazer sábado de tarde ? — Perguntou Isabel.

— Eu não. — Respondeu Guilherme.

— Eu também não. — Só vou precisar levar o Gabriel ao psicólogo, mas deve ser rapidinho.

— Bora no shopping ver um filme ? — Perguntou Isabel.

— Opa, por mim beleza, vai ser bom que eu saio do tédio. — Respondeu Guilherme.

— Tá bom, eu também vou poder ir. — Respondi.

— Então tá marcado, me adiciona no face Gui. — Pediu Isabel.

— Beleza, anota aê numa folha, o de vocês dois. — Falou ele.

Isabel anotou o meu face e o dela, e deu o papel pro Gui.

— Quando eu chegar em casa eu adiciono. — Disse ele.

Droga... Gabriel maldito... Eu não tenho mais meu tablet pra entrar no face, vou ter que ir na lan house !

O intervalo acabou, eu e Isabel subimos juntos pra nossa sala.

— Eu não vou no shopping, vocês vão sozinhos. — Murmurou Isabel, no meu ouvido.

— Por quê ???? — Perguntei.

— É a sua chance, bobo, você terá um encontro com o Gui-lher-me ! — Exclamou ela.

Isabel.... Você faz as coisas de um jeito esquisito... Mas... Você é a melhor amiga do mundo !!!

Agora eu terei um encontro com o Gui !!

O quê eu vou vestir ? O quê eu vou levar ? O quê vou conversar com ele !??? Preciso pensar nisso logo !!

Continua no capítulo 04.