Eu estrelo você

22 A batalha das três


Notas iniciais
Ia postar quatro capítulos juntos, de novo, mas decidi não postar :x

Isabel POV

Márcia, ela até era minha amiga no ano passado, pois quando estudávamos na mesma sala, conversávamos bastante. Inclusive, ela também era amiga do Vinícius, mas por algum motivo ela começou à falar pouco com a gente, dando mais de tua atenção exclusivamente ao Gabriel.

Talvez por causa do fato do Vinícius ter dado um soco nele. Sim, talvez aquilo que tenho feito a Márcia cortar os laços conosco de uma vez, ou talvez tenha sido, por causa do Gabriel ficar tagarelando coisas ruins sobre o Vinícius pra ela.

Eu nunca fui amiga do Gabriel, e não o conheço nem um pouco, mas pelo quê eu pude entender desta história, a Márcia acabou se tornando a única amiga dele, e por conta disso, a única pessoa com o qual ele podia desabafar sobre seus problemas. Ele deveria falar à ela muitas das coisas ruins que o Vinícius fez à ele, e talvez, isso tenha desencadeado um sentimento negativo na Márcia, pelo meu amigo.
Não, eu não estou a culpando. Também, não estou culpando o Gabriel, pois é melhor desabafar do que ficar com as mágoas presas dentro de si.

Se eu fosse culpar alguém, culparia o Vinícius por ter sido tão idiota sobre tudo, mas, isso não importa mais. Ele é meu amigo e devo ficar do lado dele. Se ele estiver errado, eu invento uma mentira e o acoberto. É assim que eu sou.

Eu não sei quem ao certo, enviou aquele vídeo à Verônica. Como eu falei, não conheço o Gabriel, e não sei se ele seria capaz disso, mas também não sei se ele não seria capaz. O mínimo que posso fazer, é investigar. Se eu pressionar a Márcia bastante, quem sabe ela não dê alguma informação, se souber de algo ?

— Márcia ! — Exclamei.

— O que... ? — Perguntou ela. Márcia estava com a cabeça baixa, olhando pra carteira. Parecia estar deprimida com alguma coisa, mas não faço idéia do que seja, e também não preciso saber. Seria um erro me preocupar com ela, se no fim ela fosse a culpada, não ?

— Agora você vai me contar TUDO ! — Exclamei.

— Contar o que, Isabel ? Eu não tenho nada pra te contar. — Disse ela, num tom desanimado.

Após me responder, Márcia continuou sentada em sua mesa, a última da fileira. Eu não sei em que lugar ela se senta neste ano, mas ela não tinha costume de sentar no fundo.

Outra coisa estranha é, o que ela veio fazer aqui sozinha ? Com certeza deve ter haver com o fato dela estar deprimida... Ou será que não ? Talvez eu esteja me enganando ?
Eu ainda estava na entrada da sala, então fui andando até a Márcia e parei perto dela, em pé.

— Sobre o vídeo do Vinícius. O que você sabe sobre o vídeo ? — Perguntei, sendo muito direta.

— Hã ? Que vídeo ? — Perguntou a Márcia.

— O vídeo d-d... — Fui falar, mas me interrompi.

E se a Márcia não souber do vídeo ? Eu acabarei contando algo muito perigoso à ela. Do jeito que ela detesta o Vinícius, é capaz dela mesma sair espalhando pela escola, caso saiba.

É verdade que ela enfiou a cara do Vinícius no espelho uma vez, mas, ela seria capaz de continuar odiando-o por muito tempo, só por causa do Gabriel ?

Não, acho que não. Sem contar que é impossível a Márcia ter conseguido o vídeo, pois ela nunca foi na casa do Vinícius.

E essa expressão que ela está fazendo, mostrando-se distraída e deprimida, não dando muita atenção à mim, mostra que ela não está à par de nada.

Se ela soubesse algo sobre o vídeo, ao menos ficaria tensa. Eu acho.

— Então você não sabe ? — Perguntei.

— Como vou saber se você não terminou de falar ? — Perguntou ela. — Que vídeo é esse do Vinícius ? E do que você está falando ?

O barulho da porta se abrindo deu-se pra ser ouvido, por mim e por Márcia, e imediatamente olhei pra trás para ver quem era.

— Você não sabe sobre o vídeo ? Eu posso te mostrar. — Disse Verônica, enquanto adentrava a sala e fechava a porta.

Essa garota... Ela estava ouvindo ? Ela é uma megera. Como tem coragem de fazer isso com o Vinícius se ele não fez nada pra ela ? E olha, que eles eram amigos !

Aproveitei a situação, e usei-a pra ver a reação da Márcia, olhando-a de relance. Ela ainda estava como antes, distraída e aparentemente confusa.

Droga. A Márcia não sabe de nada. Foi um erro vir aqui.

Verônica estava com o seu cabelo preto, amarrado, o que era bem incomum, pois ela sempre usava o cabelo solto.

— Eu não quero ver vídeo do Vinícius não, obrigada. — Respondeu Márcia, friamente.

— É, e você acha que eu vou te deixar mostrar ? Eu quebro teus dedos um à um antes disso, vadia. — Falei.

Márcia se assustou com o que eu disse, pois eu falei num tom sério. Acho que ela não esperava que fosse uma situação tão grave assim.

— Certamente, quer dizer que você não quer ver o Vinícius chupando um vibrador ? — Perguntou Verônica.

Ao ouvir as palavras de Verônica, Márcia permaneceu normal, mas logo, um sorrisinho apareceu em sua boca.

— Sério que vocês vieram aqui pra me mostrar um vídeo do Vinícius chupando um vibrador ? Quanta infantilidade, vocês acham que eu tenho interesse em putaria ? Ainda mais, com o Vinícius no meio ? Deus me livre. — Falou Márcia, dando uma risadinha de deboche, como se eu e Verônica fôssemos duas idiotas. — Eu sei que ele é um viado daqueles bem tarados que só pensam em dar, eu não me surpreenderia nem um pouco se encontrasse um vídeo dele dando, na internet, também.

— É ?? Mas parece que o Gabriel tem esse interesse, pois deve ter sido ele quem passou esse vídeo pra Verônica. — Falei. Eu só falei aquilo porquê me irritei com o que ela acabou de falar. A Márcia falou como se o Vinícius fosse uma escória, e aquilo me tirou do sério. Parece que no fim ela ainda o odeia.

Quando Márcia me ouviu falar, arregalou os olhos, e logo se mostrou meio pensativa.

Verônica sentou-se em cima de uma mesa, lá na frente perto da porta, e ficou apenas escutando.

— E aí ? Não vai falar nada ?? — Insisti, perguntando à Márcia.

— Eu ainda não estou entendendo muito bem... Vocês não me explicaram nada... — Disse ela, ainda pensativa. — Por que acha que o Riquelme enviou esse tal vídeo pra Verônica ? E qual o problema ?

— Como assim, qual o problema ? A Verônica é uma jornalista ! Ela vai espalhar o vídeo !

— Mas não era um vídeo público ? — Perguntou ela.

— Claro que não ! Era um vídeo pessoal que só o Vinícius tinha guardado, no tablet dele ! — Exclamei.
Por algum motivo, a Márcia tinha dado à entender que o vídeo do Vinícius era algo que estava na internet, e algo que ele mesmo havia colocado. O que ela pensa que ele é ? Algum tipo de ator pornô ??
Deve pensar. Depois do que ela disse, não duvido de mais nada.

— O Gabriel esteve morando na casa do Vinícius nessas últimas semanas, por causa da amnésia, e o próprio Vinícius disse que ele viu o vídeo. — Falei, pra esclarecer mais ainda as dúvidas dela.

— Mas o Riquelme perdeu a memória, ele não saberia mexer num tablet. — Disse ela.

— Ele viu o vídeo recentemente, quando já havia recobrado grande parte das recordações. — Falei.

— Por quê diabos o Vinícius fez esse tipo de vídeo ? — Perguntou Márcia.

— Ele estava gostando de um menino na época, e daí ele filmou pra satisfazer os desejos eróticos de tal menino, que morava em outro estado. Era um namoro à distância. — Respondi.

— Além de ser uma centopéia rebolante, é uma pênis-suga que bebe até o leite, se bobiar. Que decepção. — Falou Márcia.

— Sério Márcia, por que você ofende tanto o Vinícius ? Eu até entendo você defender o Gabriel dele, mas isso já é um absurdo ! — Falei.

— O Vinícius magoou o Riquelme de todos os modos possíveis, e você sendo a melhor amiga dele, não fez nada ! — Exclamou Márcia, se mostrando um pouco zangada, desta vez. — Me responda você, Isabel, por que você deixou isso tudo chegar à esse ponto !? Por que você não aconselhou o Vinícius ? Você como a melhor amiga dele, deveria aconselhá-lo à fazer aquilo que era melhor pra ele !

— E desde quando o Gabriel era a melhor coisa pra ele ? O Vinícius nunca gostou dele. Seria pior se ele fingisse gostar, não ?? — Perguntei.

— Sim, seria, mas você podia no mínimo tê-lo aconselhado à não magoar o Riquelme. Ele não merecia sofrer daquele jeito !

— Agora é tarde demais. — Falei.

Decidi não contar à Márcia que eu não sabia de nada. Decidi não contar à ela, que o Vinícius nunca me falou nada sobre tal história, pois assim, quem sabe, eu conseguisse aliviar um pouco da culpa que ele receberia ? Claro, mentir é ruim, mas em alguns casos é justificável.

— Você fala como se não ligasse nem um pouco pelo quê o Riquelme sentiu, esse tempo todo ! Eu duvido que você suportaria no lugar dele ! — Exclamou ela.

— Eu não ligo pro quê o Gabriel sente, por quê ligaria ? Ele não é meu amigo. — Falei friamente. — E se eu estivesse no lugar dele, daria uma surra de piroca no Vinícius. Tenho certeza que aquela piranha ficaria toda caidinha por ele, se ele fizesse isso. — Falei, num tom de zoeira.

— O-O Riquelme não é assim, e viu, até mesmo você concorda que o Vinícius é um sem vergonha... — Disse Márcia.

— O Vinícius é gay querida, você queria o quê ? Que ele gostasse de pepéca ? Gays assumidos não curtem isso não, nem adianta, eu já tentei fazer ele gostar do material. — Falei.

— Não curtem... — Murmurou Márcia, repetindo um pequeno trecho do que eu disse.

— Claro que não ! Você acha que um gay namoraria uma mulher ? Aonde ?? Gay é gay, e hétero é hétero, do mesmo jeito que você não gosta de mulher (eu acho), o Vinícius não vai gostar também.
Quando eu disse aquela frase, lágrimas começaram à escorrer dos olhos de Márcia.

Eram lágrimas de uma garota frágil, à qual havia sofrido muito, muito mesmo.
Fiquei alguns segundos encarando ela. Não perguntei o motivo do choro, pois antes quis tentar descobrir por mim mesma, e logo, as peças se encaixaram.

— V-você gosta... Do Gabriel... ? — Perguntei.
Márcia ignorou minha pergunta. Ela não afirmou, mas também não negou, e nem adiantaria se negasse. Já estava estampado na testa dela.

— A-aaahh... — Murmurou ela, enquanto colocava a mão direita na boca pra abafar o som do choro. Lágrimas e mais lágrimas continuaram à escorrer dos olhos de Márcia, e pensando bem, ela já estava um pouco deprimida quando eu cheguei.

Pelo menos, as coisas estavam mais claras, agora.

A Márcia gosta do Gabriel, e deve ter sido muito difícil pra ela, ver o garoto que ama sofrendo por alguém que não dá o mínimo valor pra ele. Mas, eu acho que ela sofreria de qualquer jeito...
Se o Vinícius correspondesse o Gabriel, ela iria sofrer por ver o amado dela, com outro. Daria praticamente na mesma. Era um labirinto sem saída, e mesmo assim ela entrou.

É muito triste, pensando dessa forma...

Parece que, todo mundo envolvido nessa história, sofre...

Espero que eu não seja pega nisso, também.

— C-calma, não precisa chorar. — Falei, enquanto me aproximava mais da Márcia e fazia-a sentar-se. — Me desculpa, eu não deveria ter falado o que eu falei, nem se passou pela minha cabeça que você gostava do Gabriel, mesmo sabendo que ele é gay.

— E-e-eu não g-gosto d-do Riquelme. — Disse ela, soluçando.

— Não ? Então por quê você está chorando ? — Perguntei.

Márcia não me respondeu, apenas continuou chorando.

— Puxa Márcia... — Murmurei, enquanto me sentava na carteira na frente da dela, e virava pra seu lado.

— Como você foi acabar assim ? Gostando do Gabriel ?

— E-eu n-não sei ! — Exclamou ela, se mostrando meio zangada, mesmo chorando.

— Cara, que tenso, normalmente, as meninas pulam fora na hora quando se quer desconfiam que o garoto é gay, pra não passar por uma dessas. — Falei. — Como você chegou à isso ?

— C-cala a boca !

— Há quanto tempo você gosta dele, hein ?

— Eu não s-sei !

— A conversa está muito boa, creio eu. — Disse Verônica, que estava sentada à umas duas carteiras à frente, apenas. Quando ela chegou tão perto ? Eu devia estar tão distraída com a Márcia, que até me esqueci que ela estava ali. — Mas, vocês fugiram do tema desta redação: o vídeo.

Ela estava certa, havíamos fugido completamente do tema.

— Não precisa fazer essa cara, Isabel, não é como se fosse uma coisa ruim, na verdade, o rumo que a conversa tomou foi excelente ! — Exclamou a garota. — Vocês me contaram tudo que eu queria saber, e mais um pouco.

— Não se intrometa mais ainda nas nossas vidas, Verônica ! — Exclamei.

— Não estou me intrometendo, eu sou apenas um receptáculo que leva as informações ao povo. — Disse ela, enquanto mostrava um objeto de cor escura, que segurava com a mão direita. — Logo, todos saberão sobre tudo isso.

Aquilo é, um gravador ? Ela gravou a conversa inteira !? Não acredito !

— Por que você fez isso, Verônica !? Como você consegue !? Você não tem um pingo de bondade neste teu coração ? Olhe só como a Márcia está ! Você quer destruir a vida de todos nós, mesmo !?

— Se eu fosse ter que por em palavras, diria que sou uma vilã dos tempos modernos, mas eu acho que você está sendo muito egocêntrica. Não é apenas a vida de todos vocês, vocês não me são especiais. Eu apenas "destruo" a vida de todos aqueles que me dão uma boa manchete. — Afirmou ela. — É apenas isso. Eu não tenho nenhum motivo, e meus alvos também não possuem restrições.

Me levantei rapidamente do meu lugar, e a Verônica se levantou assim que me ouviu levantar.

Ela correu pra frente, e depois foi pro outro canto da sala.

Eu fui até a porta, para que ela não fosse embora.

— Você não vai sair daqui com esse gravador. — Afirmei.

— Hm... — Murmurou ela.

— Márcia ! Pega o gravador da Verônica ! — Exclamei, enquanto olhava pra Márcia que ainda estava sentada, no fundo da sala, totalmente perplexa. — Se não, ela vai publicar toda a nossa história para a escola inteira ! Você não quer ver o Gabriel na boca do povo, né ? Você não quer que zoem ele, por ter insistido tanto com alguém como o Vinícius, né ?

— Márcia, se você tirar a Isabel dali e me deixar ir, eu coloco o Vinícius como o vilão da matéria. Posso escrever um artigo bem ruim, dizendo como ele é um canalha, e posso defender o Gabriel. — Disse a garota, enquanto mexia em seus óculos. — A escola inteira vai ficar do lado do Gabriel, e possivelmente, até o apoiará à ficar contigo, que é a garota que sempre gostou dele.

— Não ! Ela tá mentindo ! Você não vai ter nenhuma garantia de que ela fará isso mesmo ! — Exclamei.
Droga, isso é ruim, se a Verônica conseguir convencer a Márcia, nossas vidas escolares estarão acabadas. Principalmente a do Vinícius ! Se já não bastasse o vídeo, agora vai ter isso ! Droga, eu fui uma inútil conversando tudo aquilo, na frente da Verônica !

— Eu posso te chamar pro clube de jornalismo, também ! Você poderá confirmar tudo junto comigo, e daremos um adeus pro Vinícius, aquele desgraçado. — Disse Verônica. — Poderemos publicar tudo de ruim que quisermos sobre ele.

— Não seja estúpida, Verônica. — Falou alguém, enquanto abria a porta atrás de mim e adentrava a sala.

Era Guilherme, mas quem havia falado aquilo não foi ele. Foi o Nell, que estava sendo carregado nas costas do Guilherme.

— E aí. — Disse Gui, enquanto colocava o Nell sentado numa carteira, bem perto de onde eu estava, e se sentava atrás do mesmo, em outra carteira.

Nell estava olhando pro chão, pois a Verônica estava no outro canto da sala, onde ele provavelmente, não conseguia enxergá-la.

— Estúpida ? Eu ? — Perguntou ela.

— Exato, você é uma estúpida. — Respondeu Nell, friamente. — Márcia, não deixe ela te enganar.

— É ?? Não tem argumentos, e por isso está utilizando palavras de baixo calão ? — Perguntou Verônica. — Eu esperava isso da garota aí, mas não esperava algo assim de você. — Disse ela, se referindo à mim.

— É divertido usar algumas palavras de baixo calão, às vezes. — Falou Nell. — E não se engane, eu tenho muito mais argumentos do que você imagina.

— Então me diga teus preciosos argumentos. — Pediu ela.

— Você não pode publicar nada disso no jornal da escola. — Disse o garoto.

— Por que não ?

— Eles não permitem. Sempre que você publica algo sobre a vida de algum estudante, com o intuito de fofocar, é preciso uma baita censura no assunto, desviando parcialmente do sentido original para que a coordenação não perceba as más intenções. — Falou Nell.

— Realmente, mas eu sempre consigo fazer a notícia chegar ao ouvido do povo, mesmo com as censuras. Você deve estar me subestimando.

— Sim, eu te subestimei, e te subestimo até agora. Há certos assuntos que são impossíveis de se censurar, sem fazê-los perder o sentido original, e esse do Vinícius, é um deles. — Disse o garoto. — Você não planeja falar do vídeo em seu jornal, e você não planeja usar essa gravação aí, também. O que você planeja, basicamente, é sair mostrando o vídeo de pessoa à pessoa, fazendo com que a fofoca se espalhe manualmente, não é

— Como percebeu isso ? — Perguntou Verônica.

— Foi fácil. Você já começou à fazer isso, afinal. Se você quisesse mesmo falar sobre o vídeo em seu jornal, você teria mantido ele em segredo até a publicação, para que pudesse ganhar o máximo de leitores. — Respondeu ele.

— Muito bem, você tem razão, mas isso não muda o fato de que todos saberão, no final. — Disse ela.
— Exato, mas aí entra uma incógnita. — Falou Nell. — "Por quê você espelharia essas coisas sem ser através do teu jornal ?". Digo, se fosse através do jornal, até que daria à entender que você é uma jornalista louca que quer ganhar leitores, mas, espalhar isso de uma maneira comum, através de fofocas ?? Não é um tanto quanto estranho ??

— Não sou necessariamente uma jornalista louca, apenas gosto de espalhar tudo à todos. — Disse ela.

— Não é verdade, você está mentindo. — Falou Nell. — Você não espalharia isso à todos se não fosse ganhar algo em troca. Em outras palavras, há sim um motivo por trás de tudo.

— ... — Verônica ficou quieta, mostrando-se um pouco pensativa.

— Você insiste em espalhar esse vídeo à todos, pois vai difamar o Vinícius, e isso é algo que você quer. Porém, a Márcia não é como você. Ela não seria tão suja à esse ponto, ela só quer o bem do Gabriel, ela não faria algo assim ao Vinícius, não é, Márcia ? — Perguntou Nell.

— Uhum... — Murmurou Márcia, abaixando a cabeça.

— Tsk. — Afirmou Verônica.

— Mas você é capaz disso, porquê diferente da Márcia, você é uma ciumenta sem limites. — Afirmou Nell. — A Márcia é do tipo que suga todo o sofrimento e guarda dentro de si, já você, é do tipo que desconta todo o seu sofrimento na pessoa mais próxima.

— Fica quieto... — Murmurou Verônica.

— Você gosta do Pedro, não é ? Sua situação não é muito diferente da da Márcia, na verdade, é completamente igual. O que muda, é que você e ela são diferentes. — Disse Nell.

— Eu não gosto do Pedro. — Afirmou ela.

— Ué, os garotos gays vivem se apaixonando pelos amigos héteros, então por quê não ? É natural você se apaixonar pelo Pedro, também, pois eu imagino que ele seja bem legal. — Disse ele. — Mas, o que você acha que ele faria, se descobrisse ? Gays não gostam de serem "gostados" por outras garotas, ainda mais se for uma como você. O que o Pedro pensaria, se soubesse que você só está fazendo isso com o Vinícius, por gostar dele ? Ele provavelmente pensaria, que você tentaria fazer o mesmo com os futuros... Errr... "Crushs", dele, e se afastaria de você.

— .........

— Quer mesmo perder, o teu precioso amigo ?

— Mas isso não faz sentido ! Se a Verônica quer foder só com o Vinícius, por quê ela quer nos envolver através dessa gravação, também ?? — Perguntei.

— Ela não se importa com vocês. Não dá a mínima se vão ser prejudicados ou não, apenas pensa que essa gravação será uma prova concreta pra provar o conteúdo do vídeo, e o quanto o Vinícius é um garoto ruim. — Respondeu ele. — Estou errado ?

— ... — Verônica permaneceu em silêncio.

— Este silêncio diz que não. Agora, você não tem saída. Se não nos entregar essa gravação, eu mesmo contarei ao Pedro sobre tudo. E você sabe muito bem que sei ser bastante convincente em minhas explicações. — Disse Nell. — Bom, você pode recusar também, mas aí pedirei para o Gui pegar a gravação à força, e duvido que você possa com ele.

Verônica pensou por alguns segundos, mas no fim, cedeu, e jogou o dispositivo pro Guilherme.

— Pronto, peguei. — Falou Guilherme. — Ela jogou.

— Ah, okay. — Disse Nell. — Agora Verônica, quero que você apague o vídeo que recebeu do Whats, na nossa frente.

— Como você sabe que... — Verônica foi falar, mas Nell a interrompeu.

— Eu sei que você não passou esse vídeo pra ninguém, e sei que você o apagou do notebook na sala do jornalismo. — Disse Nell. — Você não queria que ninguém o tivesse, além de você, apenas saiu mostrando pros outros através do teu celular. Em outras palavras, o vídeo SÓ está abrigado no teu celular.

— Você não pode falar isso com tanta certeza. E se eu passei ele pro meu pc ? — Perguntou ela.

— Não, pois além de ciumenta, você é descuidada. Eu não acho que você tenha passado ele pro teu computador, pois nunca pensou que ficaria encurralada desse jeito. — Respondeu ele. — Você se superestima, e isso agora, está te causando a derrota. Aliás, não só ciumenta e descuidada, você também é uma egoísta.

— Q-quem você pensa que é pra falar assim comigo... ? — Perguntou ela.

— Não sou ninguém, mas enfim, você está com o seu celular aí, não é ? Então nos dê logo, e deixe que eu mesmo apago o vídeo, ou quer que eu peça pro Gui pegá-lo a força ? — Perguntou Nell.

Verônica desta vez, não pensou duas vezes, e deixou o celular dela em cima de uma mesa, para que o Gui pudesse pegar e entregar ao Nell.

O garoto albino ficou fuçando no celular por algum tempo, e no fim, disse :

— Pronto, apaguei o vídeo da mídia do whatsapp também, e dei um sumiço com o número da pessoa que enviou. — Afirmou o garoto. — O sinal está quase batendo, acho que vocês devem ir pra sala de vocês.

— Quer que eu te coloque na sua cadeira ? — Perguntou Guilherme.

— Sim, por favor. — Pediu Nell.

Guilherme o pegou nos braços, e o carregou até sua cadeira de rodas, que havia ficado dentro da sala de aula.

Verônica foi até o garoto, e pegou seu celular de volta.

— Não se preocupe Verônica, eu não irei te deixar assim, sem nada. — Falou Nell. — Eu deixarei que você me entreviste, estará tudo bem se for assim ?

Verônica fechou a cara, e não respondeu. Apenas saiu da sala.

— Eu estou indo também, hoje eu vou poder ir na sua casa, Nellzinho ? — Perguntou Guilherme.

— Não sei, eu te falo na saída. — Respondeu.

— Beleza cara. — Disse Gui, enquanto saía da sala, também.

— Você deveria ir pra sua sala, também. Eu acho que você vai ter muita coisa pra contar pro Vinícius. — Disse Nell, se dirigindo à mim.

— Sério ? E você vai me deixar assim, sem nenhuma explicação ? — Perguntei. — Como você descobriu tudo isso sobre a Verônica, e como você chegou aqui ?

— Você e o Vinícius saíram com tudo do refeitório, e eu e o Gui estranhamos. Ele me contou sobre o vídeo, e decidimos ir investigar. Pedi para que ele me levasse até a biblioteca pra ver o Gabriel, mas, ele estava tendo uma conversa aparentemente séria com o Vinícius, então, decidi não atrapalhar. — Contou ele.

— Depois, fomos pro clube de jornalismo, e a Verônica não estava lá. Pedimos ao Pedro para ver o vídeo, mas ele falou que a Verônica havia apagado assim que saiu.

Fiquei quieta, apenas escutando.

— Daí ele me trouxe pra cá, e ficamos escutando a conversa pelo lado de fora. O ruim foi que já havíamos chegado um pouco tarde, e pegamos a conversa da metade. — Disse ele.

— Mas isso não explica como você soube sobre a Verônica... — Falei.

— Eu não sabia nada sobre ela. Foi um blefe. — Disse ele. — Apenas dei a sorte de acertar tudo baseado em minhas especulações, e ela caiu feito uma pata. A única coisa que não entendi bem, foi o porquê dela não ter passado o vídeo à ninguém, e apagado ele do notebook da sala de leitura, após editar. Também não faço questão de saber. Tudo irá se resolver agora, então está tudo bem. ,

— ............................................................. — Fiquei quieta, no fim, apenas pedi à ele para que cuidasse da Márcia, e fui pra minha sala. O sinal bateu no momento em que eu estava andando no corredor.

Nell... Aquele garoto é um monstro da inteligência, deus me livre.

Me pergunto o que o Vinícius conversou com o Gabriel. Depois de tudo, não acho mais que seja ele quem tenha enviado o vídeo.

Minutos atrás ~~

Vinícius POV

— Sei sobre o quê, Vini ? — Perguntou Gabriel, desviando o olhar de mim e fazendo-se de desentendido.

— EU SEI QUE FOI VOCÊ QUE MANDOU AQUELE VÍDEO PRA VERÔNICA ! NÃO SE FAÇA DE SONSO ! VOCÊ ME ODEIA, NÃO É !?

— Pare Vini, não grite ! A dona da biblioteca vai me expulsar daqui à pauladas se ver que estou "brigando" com outra pessoa aqui dentro ! — Exclamou ele.

— PARAR UMA OVA ! VOC... — Eu ia continuar gritando, mas decidi não gritar mais, pois algo me surpreendeu.

O Gabriel havia voltado à me chamar de Vini. Por quê ? Ele não devia me chamar assim, pois agora ele me considera um monstro e me odeia. Ele não chamaria alguém que odeia de uma maneira íntima.

Sem contar que, ele só me chamava de Vini antigamente, antes de perder a memória. Depois disso, ele só me chamou de Vini de novo quando viu o vídeo, justamente pra me irritar.

Epa, espere um pouco... É verdade... Ele me chamou de Vini bem na hora que assistiu o meu vídeo onde eu chupava um vibrador. Ele disse algo como... : "Que feio Vini"... ? Estranho, muito estranho... Não consigo relacionar bem, mas, será que ele recuperou a memória ? Não acho que ele tenha se lembrado quando assistiu o vídeo, pois se não, nossa briga no parque não haveria acontecido.

Sentei-me na mesa junto dele, e fiquei pensando. Minha mente se tornou um nó, e eu não consegui chegar à nenhuma conclusão.

— Por que você veio falar comigo de novo, Vini ? Eu pensei que nunca mais nos falaríamos, pois fui muito cruel com você no parque. — Disse ele.

— Você não foi cruel comigo no parque, apenas fez a coisa certa. — Falei. — Bom, se possível, podemos deixar isso de lado por enquanto ? Tem uma parada mais importante, que quero te perguntar.

— O que ?

— Por quê voltou à me chamar de Vini ? — Perguntei.

— A-ah, nossa, eu nem tinha reparado... — Falou ele. — É instintivo.

— Mas por quê assim, de repente ? Você não me chamou mais de Vini desde que se esqueceu de mim. Aliás, só uma vez, e foi quando assistiu "aquele" vídeo meu. — Falei.

— Te chamei aquela hora pra te irritar, pois você não gostava. — Disse ele. — E eu passei à te chamar de Vinícius, provavelmente porquê não via mais você como uma pessoa íntima, afinal eu havia te esquecido, né.

— Entendi. — Falei. — Mas refarei a pergunta. Por quê está me chamando de Vini, agora ?

— Porquê eu me lembrei de você, Vini. De tudo, agora eu finalmente voltei ao normal, e me livrei daquela amnésia problemática. — Respondeu Gabriel, sem hesitar.

Continua no capítulo 23.