Kai apenas se lamentava por ter acordado cedo demais. Por mais de meia hora, ele e Yeonjun ficaram em silêncio naquela lanchonete com decoração "anos 50", olhando para a porta e pensando se alguém realmente apareceria, quando, de repente, um som de trovão quebrou o silêncio, avisando que uma forte chuva estava por vim.

Kai olhou pela janela e viu o céu com nuvens cinzas. Em sua frente apenas um chocolate quente com um sanduíche. Era muito estranho eles dois ali, naquela manhã de feriado, uma vez que até a semana passada os dois não se conheciam. Yeonjun era mais velho e estava no último ano do ensino médio, já Kai tinha acabado de se mudar para Seul depois de ter morado no Havaí e Inglaterra.

Kai era gay e nunca teve problema com isso. Desde criança sabia de suas preferências e seus pais lidavam muito bem com isso. Entretanto as coisas começaram a complicar quando começou a estudar na High School CheolSoo. A velha história de garotos do time de futebol implicando com o novato. Kai até tentou ignorar, mas a "coisa" passou do limite, quando os valentões o expulsaram nu do vestiário pois não queriam que "uma bichinha" tomasse banha no mesmo lugar que eles. Seus pais, sabendo do ocorrido, foram até à escola pedir uma providência. Mas os valentões apenas pegaram três dias de suspensão.

Foi o professor de literatura chinesa, Kim Namjoon, que deu uma ótima opção para Kai diante daquela situação toda. O professor chamou Kai e Yeonjun depois da aula e disse:

“Senhor Choi e senhor Huening, eu os chamei aqui porque vocês dois têm algo comum; vocês estão sofrendo com a homofobia dessa escola.”

Eles estavam na sala de aula, sentados na primeira fileira, enquanto Namjoon estava sentado descontraído em cima da mesa.

“E eu sei o quanto essa escola, mesmo sendo a melhor da Coréia, pode ser bem negligente quando o assunto é os direitos dos LGBT+”, continuo Kim Namjoon. “Por isso acredito que seria interessante se vocês começasse uma aliança entre gays e héteros”

“Não compreendo”, disse Yeonjun, “uma aliança entre gays e héteros?”

“São, basicamente, zonas seguras para estudantes LGBT+”, explicou o professor.

“É unir as pessoas para falar sobre problemas e questões relacionadas a sexualidade.” Kai acrescentou à explicação.

“Justamente isso”, afirmou Namjoon, “Eu já falei com a direção sobre isso, entretanto eles disseram que não tinham mais verbas para abrir outro clube. Só que, segundos as regras, vocês podem fazerem isso de forma independente contudo sem quebrar nenhuma regra da escola.

E foi isso que levou Kai e Yeonjun para aquela lanchonete em um dia de feriado. O sono já havia extinto, porém nascia a frustação por ninguém ainda ter aparecido. “Será que nós dois somos os únicos gays dessa escola” pensou Kai enquanto tirava doces e pirulitos dos bolsos.

“Para começar”, disse Yeonjun, “a gente não devia ter marcado essa primeira reunião em um feriado. Foi uma péssima ideia, não foi?”

“Parece que sim”, disse Kai. “Você quer um pirulito?”

“Quero sim”, respondeu Yeonjun meio tristonho; “e gostaria de saber porque no blog que abrirmos, tanta gente acessou e se inscreveu, porém não apareceu aqui.”

“Medo”, Kai respondeu apressadamente; “você percebeu... você percebeu que muitos se inscreveram com nomes e contas fakes?... é mais fácil falar sobre esses assuntos quando tem certeza que ninguém irá lhe condenar no dia a dia, não é? As pessoas se sentem mais seguras atrás de um computador”

“Você tem razão” suspirou Yeonjun. “O que nós fazemos agora?”

“A gente continua a ajudar pelo o blog”, respondeu Kai, “e vamos para casa antes que comece a chover.”

Assim que pagaram e se levantaram para irem embora, Kai se virou para a porta e viu alguém adentrar o local com a jaqueta de do time de corrida da escola. Era Taehyun que se aproximou dos dois.

“Desculpe-me pelo incômodo”, Taehyun sorriu largamente; “Mas é aqui que está acontecendo a primeira reunião da aliança gays-hétero?”

Notas finais
Vai ter shipper gay sim, mas quero me focar na questão da amizade verdadeira