"Eu amo você..." (Draco Malfoy)
32 Capítulo 31.1
No capítulo anterior...
Eu não conseguia tirar aquelas palavras da Parkinson da minha mente. Por que ela tinha que implicar comigo? Por que eu? Tudo bem que ela tinha ciúmes do Malfoy. Mas não conseguia enxergar que ele não queria nada com ela?
Lembrei do primeiro ataque de ciúmes, fora também em uma segunda-feira, antes da aula de DCAT, ela ficara me fazendo inúmeras perguntas sobre eu ter ficado com Malfoy no Salão Comunal da Sonserina depois que ela fora dormir. Se ao menos eu tivesse dado ou desse motivos para toda aquela desconfiança, mas não... E se eu tivesse confirmado que eu e Malfoy havíamos transado, e MAIS DE UMA VEZ? O que ela seria capaz de fazer comigo?
Aquele era um dos motivos pelo qual eu preferia que nenhum deles soubesse nem mesmo das vezes em que havíamos ficado... A reação das pessoas ao meu redor e além de Pansy, outras meninas implicando comigo.
Um dos motivos, mas não o maior.
O maior deles era o próprio Malfoy... Eu não sabia, talvez outras pessoas bateriam na minha cara e me xingariam de lerda, mas eu realmente não sabia o que estava acontecendo entre nós. Draco não deixava claro...
Aquilo estava me matando por dentro...
31.1
– Onde está o Malfoy? -Blásio perguntou, tirando-me dos meus pensamentos tão conturbados.
– Eu não vejo ele desde a aula. -Theo respondeu tamborilando os dedos na mesa. Realmente, Malfoy, o motivo de toda a confusão de antes e das minhas incertezas, havia sumido depois da última aula da manhã.
– Acho que está treinando... -Refletiu Blásio.
– Treinando? -Indaguei.
– Quadribol. -Theo respondeu .
– Voando metros de altura nesse frio? -Me encolhi só de pensar. Eles riram.
– É melhor, não tem sol, você fica mais leve, é mais fácil manejar a vassoura. Só é ruim quando tem muito vento. -Blásio explicou descansando a cabeça sobre as mãos e bocejando- Acho que vou dar uma dormida.
– Mas o frio... -Insisti, o fazendo revirar os olhos e rir- E eu adoraria dormir, mas tenho que terminar o relatório de Herbologia antes que eu me esqueça.
– Ainda não terminou? -Theo perguntou parecendo surpreso.
– N-não. Eu estava com muito sono ontem... Cheguei da ronda e fui dormir. -Menti e encarei meu prato envergonhada por lembrar o porquê de eu não ter teminado. Bom, aquilo não fora bem o porquê, mas...
– Eu te entendo, além do mais escrever relatório é muito ruim... Eu costumo ficar no jardim quando vou escrever algum texto, me inspira. -Respondeu e sorriu levemente.
– Você é um bixa isso sim. -Blásio resmungou e eu ri, mas parei ao ver que Theo não parecia ter achado graça.
– Bom... Eu vou escovar meus dentes e dar um jeito de terminar o relatório. -Suspirei me levantando da mesa- Obrigada pela dica, Theo... -Astoria e Blásio se encararam, depois a Nott e a mim. -Theodore. -Sorri sem graça e saí dali o mais rápido que pude.
Será que eu não conseguiria passar um dia, ou meio, sequer, sem alguma confusão ou constrangimento?
Ainda tinha que conversar com Mafoy... So não sabia como faria aquilo, já deveria estar mais do que acostumada a não saber das coisas quando se tratava dele.
Mas por quê?
Por que eu insistia em continuar com aquilo tudo já que só estava me fazendo mal?
Não seria mais fácil se eu esquecesse Draco e continuasse em frente? Tudo estaria em ordem, talvez eu poderia até mesmo ser amiga da Pansy...
Não, não, não. Não era para tanto.
– Marin! Marine! -Ouvi a voz de Gina enquanto caminhava em direção à escada que levava para o quarto andar, me virei e a vi correndo até mim com um sorriso enorme no rosto. -Menina você sumiu! -Pulou em meu pescoço me fazendo cambalear pra trás.
– O-oi, Gina. -Sorri sem graça, embora estivesse feliz em vê-la- Então, fui...
– Eu sei, a Mione já me contou. E aí, como está sua tia?
Por pouco não perguntei sobre o que ela estava falando. Mas então me lembrei da historia que havia contado à Hermione. Por essas e outras que odiava mentir.
– Ah... Está melhor. -Não tinha mais o que falar, então sorri.
– Que bom! O plano de amanhã continua de pé?
– Plano? -Arqueei as sobrancelhas, a ruiva revirou os olhos.
– Astoria e Blásio. Lebra que conversamos na sexta e combinamos de trancá-los juntos na sala de Poções?
Aahhh, sim! -Murmurei. Realmente haviamos combinado aquilo. Mas estava tão tensa com a ida para a casa de Draco no dia seguinte que esqueci assim que nos despedimos- Mas eles parecem estar bem agora... Eu acho.
Não havia notado nada de "ruim" entre os dois durante o tempo que passei com eles no almoço. Talvez já tivessem se resolvido.
– Tem certeza? -Gina perguntou parecendo decepcionada. -Nenhuma briguinha?
– Gina! -Ri- É melhor assim, oras!
– Mas nosso plano era tão perfeito! Eu amo fazer essas coisas, Fred e George não me chamam mais para os planos deles...
Ela as vezes falava daqueles dois, deveria te-los visto uma ou duas vezes no Salão Principal... Pareciam populares.
– Awn, não fica assim. -Acariciei o braço dela.
– Para com isso! -Empurrou minha mão- O negócio não é sentimental, eu queria sentir adrenalina!
Ri com aquilo, havia brilho nos olhos de Gina quando ela pensava em fazer arte.
– Parece até que está falando de um plano para assaltar Gringotes!
– Também não seria uma má ideia... -Coçou o queixo fingindo cogitar a possibilidade.
– Boa Sorte. -Revirei os olhos e rimos.- Gina, tenho que ir, vou terminar um relatório de Herbologia... -Suspirei espantando o pequeno silêncio.
– Vamos executar o plano ou não?
– Depois a gente vê, vou observar os dois mais de perto e te falo, ok?
– Beleza.
Nos despedimos e segui para o Comunal dos Monitores. Aquela pequena conversa com Gina me distraíra um pouco.
Pretendia terminar o relatório e adiantar algumas matérias. Nos últimos dias estava perdendo muito tempo pensando no Malfoy... Aquele ano teríamos os NOM's e eu TINHA que ir bem.
Entrei no comunal e encontrei Paul e Claire encostados no corrimão da escada, ela ria de alguma coisa que ele dizia. Não sei se era motivo o suficiente, mas meu estomago gelou com a possibilidade de ele estar falando sobre a cena que tinha visto naquela manhã.
– Marine. -Claire sorriu e olhou para Paul que também me encarou.
– Oi. -Parei próxima à porta do meu dormitório.
– Como está?
– Bem. -Forcei um sorriso, tinha certeza que Paul contara a ela, pois Claire sequer me cumprimentava antes...
– Que bom. E o Draco? -Nessa hora encarei Paul e ele desviou o olhar.
– O que tem ele?
– Não sei, vocês dividem o dormitório, não? -Deu uma risadinha.
– Não... Q-quer dizer, sim. Mas eu não vejo ele desde as aulas da manhã.
– E antes disso?
Cerrei os olhos e abri a boca em ato de indignação. Por que ela não ia direto ao ponto ao invés de ficar me enchendo?
– Claire, deixa a menina. -Murmurou Paul descendo o restante dos degraus.
– Ué, eu não estou fazendo nada, só... -Deixou de encarar o monitor e voltou o olhar a mim- Só toma cuidado com ele, com o Draco, ok? Ele não é do tipo certo de garoto, se é que me entende.
Arqueei as sobrancelhas, surpresa. Esperava de tudo, menos uma "advertência".
– Ok. -Tentei sorrir, mas estava desconfortável. O que estariam pensando de mim? Não poderia dizer que conhecia Malfoy melhor que qualquer um e sabia que ele realmente não era o "tipo certo", iriam me xingar de burra por continuar com ele. Se é que estávamos juntos daquela maneira. -Posso pedir uma coisa?
Os dois se entreolharam e assentiram.
– Não comentem com ninguém. Por favor...
– Não vamos. -Claire disse- Paul me contou porque somos amigos e ele queria que eu conversasse contigo.
– Claire! -O menino reclamou, parecendo envergonhado.- Olha, Marine, o Draco é...
Nesse instante Malfoy entrou pelo quadro e Claire abafou um riso. Meu coração acelerou, tinha certeza que ele ouvira seu nome e estava prestes a arrumar briga.
Mas pela segunda vez naquele dia, me deixou confusa. Draco simplesmente passou reto e entrou no dormitório.
Os monitores chefe se entreolharam e então voltaram o olhar para mim, como se fosse suposto acontecer outra coisa além daquela. Odiava aquilo... O que esperassem que Malfoy fizesse? Me cumprimentasse com um beijo e se juntasse a conversa?
– Acho melhor conversarmos outra hora. -Paul suspirou- Mas não se esqueça do que a Claire disse.
– Eu sei... -Respondi tentando controlar a irritação- Não se esqueçam do que eu pedi também.
–Relaxa. Agora vai lá. -Murmurou Claire ainda na escada.
Me virei e dei quatro passos para alcançar a porta. Agradeci quando entrei no dormitório e vi que Malfoy estava no banheiro, pois corri para minha cama na intenção de destruir algo com as mãos, tamanha era a raiva que sentia...
Quem eles pensavam que eram? Iriam querer controlar o que eu fazia ou deixava de fazer? Por que não cuidavam da vida deles? E daí se eu estava tendo algo com Draco? Fosse ele quem fosse, isso não era da conta daqueles dois!
Talvez não fosse aquilo o que estivessem tentando fazer, talvez quisessem apenas me ajudar, mas não era o que estava parecendo... O pior de tudo era que eu, de alguma forma, me sentia intimidada por eles.
– Aargggghhhhhhhh!!! -Grunhi, rasgando o travesseiro com as mãos, logo após ouvi uma risada. Aquela risadinha desdenhosa, inconfundível. Malfoy estava encostado na porta do banheiro, com os braços cruzados, vestido apenas com a típica calça de moletom, rindo de mim- O que é?! Ta vendo alguma coisa engraçada?! -Rosnei tacando o travesseiro em direção a ele, o que não adiantou nada pois não alcançou nem metade do caminho, fazendo ele rir mais ainda. Fiz questão de pegar o travesseiro e parar em frente à ele. -Ri agora!
– Ha. -Fez ele, exibindo aqueles dentes perfeitamente brancos e retos em um sorriso irônico- Ha, ha, ha.
– Seu... -Desatei a bater nele com o que restava do travesseiro, precisava descontar aquela raiva em alguém e ninguém melhor que o próprio Malfoy para fazer isso, já que ele era a causa de tudo, além de estar me provocando.
– PÁRA! -Gritou em um certo momento, segurando meus braços. Assustei com aquilo e tentei recuar, deixando o travesseiro cair. Mas logo em seguida sua expressão séria relaxou, voltando ao sorriso quente de antes.
– Você é tão...
– Shh. -Fez, colocando o dedo sobre minha boca e descendo uma das mãos para minha cintura, me puxando para mais perto- Eu sei de algo que vai aliviar sua raiva rapidinho- Murmurou em meu ouvido, já me arrepiando. Era incrível o efeito que Draco tinha sobre mim.
Não pensei duas vezes antes de alcançar sua boca tão macia e contornar seu pescoço com meus braços. Aquilo era tão bom, ter Draco ali, para mim, era maravilhoso. Quantas vezes antes não desejei poder estar daquele jeito com ele...
Diferente das outras vezes ele não nos moveu para cama, quando o ar se fez escasso Malfoy parou beijo, porém se manteve próximo.
– Então? -Perguntou
– Melhor. -Respondi envergonhada, encarando a pele macia de seu peitoral.
– Ótimo. É melhor você parar com essa mania. -Murmurou me soltando e indo até seu guarda-roupas.
– Que mania? -O encarei.
– De ficar destruindo as coisas toda vez que fica irritadinha. -Revirei os olhos.
– Antes isso do que socar a parede enquanto vomito palavões. — Dessa vez ele me encarou por trás da porta aberta do guarda-roupas.
– Eu não faço isso. -Arqueei uma sobrancelha- Faço, mas não esparramo pumas por sete cantos.
– Cada um tem seu jeito de descontar raiva. — Suspirei, fingindo pesar. Draco fechou as portas já vestido e agasalhado e foi em direção à cama, sentando-se para calçar os sapatos.
Tratei de escovar os dentes. Sorri, me lembrando do beijo. Ele poderia fazer aquilo quando e onde quisesse... Eu não me importaria. O que me deixava frustrada eram os monitores chefe, Paul era um fofoqueiro.
– O que te irritou dessa vez? Seu cabelo ressecado ou quebrou a unha do dedinho? -Indagou com uma risadinha assim que saí do banheiro.
– Malfoy!!! -Bufei. Ele só podia estar brincando com a minha cara, eu não era fútil àquele ponto... E MEU CABELO NÃO ERA RESSECADO.
– Vamos, Marine... Eu tive que te acalmar, mereço no mínimo saber o motivo. -Disse com desdém.
Revirei os olhos, mas no fundo tinha adorado ouvir meu nome... Ele podia dizer sempre.
– Os monitores-chefe. -Respondi- Eles... O Paul contou pra Claire que nos viu... Que viu a gente se beijando hoje de manhã. -Contei e pude ver a expressão de Draco passar de desdenhosa à séria no mesmo instante, o que me deixou tensa. Resolvi parar por ali.
Alguns segundos em silêncio, Malfoy respirou fundo e claramente forçou um sorriso, dizendo em seguida:
– Ignora.
– O quê? -Indaguei surpresa, esperava todo tipo de reação, menos essa, por mais que estivesse sendo visivelmente forçada.
– Ignora eles.
– Malfoy, e-eu não... Eu não estou entendendo. -Draco passou a mão pelos cabelos como fazia quando estava irritado e então forçou um sorriso mais uma vez. Como se quisesse me de ixar calma, mas eu não estava m nem um pouco irritada, não mais, já ele...
– É só não discutir. Não discute, ok? Ignora eles.
Eu queria perguntar o porquê de ele estar agindo assim. Pelo que eu o conhecia, era previsível que fosse no mínimo xingar Paul e Claire, no mínimo...
Apesar de tudo resolvi concordar, Draco estava visívelmente nervoso, e se estava tentando se controlar era melhor não forçar muito a barra. Assenti.
– Ótimo. -Fez uma pausa, me encarando por alguns segundos. Por mais que sua expressão estivesse tensa seus olhos em mim estavam suaves, então presumi que não estivesse irritado comigo, mas sim com a situação. Mas por que não reagia, Merlin?- Eu vou sair...
– Sair? -Me encolhi, lembrando do tempo frio lá fora.
– Vou estar com uns caras no comunal da Sonserina. -Me lembrei das reuniõezinhas que ele as vezes mencionava*, mas nunca nada além disso- Coisa de homem. -Riu-se, me fazendo revirar os olhos de leve. O que esses "homens" estariam fazendo? E com quem? Será que a Pansy estava no meio? — Au revoir. -Disse e saiu do dormitório, batendo a porta.
Juntei meu material de Herbologia rapidamente na esperança de alcançar Draco. Ele não poderia implicar comigo por simplesmente estar andando pelos corredores, coincidentemente atrás dele.
Saí do comunal dos monitores e pude ve-lo ainda na metade do corredor, não parecia estar com pressa. Apertei os passos até ficar a uma boa distancia, nem tão perto, mas também não tão longe.
Haviam algumas pessoas passando pelos corredores, e Draco com aquele jeito arrogante de ser, não encarava ninguém, sendo assim, eram poucas as chances de ele se virar e me ver ali.
Tudo estava indo bem até o terceiro andar, onde eu descia a uns quatro degraus atrás de Malfoy quando ouvi uma voz familiar vindo de um pouco acima:
– Hey, Marin! -Era Theo. Parei de súbito e Malfoy fez o mesmo, se virando. Nott parou ao meu lado. -Está indo terminar o relatório?
Eu não sabia o que fazer, Malfoy agora me encarava fixamente, juntando as sobrancelhas.
– A-ah eu to, Theo...dore, Nott. -Respondi cortando o contato visual com Draco e encarando o menino ao meu lado.
– Que ótimo. Quer ajuda?
Abri e fechei a boca algumas vezes, alternando o olhar entre Malfoy e Nott.
– E-eu...
– Não, ela não quer. -Draco se manifestou, suas mãos estavam dentro dos bolsos da calça de moletom, e, pelo desenho, conseguia ver que estavam em punhos.
– Fala, Draco, nem te vi aí... -Theo balançou a cabeça em direção ao loiro, e, parecendo ignorar a resposta que ele dera, indagou novamente: -E então, vai querer ajuda, Marin?
Voltei a encarar Nott e ele sorria, abri a boca para responder e Malfoy interrompeu mais uma vez:
– Ela não precisa da sua ajuda, Nott.
– Vocês estão juntos? -Indagou Theo, me encarando.
– Estamos. -Malfoy respondeu.
Meu coração acelerou, certamente estavam falando de estar junto quanto à pesquisa, mas ainda assim...
– Estão? -Theo insistiu novamente.
– Eu já disse que sim, você é surdo, Theodore? -O loiro tornou a responder, estava claramente irritado.
– Acho que ela tem capacidade de responder sozinha, Draco. -Nott rebateu em um misto de ironia e irritação, voltando a me encarar.
Ambos mantiveram os olhares fixos em mim, senti vontade de gritar e correr dali, mas, ao invés de fazer o que parecia mais sensato, tive a ideia mais idiota de todas:
– Que tal se nós três irmos juntos? -Me arrependi no instante em que fechei a boca.
– V...
– Claro que não! -Malfoy recusou-se com uma risadiha nervosa- Eu não gosto de trabalhar em trio. Que ideia tosca!
– Pra começar, você nem estava indo fazer o relatório! -Grunhi. Quem ele pensava que era?!- Não, nós não estamos juntos. -Me direcionei à Theo.
– Posso ir com você então, já terminei o meu... -Nott sorriu. Como ele conseguia não se descontrolar com o imbecil do Malfoy?
– Não, você não vai, não, Nott. -Draco interferiu novamente- Temos a reunião marcada, ou vai dizer que tá fora?
Como aquele loiro era idiota! Primeiro diz que estávamos indo fazer o relatório e agora não mais por causa dessa reunião imbecil, isso pro Theo não ir comigo?!
– Não sabia que agora é obrigatório participar... -Nott respondeu em um tom carregado de ironia. Malfoy umedeceu os lábios me encarando por poucos segundos.
– Sabia que tava querendo pular fora, o frangott está com medinho de ter alguma consequência? -Provocou Draco.
– D-do que vocês estão falando? Que reunião é essa? -Indaguei já nervosa.
– Ah, você não contou pra ela, Malfoy? -Nott deu um risinho e me encarou. Neguei com a cabeça.
– Não contei pra ninguém. -Respondeu ele, subindo um degrau- Não era esse o combinado? Só os homens da casa...?
– Engraçado que a Pansy ta sabendo... -Theo falou e me encarou. Senti meu sangue esquentar. De que merda eles estavam falando? Encarei Malfoy e ele me fitava como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
– Nott, vai pra porra da reunião. -Grunhiu. Theodore me encarou e permaneci estática. Minha mente imaginava mil coisas sobre essas reuniões.
– Pode ir, Nott... -Disse sem pensar.
– Ok. Já que é assim... -Suspirou ele abanando as mãos e descendo alguns degraus.- Só espero que não se atrase. -Fitou Malfoy e depois a mim- Tchau, Marin.
Apertei os materiais do relatório entre as mãos, tentando não surtar. A cena de antes do almoço veio em minha mente. Theo estava lá, e agora parecia ter mencionado a Pansy de propósito, será que sabia de alguma coisa? Ou mencionara a Parkinson por ela ser menina e Malfoy ter dito que somente homens sabiam?
Sabiam de que? Merlin...
– Que merda é essa?! -Saí dos meus pensamentos por um puxão em meu braço. Draco me arrastava escada acima.
– Malfoy! -Reclamei. Senti minhas costas baterem em algo e logo adentramos uma salinha empoeirada e mal iluminada, com prateleiras e algumas vassouras.
– Desde quando você conversa com o idiota do Nott? -O loiro parecia estar irado, seria ciumes? Dei uma breve risada em meio ao transtorno, o que o fez apertar ainda mais meu braço.
– Ta doendo. -Falei agora séria, tentando me desvencilhar de suas mãos. Quem ele pensava que era para exigir alguma explicação?!
– Droga, Carter!! -Grunhiu, me soltando- O que estava fazendo? Que porra estava fazendo atrás de mim? E por que falou com ele?
– Eu não estava atrás de você.
– Claro que não, apareceu milagrosamente... -Fechou os olhos, respirando fundo- O que tem entre você e o Nott? -Draco parecia não se decidir entre uma coisa e outra.
– Que? -Ri, nervosa-Malfoy você não tá bem... -O que você tanto faz nessas reuniões?
– Não muda de assunto, Carter! -Bateu na prateleira atrás de mim, me assustando- O que você tem com ele?!
– Eu não tenho nada com o The... Com ele, ta legal?! Deixa de ser idiota!
– E como ele sabia que ia terminar a porra do relatório?
– E-eu... -Naquela situação não cogitei dizer que havíamos almoçado juntos, ainda que Blásio e Astoria estivessem com a gente. E o que o relatório tinha a ver com "ter algo", Merlin?!- Ele não sabia! Só perguntou se eu estava indo! -Malfoy me encarou, suas pupilas estavam dilatadas- Eu não estou te entendendo, você ta com ciúmes?! É isso?!
– E como ele sabia da existência dessa droga?! -Indagou, ignorando minha pergunta. O dei um olhar obvio e ele pareceu lembrar que éramos da mesma sala. Draco suspirou e desviou o olhar- Não quero te ver perto dele.
– O que tem nessas reuniões? -Cruzei os braços, o encarando. Não iria começar uma outra discussão. Ele não tinha que "querer" nada, ainda mais na situação em que nos encontrávamos.
– O Nott é um idiota... -Murmurou, passando a mão pela nuca ainda nervoso.
– Malfoy! -Chamei um pouco mais alto- O que você faz nessas reuniões? -O loiro me encarou, balançando a cabeça negativamente.
– Não faço nada, não é nada.
– Não vai me dizer?! Eu mal posso conversar com o menino que é da mesma sala que a gente que você quase me espanca e e você não quer me dizer o que faz nessas merdas de reuniões?! -Aumentei o tom de voz.
– Eu não ia te machucar! Acontece que ele... -Começou em um tom alto mas pareceu se arrepender. Pude ver em suas feições que engoliu palavra por palavra- Não. Eu não faço nada. Não posso dizer. -Murmurou, se virando para uma prateleira e apoiando suas mãos acima de sua cabeça. Parecia estrar brigando consigo mesmo.
Suspirei, tentando controlar minha raiva. Apesar de tudo, ele parecia mesmo não poder contar. Mas eu não iria continuar ali, fazendo papel de trouxa.
Arrumei meu cabelo e peguei alguns materiais que haviam caído no chão, o lançando um último olhar antes de abrir a porta da salinha para sair.
– Onde vai? -Indagou ele,se virando.
– Vou terminar meu relatório. -Respondi seca, saindo e batendo a porta. Draco veio logo atrás de mim.
– O que... O Nott... Onde você...
Parei de súbito no corredor quase deserto, o fazendo trombar-se em mim.
– O que é?. -O encarei séria, me segurando para não estuporar aquele... Argh!
– Onde você vai ficar com isso? -Apontou para os materiais em meu braço.
– O que você faz nessas reuniões? -Perguntei no mesmo tom. Malfoy revirou os olhos e passou a mão pelos cabelos.
– Eu não posso falar, por Merlin, já disse que não posso.
– Só os homens sabem? -Repeti o que ele mesmo tinha dito pouco tempo antes.
– Sim. E voc...
– E desde quando Pansy Parkinson tem um pênis, Malfoy?! -Rebati um pouco alto, ato que o fez tapar minha boca com as mãos.
– Dá pa você parar?! -Murmurou, me olhando nos olhos. Puxei suas mãos da minha boca com o máximo de força que tinha,
– Por que a vagabunda da Pansy sabe e eu não posso saber?! -Falei com uma voz esganiçada. Ali havia a mistura de raiva, ciúmes, frustração e até mesmo... inveja.
Um grupinho de meninas passou por nós. Duas delas deram risadinhas e encararam Malfoy descaradamente, o que não ajudou em nada com minha raiva e ciúmes.
– Porque a Parkinson... Porque ela.. -Draco suspirou, parecendo contrariado- Tudo o que vou te dizer é que estamos planejando uma coisa, e a Parkinson está desde o começo.
– E por que eu não estou também?! -Bati com os pergaminhos enrolados em seu peito.
– Marine... -Sussurrou ele olhando para os lados- Foda-se... -Pegou em meu rosto, colando sua boca na minha. Tentei empurrá-lo mas a cada movimento minhas forças iam se esvaindo. Merlin! Estávamos no meio de um corredor. — Acredita em mim. Não tem nada demais nessas merdas. -Continuou, depois de parar o beijo.
Eu não sabia o que dizer, aquilo estava errado. Draco não tinha o direito de me comprar daquela maneira... O mais frustrante era que funcionava. Por incrível que pareça, estava mais calma.
O loiro afastou-se de mim lentamente, enfiando uma das mãos no bolso da calça. Seus olhos azuis mantinham-se colados em mim. O que ele esperava?!
Respirei fundo, abri a boca algumas vezes e tornei a fechá-la. O canto de seus lábios já esboçavam um pequeno sorriso, como se dissesse "Venci a causa."
– Nós vamos conversar. -Falei e soou mais firme do que eu esperava. O que fez sua expressão mudar.
– Como?
– Hoje, depois da ceia. Nós vamos conversar. -Repeti, dessa vez o encarando.- Não é um pedido. -Continuei quando vi que estava prestes a protestar.
O loiro deu uma risadinha com o típico ar superior, o que fez minha confiança diminuir em pelo menos cinquenta por cento.
– Você não pode mand...
– Malfoy você quer que eu acredite em você ou não?
Pude ver que ele já estava minimamente irritado ao passar a mão pela nuca e enterrá-la no bolso da calça logo em seguida.
– Eu vou para a reunião. -Foi tudo o que disse, antes de sair em passos duros na direção das escadas.
Sorri para mim mesma.
Mas não durou muito, aquela noite iria tentar esclarecer o que exatamente estava havendo entre nós...
Ou se estava realmente havendo algo.
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