Notas iniciais
TANANANAN TANANANAN TANANANANNNNNNNNNN! I'M BACK BIATCHES! Aiiiiiiiiiiiiiiiii como eu tava com saudades de apertar o botãozinho pra atualizar essa fanfic! Saudades de vocês! Saudades de ficar ansiosa por cada comentário! Finalmente, depois de quase 8 MESES sem atualizar, trouxe mais um capítulo. Eu ando devendo muito mais que desculpas e pedidos de perdão, EU DEVO CAPÍTULOS. Não vou ficar justificando, porque os motivos da demora são os mesmos, escola, estagio, curso, viagens das férias.. ;-; OKOK. Vamos ler. LER. CAPITULO NOVO. CUIDADO. BOA LEITURA!

POV Autora:

Marine suspirou pela milésima vez naquele dia e seguiu para a biblioteca na esperança de finalmente conseguir terminar o relatório. Cogitou ir para o jardim, como Theo havia indicado, mas desistiu ao ver que a paisagem fora das janelas estava toda branca. Naquela manhã, quando acordara, notara que haviam pontinhos brancos caindo do céu, e ao decorrer do tempo haviam intensificado, transformando-se em neve. Provavelmente quando a noite chegasse já seria possível fazer montinhos.

Noite...

Naquela mesma noite, iria conversar com Draco sobre... Sobre eles. Sobre aquela coisa que estava acontecendo entre os dois. Sobre aquilo que não tinham falado ainda, porque Malfoy vivia fugindo.

Por alguns instantes Marine sentiu uma ponta de arrependimento. E se ele estivesse fugindo por não sentir nada? Ou por não querer compromisso? Ou os dois?

Teve que descartar a primeira opção e também a terceira ao se lembrar dos raros, porém intensos momentos em que ele a beijara sem contexto, e também da noite anterior na qual ele dissera que "ainda estava ali com ela"...

E por que ele havia de não querer um compromisso? Não precisavam namorar de aliança e apresentação formal aos pais, apenas... namorar. Terem a liberdade de ficarem juntos fora do dormitório sem nenhum olhar estranho ou fofocas... Se bem que seria impossível, pois ninguém nunca vira qualquer garota (fora Pansy) estar junto de Malfoy por mais de um dia.

Pansy Parkinson. Se antes Marine tinha raiva dela, agora tinha o triplo. Porque aquela garota tinha que estar metida em tudo relacionado ao Draco? Sonserina, o social, amigos e agora aquela maldita reunião!
Carter entrou na biblioteca e procurou uma mesa afastada, não queria ser interrompida, precisava terminar aquele relatório o quanto antes.

Ao se sentar, seus pensamentos voltaram para a tal reunião o que a fez revirar os olhos e indagar-se o mesmo de sempre: O que Draco fazia por lá? Momentos antes ele dissera que estavam planejando algo, mas o que? Por qual motivo? Tudo bem que estava sendo curiosa, mas o fato de Pansy estar no meio a irritava profundamente. Por que não ela? Não confiavam nela para envolvê-la nisso?

Marine piscou algumas vezes, afastando aqueles pensamentos. E se fosse algo ruim? Ela não gostaria de estar no meio, gostaria? Mas talvez fosse apenas algo sobre o jogo de Quadribol que se aproximava... Ou não.

Grunhiu baixinho, sentindo-se extremamente frustrada. Decidiu esquecer aqueles assuntos por completo, pelo menos por aquela tarde. Iria ter em meta a conversa com Draco, queria resolver aquilo entre eles, mais nada.

[...]

– Quero ver qual vai ser a resposta deles! -Ouviu-se uma voz em meio aos risos. Marine que estivera lendo um livro qualquer depois de ter terminado o relatório, levantou a cabeça.

– Provavelmente vão chorar! — Outra voz e mais risadas.

– Shhhhhhhh! Silêncio! -Madame Pince se manifestou por trás do balcão da biblioteca, sem nem mesmo se dar ao trabalho de levantar para ver quem estava ali.

Carter pôde ver de relance, Theo adentrou as fileiras das estantes de livros junto a outros garotos da sonserina . Será que estariam falando da reunião?

Não resistiu e levantou de mansinho para se aproximar.

– Tô louco pra acabar com eles! -Um dos garotos sorriu friamente enquanto batia a mão em punho na outra mão.

O estômago da garota gelou. E se estivessem planejando algo extremamente maléfico? Malfoy estava no meio... Ele poderia ser prejudicado!

Os garotos encostaram-se na pequena grade que limitava o acesso à area restrita da biblioteca, um lugar pouco visitado. Marine parou a duas estantes deles, não tinha uma visão completa de todos ali, mas podia ouvir perfeitamente o que falavam, prestando o máximo de atenção que conseguia.

Uma tarefa frustrada. Haviam mudado de assunto e falavam até mesmo sobre a neve que caía, menos algo que pudesse ser relacionado à droga das reuniões.

"Quem vem na biblioteca pra conversar?!" Pensou ela, sentindo-se irritada.

Estava prestes a se afastar quando sentiu uma mão em seu ombro, quase gritou, se não fosse pela outra mão tapando sua boca.

Cogitou a possibilidade de ser Malfoy, mas ao invés do perfume quente, suas narinas captaram uma fragrância fresca, o que fez seu coração acelerar. Quem seria? Se virou bruscamente, afastando as mãos de si.

– Theo! -Grunhiu- Você me assustou!

Nott ria baixinho apoiado contra a estante, Marine ficou sem graça, será que ele sabia que ela estava espionando?

– Desculpa, não resisti. -Disse ele ainda risonho- O que faz aqui? -Indagou, ele estava indo em direção à saída quando a viu parada ali.

– E-eu... Pegando livros. -Respondeu e se virou para a estante, fingindo escolher algum livro.- E você?

– A mesma coisa. -Respondeu ele imitando os atos dela. Não iria dizer que estava ali apenas para conversar.

Alguns segundos em silêncio se passaram, Theo suspirou.

–O que acontece entre você e o Malfoy? -O menino quis saber.

Aquela pergunta a pegara de surpresa.

– Como assim? -Marine o encarou.

– Sei lá... Ele parece ter ciumes de você. -Respondeu em um tom simples.

Aquela informação a deixara feliz mas também preocupada. Será que mais pessoas desconfiavam?

– V-você acha? Q-quer dizer, por que acha isso?

– Bom, aquela hora na escada ele praticamente me obrigou a ir para a reunião, e depois passou o tempo todo me olhando feio... Acho que por sua causa. -Falou ele se encostando contra a estante da frente.

Marine abriu a boca e voltou a fechá-la.

– Talvez ele só... Talvez só estivesse nervoso comigo, porque eu estava seguindo ele. -Carter murmurou e encarou o menino que deu uma risadinha.

– Eu já deveria estar acostumado...

– Por quê? Como assim?

– As meninas estão sempre seguindo ele. — Ela se sentiu minimamente ofendida, será que as pessoas a enxergavam como enxergavam Pansy? Não soube se foi por alguma expressão facial ou outra coisa qualquer, mas Theo pareceu querer consertar o que acabara de dizer- N-não que você seja igual as outras meninas. Só que também segue ele. Mas você é diferente. Diferente delas, mesmo fazendo isso. Entende?

Carter quis rir da confusão do garoto e até mesmo pedir para ele esquecer. Mas não o fez, pois seria como se concordasse que fazia o mesmo que as "outras".

– Bom... Eu estava seguindo ele por causa da reunião. -Admitiu- Já tinha ouvido ele falar disso antes, mas não queria me dizer sobre o que era, então... -Terminou com um suspiro pesaroso.

– Entendi. -Theo sorriu- Eu até poderia te dizer sobre o que é, mas combinamos de revelar só quando...

–Se interrompeu- Só depois.

Marine puxou o lábio superior entre os dentes, acenando com a cabeça.

– Só a Pansy sabe? De menina, só ela?

– É... Ela meio que se meteu nisso, o combinado era só os caras. -Carter assentiu. E novamente um breve silêncio pairou entre os dois. Theo encarou o teto e depois a ela.- Marine... A Pansy estava falando sobre o que hoje, antes do almoço? No corredor...

– O quê? -Indagou ela com o coração já acelerado.

– Ela disse algo sobre... O Malfoy... Ela perguntou... -Theo embora curioso estava desconfortável, não queria repetir as palavras de Parkinson- Sobre ele ter feito algo.
Marine se voltou para a estante de livros piscando algumas vezes, não queria falar sobre aquilo, ainda mais com Theo.

– Eu não sei do que ela estava falando. -Suspirou- Acontece que ela... Ela tem ciúmes de mim, porque sou monitora junto com o Malfoy... E todos nós sabemos que ela é obcecada por ele. Então fica inventando coisas pra me ofender.

Para seu alívio, Nott riu e concordou.

Ainda assim Marine se sentia apreensiva em relação àquele assunto. Este era o maior motivo de querer conversar com Draco sobre eles... Ter que ficar escondendo as coisas e invetando desculpas para todos ao seu redor era frustrante.

Algum tempo passou e continuaram ali conversando. Marine agradeceu mentalmente por Theo não tocar mais no assunto "Malfoy". Ele era um garoto legal, o Nott, calmo, ria constantemente e também a fazia rir. A garota se perguntou várias vezes por que Draco não podia ser como ele...

___

Astoria entrou em seu dormitório no Salão Comunal da Sonserina e viu que Pansy estava deitada em sua cama. Suspirou.

– Pansy, a gente precisa conversar. -Se aproximou, sentando na ponta da cama em que a branquela estava- Pansy.

Parkinson não respondeu, ao invés disso, virou para o outro lado.

– Deixa de ser infantil! -Astoria reclamou.

– Eu não estou de papo com você, Astoria. Nem com você, nem com o Blásio...

– E com o Draco? -Pansy encarou a amiga ao ouvir o nome do loiro. Astoria deu uma risadinha.

– Você é tão idiota! -A branquela grunhiu e se levantou, mas teve seu braço puxado por Greendas.- O que é?!

– Vamos conversar... Senta.

– Astoria, eu não tenho nada pra falar com você. Nem com ninguém! Vocês são falsos! Por que não vai conversar com a imbecil da Marine?

A morena revirou os olhos, aquilo seria tão difícil quanto havia imaginado, mas não ia desistir tão fácil. Ela tinha que fazer Pansy entender que as coisas não funcionavam do jeito que ela queria.

– É sobre isso que eu queria falar com você, Pansy.

Parkinson a encarou esperando uma explicação.

– Sobre ir falar com a Marine?! -Indagou incrédula.

– Não. Sobre esse... Sobre esse negócio entre você, Draco e ela. -Explicou. A branquela forçou uma risada.

– Que negócio, Astoria? Não tem nada entre nós três, era pra ter entre eu e o Draquinho mas aquela lambisgóia chegou e acabou com tudo! E VOCÊS AO INVÉS DE ME AJUDAREM FICAM CONTRA MIM!

Astoria suspirou e passou a mão pelo rosto. Mas apesar de toda a irritação quanto aquilo, entendia o ciúmes exagerado de Pansy por causa de Marine.

Antes de Marine chegar, ela tinha lá os surtos de ciúmes em relação a Malfoy, mas nada passava dos olhares feios lançados à outras garotas e xingamentos que ficavam somente entre ela e Astoria. Mas também, até então, Pansy era a única garota que mantinha uma "relação" com Draco. Por mais que ele pegasse outras meninas por lá, nenhuma delas passavam mais de alguns minutos com ele, ou hora, dependendo do que faziam.

Greengas balançou a cabeça para se impedir de imaginar Draco em algo mais íntimo do que um beijo.
Apesar do fato de que não tinham nada sério, ele e Pansy se pegavam de vez em quando e então, Marine apareceu.

E se tornara monitora.

Incrívelmente depois disso, não se via mais Parkinson no colo de Malfoy no Comunal da Sonseria. Não se via nem mesmo Draco por lá.

Nesse ponto Pansy já avia passado de ciumenta a possessiva.

Astoria sabia que monitores ficavam no mesmo quarto e sabia também que as garotias morriam pelo Malfoy. Apesar de Marine sempe negar e eles estarem sempre discutindo, ela desconfiava fortemente de que algo acontecia entre os dois, se não acotecia, iria acontecer.

E ela não podia deixar Pansy percerber que pensava isso.

Mas tinha que prepará-la psicologicamente caso descobrissem algo.

Isso porque ela, mais do que todos, já havia percebido que Draco havia enjoado da Parkinson e estava cansada de ver a amiga fazendo papel de trouxa, além de trocar farpas e palavões com Marine.

– Ninguém está contra você, Pansy, por Merlin! Senta aqui e vamos conversar.

– Astoria me deixa em paz. Eu não to afim de ficar escutando mentira sua. -Pansy ia saindo novamente.

– Parkinson, eu estou falando sério. Se você não voltar aqui eu vou fazer questão de empurrar Marine pra cima do Malfoy! -A branquela se virou. Astoria sabia que não conseguiria trazer devolta a amizade entre Marine e Pansy mas queria não ter que escolher entre as duas, apesar de ser melhor amiga de Parkinson.

– Se eu voltar você vai me empurrar pra cima dele? Não, não vai. Então não me enche! -Até que ela não era tão ruim com argumentos... Astoria suspirou pela milhonésima vez.

– Pansy... Por favor. Isso ta tão ruim. Você viu o que fez hoje de manhã? Você percebeu que está cada vez mais distante de mim e do Blásio? Eu não vou empurrar ninguém pra cima do Draco. Eu só estou aqui porque me importo com você.

Parkinson pareceu pensar por alguns minutos e então foi se sentar na outra beirada da cama e cruzou os braços.

– Diz.

Astoria limpou a garganta.

– Me ouve primeiro. Ok? -Pansy revirou os olhos como se soubesse que iria ouvir o contrário do que queria.- Eu sei que você... é afim... do Draco. Sei que vocês já ficaram e também sei que vocês... perderam a virgindade juntos, como insiste em repetir. -A branquela se remexeu, parecendo desconfortável- Sei também o porquê de não gostar de Marine, aliás, sei que não gosta de qualquer outra garota que se aproxime dele... -Pansy arqueou as sobrancelhas, como se confirmasse o pensamento da amiga. — Mas se você parar pra pensar... Esse seu ciúmes só está te causando mal ultimamente. Você não acha que já está na hora de partir pra outra?

– O que quer dizer com isso, Astoria?!

– O que eu quero dizer é que não tem necessidade disso tudo, já que o Draco não... Que ele...

– Que ele não o que?! Fala!

– Argh, Pansy. Que ele não quer mais nada com você! -Astória disse num ímpeto. Não gostava de jogar as coisas na cara das pessoas, mas fora necessário.

Pansy forçou outra risada.

– Ta vendo porque eu não quero conversar com você? Porque você da um jeito de ficar do lado da Marine, sempre! -A branquela se levantou, nervosa- Não duvido nada que foi ela quem te mandou aqui!

– PANSY! -Gritou- Dá pra parar? PÁRA com isso! Em nenhum momento eu falei da Marine. Você é que não para de falar nela. Tudo pra você é culpa dela! Mas acho que você não percebeu que os dois não fazem nada além de brigar! Você não percebe que você e ele não estão juntos porque ELE não quer e não por causa da Marine ou qualquer outra garota? Você conhece ele muito bem pra saber que mesmo se eles tivessem algo, se ele quisesse alguma coisa com você, ele teria essa coisa. MAS ELE NÃO QUER, PANSY.

– ELE NÃO QUER POR CAUSA DELA! -Pansy se esguelou já à beira do choro.

– CARAMBA, PANSY... -Astoria, que estava a ponto de pular no pescoço da amiga, parou- Espera... Você... Você está dizendo que ELE está querendo alguma coisa com ela?

– Ah, finalmente parou pra pensar! -Parkinson ironizou, limpando as lágrimas que escorriam- E isso é o que me irrita, Ast! O que aquela SEM GRAÇA tem que eu não tenho? PORRA! Eu SEI que ele já pegou outras meninas além de mim, mas ele NUNCA se interessou por NENHUMA delas! Ai aparece essa BRASILEIRA IMBECIL e ele... ARGH!!! -Pansy derrubou os cadernos que estavam no criado mudo no chão- EU ODEIO ELA!

Astoria ficou confusa por um momento, mas então se lembrou:

"Apesar de Marine sempe negar e eles estarem sempre discutindo, ela desconfiava fortemente de que algo acontecia entre os dois, se não acotecia, iria acontecer [...]"
"[...] e então, Marine apareceu. [...] E incrívelmente depois disso, não se via mais Parkinson no colo de Malfoy no Comunal da Sonseria. Não se via nem mesmo Draco por lá. [...]
"

– Não sei, Pansy... -Astoria murmurou pensativa, recebendo a atenção da amiga. Desde o princípio daquela guerra toda entre os três, pensara que se alguém tivesse algum interesse mais... "profundo", esse alguém seria Marine, e não Malfoy. Isso porque todos sabiam que ele não era de ficar "afim" de nenhuma menina por aí. Mas agora que havia dito aquilo em voz alta e repassado os fatos... Não parecia tão impossível assim. -Isso é impossível. -Murmurou contra seus pensamentos.

___

– Acho melhor a gente ir. -Theo disse se levantando. Eles haviam sentado no chão- Estou morrendo de fome.

Realmente, as horas haviam se passado rapidamente, tão rapidamente que minutos após se levantarem, a sineta indicando o horário da ceia foi ouvida.

Seguiram juntos até a porta da biblioteca.

POV Marine:

– Eu deixei meus materiais na mesa! -Exclamei, me lembrando que havia abandonado a mesa quando os vi entrar, inclusive meu relatório de Herbologia que demorei tanto para fazer.

– Vamos lá pegar...- Theo disse já se virando.

– N-não.. Não precisa. -Segurei seu braço. Ele era uma ótima pessoa, havíamos passado o resto da tarde conversando, mas eu sabia muito bem qual seria a reação de Draco se nos visse chegando juntos Salão Principal ou coisa assim.- Daqui eu vou para o meu dormitório tomar um banho e só depois vou para o Salão Principal. -Meio que me expliquei, tentando dar uma desculpa.

– Ok... -Sorriu. Quando pensei em mevirar Theo se aproximou e me beijou na bochecha, uma coisa simples, mas que me pegou de surpresa.- Até depois.

Acenei e corri para a mesa, torcendo para que meus materiais ainda estivessem por lá. Não que alguém fosse roubar, mas os fantasmas poderiam muito bem ter bagunçado com eles.

Graças a Merlin estavam intactos.

Respirei fundo e subi para o Comunal dos Monitores.

Para o meu alívio Paul e Claire não estavam por lá. Nem mesmo Ron, Hermione ou o próprio Malfoy, apenas os monitores da corvinal que estavam saindo e me cumprimentaram.

Eu tinha que relaxar, ficar calma. De todas as vezes que tentara "conversar" com Draco a gente acabara discutindo e eu chorando. Daquela vez tinha que ser diferente. Eu tinha que manter o controle... De mim, e de nós.

Por isto decidi fazer uma coisa de cada vez.

Entrei no dormitório, tudo em silêncio. Os materiais de Draco estavam sobre sua cama e a porta do banheiro aberta, não fechada como eu a havia deixado quando saí. Concluí então que ele deveria ter ido para o treino de Quadribol depois da tal reunião, voltado, tomado banho e estudado por ali mesmo. Uma coisa boa, pois também não sei qual seria a reação dele se me visse rindo com o Theo na biblioteca caso decidisse ir para lá...

Arrumei meus materiais para o dia seguinte e tomei banho, colocando um pijama bem quente por baixo da capa do uniforme de Hogwarts. Uma pontinha de felicidade me atingiu, estava nevando e no dia seguinte eu poderia me jogar na neve branquinha.

Penteei meus cabelos e com um floreio da varinha, o que fez sair ar quente de sua ponta, os sequei.
Saí do dormitório em relação ao Salão Principal.

No caminho tentei não pensar em nada, não iria arrumar um discurso ou ensaiar falas para conversar com Draco.Toda vez que eu o fazia, as coisas nunca saíam conforme eu previa.

Cheguei no Salão e fui caminhando direto para a mesa da Sonserina. Astoria estava ao lado de Blásio, de costas para mim. Pansy estava ao lado de Malfoy.
Pansy?...

Como ela... Depois do que fizera de manhã... Como Astoria e Blásio ainda conseguiam ficar perto daquela... "Respira. Se acalma." Pensei. Se alguém tinha que se incomodar, esse alguém era Pansy. Eu não iria me afastar deles por causa daquela sem noção.

Encarei Malfoy e ele ria junto com o moreno, mas seu sorriso pareceu murchar assim que me viu. Eu deveria me frustrar, mas senti uma pequena satisfação, pois isso era um sinal de que ele sabia que, de um jeito ou de outro, iríamos ter aquela conversa depois da ceia.

Me sentei ao lado de Blásio, bem de frente para Pansy. A branquela revirou os olhos e pude perceber Blásio se remechendo. Me lembrei do fato de que ela estava envolvida naquela merda de reunião. Já podia sentir a raiva subir.

– Por onde a monitora andou a tarde inteira? -Blásio perguntou. O agradeci mentalmente por desviar minha atenção da oferecida.

– Na biblioteca... Estudando. -Olhei ao redor discretamente para ver se Theo não estava por perto. Nem sinal dele. Sorri. -E você?

– Dormindo. -O moreno respondeu rindo.

– Biblioteca... -Malfoy murmurou. Senti um frio na barriga e o encarei, ele amassava uma porção de purê com o garfo. Será que ele teria entrado lá sem que eu percebesse? Theo teria contado alguma coisa? Alguém teria nos visto? -Pegando as mesmas manias da sangue ruim.- Concluiu.

Pansy forçou uma risadinha, como ela conseguia ser tão...

Bufei, voltando minha atenção ao loiro. É claro, ele tinha que implicar com a Hermione.

– Algum problema? Eu precisava revisar algumas maté...

– Podia muito bem fazer isso no dormitório. Não invente desculpas. -Parkinson revirou os olhos novamente com a resposta de Malfoy.

Ele não parecia irritado, pelo contrário. Estava apenas implicando ou...?

– Não. Alguém poderia aparecer e me incomodar.-Frisei a primeira e a última palavra. Malfoy pareceu entender minha provocação, já que arqueou as sobrancelhas.

– Se você...

– Eu queria acompanhar vocês em uma ronda só pra ver como é. -Blásio interrompeu- Se nem na hora de comer vocês param de implicar um com o outro, imagina quando são obrigados a ficar juntos, sozinhos, por mais de uma hora. -Balançou a cabeça, rindo.

Eu estava prestes a confirmar as suspeitas dos dois, mas percebi que Pansy não achava aquilo engraçado, pelo contrário. Ela segurava os talheres com força e respirava pesadamente. Estava com raiva?

Por fora mantive minha expressão pacífica, mas por dentro estava rindo maleficamente.

– Temos coisas melhores para fazer além de discutir. -Murmurei. Blásio parou de rir mas manteve o sorriso nos lábios, me encarando, Pansy e Malfoy e Astoria também se viraram para mim.

– O que quer dizer com isso? O que vocês ficam fazendo, então? Ficam se pegando pelos corredores ao invés de fazer a ronda direito? -Pansy cuspiu aquelas perguntas rapidamente com aquela voz esganiçada. Tentava se controlar, sem sucesso.

Arqueei as sobrancelhas rapidamente e tomei uma garfada de arroz com abóbora apenas para não responde-la de imediato. Iria torturá-la o máximo que pudesse.

– Iiih alá! -Blásio riu olhando entre mim e Malfoy, que continuou meramente confuso.

– Depois que eu falo que essa aí não serve pra ser monitora vocês dizem que é só implicância minha! -Pansy fez que me olhou dos pés a cabeça- Não sei como o Professor Dumbledore...

– Se fosse você no meu lugar, iria rondar os dormitórios dos garotos ao invés dos corredores. É por isso que eu fui chamada e você não. -Respondi, não iria deixar ela insinuar coisas. Blásio se engasgou com o suco.

– Da pra parar vocês duas? -Astoria se manifestou e lançou um olhar significativo para a Pansy. O que era aquilo? A branquela implicante teria voltado a andar com eles mesmo depois de tudo que fizera contra mim?

– Malfoy, ta afim de jogar carta no comunal da sonserina depois daqui? -Blásio o convidou, tentando mudar de assunto. Pansy pareceu se animar. Encarei Malfoy e ele me olhou por míseros segundos.

– Não vai dar, Blásio. -Respondeu entre dentes, tentando esconder a irritação. Eu sentia que se pudesse, Draco pularia no meu pescoço ali mesmo. E eu adorava saber que ele sabia que não podia fazer aquilo, fazendo sentir-me no controle de tudo. -Tenho que resolver umas... coisas.

– Que coisas, Draquinho? -A vaca da Pansy indagou. Continuei encarando Malfoy, que não levantou o olhar do prato.

– Não é da sua conta, Parkinson. -Murmurou.

Gargalhei internamente, mas não deixei transparecer emoção alguma para não parecer infantil.

A branquela produziu algum som com a boca e eu a encarei, ela olhava para Astoria, acompanhei seu olhar e Astoria parecia tentar controlá-la com os olhos. O que estava acontecendo? Pelo visto Pansy teria voltado a andar com "nós". Mas, por quê?

[...]

– To indo pro jogo, galera. -Blásio se levantou depois de algum tempo, espreguiçando-se.- Se der aparece lá mais tarde, Draco.

Malfoy deu um breve aceno com a cabeça, mas mateve a expressão séria.

– Vê se vai mesmo, a gente precisa terminar de ver aquele assunto da reunião. -Pansy frisou e eu a encarei. Ela me olhava quase sorrindo. Apertei minha mão em punho no meu colo, sentindo as minhas unhas contra minha palma.

Nesse momento Draco me encarou e nossos olhos se encontraram, ele sustentou o olhar por alguns segundos, como se esperasse alguma reação minha em relação à Parkinson. Respirei fundo, optando por ignorar aquela... vaca. Não iria dar o que ela queria.

Blásio saiu da mesa, sendo seguido por Astoria e Pansy, essa última se mostrando exitante ao deixar somente eu e Malfoy ali.

Assim que os três desapareceram do nosso campo de visão, Draco se levantou e saiu sem dizer uma única palavra. Era bom que ele estivesse indo para o dormitório.

Dei mais duas ou três garfadas na comida, deixando o lugar logo em seguida.

POV Draco:

Cheguei no dormitório e fui para o banheiro.

Por que a Carter tinha aquelas manias? Conversar... Por que tínhamos que conversar sendo que eu já havia dito que não ia falar sobre a reunião? Ela era, de fato, a garota mais teimosa que eu conhecia. Me apoiei na pia encarando meu reflexo no espelho.

– O que você quer? -Indaguei como se estivesse frente a frente com a garota que logo estaria ali- O que você quer, Marine?

Aquilo soaria muito rude?

Eu tinha que tomar o controle da situação de uma forma ou de outra. Ela não iria me obrigar a falar sobre a reunião, eu já tinha deixado aquilo bem claro, ela tinha que entender de um jeito ou de outro.

– Não vamos falar sobre isso, eu já disse. -Falei da forma mais firme que podia, tentando não parecer estúpido... -Foda-se! I sso já é estúpido. -Pura estupidez... O que eu estava fazendo conversando com meu reflexo? Tudo o que eu tinha que fazer era manter minha palavra e ao mesmo tempo evitar que ela chorasse.

Odiava o choro tanto quanto odiava ver ela chorando... Sim. Embora não parecesse...

Ouvi a porta do dormitório se fechar. Ela havia chegado.

Abri a porta do banheiro e ela me encarou parecendo minimamente surpresa, talvez não imaginasse que eu estivesse por ali.

Carter se apoiou em seu criado mudo e fitou o chão por alguns segundos antes de voltar o olhar à mim.

– Eu não posso... -Comecei antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa.

– O que está acontecendo entre a gente? -Fui interrompido. O que...? Que pergunta era aquela? Me encostei contra o meu guarda-roupas.

– Você não...

– O que a gente tem? Nós dois? -Tornou a me interromper. Do que ela estava falando? Balancei a cabeça negativamente, tentando entender. Marine respirou fundo e deglutiu, suas mãos apertavam as bordas do criado. Ela estava nervosa.

POV Marine:

"Merlin... Me ajuda."

– Do que você está falando? -Draco perguntou, me encarando com um ponto de interrogação bem no meio da testa.

Faltou pouco para eu não revirar os olhos, será que ele era tão lerdo ou só estava se fazendo?

– Eu não quero falar sobre essa maldita reunião ou sobre... a Pansy, ou qualquer outra coisa... -Expliquei. Sua expressão pareceu se aliviar, mas logo voltou ao estado anterior.

– Sobre o que quer falar, então? -Indagou. O observei enquanto ia se sentar em sua cama.

– Sobre... nós. -Draco me encarou- Sobre a gente, sobre o que está acontecendo.

– E o que está acontecendo? -Perguntou, juntando as sobrancelhas. Ele parecia confuso e surpreso ao mesmo tempo. Pelo menos não estava gritando ou me magoando, ainda...

– Olha, nós nos... -Comecei, tentando organizar as falas- A gente fica, nós até mesmo fizemos sexo e... Bem, eu não sei... Você... -Suspirei. -Eu quero saber... Eu preciso saber o que é isso que está acontecendo entre a gente. Entende? Eu não costumo sair beijando e fazendo sexo com todos os meninos que conheço... Na verdade eu nunca tinha feito nada com ninguém, você sabe... Se a gente só tivesse ficado uma vez e nada mais... Mas não... É como se já tivéssemos passado disso para uma outra coisa... -Me impedi de continuar.

Eu estava chegando à uma conclusão sozinha, e por mais que ela parecesse certa não queria fazer aquilo, porque eu conhecia o Draco muito bem para saber que ele, a qualquer momento, podia começar a rir, me mandar calar a boca e sair dali me deixando falando sozinha. Meu peito gelava ao pensar naquela possibilidade. Então decidi esperar uma resposta dele.

Até que não estava sendo tão difícil como eu havia imaginado todo o tempo... Tirando o fato de que ele pensara que iríamos conversar sobre a reunião. Mas isso era bom, te-lo pego de surpresa. Sim. Porque aí ele não teria tempo de inventar desculpas, teria que ser sincero... Independentemente se fosse me causar mal ou bem.

O fitei, ele continuava quieto, encarando o vazio. Seu pé batia no chão enquanto ele parecia estar passando por um conflito interno.

– Você... -Começou, me assustando- Você sabia que eu já tinha feito outras coisas quando... Você não foi a primeira garota com quem eu fiquei, e...

– Eu sei.-Interrompi, aflita.- Não quero falar sobre o seu passado ou o que você fez, Malfoy, eu só preciso saber de nós agora... — Praticamente implorei. O nervosismo me tornava impaciente. Ele não me encarava, mantinha o olhar no chão.

– O que eu quero dizer é que... Assim como você sabe que eu fiquei com as outras garotas... Deve saber que eu não... que eu não me envolvi. Que eu não me envolvo...

Soltei a respiração e Draco parou de falar, me encarando. Não conseguia ler sua expressão, mas eu sabia muito bem o que eu estava sentindo... Ou não.

Não, não sabia.

Era aquilo, então? Ele não se envolvia?

– Está dizendo que não existe nada entre a gente? -Minha respiração estava acelerada. -Que não vai existir nada porque você não se envolve? -Eu tentava manter a calma.

– Eu não sei, eu não... -Ele suspirou, se levantando- Não está bom assim? Não é o suficiente?

O encarei, indignada.

– Não, Malfoy. Não é... -Sussurrei, desviando o olhar. Senti meus olhos arderem. Droga!

– Marine...

– Não! -Pedi, ele já vinha se aproximando, como sempre fazia.- Dessa vez não. Eu não quero mais, Draco. -Funguei, passando a mão pelo nariz- Eu devia saber -O encarei- Aqui dentro você é uma coisa, mas lá fora me trata como se a gente sequer se conhecesse. Eu deveria ter entendido. Você deve ter vergonha de mim!

– Não, Marine... Caralho, não! Eu não assumi nada com nenhuma das outras! -Ele estava quase gritando. Seu olhar parecia implorar por compreensão, mas eu não conseguia...

– Eu sou só mais uma delas então.

– Não... -Ele sussurrou, balançando a cabeça negativamente.

– Vai ser igual comigo, não é?! -Senti as lágrimas escorrerem e ele desviou o olhar para o chão.

– Marine... -Se virou para sua cama, passando a mão pelos cabelos- Malfoy parecia estar lutando consigo mesmo.

Por incrível que parecesse eu não estava com vontade de estuporá-lo ou lançar um Avada. Não conseguia sequer lembrar direito dos momentos em que ficamos perto um do outro para dizer que me sentia enganada.

– Eu não te odeio... -Disse baixo, como se aquilo fosse resolver tudo.

Dei um risinho fraco carregado de sarcasmo. Ele me encarou.

– Obrigada. Estou bem melhor agora.

– Eu já te disse que nunca me envolvi com nenhuma delas. Não v-Ele se calou.

– Não vai ser agora, não vai ser por mim que vai mudar isso, não é?! -Terminei sua frase. Sentia uma pequena porção de raiva. Ele não disse nada.Alguns fios loiros pendiam sobre seu olhos que tinham as pupilas dilatadas, sua boca estava entreaberta. Passei a mão pelo rosto para limpar as lágrimas que haviam acabado de deslizar pelas minhas bochechas. Malfoy deu um passo em minha direção.- Eu disse não! -Grunhi, dando um passo para trás. Ele pareceu assustado. -Quer saber?... Acho que é melhor parar por aqui. -Draco juntou as sobrancelhas.

Nada tinha sido mais difícil antes.

Eu tinha a opção de "continuar como estávamos" sim, mas sabia que não ia conseguir. Eu não iria aceitar... Aquilo era o certo a se fazer, por mais que me doesse.

– A partir de agora a gente não passa de duas pessoas estranhas no mesmo quarto. Quer dizer, continuamos como sempre foi... -Ironizei, limpando as lagrimas que agora estavam sem controle.- A diferença é que você vai me fazer o favor de não tocar mais em mim!

Notas finais
Merrrrrrrrrrlin!!!!11111111 O que vai acontecer? Acabou tudo? Pra sempre? A Marine vai ficar com o Theo? Me contem1! Beiiiiijão, até o próximo!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.