Notas iniciais
Oee! Obrigada pelos comentários!! Boa Leitura!

POV Marine:

Nos mantemos em silêncio por toda a ronda.

Eu estava o ignorando, pois sentia que se falasse iria ofende-lo e acabar chorando mais uma vez. Mas, apesar de toda a raiva, uma pequena parte de mim tinha medo de que se eu começasse a falar, não conseguiria conter as perguntas que não saíam da minha mente desde que tínhamos começado a andar pelos corredores vazios:

Por que ele era como era?

Por que Malfoy tinha que tornar tudo mais difícil, enquanto, na verdade, era tudo muito simples?

Por que simplesmente não dar uma chance à mim, a nós?!

Tentei a todo custo ignorar meu subconsciente que insistia em me torturar, repetindo:

"Talvez porque ele não sinta por você, o mesmo que sente por ele."

Malfoy, manteve-se em silêncio, ele também não parecia fazer questão de falar comigo. O que me fazia sentir mais raiva ainda. Raiva e tristeza, ambos os sentimentos estavam misturados.

Algumas vezes nossos braços se encostavam sem querer pelo fato de estarmos andando próximos um ao outro. Em todas as vezes minha barriga gelava e eu o encarava automaticamente como se ele fosse dizer algo, mas Malfoy mantinha o olhar para frente, como se não tivesse notado.

Talvez ele não tivesse mesmo.

Talvez tivéssemos voltado ao que era antes. Ele me desprezando e eu...

Eu mal conseguia lembrar o que eu fazia em relação a ele antes daquilo.

Gostaria de poder lembrar com exatidão o momento exato em que fui me apaixonar por aquele garoto.

Daria um jeito de usar um vira-tempo e mudar aquele dia.

– Tem algo que queira falar? -Me assustei ao ouvir sua voz. O encarei assustada como havia feito minutos antes. E ele por sua vez continuou a olhar para frente. O imitei ao passar pela minha cabeça o pensamento de que eu pude ter falado algo em voz alta sem perceber.- Já perdi a conta de quantas vezes você suspirou.

– Não sabia que tinha a mania de contar suspiros. -Era para ser uma patada, mas não pareceu ter soado como uma, já que ele não esboçou expressão alguma.

– Eu não costumo. Mas quando se é obrigado a estar com alguém e não há nada mais interessante pra fazer... -Pude perceber uma certa brincadeira em seu tom. Mas a raiva era tanta que não me permiti sequer achar graça.

– Que bom para você. -Soltei sem pensar. Quanto mais ouvia a voz dele, mais raiva eu sentia.

Estávamos no corredor do 5° andar, em rumo ao Salão Comunal dos Monitores.

Malfoy não falou mais nada. Por um momento eu agradeci, mas depois me amaldiçoei internamente por ter perdido a chance de xingá-lo e tacar em sua cara o quanto ele era estúpido, egoísta e...

– Diz. -Murmurou ele, interrompendo meus pensamentos negros. Fui pega de surpresa. Agora que tinha a chance de dize-lo tudo o que queria estava hesitante.

– Eu... Eu não tenho nada a dizer.

Senti seu olhar sobre mim e o encarei rapidamente antes de voltar a olhar para o chão. Por um momento pareceu haver confusão em seus olhos.

– Hoje, mais cedo, na mansão. Você disse que queria conversar.
Fiquei surpresa novamente.

– Disse.

– Então fala o que é. -Já era possível senti irritação em suas palavras.

Entramos pelo quadro e passamos pela sala comunal em direção ao dormitório.

– Eu não... -Se não estivesse ali, com Malfoy, daria com minha cabeça contra a parede. Eu não poderia simplesmente despejar ofensas sobre ele por dois motivos: Pareceria a Pansy e ele provavelmente não ficaria calado. Eu o conhecia.Nós acabaríamos por discutir e eu sairia chorando- Não tenho nada para falar- Suspirei, nervosa.

– Ótimo então. Não quero que venha colocar a culpa em mim mais tarde. -Pegou um livro na gaveta de seu criado mudo e sentou em sua cama encostando-se contra a cabeceira.

Do que ele estava falando?

– Eu não entendi. -O encarei, tirando meus sapatos.

– Eu perguntei o que é e você não quis dizer. Então não venha me encher o saco dizendo que eu fui ignorante.

Abri a boca e logo a fechei, indignada. Pelo que eu entendi ele estava querendo dar uma de vítima.

– Não sei se você lembra, Malfoy, mas eu tentei conversar hoje quando chegamos. E sabe o que você fez? Simplesmente saiu do quarto!

– Eu fui almoçar. -Respondeu sem mesmo tirar os olhos da merda do livro.

Eu ja estava completamente tomada pela raiva.

– Claro, almoçar. Não podia esperar um minuto sequer para o almoço.

– Estava com fome.

Suspirei, balançando a cabeça. Como podia ser tão...

Ri pelo nariz, nervosa. Ele me encarou sobre o livro e logo voltou sua atenção a ele.

– Quer saber?... Foda-se. -Falei, jogando as mãos para o alto em um gesto irônico. Eu estava simplesmente desistindo. Desistindo do que quer que fosse. -Foda-se isto.

Peguei meu pijama e fui para o banheiro me trocar.

Não sabia o que sentir. Nem mesmo vontade de chorar eu tinha. Tudo o que fazia era balançar a cabeça. Olhei no espelho antes de sair... Até mesmo meus pensamentos pareciam fugir de mim.

Saí do banheiro e Malfoy continuava na mesma posição de antes. Joguei minhas roupas de qualquer jeito dentro do guarda-roupas e peguei o material para fazer o relatório de Herbologia.

Theo veio em minha mente logo na primeira linha. Tão... Tão diferente de Malfoy.

– O que há de errado com você?

Eu terminava o relatório quando Malfoy colocou o livro de lado. Estava tão concentrada no texto que aquilo me assustou. Não por muito tempo.

– Sou eu quem deveria perguntar. -Respondi seca.

– Caralho, diz o que você quer dizer!

Ele estava aumentando o tom de voz.

Me senti minimamente confusa, ele parecia totalmente desinteressado em saber, mas ao mesmo tempo insistia para eu "dizer".

Dizer.

Eu não queria dizer.

–Eu não quero dizer, Malfoy! Será que não...

– Então por que está irritada com isso?! Que merda! -Me interrompeu.

– Eu queria conversar! E não DIZER coisas! Mas parece que você não sabe o que é isso! -Falei, me levantando para guardar o relatório na bolsa. Teria que terminá-lo no dia seguinte.

– Porra di... Vamos conversar então! Fala! -Ele jogou o livro no criado mudo com demasiada força, o que o fez cair no chão, próximo aos meus pés.

Eu não iria pegá-lo.

–Você é um estúpido, Malfoy! -Falei e senti uma pequena parte de mim ficar mais leve, embora não tivesse dito, também em voz alta, o motivo.

– Era isso que queria dizer?! Está melhor agora?! -Indagou, levantando-se e pegando o livro ao ver que eu não o pegaria.

– Não não estou! Egoísta, ignorante! -Ele agora estava de pé na minha frente. Estava ofegante e seus lábios crispados. Era visível que sentia raiva.

– Continua, Carter! -Por um momento me senti atingida ao ouvi-lo chamar-me pelo meu sobrenome. Dei um passo para trás.- Vamos continuar conversando!! Você não queria conversar?! Agora fala!! Eu estou te ouvindo!!

Ele estava me deixando sem respostas, senti medo de dize-lo a verdade e vê-lo rir de mim, me humilhar, como fazia com Pansy.

Ele havia feito comigo o que fizera com Parkinson.

O ar entrava e saía dos meus pulmões rapidamente. O encarei e ele arqueou as sobrancelhas, como se me desafiasse.

Não percebi o que estava fazendo até sentir Malfoy segurar meu pulso que se encontrava próximo ao rosto dele.

Eu teria o acertado.

– Não. -Grunhiu ele ainda me segurando- Você não vai me bater.

O encarei, seu olhar sobre mim estava frio. Aquilo me deixou fraca.

Respirei fundo e logo senti uma lágrima escorrer. Por um instante Malfoy se afastou meramente e a frieza em seu olhar desapareceu. Abaixei a cabeça e enxuguei aquela lágrima. Estava lutando contra o choro. Era humilhante chorar em frente a ele.

Puxei meu pulso que ele ainda segurava, mas ao invés de ser solta, me senti sendo puxada. Malfoy me apertou contra seu corpo. Sua mão saiu de meu braço e foi para minha cabeça, me fazendo encosta-la contra seu peito. Minha boca se abriu para me ajudar a respirar, o que ele estava fazendo?

Podia ouvir seu coração acelerado e sentir seu peito subir e descer. Fechei os olhos, sentindo mais lágrimas caírem. Ele abaixou a cabeça e pareceu respirar em meu cabelo, pousou a outra mão em minhas costas, ainda segurando o livro que havia pego.

O choro parecia ter cessado, me sentia segura, acolhida. Mas ainda assim estava confusa. O que ele estava fazendo comigo? Segundos antes tudo o que eu queria era não te-lo conhecido e agora era como se ele fosse a única coisa que importasse.

Virei a cabeça encostando minha testa contra seu peito e sentindo o perfume tão familiar. Queria fazer de tudo para congelar aquele momento.

– Desculpa. -Ouvi sua voz baixa. Abri os olhos e pisquei algumas vezes. Ele estava pedindo desculpas... E eu não sabia o que fazer. Saí de seus braços e me afastei o suficiente para poder encará-lo.

– Eu... -Comecei e abaixei a cabeça rapidamente, não conseguia manter contato visual. Senti-o pegar em meu queixo e levantar minha cabeça, para me fazer olhar em seus olhos.

O que Malfoy fez em seguida foi inesperado de certo modo, sem delongas, ele juntou sua boca à minha.

No primeiro momento eu não cedi passagem para sua língua pois não me dei conta do que estava acontecendo, mas logo em seguida o fiz, juntando me a ele o mais depressa que pude. Ele pareceu relaxar, assim como eu, parecia sentir falta daquilo.

Ouvi o barulho do livro caindo no chão e logo em seguida senti sua mão em minhas costas enquanto a outra apertava minha nuca. Minhas mãos como sempre se perdiam em seus cabelos sedosos.

Quando faltou ar, Malfoy desceu para meu pescoço, teria conseguido segurar o gemido se ele não tivesse apertado minha bunda com as duas mãos, ao mesmo tempo.

– Eu preciso de você... -Murmurou ainda em meu pescoço. Abri os olhos e logo ele voltou a juntar nossas bocas.

Deveria fazer aquilo?

Eu queria, mais que tudo. Não iria negar a mim mesma que podia sentir meu corpo quente, respondendo as ações de Malfoy. Lembranças da noite anterior vagavam pela minha cabeça enquanto íamos lentamente em direção à minha cama.

Insegurança ainda preenchia minha mente, mas evaporou-se assim que Malfoy deitou sobre mim. Mesmo com toda a roupa pude sentir o calor de seu corpo, e aquilo só me fez ter a certeza de uma coisa: eu também precisava dele.

Malfoy não demorou para tirar minha blusa e também meu sutiã, deixando suas mãos voarem para meus peitos, apertando-os. Suspirei com a sensação.

Puxei desajeitadamente sua blusa, tirando-a com ajuda dele, que logo tirou a calça e a box.

Foi a vez dele tirar minhas calças. Abri os olhos quando vi que ele não havia tirado minha calcinha e se colocava sobre mim novamente.

– Eu quero tentar uma coisa... -Sussurrou em meu pescoço.

Meu coração acelerou em antecipação. Apenas assenti com a cabeça.

Malfoy com um movimento destro me deixou por cima e se sentou na cama, segurando no final das minhas costas com uma das mãos, me pôs para baixo. A sensação de te-lo completamente nu enquanto eu usava apenas uma calcinha fina era intensa, mordi os lábios quando ele se ajeitou sob meu corpo, aumentando ainda mais o contado.

Juntei nossas bocas enquanto seus dedos passeavam entre minhas pernas, me mandando calafrios. Senti-o afastar minha calcinha para o lado e afundei minha cabeça em seu pescoço, gemendo quando ele introduziu um de seus dedos em mim.

A sensação era... estranha. Não havia dor, apenas um pequeno incômodo que logo foi desaparecendo conforme ele movia o dedo.

– Malfoy... -Choraminguei quando ele aumentou o ritmo, movendo minha cintura junto.

Senti-me aproximando cada vez mais do limite enquanto Malfoy começou a dizer coisas em meu ouvido, algumas coisas que eu nunca sequer havia ouvido.

Segurei-me em seus braços quando atingi o ápice e deitei minha cabeça em seu ombro tentando controlar minha respiração.

– Tudo bem? -Indagou ele, traçando uma linha pelas minhas costas com a mão.

– Sim... -Respondi afundando minha cara em seu pescoço.

– Não precisa ter vergonha. -Falou. Sua voz estava tão suave que mal parecia ser Draco Malfoy quem estava ali.

No fundo eu sabia que não deveria ter vergonha, de fato, pois ele já havia me visto antes. Mas aquilo tudo ainda era novo pra mim enquanto ele era totalmente confiante... Não me permiti pensar muito, para não lembrar que ele já havia estado daquele jeito com outra... Ou outras... Apenas o beijei.

Malfoy me colocou de lado, saindo da cama e indo até seu criado mudo.

Não entendi muito até ver que ele tirava um pequeno envelope de lá. Me sentei e puxei o lençol enquanto ele colocava a camisinha.

– Já se cobrindo? -Perguntou, fingindo estar triste.

Ri com aquilo, mas eu não conseguia ficar totalmente descoberta.

Não por muito tempo.

Logo ele juntou-se a mim e começamos a nos beijar lentamente. Em questão de minutos meu corpo já estava quente novamente, as mãos de Malfoy passeando por ele todo.

– Está pronta? -Perguntou se posicionando entre minhas pernas como antes. Assenti, sentindo o preservativo contra mim.

Malfoy movia-se lentamente para dentro, dessa vez, sem parar. Não sentia tanta dor como antes, mas a sensação ainda era estranha.

Puxei as costas dele para baixo, para te-lo mais próximo, mas ele se manteve ali.

– Vamos com calma. Ainda temos que ir devagar, bebê.

Ele pareceu confuso ao perceber do que havia acabado de me chamar.

– Tudo bem. -Dei um riso leve. Embora aquilo também tivesse me pegado de surpresa eu havia gostado.

Ele deu inicio a um movimento lento que foi aumentando conforme o tempo.

– Foda-se... -Gemeu quando agarrei seu cabelo- É tão boa...

Nossa respiração continuou a aumentar até que ele teve o orgasmo primeiro, caindo sobre mim.

– Se não fosse tão apertada eu duraria mais tempo... -Murmurou, beijando meu maxilar.

– Por Merlin, Malfoy. -Tampei meu rosto com as mãos, eu não conseguia ouvir aquelas coisas sem ficar envergonhada. Ele riu.

– Mas é verdade. Você é tão pequena e...

– Shh!! Pára de falar!! -Dei um tapa em seu braço, o fazendo rir de novo. Um riso profundo, verdadeiro. Me virei para encaralo.

Seus olhos estavam suaves e sua pele brilhando, por conta do suor. Alguns fios de cabelo grudados em sua testa. Sem perceber o que estava fazendo, eu coloquei meu dedo sobre sua boca, a sentindo. Notei que suas pupilas dilataram e ele assumiu uma expressão tensa, o que me fez afastar a mão.

– Por que parou? -Sussurrou.

– Não sei...Você pareceu não gostar.

– Claro que gostei. É só que... Eu... Eu nunca estive assim com alguém. -Confessou, parecendo envergonhado.

– Oh. -Por um momento me senti feliz, eu sendo a primeira em alguma coisa com ele. Mas logo a curiosidade falou mais alto- Mas você já não... Você sabe, com... A... Com a Pansy?

– Como sabe disso? -Indagou inclinando a cabeça, o que me fez revirar os olhos em divertimento.

– Não importa. Continua.

– Foi ela quem te contou?

– Malfoy, continua!

Ele cerrou os olhos antes de continuar.

– Bem, eu já transei com outras garotas, mas...

– Outras? -Foi minha vez de questionar. Aquilo me afetou de certo modo. Eu desconfiava que poderia haver mais garotas depois da Parkinson, mas ouvir aquilo do próprio Malfoy me fez recuar.

– Mas nenhuma delas foi especial. -Completou ele rapidamente. Percebendo meu receio.

– Especial? -O encarei, mas logo ele desviou o olhar.

– Bem, eu não ficava mais de cinco minutos com elas depois que a gente transava.

E eu ainda estou aqui com você.

Não sei se deveria, mas aquilo me fez sentir feliz.

– Entendi.

– Ótimo. -Murmurou ele, me puxando para si.

Ainda tínhamos que conversar. Eu sabia que as coisas não haviam se resolvido. As perguntas ainda nublavam meus pensamentos. Mas por aquela noite resolvi esquecer de tudo e todos.

Eramos somente nós dois.

Adormeci com as palavras de Draco repetindo-se em minha mente.

"Nenhuma delas foi especial. Eu ainda estou aqui com você."

Notas finais
Esse foi pequenininho, uma introdução para o próximo, hehe! Digam o que estão achando! E vocês que nunca comentaram, deem um oizinho. õ/ Beijosss