"Eu amo você..." (Draco Malfoy)
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Ele não podia ter feito aquilo.
– Faz alguma coisa! -Ouviu uma voz atrás de si, provavelmente de alguma das meninas. O que acontecia era que a raiva era tão grande, que teve dificuldade em distingui-la.
Raiva. Era isso que estava tomando seu corpo, olhou em direção à mesa da Sonserina e ele estava lá, rindo junto com as outras centenas de alunos. Quando percebeu que ela o encarava, arqueou uma sobrancelha e sorriu descaradamente. Como quem dissesse "Eu avisei."
Marine sacou sua varinha a mantendo junto ao corpo. No mesmo instante, sentiu alguém segurar seu braço.
– Calma. -Hermione sussurrou- Não faz besteira.
– Não vou. -Respondeu fria- Não agora.
Tornou a olhá-lo, e ele continuava a sorrir. Marine apontou a varinha em direção à parede ato que fez os alunos que restavam ali saírem em disparada.
"Wingardium Leviosa" mentalizou, fazendo o pijamas de porquinhos flutuar e se aproximar dele.
Malfoy. O loiro estúpido havia pendurado seu pijamas na entrada lateral do Salão Principal. Para piorar, junto a eles haviam letras em neon que indicavam: "Marine Carter" e uma bandeirinha do brasil pairava ao lado disso tudo.
O pijamas continuava a flutuar lentamente para perto da doninha, causando ondas de gargalhadas por todo o Salão. Antes que caísse sobre ele, Malfoy lançou um feitiço também não-verbal, o transformando em pedacinhos.
O Salão Principal, foi tomado por gritos, risos e palmas. Aquilo havia sido um show para eles. Muitos enxugavam as lágrimas de tanto rir, quando ouviu-se Dumbledore pigarrear do tablado, tomando a total atenção para si.
– Senhor Draco, e senhorita Marine. Depois da ceia queiram comparecer em minha sala, por favor. Aos demais, peço que não façam tanto alarde.
Agora, apenas tilintares de copos e talheres preenchiam o espaço. Marine riu nervosa, balançando a cabeça negativamente.
– Calma, Marin. -Gina murmurou.
– Eu estou calma, caramba! -Respondeu tudo, menos calma. As três meninas agora em sua frente se entreolharam- Desculpa. Vocês não tem nada a ver com isso...
– Tudo bem. -Disse Astoria, olhando para Gina e Hermione que assentiram-Vamos sentar, já tem gente demais olhando.
– Vou ficar na mesa da Griffinoria. -Respondeu seca.
– Mar...
– Não. -Interrompeu Hermione, recebendo um olhar cortante de Astoria- Deixa ela vir.
As três seguiram para a mesa da Griffinoria e Astoria foi contrariada para a da Sonserina. Por um momento havia esquecido de que Blásio parecia estar afim da castanha.
A ceia prosseguiu, alguns alunos ainda comentavam o ocorrido e riam, outros já haviam simplesmente esquecido. Marine comeu calada, com o olhar preocupado de Hermione sobre ela. Gina juntamente com Harry e Ron, tentava descontrair o clima, sem muito sucesso. Astoria de vez em quando olhava para a mesa da Griffinória, também preocupada.
– Perdeu alguma coisa na outra mesa, Astoria? -Draco murmurou em certo ponto, irritado.
– Vai se ferrar. -Respondeu.
– Maldade isso hein, Malfoy. -Blásio comentou rindo.
– Por que acham que fui eu?
– Quem foi que chegou xingando a "Carter imbecil" depois do Quadribol? -Respondeu Blásio, fazendo aspas com os dedos.
– Ah qual é, qualquer um pode ter motivos pra...
– Chega! -Pansy gritou batendo as mãos na mesa, recebendo vários olhares- Será que da pra parar de falar dessa garota? Que saco!
– Não era você que estava toda amiguinha... -Blásio começou, mas foi interrompido.
– Cala a boca! -Tornou a gritar, levantando e se apoiando na mesa com as mãos- CALA-A-BOCA!
– Se controla, Parkinson. -Malfoy murmurou, calmo.
Pansy empurrou seu prato, e saiu dali marchando. Astoria e Blásio soltaram o riso, gargalhando.
– O que deu nessa garota? -Indagou o moreno minutos depois.
– Ela é doente. -Draco respondeu, se levantando.- Agora se me dão licença, tenho que ir pra sala do velho.
Blásio deu de ombros e Astoria encarou Marine que também se levantava do outro lado. "Calma" gesticulou com a boca. A garota assentiu, caminhando em passos duros em direção às escadas.
Todos sabiam que fora Malfoy o dono da arte, isso porque ele chegara xingando a Carter por sete cantos depois do Quadribol. Blásio e Astoria pediram para Malfoy esquecer essa história de dar o troco, porém, Draco nunca escutava.
Pediram para ele esquecer, mas não o impediram de fazer. O fato de Marine ter ajudado o time da Griffinória não fora bem-visto pela Sonserina. Isso por ela pertencer à casa. Tudo bem que eram amigos, mas aquilo não era aceito, mesmo em uma partida de treino.
Sonserinos não desculpavam. Poderiam esquecer, mas não desculpar.
Já Malfoy, não esquecia.
___
Marine caminhava contrariada até o segundo andar. Fora humilhada, porém não estava triste ou coisa parecida, e sim, com raiva. Raiva do loiro estúpido. Se não fosse Hermione aquela hora, o teria estuporado lá mesmo.
Chegou ao segundo andar, e o viu encostado na parede em frente à entrada da sala de Dumbledore. Na mesma hora a doninha riu pelo nariz, balançando a cabeça negativamente, e a fazendo revirar os olhos.
Permaneceram alguns minutos em silêncio, Marine em uma parede e Draco em outra. Ela roía as unhas e ele olhava para os sapatos, mas não se encaravam, nunca. Logo Dumbledore chegou assoviando algo semelhante a "Double Trouble".
– Boa noite. -Cumprimentou entrando pela passagem e fazendo sinal para que o seguissem .
– Só se for pra você...
– Perdão, senhor Malfoy?
– Boa... -Revirou os olhos- Boa noite. -Corrigiu-se, fazendo Marine soltar um risinho.
O diretor parecia mais calmo do que nunca, enquanto ela estava apreensiva e Draco, impaciente. Dumbledore, como sempre, passou os dedos pelas estantes de livros no caminho para sua mesa.
– Se não for pedir muito, será que da pra dizer qual vai ser a detenção logo? -Malfoy falou entre dentes.
– Detenção?! -Marine que até agora estava de braços cruzados fitando o chão, pareceu despertar- Mas eu não...
– Acorda, Carter. Você usou magia pra me atingir durante a ceia. –A doninha murmurou como se fosse óbvio.
– Eu?! Foi você que colocou meu... Meu pijamas lá! -Respondeu incrédula, então, se dirigindo ao diretor- Professor Dumbledore, por favor, eu não fiz por mal.
– O Sr. Draco teve motivos para tal ato? -Indagou os fitando por cima do óculos, enquanto folheava um livro.
– Não!
– Tive!
Responderam ao mesmo tempo.
O diretor estendeu a mão para Marine, como em um gesto para ela falar.
– Só porque a Sonserina perdeu a partida e eu estava torcendo para a GRIFFINÓRIA -ressaltou olhando para a doninha que a encarava com desprezo- resolveu me humilhar na frente da escola toda!
Dumbledore permaneceu alguns segundos em silêncio e então se direcionou à Draco:
– O senhor confirma isso, sr. Malfoy? -O loiro fez que sim com a cabeça.
– Acontece -Interferiu, assustando Marine- que essa... garota, me atrapalhou no treino.
– Mas isso, sr Malfoy, não é motivo para...
– E eu quase caí da vassoura. -Mentiu. Marine o encarou indignada.
– Isso é mentira! -Protestou- Professor, o senhor não vai acreditar nele não é?!
– Por que eu inventaria uma coisa dessas? -Malfoy insistiu, fazendo cara de coitado- Eu não te humilharia a troco de nada... Marin.
Como a doninha era filha da mãe! Marine não sabia o que fazer, ele havia a chamado pelo apelido apenas para se livrar das acusações e parecer inocente.
– Professor Dumbledore, faz alguma coisa! -Falou, histérica.
– Queira se controlar, senhorita Marine. -Disse calmo, fazendo Draco sorrir vitorioso- O que tenho a fazer é dar detenção a ambos. -Marine tentou se pronunciar, mas foi impedida por um gesto de Alvo- Ao senhor Malfoy, por constrange-la perante a escola toda e ao seu país. E à senhorita Marine, por usar magia no Salão Principal com o propósito de atingir seu colega.
– E por quase me derrubar da vassoura. -A doninha repetiu, sarcástica.
– Senhor Malfoy, mentiras são desnecessárias, a não ser que o senhor queira um acréscimo em sua detenção. -Repreendeu Dumbledore, e dessa vez, Marine deu um sorriso irônico à Draco- Pois bem, pedirei à Filch para que os informe o local e horário de sua detenção. Estão dispensados.
Mesmo sendo severo, Dumbledore sorriu, um sorriso sereno e sincero. Malfoy revirou os olhos saindo em passos duros da sala, Marine foi atrás, inconformada.
Era dia de ronda, e, querendo ou não, estavam 10 minutos ou mais atrasados.
___
– Obrigada, não precisava, eu sei lidar com a doninha. -Disse Gina fitando o chão, enquanto caminhava ao lado de Miguel, o moreninho da Corvinal.
Haviam trocado olhares nos últimos minutos da ceia. E quando a ruiva ia saindo, Miguel a alcançou, oferecendo-se para levá-la até a porta de seu salão comunal. É claro que ela aceitou.
Caminhavam devagar, um ao lado do outro, a ruiva enrolava a ponta dos cabelos nos dedos.
– Eu não gosto daquele Malfoy, ele é muito metido. -Disse pela terceira vez, fazendo Gina dar um sorriso forçado.
– Percebi faz tempo. -Falou a ruiva- Mas, você está namorando?
O menino pareceu se assustar com a mudança brusca de assunto.
– Nós não estamos? -Indagou, se arrependendo segundos depois.
– Não. A gente fica de vez em quando, isso não é namorar.
– Ah sim... Você está?
– Não.
O silêncio cresceu entre os dois. Miguel pareceu desapontado com aquilo, mas também não disse nada. Gina passou mais da metade do caminho alternando entre mordiscar o lábio superior e o inferior.
Chegaram em frente ao comunal da Griffinória, já não havia muitas pessoas passando pelo corredor, não era nem para eles estarem lá.
Agora se encontravam um de frente para o outro.
– Então, boa noite. -Disse Miguel, se aproximando e a beijando no rosto.
Gina por sua vez o segurou pela nuca, selando seus lábios.
– Boa noite. -Sussurrou e se virou para entrar no comunal.
Portanto, esqueceu-se de dizer a senha, e o quadro não liberou a passagem.
A cena seguinte não foi outra a não ser Gina batendo o nariz na tela e despejando palavrões pro alto, esquecendo-se de Miguel ali.
– Precisa tomar mais cuidado na próxima, pra que toda essa força pra entrar? -O moreninho indagou minutos depois, segurando o riso. Ele havia conjurado um saquinho com gelo, e observava Gina pressioná-lo contra o nariz, junto a uma careta minimamente meiga.
– Eo ropei um selinho ti focê, quetia que eu entrasse cobo? -A ruiva indagou com a voz totalmente fanha, o fazendo rir e rindo junto- Droga.
– Está tudo bem, é melhor entrar antes que alguém nos pegue aqui. -Falou, ela tentou entregar-lhe o saquinho com gelo mas ele recusou- Fique, vai precisar dele.
– Opricada. -Agradeceu, fanha novamente.
– Tidata. -Ele a imitou, e riram em seguida.
Miguel, após um aceno com a cabeça, enfiou as mãos nos bolsos e deu as costas. Gina permaneceu por alguns instantes parada ali, e por um breve momento se arrependeu de ter dito que não estavam namorando, percebeu que quando estava com ele, esquecia-se de Harry, e até mesmo de seu ciúme de Mione com Blásio.
___
Marine e Draco caminhavam em silêncio pelo corredor deserto.
Haviam perdido 20 minutos da ronda, e não trocaram uma palavra desde que saíram da sala de Dumbledore.
Não é como se fizessem questão disso.
A noite estava fresca e calma, até agora não haviam encontrado alunos perambulando pelo corredor embora estivessem andando por apenas meia hora. Draco caminhava absorto, não olhava para os lados, nem mesmo para a frente, fitava o teto e as janelas com desinteresse. O que deixava Marine ainda mais irritada.
Recebera a segunda detenção em apenas duas semanas, e isso por causa da doninha. Ela não dava razão à Malfoy por ele te-la humilhado, mas faria a mesma coisa se fosse com ela e...
"Não!" Interviu seus próprios pensamentos "Não vou desculpar esse imbecil." E estava certa. Se continuasse a pensar daquele modo acabaria o desculpando -mesmo se ele não pedisse desculpas, o que era muito provável- e tudo voltaria ao "normal."
Estavam agora no lado oeste de Hogwarts, presumidamente no quarto andar. Aproximavam-se do final do corredor quando um garoto passou tranquilamente por eles, em direção ao Salão Comunal da Corvinal.
– Ei! -Draco chamou, se virando para encará-lo- Aonde pensa que vai?
– Pra onde acha? -Respondeu seco. O loiro então o reconheceu da arquibancada, o moreninho que defendeu a cabeça de cenoura.
– Você sabe com quem esta falando, idiota? -Provocou.
– Com a doninha loira saltitante. -Rebateu se aproximando mais e cruzando os braços em um ato defensivo.
Marine parou apreensiva em frente aos os dois, que se encaravam.
– Escuta aqui, moleque, é melhor não me provocar. -Grunhiu apontando o dedo na cara do outro, que soltou uma risada nervosa.
Miguel Corner também era do quinto ano. Marine sentiu vontade de rir ao ver a doninha magricela enfrentar o moreno que embora mais baixo, era mais forte que Malfoy. A diversão acabou quando Miguel, em um ato brusco, afastou a mão de Draco e este o empurrou pelo peito.
– Uhuhuh, vai com calma, mocinha. -O moreno falou rindo, enquanto arregaçava as mangas da camisa branca.
– Vamos ver quem é a mocinha aqui -Malfoy murmurou, partindo pra cima de Miguel e o empurrando mais uma vez.
– Parem vocês dois! -Marine gritou, em vão.
O moreno revidou e os dois rolaram no chão entre socos e pontapés que graças à Merlin a maioria não chegava a atingi-los.
– PAREM! POR MERLIN! -Gritou mais uma vez.
Nada.
O que queria fazer é entrar no meio, mas não estava afim de apanhar. Miguel deu um chute na perna de Malfoy, o que fez Marine sorrir por um instante ao se sentir vingada por todas as idiotices que a doninha havia feito a ela.
O loiro grunhiu e rolou de dor, quando Miguel acertou em cheio um soco em seu nariz.
Draco estava apanhando.
A primeira gota de sangue foi vista, deixando Marine desesperada.
O moreno se levantou preparando-se para dar outro chute em Malfoy, esse que estava caído e gemendo de dor.
– NÃO! -Marine gritou, correndo para perto dos dois e se agachando ao lado da doninha que pressionava o nariz sangrento- Já chega. -Se pôs de pé, encarado Miguel que a fitava sério.
– Vai se ferrar, Carter, eu sei me defender sozinho. -Draco murmurou enquanto fazia um enorme esforço pra se levantar- Esse frango não é palio pra mim.
Marine ignorou os comentários de Malfoy, e se colocou na frente dele quando Miguel ameaçou deferir outro soco.
– Eu disse já chega. -Repetiu pausadamente, o encarando.
– Ótimo. -o moreno murmurou- Agradeça à sua amiga, doninha, porque se não fosse por ela, eu iria até o fim.
Draco e Miguel se encararam por alguns segundos . O moreno serrou os olhos em um ato de ameaça e o loiro o lançou um olhar de repulsa e ódio.
– Vê se fica esperto. -Disse, antes de sair.
Marine se encostou na parede, ofegante. Apertou o rosto entre as mãos, odiava brigas, sangue ou qualquer coisa do gênero, a adrenalina em seu corpo subia depressa.
– Pobretão de merda. -Malfoy rosnou baixo, assim que Miguel deu as costas.
Tudo foi muito rápido, em menos de três segundos o moreno se virou e acertou um soco no estomago de Draco que gemeu e caiu de joelhos. Marine encarou tudo de boca aberta, enquanto a doninha cuspia sangue e se levantava, mancando.
– F... FILHO DA PUTA! VOLTA A..AQUI S-EU MERDA! -Gritou rouco, encarando Miguel que andava tranquilamente até o Salão Comunal da Corvinal.
– Malfoy... -Marine sussurrou, caminhando lentamente até o loiro que tinha a respiração descompassada e tossia- Malfoy.
Ele a encarou. Tinha os cabelos bagunçados, gotas vermelhas desenhavam pontos em sua camisa branca que agora estava amassada, sangue no nariz e no canto dos lábios. Limpou a boca com a costa das mãos e tentou se levantar.
Tentou. Não conseguia deixar a coluna reta, seu abdome parecia estar estourado por dentro. Aquilo estava sendo humilhante pra ele. Apanhar de um Corvinal e o pior, na frente da Carter. Mas aquilo não iria ficar assim.
Com um esforço e dor enorme, levantou, se apoiando na parede. Uma mão foi direto para seu estômago, como se aquilo ajudasse a dor passar. Marine continuava a observá-lo, estática.
Draco começou a caminhar vagarosamente. Nariz sangrando, mancando de uma perna, e dor no estômago. A cada passo era um gemido de agonia. Marine que roía as unhas, caminhou incerta até ele.
– Malfoy. -O chamou, porém o loiro continuou em frente- Malfoy, da pra me escutar?
– O que é, Carter? -Respondeu, ignorante.
– Você não está bem, e-eu... Ajuda, quer ajuda? -Indagou temorosa a se arrepender.
– Não preciso da sua aj... AH! -Gemeu, ao tentar ficar reto. Marine correu para seu lado, colocando sem pensar a mão sobre o braço do loiro- Sai, Carter. -Se esquivou, encostando na parede e respirando fundo, com a cabeça jogada pra trás, e os olhos fechados.
– Faltam menos de cinco minutos pra nossa ronda acabar, se você ficar aí, alguém pode vir e...
– Foda-se. -Respondeu ainda de olhos fechados. Sua voz estava extremamente rouca- Foda-se! -Repetiu um pouco mais alto- Desde quando alguém se importa... Com o que vai acontecer?
– Eu só quero te ajudar, está bem? -Falou, depois de um tempo, tentando manter a calma- Pode ser?
Alguns segundos em silêncio, Draco abriu os olhos e Marine estava com a mão estendida em sua direção. O loiro revirou os olhos e se desencostou da parede, voltando a "mancar". Marine também revirou os olhos, o que havia de errado com aquela doninha? Por que tão orgulhosa?
Ao se aproximarem da escada, ela parou. "Vamos, sobe! Já que você é tão forte." pensou, se segurando para não dar uma risada maléfica. Malfoy, ao perceber que ela não andava mais, se virou.
– O que é, garota? -Resmungou ao vê-la observando-o.
– Nada. -Respondeu Marine, o mais séria que pôde- Por que parou, Malfoy? -Provocou.
– Não é da sua conta. -Rosnou.
– Ok, boa noite. -Sorriu, passando por ele e subindo a escada vagarosamente.
Um degrau de cada vez.
O mais devagar que podia.
Escutar Malfoy bufando lá embaixo não teve preço.
– Carter. -A doninha chamou. Marine sorriu vitoriosa, porém continuou a subir- Carter, porra! Eu... Me ajuda. — Sorriu mais ainda, mas antes de se virar, fez cara de menininha bondosa.
A doninha estava parada no primeiro degrau, corcunda, e com cara de dor. Teve vontade de rir, mas no fundo, sentiu pena.
– Viu? Não custa nada pedir, Malfoy. -Sorriu descarada.
Se posicionou ao lado de Malfoy, o garoto hesitou antes de passar o braço pelo ombro de Marine, mas era o único jeito. Carter estremeceu com o contato, o fazendo se sentir cheio de si. Mas Draco era quente, isso ela não podia negar.
– É do outro lado. -A garota avisou, estava dando apoio no lado da perna boa.
– Que ótimo, não sabe nem ajudar direito. -Resmungou a doninha- AI! PORRA!
Marine havia apertado as costelas de Draco.
– Ah, foi sem-querer. -Falou cinicamente, o fazendo revirar os olhos.
Deambularam naquele jeito, até chegarem ao Comunal dos Monitores. Passaram apressados para o dormitório, aproveitando que não havia pessoas pelo comunal.
Ao entrarem no local, Draco se jogou na cama, gemendo mais uma vez. Marine se sentou em sua cama, o observando. Querendo ou não, estava preocupada. O garoto passou alguns minutos com os olhos fechados, e quando os abriu, percebeu que ela o fitava.
– O que quer, Carter? Eu não tenho nada pra te dar em troca.
Marine se ofendeu.
– Como é? Você acha que eu fiz aquilo pra ganhar alguma coisa em troca?
– Não sei, não te conheço direito.
Se ofendeu mais ainda.
– Escuta aqui, seu... paspalho! -Rosnou, se levantando- Eu não sou como você está pensando. Então quando não tiver certeza, não fala!
A doninha começou o algo parecido com uma risada, mas logo se transformou em um gemido acompanhado de uma careta de dor.
– É isso que dá tentar ajudar gente como você. -Continuou, o fitando com raiva- Quer saber? Que se dane! Eu ia chamar a Madame Pomfrey aqui, mas não vou mais. Graças à sua ignorância arrogante, vai sozinho se quiser.
Draco ficou sério.
– Uma coisa: Ninguém, vai ficar sabendo disso. Entendido, Carter? Ninguém.
Se ele não estivesse debilitado na cama, estaria apontando o dedo na cara de Marine. O negócio era que a doninha era orgulhosa, e detestava precisar da ajuda de outros. Mas o pior era aceitar que tinha apanhado de Miguel, ou melhor, de um Corvinal.
– Por mim tanto faz. -A garota respondeu o mais indiferente possível, indo se deitar- Só quero ver como você vai justificar os hematomas e o fato de não conseguir andar direito, muito menos ficar reto.
– Isso é problema meu, Carter.
Dizendo isso, apagou a luz do dormitório e tentou se ajeitar na cama o mais confortável possível.
– Da próxima vez pede pro seu orgulho te ajudar a subir as escadas. Boa sorte. -Marine murmurou segundos depois.
Não obteve resposta.
O problema não era ter ajudado a doninha, e sim o modo que ela interpretou a ajuda. A garota estava se sentindo idiota por achar que ele poderia agradecer um dia.
Algum tempo se passou, e, antes de pegar no sono, Marine pensou ter ouvido por míseros segundos uma voz rouca vinda da cama ao lado, dizendo bem baixinho:
– Obrigado.
Adormeceu sorrindo.
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