Notas iniciais
Hallo! Boa Leitura!

Os dias seguintes se passaram sem acontecimentos tão relevantes.

Tirando a detenção de Marine e Draco, na qual Filch os abordara na saída de uma aula de DCAT avisando que teriam que organizar em torno de trezentos livros na biblioteca depois do jantar. E o "encontro" um pouco desastrado de Blásio e Hermione. As coisas se tornaram rotineiras.

A detenção, ao contrário do que Marine pensara, fora "normal". Muitas vezes a doninha dera a desculpa de estar com dor no estômago e não poder se esticar para encaixar o livro na prateleira, mas bastava Marine o olhar torto, que ele cumpria com a obrigação, mesmo depois de revirar os olhos por um número incontável de vezes.

– Para de frescura, Malfoy!

Ela dizia.

E ele bufava.

A perna melhorou com o passar dos dias, Draco se esforçava o máximo que podia para não mancar ou demonstrar dor na frente dos outros, tornando os treinos de Quadribol insuportáveis. O nariz foi reparado com um florear de varinha seguido de um gemido, esse que fez marine soltar um risinho.

A garota, mesmo não demonstrando muito, estava preocupada. Tentou convencê-lo a consultar Madame Pomfrey, mas a doninha a mandava cuidar da vida dela, o que deixava Marine frustrada e irritada a fazendo mandá-lo se foder por várias vezes no mesmo dia.

Já o encontro entre o sonserino e a grifinória fora no mínimo desastrado. Escolheram uma tarde sem aula para saírem de Hogwarts escondidos e encontrarem no Três Vassouras. Hermione se recusara no início, mas depois de muito insistir Blásio conseguira convencê-la.

No começo as coisas correram normalmente. Após algum tempo de conversa, Blásio ao tentar avançar para o beijo, derrubou suco em Hermione, e ambos caíram na risada.

Saíram então do bar, e foram se sentar em um tronco caído próximo a entrada de Hogsmead. Ao tentar novamente, foram atingidos por origamis encantados que eram seguidos por crianças entre quatro e cinco anos, sorridentes.

Definitivamente, não era pra ser. Voltaram para Hogwarts ainda rindo, e se abraçaram na hora de se despedir.

Decidiram manter aquilo entre eles. Hermione por desconfiar do ciúmes de Gina. E Blásio, pela implicância de Malfoy.

Alguns dias mais e Harry, Hermione e Ron foram ficando ausentes. Não chegaram a se afastar, mas raramente lanchavam ou passeavam juntos com Marine. A garota tentara perguntar por duas ou três vezes o motivo, mas eles sempre gaguejavam ou tentavam mudar de assunto.

O que a fez desistir de saber, e também, passar mais tempo com os sonserinos.

Pansy continuava a mandar sorrisinhos cada vez mais falsos, tentando muitas vezes forçar uma conversa com Marine. Mas a garota a evitava o máximo possível. Depois da "discussão" na cozinha, perdeu a pouca confiança que tinha em Pansy, e é claro, ficou de olhos abertos em relação à Astoria.

Girodna.

Ela também parecia querer se aproximar de Marine. Havia sumido por alguns dias, e quando voltou, Marine a ouviu dizer à Hagrid que havia pegado doença de Trasgo, e estivera internada no St Mungo's.

"Doença de Trasgo?" Pensara fazendo uma pequena careta e a desfazendo assim que Girodna passara por ela, cumprimentando-a com um sorriso torto.

A corrente de ar frio voltara a rodeá-la por duas vezes mais quando andava pelos corredores desertos. E em uma dessas vezes, pensou ter visto de relance um calcanhar adentrar-se sorrateiramente na escuridão do corredor adjacente.

"Algo de errado está acontecendo nesta escola." As palavras de Dumbledore estavam começando a se repetir em sua mente com cada vez mais frequência. Esses episódios não ajudavam em nada.

Por aqueles dias tivera mais duas rondas com a doninha. Na última, Malfoy já estava com a perna boa e as dores no estômago estavam sumindo.

Onze dias.

Onze dias haviam se passado desde a surra que a doninha levara de Miguel. Draco ainda se sentia humilhado, e prometia vingança para si mesmo constantemente.

Faltavam apenas dois dias para a festa da família Malfoy. O loiro ainda não havia decidido qual menina convidar. Para pegar era fácil escolher, qualquer uma com curvas um pouco mais acentuadas era válido. Mas coisas não estavam tão simples assim.

[...]

– Qual é cara, leva a Pansy.

– Você é retardado, Zabini?

Draco e Blásio estavam cochichando durante a aula de Historia da Magia. Haviam se sentado no fundo justamente para isto. O moreno insistia em dizer para Malfoy convidar Pansy, porém ele não cogitava essa ideia.

– Você levou ela ano passado! -Blásio murmurou encarando o loiro ao seu lado.

– Levei. Mas ano passado não tinha a Ca... -Interrompeu-se, virando para frente- Ano passado eu tava pegando ela.

– Não tinha a...? -Blásio repetiu, sorrindo- Continua.

– Vai se foder, Zabini. -Respondeu Malfoy, com cara de nojo.

Carter. Por que ele a levaria? Astoria já havia dito para que ele a levasse, mas tudo o que ele respondera fora: "Nem fodendo." Aquela garota só o irritava, levá-la para SUA mansão, para conhecer SEUS pais e mostrá-la para SEUS conhecidos, estava fora de questão.

Na realidade não tinha conhecidos, a não ser em Hogwarts. Tudo o que ele via nas festas de sua família era um bando de gente interessada em seu dinheiro.

O sinal bateu e Draco saiu da sala emburrado.

POV Marine:

–Por Merlin! Que aula chata! -Resmunguei para Astoria assim que o professor entrou pela lousa. História da Magia nem era tão importante assim, não sei porque tínhamos que ter esse tipo de aula. Eu me sentia entediada a maior parte do tempo- O professor podia ser mais animado...

– Fazer o que, tudo tem seu lado ruim. -Ela respondeu com o mesmo jeito de sempre. Astoria era muito calma a maioria das vezes e isso acabava por me irritar. Acontece que tudo estava me irritando por aqueles dias.

E ele era um dos motivos.

– Por falar em lado ruim... -Murmurei fitando a doninha sair nervosa da sala. Malfoy estava absorto faziam uns dois dias, eu já havia perguntado se ele tinha algum problema, mas como sempre, me mandou cuidar da minha vida. Nunca eu estive tão irritada com aquele ignorante como estava aquele dia.

– Vocês ainda não se pegaram?! -Falou Astoria, rindo. Engoli em seco. Mesmo depois de ter passado dias que fiquei com a doninha, o medo de que descobrissem ainda continuava lá.

– Ah, claro que não! E nem vamos... Não se depender de mim. -Nesse momento ela me olhou com interesse.

– Então quer dizer que ele já tentou alguma coisa?

– Não! -Respondi rápido- O-olha o Blásio vindo aí! -Sorri aliviada, por outro lado, Astoria ficou séria e se levantou.

– E-u vou... Depois a gente se vê. -Saiu, passando pelo moreno sem o encarar. Outra coisa que estava me intrigando além da doninha.

Astoria estava seca com Blásio e sempre que podia, o evitava. Por vezes havia perguntado o que era, mas ela insistira em dizer que não era nada.

– Oi, gata. -Ele disse, lançando seu sorriso conquistador.

– Oi, gato. Tudo bom? -Me levantei, mascando um chiclete invisível.

– Que nojo! Não faz isso! -Disse rindo, me fazendo rir também. Blásio estava se tornando uma espécie de melhor amigo. Eu estava passando a maior parte do tempo com ele- E aí? Ela disse alguma coisa? -Indagou.

Sim. Ele havia me pedido para descobrir o que estava acontecendo com Astória. Mas sem sucesso.

–Não. Ela sempre diz que não é nada. Mas não vou desistir! -Respondi, dando um soquinho em seu ombro.

– Ah, entendi. -Suspirou parecendo conformado- Já o Malfoy...

– O que tem o Draquinho? -Pansy surgiu atrás de nós, nos assustando.

– O-o que está fazendo aqui, Pansy? -Indagou Blásio.

– Pelo que eu sei, acabamos de ter aula aqui. -Ela respondeu sentando em uma mesa a nossa frente.

– Sim, mas a aula acabou. E já faz seis minutos. -Continuou, a fazendo arquear uma sobrancelha.

– Então. Vamos? -Ela disse, sorrindo sarcasticamente e o puxando pelo braço.

Blásio me lançou um olhar de "Depois continuamos" e saiu revirando os olhos.

Bufei.

Na manhã daquele dia, também havia pedido a ele para que descobrisse o que a doninha tinha. E bem, ele parecia já ter descoberto. Mas graças à Pansy, eu teria que esperar um pouco mais para saber.

Não que aquilo me preocupasse, é claro. Eu, preocupada com o estúpido do Malfoy? Lógico que não. Aquilo apenas me incomodava.

Ele estava sempre inquieto, resmungando pelos cantos no Comunal dos Monitores. Sem contar quando eu estava tentando dormir, e o infeliz ficava se revirando na cama. Sim, aquilo incomodava.

Peguei meus materiais e me arrastei para a terceira aula, que aliás, estava para começar.

[...]

POV Autora:

Era dia de ronda, e, além disso, tinham apenas uma aula vaga naquele dia. Aula essa que marine pretendia revisar Aritmância, como estava se acostumando a fazer. Porém, seus "planos" foram esquecidos ao se deparar com uma Gina totalmente exaltada no corredor.

Havia acabado de sair da terceira aula e rumava para o lanche da tarde junto com Astoria quando a ruiva correu de encontro a ela toda saltitante.

– Marin! Marin!! Você não sabe o q... -Parou, ao finalmente perceber Astoria ali.

– Oi. -Marine disse meio sem graça.

– Ah... Eu... Ginevra, você viu o... O... O Blásio! Por aí? -Astoria perguntou confusa, percebendo que ela preferia conversar a sós com Marine.

– Vi ele com a do...ninha no Salão Principal. -Respondeu Gina, desconfiada.

– Ta. Valeu. Até depois, Marine. -Se despediu, indo em direção ao Salão Principal

– Fiz mal em chamar a doninha de doninha na frente dela? -A ruiva indagou, observando Astoria se afastar. Marine riu.

– Não, não fez. Mas... O que queria me contar? -Perguntou, voltando a caminhar.

– AH LEMBREI! VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR O QUE ACONTECEU! -Gina praticamente gritou no meio do corredor.

– O que...

– O MIGUEL ME PEDIU EM NAMORO! -Interrompeu, ainda mais exaltada.

– Ah! Parabéns Gina! -Marine respondeu feliz pela amiga. Gina havia passado a maior parte do tempo falando de Miguel. Segundo ela, estivera apaixonada por ele desde o dia em que dançaram juntos no Baile de Inverno. Só não tinha descobrido ainda. — E quando foi isso?

– Agora mesmo!!!

– Mas você não deveria estar com...

– É eu sei! Mas tinha que te contar!

Nesse momento as duas já haviam chegado ao Salão Principal. Miguel foi ao encontro delas, sério.

– Oi meu amor! -Gina disse, o cumprimentando com um selinho- Essa é a...

– Marine. — Interrompeu Miguel, recebendo olhares das duas.

– Vocês já se conhecem? — Indagou sem graça.

– É-é. Eu, é... Que...

– Na verdade sim... Gina. -Dessa vez, Marine o interrompeu. A ruiva continuou encarando a amiga a espera de uma explicação- Quer dizer, você já deve ter falado de mim pra ele, não é? -Gina continuou a encará-la- Não é, Miguel?

– É? É! Claro, sim. Falou. Lembra? -O moreno disse rápido, sorrindo.

– Falei? -Gina parecia ainda mais confusa, não conseguia se lembrar .

– Falou! — Marine e Miguel disseram em uníssono.

– Quer dizer... Falou? -Corrigiu Marine, ficando perdida.

– Sim falou. Agora vamos comer, depois vocês conversam. -Miguel se adiantou e puxou Gina para se sentar junto dele na mesa da Corvinal.

Assim que se afastaram, Marine se virou e caminhou até a mesa da Sonserina suspirando aliviada. Por um momento, pensou ter deixado escapar como conhecera Miguel.

Acontece que ela falara com ele uma única vez.

Flashback on:

POV Marine:

Uma semana depois da surra que Malfoy levou, estávamos fazendo a ronda quando nos deparamos com Miguel fora do Comunal novamente.

– Eu vou socar a cara daquele desgraçado! -Disse, apertando os passos.

– Malfoy, pára. -Me coloquei em sua frente- Se você encostar um dedo nele eu vou...

– Você o que, Carter? Vai me bater? -Zombou.

Revirei os olhos.

– Da para deixar de ser idiota por um minuto?

– Vai ficar defendendo o filho da puta agora? Ele merece apanhar. -Disse tentando desviar de mim, mas o impedi novamente- Sai da frente, garota!

– Amanhã, Hogwarts inteira vai ficar sabendo que você apanhou! -Frisei a última palavra, pois a doninha já estava se afastando.

Mas parou.

– Como é? -Se virou, rindo.

– Isso mesmo que você ouviu, comece outra briga, e vai ficar com fama de frango pro resto da vida, DONINHA CARIJÓ.

– Vai se foder, Carter. Não tem como provar. Será sua palavra contra a minha, e adivinha em quem vão acreditar?

Arqueei uma sobrancelha e sorri.

– Já viu a marca roxa na tua perna, ou o vermelho no seu abdome?

– Mas o que... -Então ele pareceu ter se lembrado que apesar da dor estar sumindo, as marcas ainda estavam lá. Não que eu estivera observando o corpo da doninha, mas os hematomas eram bem visíveis, ainda mais quando ele resolvia sair só de cueca do banheiro. — Carter...

Veio caminhando em minha direção, ao se aproximar, me empurrou pelo ombro contra a parede, apontando o dedo em minha cara.

– Se você... -Começou alto, mas diminuiu o tom- Se você abrir essa boca, vai se arrepender de ter entrado nessa escola. Está me entendendo? — E pela primeira vez em dias, estávamos perto demais, suas pupilas estavam dilatadas e seus lábios crispados e...- Responde, garota! -Gritou, me dando um chacoalhão.

– OU! Vai com calma, valentão. -Pareceu que alguém havia nos notado. Era Miguel, caminhando calmamente até nós- Quer bater em alguém bata em mim, se conseguir é claro, e não numa garota.

Malfoy se afastou, enfiando a mão nos bolsos.

Por alguns segundos pareceu que iria explodir enquanto encarava a mim e a Miguel. Sustentei o olhar quando me encarou novamente, como um aviso.

– Vai se ferrar, Carter. -Foi tudo o que disse antes de virar as costas e sair andando nervoso.

Miguel ameaçou segui-lo, mas segurei seu braço a tempo.

– Um dia ainda acabo com esse imbecil. -Cuspiu.

– De novo? -Indaguei, segurando o riso. Ele riu pelo nariz.

–Até ele aprender. Não sei como consegue aguentar esse moleque mimado.

– Eu também não.

Fez se alguns segundos de silêncio. Permanecíamos perto da parede, na metade do corredor.

– Você é amiga da Gina, não é? -Indagou de repente.

– Sim, por quê?

– Posso te pedir um favor?

– Depende do favor.

– Não conta pra ela sobre semana passada e hoje. -Assenti- Ela sabe que eu não vou com a cara desse menino, e isso já é o suficiente. Se ela descobrir que eu arrebentei a cara dele, vai parar de falar comigo.

Ri fraco, assentindo novamente.

– Tenho que ir agora. Mas por favor, tenta não ficar fora do comunal depois das nove, se a gente te pegar de novo teremos que tirar pontos da Corvinal. -Dessa vez, ele assentiu.

– Obrigado...

– Marine.

– Obrigado, Marine.

Flashback off.

POV Autora

– Se você não vai comer, eu como. -Marine foi tirada de seus pensamentos por Blásio, que roubava um bolinho de seu prato.

– Ei! -Repreendeu o amigo com um tapa, fingindo estar brava- Vou tirar pontos da Sonserina por roubo de comida!

– Iih, vai com calma, monitora. -Respondeu rindo- Não faz nem um mês que recebeu o posto e já está assim?

Marine apenas riu balançando a cabeça negativamente e tornou a comer.

– A Astoria não está com você? -Ela indagou minutos depois.

– Não, deveria? -Disse ele, tomando o último gole de iogurte.

–É que ela perguntou de você pra Gina e... Ah, deixa quieto. Já entendi. -Se interrompeu, entendendo o que acontecera.

Astoria só perguntara por Blásio para poder deixá-la a sós com a ruiva. Mas esquecera que estava ignorando o moreno fazia algum tempo. Agora Marine estava convencida a descobrir o motivo daquilo ainda naquela mesma tarde.

– Perguntou pra Gina? Mas ela já disse o porquê de não estar falando comigo direito?

– Ainda não. -Fez uma pausa- Ainda. Hoje mesmo eu descubro. -Continuou com um sorriso maroto, o que fez Blásio a chamar de "maluca".

– Enquanto você não descobre, acho melhor irmos para as próximas aulas. -Disse o moreno se levantando e estendendo a mão para ela fazer o mesmo.

– Mas pelo que eu sei agora nós temos uma aula vaga. -Disse, enquanto se levantava confusa.

– Sim. Mas o Professor Snape resolveu dar uma aula agora e manter a das seis.

– Quando avisaram isso? Eu não estava sabendo.

– Professora McGonagall pediu para o Draco avisar...

– Quando ela pediu?!

– Hoje de manhã por isso ele chegou atrasado na primeira...

– E por que não me avisou também?!

– Porque você ainda não tinha aparecido então ela pediu pra...

– Não a professora, o Malfoy!

– Talvez ele não tenha te visto e...

– Como não?!!! A gente se viu quase a todo instante e na hora do almoço ele...

– Marine, fica calma! -Blásio parou em frente a ela, que estava praticamente gritando no meio do corredor- Talvez ele esqueceu. Só isso.

– Esqueceu nada! Ele fez de propósito!

– Pára com isso... -Blásio disse calmo, voltando a andar- Está tudo bem, eu te avisei, e você não vai perder aula. Não tem motivos pra ficar assim.

Andaram alguns segundos em silêncio, Marine continuava nervosa. Como aquela doninha pôde fazer isso com ela?! Tudo bem que eles mal conversavam, não se suportavam, e tentavam ignorar um ao outro quando estavam em um mesmo ambiente, mas não custava nada avisar.

– Desculpa. -Ela disse pouco depois, quando se aproximavam da sala- Eu não deveria gritar. Não com você.

– Tuuudo bem, sem problemas. -O moreno murmurou a abraçando de lado.

Entraram para a aula e Snape estava carrancudo como sempre. Ninguém ousou perguntar o motivo da mudança no horário das aulas por dois motivos: Ninguém queria receber as respostas grossas do professor e por conta desta mudança, terminariam as aulas uma hora mais cedo.

Marine planejava questionar Astoria sobre Blásio na próxima troca de aulas, mas não foi preciso esperar até lá para desconfiar do que estava acontecendo. Passados alguns minutos ali dentro, notou que Astoria praticamente fuzilava Hermione com o olhar e só faltou estourar o próprio caldeirão quando ouve uma troca de sorrisos entre Blásio e a castanha.

– Problemas com seu caldeirão, senhorita Grenngass? -O Professor Snape indagou com aquele jeito irônico e frio de sempre.

– Nenhum, professor. -Forçou um sorriso, enquanto a maioria ali presente agora tinha os olhares voltados à ela.

– Eu não me lembro de ter pedido para que parassem com suas poções. -Continuou Snape, tornando a se arrastar sorrateiramente pela sala.

[...]

POV Marine:

Assim que a aula terminou, segurei Astoria comigo para ficarmos para trás dos outros alunos da classe que também seguiam para a próxima aula.

– Ok. Qual o seu motivo para ter ciúmes do Blásio com a Hermione? -Indaguei grossa e curtamente, a fazendo gaguejar.

– Q-que? Da onde você tirou isso? Que besteira! Haha... ha. O-olha a Pansy ali na frente, vamos...

– Astoria. Eu vi a sua cara indignada, frustrada e enraivecida durante toda a aula.

– Não era por causa disso. Eu nem estava olhando pra eles!

– Certo. Já que você não quer me falar, eu vou contar pro Blásio o que EU estou achando. -Dizendo isso apressei o passo, mas logo senti meu pulso sendo puxado.

– Espera. O Blásio perguntou sobre mim?

– Claro. Só você pra achar que ele não percebeu que está ignorando ele!

– M-mas eu... Eu não estou ignorando. Eu só... -Respirou fundo, se dando por vencida- Ele que me ignora! Fica correndo atrás daquela Hermione o tempo todo! Sem falar daqueles sorrisinhos que ficam dando um pro outro nas aulas que temos com a Grifinóra! Ele que faz isso e eu que ignoro?

Agora ela estava se exaltando. E o ciúmes ficara mais evidente ainda. Tentei acalmá-la o máximo que pude antes de entrarmos na aula. Aquilo estava até engraçado.

Antes era Gina que estava com ciúmes do moreno, e agora, ela. Uma ideia me ocorreu: Nada melhor que sentar Blásio e Astoria e os deixarem conversar. Porque pelo que via o ciúmes era sem motivos, sendo que ele nem estava com Hermione. Não tinha certeza disto, mas se estivessem juntos um dos dois me contaria.

[...]

POV Autora:

As duas próximas aulas passaram horrivelmente vagarosas. Embora o inverno estivesse se aproximando, aqueles dias estavam sendo quentes e mormacentos.

Na aula vaga que tiveram antes da ceia graças a troca de horário que o professor de Poções realizara, Marine tomou seu banho e descansou, se preparando psicologicamente para a ronda noturna com Malfoy.

Sim, psicologicamente. Primeiro porque estava nervosa pela doninha quase te-la feito perder aula de propósito, e, segundo, por Malfoy nunca estar disposto a no mínimo uma conversa decente enquanto andavam pela escola, fazendo cair sobre eles um silêncio torturante, pelo menos para Marine. Não que ela tivesse necessidade de que conversassem, pois não importava se começassem a conversa falando de Júpiter, Malfoy sempre daria um jeito de chegar em como ele era perfeito e gostosão.Ela só não gostava de ficar em silêncio seguindo a doninha que parecia não notá-la ali.

Durante a ceia reparou que Astoria agora estava com os olhos grudados em Blásio, isso quando o moreno não olhava para ela a fazendo desviar o olhar. Sorriu com aquilo, pensando em como fazer para deixá-los a sós, e para isso dar certo, nada como uma ajudinha de Gina. Mas não naquele momento, pois o relógio acabara de apontar 21h/09pm.

"Hora do sacrifício". Pensou, levantando da mesa.

Se despediu de Blásio, Astoria e Pansy -essa com um sorriso meio forçado, apenas para não ser sem educação- e desceu para masmorra a espera de Malfoy.

Marine não havia visto ele direito depois da aula de Historia da Magia. O garoto estivera com a cabeça apoiada na mão durante todas as outras aulas. E também não aparecera para a ceia.

POV Draco Malfoy:

Eu estava ficando louco. Depois das aulas desci para perto do lago para esfriar minha cabeça. Não queria ouvir vozes, muito menos ver pessoas, mais especificamente: meninas.

Porra! Qual era a dificuldade em escolher uma garota pra levar? Aquilo estava sendo frustrante. Eu sou um Malfoy, assuntos daquele tipo não deveriam parecer um bicho de sete cabeças como estava sendo.

Acontece que não dava.

A Parkinson estava fora de cogitação. É claro que daria pra eu me divertir com ela na minha cama por aquela noite, mas isso só faria aquela garota grudar ainda mais em mim, e eu não estava afim de que isso acontecesse logo agora que por milagre de Merlin ela parecia estar menos obcecada.

Tinha convidado Astoria mas tudo o que ela fez foi rir, e dizer que arrumaria alguém pra eu levar, horas depois veio falando da Carter. Mas por que eu a levaria? Se bem que por mais que fosse irritante pra cacete não chegava a ser feia, e tinha umas pernas bonitinhas e um beijo razoável e...

– Porra, Draco, o que acha que tá fazendo? -Indaguei a mim mesmo, me levantando. A idiota da Carter era tão irritante que invadira meus pensamentos mesmo ali, no meu lugar preferido naquela escola velha.

Era hora de ronda, e infelizmente com nada mais nada mais (porque não dava pra ser menos) que Marine Idiota Carter.

POV Autora:

Marine já começara a tamborilar os dedos na parede úmida da masmorra, onde esperava a doninha. Essa que deu o ar da graça minutos depois.

– Malfoy, você está mais de cinco minutos atrasado! Vamos acabar perdendo pontos por isso!

– Eu não estava com suas pernas, Carter. Ficou esperando porque quis.

Como aquela doninha conseguia ser tão insolente?! Marine apenas revirou os olhos, não estava valendo a pena discutir.

[...]

Restavam apenas 6 minutos para o término da ronda, os dois começavam a descer o segundo lance da escadaria do sexto andar em direção ao Salão Comunal dos Monitores, quando Marine que já não aguentava mais o silêncio e o ar arrogante do magrelo a sua frente, indagou:

– Por que você não me avisou sobre a aula de Poções?

– Porque... vejamos. Porque eu não quis? -Respondeu com descaso.

– Malfoy, como você pode ser tão... Tão retardado e... retardado?! -Marine parou de descer as escadas, deixando as mãos em punho ao lado do corpo.

A doninha não respondeu.

– Draco Malfoy! -Ela chamou em um tom mandão e mais alto, aproveitando que tudo parecia deserto- Eu estou falando com você!

A doninha continuou descendo, e o pior, começara a assoviar. Marine continuou parada para ver se tinha limites quantidade de ignorância que podia caber em uma pessoa. O pior era que não tinha. Apenas quando Malfoy virou o corredor sumindo de sua visão que ela resolveu descer as escadas, agora, mais irritada que nunca.

Assim que completara a curva do mesmo corredor, sentiu seu braço sendo puxado e quase gritou, se não fosse pela mão que tampava sua boca, a impedindo de soltar leves murmúrios.

Começou a estapear a pessoa que estava fazendo isso, e não levou mais que três segundos para reconhecer o perfume ardente: Malfoy.

Na mesma hora se acalmou, sendo "libertada" logo em seguida. O que não adiantou muita coisa:

– Idiota. -Empurrou o peito da doninha- Imbecil. -Empurrou mais uma vez -Retardado.- Mais uma, mas havia a parede impedindo mais empurrões, então resolveu soca-lo- Filho da mãe!

Não dava mais, Malfoy a segurava pelos pulsos agora.

– Precisava ver a sua cara quando eu te puxei- Disse rindo- Foi hilário.

Marine, pelo contrário, não achara graça nenhuma.

– Seu... seu.. Arrrrgh!! EU TE ODEIO, MALFOY! -Grunhiu entre dentes, se debatendo inutilmente, pois Draco era mais forte, a mantendo presa com facilidade.

– O sentimento é recíproco, Carter. -Respondeu ele achando graça do estado da garota, agora suada e com os cabelos bagunçados.

– Me solta. -Ela murmurou, sem o encarar.

– Como é? Não entendi? -Disse, debochado.

– Eu disse pra me soltar. -Falou um pouco mais alto, agora o encarando.

Um pequeno erro. Ao encará-lo Marine deixou os olhos caírem diretamente nos lábios da doninha que esboçavam um leve sorriso e logo depois em suas orbes acinzentadas. O que fez seu coração acelerar um pouco.

– Solta, Malfoy! -Repetiu, puxando seus punhos para si, e trazendo o loiro junto.

Draco soltou um dos pulsos de Marine, levando sua mão livre até um dos vários fios que caíam sobre o rosto dela, o levantando.

Ela por sua vez continuou imóvel, agora com o coração acelerado e inalando cada vez mais o perfume da doninha.

Malfoy soltou o outro pulso, deixando a mão cair sobre a nuca de Marine, que arrepiou de imediato.

Tudo parou, pelo menos para ela. Em um instante sentia vontade de matá-lo e agora ansiava mais do que nunca pelo que viria a seguir. Um beijo talvez.

Não foi bem isso que aconteceu.

Malfoy colocou as duas mãos nos ombros de Marine.

– Você... -Sussurrou- Está muito... Muito... Descabelada.

Dizendo isso, a afastou.

A garota sentiu o sangue ferver, e balançou a cabeça negativamente, não sabia se ria ou se gritava. Decidiu apenas mostrar o dedo e virar as costas, mas novamente sentiu seu braço sendo puxado.

– Espera. -Malfoy disse, agora sério- Eu tenho uma proposta.

Notas finais
Continuem comentando, não tenham receio de criticar também! (: Beijos!