Notas iniciais
Sugiro que leiam este capítulo acompanhados de uma música de melodia "triste". Recomendo My Love da Sia, ou Heaven do The Fire Theft, ou as instrumentais: Heartbeats do Broove e Clair De Lune do Claude Debussy. Boa leitura!

POV Autora:

– Já chega de brincadeira! -Malfoy gritou ainda no escuro- Vamos seu idiota, apareça!

Aquele ambiente não lembrava ao mínimo o comunal confortável e aquecido de minutos atrás. Tudo estava escuro e frio. Draco, ainda ofegante pelos gritos, se abaixou e tateou o chão na esperança de encontrar sua varinha.

Nada.

Tornou a se levantar, quando sentiu algo tocar suas costas. Algo que lembrava uma mão fria, sem vida. O loiro se virou de súbito, segurando um grito.

De repente tudo voltou ao normal. A lareira e as velas se reascenderam. Draco caiu sentado. Ele tremia. Em questão de segundos, Padma, uma das monitoras, entrou pelo quadro.

– Merlin! O que aconteceu? -A garota exclamou ao vê-lo sentado no chão.

–Não é da sua conta, garota! -Respondeu se levantando depois de localizar sua varinha e apanhá-la.

– Só queria saber o que aconteceu pra você ter caído.

– Não aconteceu nada. — Disse irritado, dando as costas à Padma e seguindo para seu dormitório.

Ao entrar se encostou na porta, observando que Marine dormia.

– Por que eu me importaria com o que você pensa? -Murmurou como se a garota pudesse ouvi-lo- Você não muda nada na minha vida.

Embora estivesse tentando ligar o ocorrido com o que se passou na Floresta Proibida, Draco preferiu esquecer o acontecido de minutos atrás. Não era muito chegado em coisas... Sobrenaturais. Depois do banho, fez um lanche rápido pela cozinha. Isso para não ficar no mesmo lugar que Zabini e Parkinson.

Blásio, ao contrário de Malfoy, já estava indiferente em relação à esse assunto. Já Pansy parecia satisfeita, apesar de ter sido expulsa pelo loiro do Salão Comunal dos Monitores.

[...]

Marine se remexeu na cama, ao sentir alguém tocá-la.

– Marin... -Reconheceu a voz- Marine! -Hermione a chacoalhou freneticamente.

Se sentou sonolenta, sentindo a cabeça latejar. A castanha que se encontrava sentada na beira da cama, franziu o cenho.

– Por Merlin! O que aconteceu? Você está cheia de olheiras!

Realmente estava. Isso acontecia sempre que chorava antes de dormir, e além das olheiras, vinha a dor de cabeça.

– E-eu...

– Você não apareceu para o lanche. Não apareceu para a ceia, ninguém te achava pela escola! -A castanha agora andava de um lado para o outro, gesticulando- Onde se meteu?! O que aconteceu, Marine?!

– Hermione! -Marine gritou, chamando a atenção da menina para si- O que faz aqui? -Hermione a encarou parecendo ofendida- Não foi isso que quis dizer, eu...

– Tudo bem. Olha, se arrume, daqui a meia hora temos aula. E no almoço vamos conversar! -Advertiu, saindo do dormitório.

Marine bagunçou os cabelos. Só então se deu conta de que a doninha não estava em sua cama. Havia dormido das 18h/06PM do dia anterior, às 07:30h/AM daquele dia. Treze horas sem comer e sem beber.

Sua cabeça latejava fortemente. Se espreguiçou. Então caiu a ficha.

Era segunda-feira. Sua segunda semana em Hogwarts havia acabado de começar.

Como num flesh toda a primeira semana passou em sua frente.

A seleção de casas.

Malfoy a encurralando no Comunal da Sonserina.

A festa e o menino sumido com o qual ficou, sem ao menos saber o nome.

O beijo com a doninha na Torre Norte.

A detenção com a doninha, na qual ficou em seu ombro apenas de calcinha, e o acontecido com o centauro morto.

Escolhida como monitora.

O segundo beijo com a doninha no dormitório. Esse que quase passou para a segunda fase que um beijo pode levar.

A briga com Pansy por causa da doninha. A briga com a doninha por causa dos grifinórios.

Tudo isso em apenas sete dias. Doninha. Doninha. Doninha. Na maioria das vezes Malfoy estava envolvido. Talvez se ela se afastasse dele, tudo ficaria melhor.

Ou não...

Marine chacoalhou a cabeça, ato que a fez doer mais ainda.

– Semana nova. Vida nova. -Murmurou à si mesma enquanto pegava o uniforme e seguia para o banheiro- Vamos esquecer o que aconteceu. Faz de conta que hoje é o meu primeiro dia em Hogwarts. -Após dizer isso riu pelo nariz. Estava falando sozinha, e em voz alta.

Tomou um banho rápido e se vestiu. Quando penteava os cabelos viu que realmente seu rosto estava horrível. Seus olhos estavam fundos e cheios de olheiras, sua boca estava sem cor... Saiu do banheiro e voltou minutos depois com a varinha.

Com apenas um aceno, aparentava ser outra pessoa. Seus olhos castanhos estavam brilhosos, seus lábios estavam rosados. Era quase imperceptível algum sinal de choro, ou dor.

Embora emocionalmente estivesse... cansada.

Pegou os materiais e desceu para o Salão Principal. Ainda em pé, virou um copo de suco de abóbora, não havia tempo para sentar. Assim que bateu o copo em sua mesa, o sinal foi ouvido. Suspirou, e, contrariada, foi ao encontro de Dolores Umbridge.

DCAT era uma das matérias mais importantes, senão a mais. Mas com uma professora como Dolores, se tornava insuportável. Na semana anterior descobrira que a professora fora contratada pelo Ministério da Magia. O porquê, era desconhecido. Pelo menos por Marine.

Depois de mais uma aula baseada em livros e teorias, pois segundo Umbridge "Não existe nenhum perigo fora de Hogwarts", Marine, juntamente com os alunos de sua casa seguiu para outras duas aulas. Poções e Herbologia.

Aquela parte da manhã havia sido calma. Durante a aula de DCAT, Hermione a mandava olhares óbvios do tipo: "Conversaremos depois". Malfoy parecia alheio à tudo e à todos. Não fez brincadeiras idiotas, não a provocou, sequer olhou em sua direção. Marine passou as três aulas ao lado de Astoria. Conversavam banalidades quando os professores não estavam explicando ou rondando pela sala.

O dia havia começado bem. Sem confusões, sem chateamentos. Ao término da última aula da manhã, Marine subiu com Hermione ao Salão Comunal dos Monitores.

POV Hermione:

Depois do pequeno "desentendimento" no Jardim , Marin sumiu. Até mesmo Blásio veio me perguntar se eu sabia onde ela estava. Desconfiei que estivesse no seu dormitório, mas hesitei ao entrar no comunal e encontrar a doninha no sofá.

Assim que amanheceu minha preocupação aumentou mais ainda, ao ver que ela não descia para o café. Pedi ao Harry o Mapa Do Maroto e graças à Merlin, ela estava realmente em seu dormitório. Como Malfoy já havia saído do comunal, não hesitei em entrar.

Marine estava com a expressão totalmente abatida. Como estávamos atrasadas para a primeira aula "avisei" que conversaríamos no almoço. Não gostava de usar um tom mandão com outras pessoas, mas as vezes era preciso.

Ao término da terceira e última aula da manhã, a esperei sair de sua aula e a puxei para o Salão Comunal dos Monitores. Caminhamos em silêncio até lá.

– Então? -Murmurei assim que entramos em seu dormitório.

– Espera. -Disse caminhando até a porta e colocando a cabeça pra fora- Só pra garantir...

– Está vindo alguém? -Indaguei sentando em sua cama.

– Não. -Caminhou até mim e sentou em minha frente, sacando sua varinha- Abaffiato. -Murmurou, ri.

– Não precisa de tudo isso, Marin. O máximo que pode acontecer é...

– O Malfoy entrar aqui. -Me interrompeu, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso irônico. Ri mais uma vez.

– O que aconteceu ontem? -Perguntei um tempo depois, quebrando o silêncio.

– Nada de mais eu só... Ah, quer mesmo falar sobre isso? -Parecia inquieta e triste, embora tentasse -sem sucesso- disfarçar.

– É o que eu mais quero. Você chorou Marin, ninguém chora a toa!

– Como sabe que eu chorei? -Indagou me encarando- Q-quer dizer, eu...

– Olheiras não aparecem do nada.

– Droga. -Riu pelo nariz, negando com a cabeça.

– E então? -Perguntei mais uma vez. Marine suspirou.

– Primeiro, preciso te contar uma coisa... Duas na verdade. Não. Três.

– É melhor começar. -Falei serena.

POV Autora:

Marine suspirou novamente. E então depois de hesitar e pensar por alguns segundos,contou. Contou dos beijos com Draco. Contou das discussões. Contou tudo, nos mínimos detalhes. Desde o primeiro dia na escola, até a noite anterior, quando o encontrou com Pansy.

Desabafou completamente. Hermione a ouviu atenta, sem interromper uma única vez, sem esboçar emoção alguma. Mas por dentro queria gritar. Não como Gina gritaria. Apenas gritar enquanto destruía Malfoy.

Quando Marine terminou, estava com os olhos marejados. Olhou para cima, na intenção de conter aquelas lágrimas que insistiam em embaçar sua visão.

– Ei... -Hermione murmurou. Assim que Marine a encarou, sentiu duas linhas finas e úmidas traçarem seu rosto- Tudo bem...

Mal esperou a castanha terminar de falar, correu para o colo da colega -agora amiga- e chorou novamente. Chorou por raiva. Chorou por ter dividido isso com alguém. Chorou por alívio em saber que não estava sozinha.

Ficaram por um bom tempo daquele jeito. Em silêncio.

Uma hora ou mais. Duas, três...

Depois de um certo tempo, Hermione já sentia suas costas e pernas doerem. Se sentiu egoísta por pensar daquela forma enquanto havia alguém se derramando em lágrimas em seu colo, mas não estava com a mínima saudades de Madame Pomfrey.

Marine que ainda se encontrava com a cabeça em seu colo, tinha a respiração tranquila, parecia ter dormido.

– Marine? -Hermione passou as mãos pelos cabelos da menina, os tirando de seu rosto. Alguns fios teimaram em se desgrudar por conta das lágrimas secas- Marin?

– Ah... Desculpe... -Marine se sentou, passando a mão pelo rosto inchado.

– Não tem que se desculpar. -Hermione sorriu- Olha, por que não lava o rosto, enquanto eu pego alguma coisa pra gente comer?

– Tudo bem. -Sorriu fraco..

Minutos depois a castanha estava de volta com uma bandeja. Marine havia trocado de roupas, e aparentava estar um pouco melhor, embora em seu rosto ainda se via vestígios de choro.

As duas se sentaram no tapete, comeram e beberam em silêncio. Aquela estava sendo uma tarde estranha. Estranha demais para uma manhã que havia começado "bem".

– Marine, é chato, mas... -Hermione começou sem graça.

– Não, tudo bem. Quando antes eu tentar esclarecer isso, melhor.

– Você... Está gostando do Malfoy? -Ao ouvir o nome do garoto, Marine estremeceu, não sentiu vontade de chorar, apenas estremeceu.

– Eu não sei. Não posso estar gostando dele. Não... Não. -Repetiu baixo, negando com a cabeça- Você acha que sim?

– No começo parecia ser apenas atração física. Mas depois do que a cena dele com a... Pansy, te causou, eu não tenho certeza. -Franziu os lábios- O que você sentiu exatamente?

– Não sei. Raiva, talvez. Raiva, nojo... Por um momento me senti traída, mas então eu vi que aquelas duas vezes que ficamos... Não significaram nada. Não tinha o por que de eu me sentir traída. Foi apenas... beijo. Não é? -Marine encarou a castanha, esperando uma resposta.

– Não sei, não estava junto... Ainda bem. -Disse rindo. Marine riu, corando.

– É eu sei, desculpe. É só que...

– Pare de se desculpar. Por mais que a doninha seja... A doninha... -Hermione pareceu hesitar- Bem, ele ainda é um menino.

– Mas ele é tão estúpido, tão ignorante! Eu não posso gostar dele! Ele nem se quer gosta de mim como colega! Nós não nos suportamos!

– Bom, não é porque "não se suportam" -fez aspas com os dedos- significa que não podem se amar um dia...

– Amar? -Marine levou o copo com um restinho de suco até os lábios, e demorou para desce-lo- Quem disse que eu pretendo? -Limpou a boca com o guardanapo.

– Se já não está... -Hermione murmurou contendo um sorriso.

– Hermione! -Gritou Marine, a jogando o guardanapo- O máximo que isso pode significar é... Atração física. -Corou.

– Se você diz... -Riu- Está melhor?

– Sim. Muito. Obrigada, mesmo. Talvez nem seja isso. Talvez eu só precisasse desabafar. -Sorriu.

– Tudo bem. -Disse se levantando- Sempre que precisar pode chamar, eu vou estar...

A porta do dormitório foi aberta e Malfoy entrou jogando seus materiais em sua cama.

– Que merda é essa? -Indagou ao ver Hermione.

– Então, MIONE. -Marine disse se levantando ao ver que Hermione estava prestes a responder à doninha- Obrigada, por tudo, depois conversamos mais. -Sorriu, guiando a castanha até a porta.

Malfoy revirou os olhos e se jogou na cama.

– Você gosta de me provocar não é mesmo, Carter?

– Posso saber o que eu fiz? -Perguntou sem encará-lo, enquanto juntava os copos e pratos na bandeja os deixando encima de seu criado mudo.

– Não se faça de tonta! O que a sangue-ruim da Granger estava fazendo aqui?

– Se quer mesmo saber, estávamos conversando. -O encarou- Por mais que não goste, Malfoy, ela é minha AMIGA. E se você não tem capacidade de manter uma amizade por puro PRECONCEITO, não pense que sou como você.

O garoto a fitou sério por alguns instantes, mas logo depois soltou uma risadinha fria, a fazendo perder a pose.

– Carter, Carter... -Se levantou, caminhando até parar em frente a ela- Você é tão bobinha... -Pegou em seu queixo, a fitando com um sorriso cínico.

– Tira a mão! -Afastou as mãos do loiro agressivamente, Malfoy tirou o sorriso dos lábios, dando lugar à uma expressão raivosa — Se eu fosse você, conversaria com Blásio. Ele é o único que te atura por aqui.

– É mesmo? -Indagou com sarcasmo, cruzando os braços- Pena que você não é. -Sorriu, deixando Marine nervosa.

– Malfoy... -A garota se virou pegando a bandeja, e ao encará-lo respirou fundo, fechando os olhos e os abrindo vagarosamente- Ele gosta de você. É seu amigo.

– É claro. E quem não gosta? Não é mesmo, Carter? -Sorriu novamente. O coração de Marine acelerou, mas logo revirou os olhos, bufando.

– Desisto, Malfoy. Quer ficar sozinho, fique.

Saiu do dormitório, esbarrando propositalmente no garoto, como ele fazia com ela inúmeras vezes.

No comunal encontrou Paul, o monitor chefe. O garoto sorriu, Marine sorriu de volta.

Desceu até a cozinha. Um longo caminho. Embora tivesse dormido por todo aquele tempo, ainda se sentia cansada. Talvez pelo fato de ter chorado "litros".

Depois de ter desabafado com Hermione sua "aflição emocional" diminuiu bastante. É claro que ainda estava confusa. Mas muito mais tranquila.

Quando passava pelo corredor do terceiro andar, voltando para o comunal, avistou de longe o menino misterioso. Estava de costas, mas o reconheceu. Caminhou até ele lentamente, e ao se aproximar, tocou suas costas.

O menino se virou subitamente.

– Ah...

– Primeiro! -Marine falou, colocando seu dedo indicador sobre a boca do garoto- Qual seu nome?

– Mfmgm -Murmurou ele. Rindo, ela tirou o dedo.

– Pode falar.

– Oi. -Ele riu- Precisa mesmo saber? — Aproximou lentamente seu rosto com o de Marine. A menina recuou, assustada.

– Sim. Preciso. -Disse séria- Olha, conversamos bastante aquele dia. Ficamos... Você fugiu de mim esse dias atrás...

– Math. -A interrompeu.

– Math? -Indagou arqueando uma sobrancelha.

– É tudo que posso dizer. -Franziu os lábios.

Marine sentiu uma pontinha de desconforto. Se deu conta de que estava ficando parecida com os sonserinos cobrando o sobrenome do menino. Sim, ela era uma sonserina, mas não queria assumir o jeito prepotente que a maioria deles tinham.

– Certo. -Riu sem-graça- E...

– Está fazendo muitas perguntas, mocinha. -Sorriu, apertando o nariz de Marine, que corou.

– Mas eu gostei de você e... -Uma certa "luz" invadiu o cérebro da garota- Ah Merlin! Me desculpe. Eu paro de te encher. Nunca mais faço isso. Tchau. -A cada palavra o som ia sumindo. Tanto que o "Tchau" se tornou quase inaldível.

"Eu posso ter gostado dele, mas ele não gostou de mim." Esse pensamento martelava na cabeça de Marine enquanto ela começava a se afastar, cabisbaixa e envergonhada. Mas logo sentiu uma mão segurando seu braço.

Math a encarava confuso. Porém seu olhar transmitia serenidade.

– Não é isso, eu também gostei de você. -Pareceu ter escutado os pensamentos da garota- É só que... Não quero que se machuque.

– Mas eu não est...

– Literalmente. -A interrompeu, soltando seu braço. Antes o que era sereno, se transformou em um olhar de medo, tristeza.

– Está acontecendo alguma coisa? -Marine indagou preocupada, pegando em sua mão.

– É complicado... -Hesitou por alguns segundos- É melhor nos afastarmos. Não nos falarmos nunca mais.

– Math! -Marine falou indignada- Isso é...

– Por favor! -Suplicou, segurando agora em seus dois braços- Por...Favor.

Aproximou-se lentamente. Dessa vez Marine não recuou. O garoto selou seus lábios com os dela por alguns segundos, esses, que pareceram minutos. Uma de suas mãos saiu do braço da garota e subiu para sua face, a acariciando carinhosamente.

Assim que se separaram, Math depositou um beijo sobre a testa de Marine. ainda segurando seu rosto.

– Adeus. -Sussurrou, se afastando em seguida.

POV Marine:

O que foi aquilo? Eu deveria chorar? Gritar? Me espernear?

Fiquei parada ali por alguns minutos. Não sabia o que fazer. Toquei meus lábios com a ponta dos dedos tentando relembrar as sensações dos últimos minutos. Aquilo foi um beijo... Fraternal. De despedida. Foi como se eu o conhecesse por longos anos e não o veria nunca mais.

Chacoalhei a cabeça e voltei ao comunal.

– Chega de confusões por hoje. Chega de confusões. -Repeti à mim mesma. Se ele havia falado para nos afastamos. Nos afastaríamos. Não queria mais um motivo para choro.

Cheguei ao Comunal dos Monitores e peguei um livro qualquer para ler. Malfoy saiu do dormitório minutos depois. Sequer olhou em minha direção. Agradeci mentalmente. Logo depois retornou, com um envelope em mãos. Ao ver aquilo, me lembrei da carta que meus pais haviam me mandado.

Merlin! Como eu era desnaturada! Na pura ansiedade, corri para dentro do dormitório.

A doninha estava lendo o que quer que fosse em seu pergaminho recém-chegado, ignorando completamente minha entrada afobada no quarto.

Peguei a pequena caixa de madeira e me joguei na cama. A abri, retirando o envelope.

Logo de cara reconheci a letra de mamãe.

"Londres ,

Oi meu amorzinho!

Primeiramente, PARABÉNS!! Sonserina é uma ótima casa! -Segundo seu pai, até melhor que Grifinória, mas é claro que sabemos que ele só diz isso porque pertenceu à Sonserina.- Contudo, parabéns mais uma vez, estamos totalmente orgulhosos!

As coisas por aqui estão ótimas! Vovó está muito melhor comparando a quando chegamos. Até mesmo te mandou alguns presentes, esperamos que tenha gostado também do perfume -eu e seu pai ajudamos a escolher-.

Que ótimo que fez amigos, meu amorzinho! Cuide bem deles, haha! Caso esteja com algum namoradinho até lá, traga-o para passar o Natal conosco! ;-)

Sim, como dissemos, Hogsmeade é um ótimo lugar!

Se divirta bastante, mas não deixe de estudar e ficar longe de encrencas!

Não deixe de escrever.

Beijos , te amamos!"

Terminei de ler a carta e não conseguia tirar o sorriso do rosto. Minha família com certeza me fazia um bem enorme. Coloquei o pergaminho na primeira gaveta do criado mudo, e fechando a caixa a deixei na última gaveta.

Me deitei, suspirando em um ato de alívio e felicidade.

– Namoradinho, Carter? -A doninha perguntou sem me encarar.

– Não. -Respondi seca. Segundos depois me encarou. Suspirei.-Famíla, Malfoy.

O loiro apenas arqueou as sobrancelhas, voltando a atenção à seu pergaminho.

– E a sua? -Indaguei algum tempo depois, quebrando o silêncio.

– Como? -Me encarou.

– Sua carta. -Apontei para o pergaminho em suas mãos.

– O que tem? -Arqueou uma sobrancelha.

– Malfoy! -Bufei, revirando os olhos- É de quem?

– Pap... Meu pai. -Se corrigiu.

Sério que ele chamava o pai de papai? Ok, eu também chamava, mas a doninha?

– Malfoy... -O chamei, como não respondeu, deixei por aquilo mesmo, não estava afim de mais discussões..

– O que é? -Indagou minutos depois, me assustando.

– O Dumbledore... Ele... Sobre a Floresta Proibida...

– Não. -Respondeu sem delongas. Se levantou em seguida, indo para o banheiro.

Aquela havia sido o mais próximo de uma "conversa civilizada" que havia tido com Malfoy desde então. Escutei o barulho do chuveiro sendo ligado, e relaxei na cama.

Desde que Hagrid disse que conversaria com Dumbledore a respeito do acontecido na floresta, não o vimos mais. Já o diretor parecia não se lembrar. Ainda na noite que fomos à sua sala, quando nos tornamos monitores, não demonstrou sinal algum.

Malfoy parecia não se preocupar, ou não se importar. Talvez pelo fato de seu pai -como Blásio havia me contado- fazer parte do Conselho Diretor de Hogwarts, e informá-lo de tudo. Ou não.

Deixei esse assunto de lado por um tempo e retornei ao comunal para continuar a ler o livro que havia começado.

[...]

POV Autora:

Marine passou o dia todo dentro do Salão Comunal dos Monitores, se não em seu dormitório. Havia perdido a noção da hora, e só a recobrou quando Hermione a chamou para jantar.

Ceiou com Blásio e Astória. Pansy também estava com eles, porém permaneceu alheia. Mais que Draco, esse que dava alguns palpites na conversa de vez em quando.

Às 21h/09PM Marine, Malfoy e outros monitores,subiram ao seu Salão Comunal para a "reunião" na qual seriam distribuídos os horários.

Como eles eram apenas Monitores, fariam a ronda das 21h/09PM às 22h/10PM. E no horário livre das manhãs e tardes.

Os escalados para aquela noite foram os monitores da Grifinória, Hermione e Ronald.

Marine e Draco seriam os próximos, para o dia seguinte.

Notas finais
:'( Fase ruim. Será que essa "conversa civilizada" é a primeira de muitas? Os reviews subiram! Obrigada! Beijos!