Notas iniciais
Boa Leitura!

POV Marine:

Depois do ocorrido no corredor, passei o dia todo pensando no Malfoy. Eu estava me sentindo confusa em relação aos meus sentimentos. Queria de todo jeito, tirar ele da minha cabeça e fugir do que eu pensava estar começando a sentir. Mas não conseguia.

Almocei com Blásio, Pansy e Astoria. Malfoy não apareceu. Como era sábado vários alunos foram à Hosmead, eu estava cansada, tanto fisicamente quanto... Emocionalmente. Então acabei por não ir. Passei o resto do dia na cama, não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Não dormi, apenas fiquei deitada, pensando. Lembrei de quando fiquei com a doninha na torre, do seu toque. "Merlin, tão quente!!" pensei sorrindo...

– Droga! Merda! -Me sentei na cama esfregando os olhos- Isso-Não-Pode-Acontecer! -Murmurei batendo a cabeça contra minhas mãos. Olhei no relógio, eram 17:02h/05:02PM, decidi tomar um banho, afinal eu ainda vestia a roupa que usei pra ir à Floresta Proibida.

Saí do dormitório, não havia ninguém no comunal e a mesma coisa pelos corredores do Salão, não literalmente, é lógico que haviam pessoas pelo castelo, mas no caminho até o banheiro, avistei no máximo umas doze.

Depois do banho passei um creme pelo corpo todo, minha pela estava ressecada por conta da terra da floresta. Vesti um vestido soltinho que ficava um pouco acima do joelho e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo meio de lado, o dia ainda estava um pouco calorento. Escovei os dentes e peguei minhas coisas, saindo do banheiro.

Passei no dormitório e deixei as coisas lá, caminhava em direção ao jardim quando vi o garoto da Festa da Sonserina perto da saída, ele estava sozinho e parecia preocupado.

– Oi! -Falei me aproximando. Ele me encarou assustado, ficando reto. Fitou meu rosto por algum tempo, até parecer acordar.

– Ah, olá! -Respondeu, sorrindo meio sem-graça.

– Não lembra de mim, não é? -Perguntei franzindo os lábios.

– Lembro sim, você é a menina da festa, a que... Eu b... Nós...

– Eu mesma. -Falei rindo da confusão dele.

– Desculpe, é que eu não... Eu não levo jeito pra falar dessas coisas. -Sorriu de lado.

– Não, tudo bem... -Sorri- Está bem?

– Estou e você?

–Bem... -Droga, o assunto estava acabando, ele parecia diferente na festa- Por que não foi à Hogsmead?

– Eu não estava muito afim, você foi? -Se eu estou aqui, claro que não, duh.

– Não... -Shit! Parecia que ele estava meio lerdo. Olhei para o lado em busca de algum assunto e nesse instante Malfoy passou em direção ao Salão Principal. Nossos olhares se cruzaram e logo o olhar dele caiu sobre o menino com qual eu estava conversando, olhou pra mim novamente e sumiu depois da parede.- D-de que casa você é?! -Perguntei de súbito, ainda olhando na direção onde a doninha havia passado.

– E-eu... Eu tenho que ir! -Voltei a encará-lo e ele estava nervoso- Eu tenho que ir, tchau Marine. -Saiu andando rapidamente para a direção oposta de Malfoy.

– Tchau... -Murmurei, então um ponto claro pairou sobre minha cabeça- Ei! Como sabe o meu nom... -Não terminei de "gritar" ele havia sumido do corredor- Estranho. -Realmente estranho, não me lembrava de ter dito o meu nome à ele.

Por um impulso decidi seguir a doninha, eram 17:44h/05:44PM e os alunos ainda não haviam chegado de Hogsmead, e isso, indicava que ele não havia ido também. Caminhei rapidamente em direção ao Salão Principal, olhando pra trás pra me assegurar de que não estava sendo seguida.

"O que ele estava aprontando todo esse tempo? Será que sabe alguma coisa sobre o que aconteceu hoje?" Pensei, enquanto ia para o salão. "Ele sumiu desde..." Meus pensamentos foram interrompidos quando vi a cabeleira loira de Malfoy descendo a escada que dava acesso ao corredor do comunal da Sonserina.

Esperei um tempinho pra descer, afinal o corredor era longo e eu não queria deixar na cara que estava seguindo-o. O Salão Principal tinha algumas pessoas, poucas, umas vinte e três, naquela imensidão. "Já deu tempo" pensei indo em direção à escada. A desci vagarosamente e assim que fiz a curva, vi a doninha entrar no comunal. Apertei os passos até chegar na passagem, respirei fundo e entrei.

– Me seguindo, Carter? -Assim que pus os pés no salão, Malfoy indagou me assustando.

– E-eu não... -Droga! Sem gaguejar!- Não, por que eu te seguiria?

– Porque você não consegue ficar longe de mim. -Respondeu com aquele sorrisinho convencido, se sentando em um dos sofás.

– Nada convencido. -Falei, tentando parecer calma.

– Vai ficar parada aí me encarando? -Perguntou erguendo uma sobrancelha. Eu realmente o encarava, reparei que seus cabelos estavam bagunçados,sua camiseta amassada e ele tinha marcas de batom no pescoço...

– Malfoy, o que você ficou fazendo todo esse tempo? -Perguntei me aproximando, ele agora folheava um livro com desinteresse.

– Não é da sua conta, Carter. -Respondeu sem me encarar- Por que quer saber?

– Por Merlin! Você estava com uma menina?

– E se eu estivesse? Algum problema? -Jogou o livro de lado, me fitando.

– Depois do que aconteceu hoje você ainda tem coragem de ficar transando por aí?! -Minha voz se alterou enquanto ele assumia uma expressão curiosa.

– O que é? Acha mesmo que eu estou ligando pra o que aconteceu? Estou pouco me fodendo. -Disse rindo, se aproximando da porta de seu dormitório.

– Malfoy! -Me encarou- Como você consegue ser tão... Ridículo?!!!

– Ridículo? Quem pensa que é pra falar assim comigo? -Se virou ficando de costas para a porta- Ridícula é você, Carter!

– Eu não fico transando pela escola enquanto tem algo perigoso acontecendo lá fora!

– EU NÃO BEIJO AS PESSOAS DE PROPÓSITO! -Gritou, mas logo percebeu o que tinha dito. Demorei pra entender, mas então me lembrei da Festa da Sonserina.

– EU SABIA! -Falei rindo nervosa- VOCÊ SÓ BEIJOU AQUELA MAGRICELA POR QUE EU FIQUEI COM O MENINO!

– COMO É? -Forçou uma risada- VOCÊ QUE BEIJOU ELE DE PROPÓSITO ACHANDO QUE IRIA ME IRRITAR!

– QUAL É A SUA MALFOY? NEM TUDO GIRA EM TORNO DE VOCÊ! SEU ARROGANTE! -Falei me aproximando, o encarando com fúria. Como ele conseguia ser tão egocêntrico?

– CONFESSA, CARTER É MAIS BONITO! -Riu debochado.

– NÃO TENHO NADA PRA CONFESSAR -Caminhei até parar em frente à ele- JÁ VOCÊ... NÃO PASSA DE UM...

– De um? -Me encarou, irônico.

– D-de... -DROGA! Ele sempre me deixava nervosa.

–Te deixo nervosa, Carter? -Falou rindo.

– Não! -O encarei- SUA... DONINHA OXIGENADA. — Malfoy assumiu uma expressão de ódio no mesmo instante- O que foi, doninha? -Indaguei rindo.

– Não me provoca, garota! -Disse entre dentes, apontando o dedo na minha cara.

– Doninha. Furão. Texugo. -Falei sorrindo e dando um tapa em sua mão. Estranhei quando ele ao invés de me xingar, apenas sorriu maroto.

– Não esta mais nervosinha? -Aproximou seu rosto do meu- Carter... -Sussurrou meu nome, me fazendo estremecer. Seus olhos cinzas e frios me penetraram- Sei que te deixo nervosa.

Droga! Ele estava perto demais, enquanto eu o encarava com os lábios entreabertos ele mantinha o sorrisinho cínico.

– N-não... -Gaguejei- Doninha loira... -Cerrei os olhos. O sorriso sumiu, uma expressão séria tomou seu rosto

– Você, Carter... -Murmurou ficando reto, e como era mais alto me olhando de cima, com o olhar arrogante de sempre.

– Eu o que, Malfoy? -Cruzei os braços levantando uma sobrancelha, ah como eu adorava provocá-lo.

– Não me provoque. -Falou sério.

– E se eu não estiver afim? -Sorri sarcástica. Porém, me arrependi no instante seguinte quando ele me puxou pela cintura, fazendo meu corpo colar ao seu. Descruzei os braços tentando empurrá-lo mas sem sucesso, ele era mais forte- M-me solta, Malfoy...

– E se eu não estiver afim? -Me imitou, sorrindo. Ah meu Merlin, o que era aquilo? Aquelas mãos firmes me apertando contra ele, aquela barriga durinha, o calor do seu corpo... Droga, não!

– Me solta! -Repeti tentando me desvencilhar.

– Não vai rolar, Carter. -Riu, e que sorriso perfeito. Me senti errada por no fundo estar gostando daquela situação, mas não poderia demonstrar isso à ele de maneira alguma. Tive uma ideia, sorri.

– Malfoy... -Deslisei as mãos, as subindo de sua barriga até seu peitoral, e que peitoral... CONCENTRA! — Me... SOLTA! -Apertei seus mamilos o fazendo gritar e aproveitando para me afastar dele.

– Aaaghhrr! -Grunhiu- VOCÊ ME PAGA, CARTER! -Ri com aquela cena, a doninha entrou no dormitório e bateu a porta com força, me joguei no sofá ainda rindo.

POV Draco:

Depois que evitei que a novata apanhasse, fui para o jardim. Não que eu iria me importar caso a menina de fato batesse nela. Só não queria ela me culpando por isso, então resolvi me precaver e "ajudar", mesmo sendo fã de briga entre mulheres. Ainda mais por minha causa.

Fiquei um bom tempo com Crabbe e Goyle no jardim, embora eles não passassem de dois gordos estúpidos eram bons em zoar as pessoas, e isso me divertia. Deveriam ser umas três e pouco quando segui para a margem do Lago. Era o único lugar que me fazia bem naquela escola, depois da Sala Precisa. Poucas pessoas tinham coragem de ir lá sem algum professor ou supervisor por perto. E as que iam, não me incomodavam. Então de vez em quando passava um tempo pelos arredores.

Passaram-se algumas horas e eu ainda estava deitado lá de olhos fechados, quando sinto alguém sobre mim. Abri os olhos e vi Pansy sentada em minha cintura com uma perda de cada lado. Se abaixou e começou a beijar meu pescoço.

– Draquinho...

– Pansy, sai de cima de mim. -Respondi tentando levantar, mas ela empurrou meu peito.

– Eu quero você Draquinho -Falou com uma voz enjoada.

– SAI, PARKINSON! EU NÃO TE QUERO! -A empurrei fazendo-a cair de lado e me levantei rapidamente.

– Vai dizer que você não quer repetir oque fizemos ano passado? -Se aproximou pegando no meu pescoço.

– Não, não quero. -Tirei a mão dela de mim e saí andando.

– Draquinho, volta, Draquinhooo!

– Vai se foder, Parkinson! -Mostrei o dedo sem olhar pra trás.

Aquela garota não me deixa em paz. Embora eu nunca recusasse sexo, não queria que ela ficasse mais grudada em mim. Aquilo me enjoava.

Caminhei lentamente até entrar no castelo, e quando entro, vejo a novata quase se esfregando no menino que ela beijou de propósito na festa, como se fosse me irritar. Ela percebeu que eu estava olhando, então decidi continuar em frente. Desci para o comunal e alguns segundos depois ela entrou.

A provoquei perguntando se estava me seguindo e vi que ficou nervosa. Começamos uma discussão até que ela além de dizer que EU quis provocá-la na festa, me chamou de "doninha oxigenada", e ainda me perguntam o por que de eu não querer que ela ande com aqueles grifinórios imbecis. Ela estava muito à vontade pra uma novata.

– Não me provoque. -A avisei em um certo ponto.

– E se eu não estiver afim? -Sorriu sarcástica. Ali estava o momento perfeito pra abaixar a bola dela. A peguei pela cintura fazendo seu corpo ficar junto ao meu. Sempre que fazia isso com as garotas, acabavam se entregando. Não que eu quisesse a novata, só queria mostrar que ninguém meche com um Malfoy- M-me solta, Malfoy... -Gaguejou.

– E se eu não estiver afim? -A imitei sorrindo, deixando-a nervosa.

– Me solta! -Repetiu.

– Não vai rolar, Carter. -Falei rindo da cara dela. Então de repente ela sorriu, relaxando. Fiquei sem entender.

– Malfoy... -Deslisou as mãos, subindo da minha barriga até meu peitoral. Confesso que ela tinha um toque leve, bom...- Me... SOLTA!

Aquela desgraçada tinha apertado meus mamilos e assim que eu me encolhi com a dor ela se soltou. Entrei no dormitório batendo a porta com força e a escutei rindo. — Filha da... -Levantei a camiseta e meus mamilos estavam avermelhados.- Desgraçada!

Aquela novata ia me pagar por isso, ah se ia. Peguei minhas roupas e fui para o banheiro, ela não estava mais no comunal-pra própria sorte, porque se eu trombasse com ela não perderia tempo em derrubá-la no chão duro-. Precisava tirar o cheiro da Parkinson de mim, se bem que agora tinha o perfume da Carter também e mesmo odiando confessar, o cheiro dela era bom. Mas depois do que aprontou, tudo o que quero é me vingar. Menina estúpida!

Tomei meu banho e assim que estava me aproximando do Salão Principal, vejo Carter com a Weasley fêmea. Fiz questão de passar entre as duas, esbarrando-me nelas.

– Ai, Malfoy! -A novata reclamou.

– Quem manda não olhar por onde anda? -Me virei sorrindo sarcástico- Ou melhor, com QUEM anda. -Encarei a cabeça de cenoura. A Weasley me mostrou o dedo, fazendo Carter rir. As encarei com desprezo e continuei meu caminho até Zabini, que havia acabado de chegar.

– Fala Draco. -Me cumprimentou com um soquinho no ombro- O que ficou fazendo esse tempo todo sozinho por aqui?

– Não te interessa, Zabini. -Respondi nervoso.

– Qual foi cara? O que te deixou nervosinho? -Me encarou incrédulo- Deixe-me adivinhar: Pansy?

– Não... Quer dizer, também. Mas a causa maior é a idiota da Carter. -Seguimos para o comunal.

– Marine? Tem certeza? Ela é tão gente boa e... -O encarei sério- Ok, sei que você não gosta dela tanto quanto eu, mas o que foi agora?

– Deixa quieto. -Falei tentando parecer calmo, não estava nem um pouco afim de explicar a história da festa- Dou meu jeito. Aliás não sou qualquer um, sou Draco MALFOY. -Zabini revirou os olhos.

– Ok. -Respondeu desinteressado- Ta sabendo alguma coisa do comunicado de hoje?

– Que comunicado?

– O que a McGonagall citou na ida para Hogsmead. -Levantei uma sobrancelha- É... Esqueci que não foi. Enfim, ela disse que hoje haverá um comunicado na ceia.

– Que ótimo. -Falei sem ânimo, realmente odiava esses "comunicados". Entramos no Salão Comunal. Ainda eram 18:45h/06:45PM, não havia muita gente por lá, o que me deixou satisfeito. Zabini foi tomar banho, então resolvi dormir um pouco, até a hora da ceia.

POV Marine:

A doninha entrou nervosa no dormitório, continuei rindo.

– Desgraçada! -O ouvi gritando lá de dentro, ele realmente estava nervoso.

Corri pra fora do comunal, antes que ele resolvesse me atacar.

Andava sorridente pelo Salão Principal, quando avistei Gina e Luna de longe. Corri até elas.

– Ginny! Luna! -Exclamei passando o braço em volta delas.

– Marin! -Falaram ao mesmo tempo, sorrindo- Como está? -Luna indagou.

– Bem, e vocês?

– Também! -Respondeu a ruiva.

– Mais ou menos. -A loira falou em um tom baixo.

– Por que? -Perguntei. Gina soltou um risinho.

– Os Ogigolinos comeram todas as beterrabas que eu tinha separado para os Sactis Dirigíveis. -Encarei a ruiva que tentava não rir alto.

– Pensei que os Ogigolinos só comiam tomates. -Falei, tentando parecer entendida dos assuntos de Luna.

– Eu também, até hoje. -Disse ainda desanimada. Segurei o riso.-Vou tomar meu banho, vejo vocês na ceia.

Antes que eu e Gina pudéssemos dizer algo, Luna saiu saltitando. Embora ela estivesse triste, ainda conseguia estar feliz. Isso ficou confuso, mas era verdade.

– Agorameconta! -A ruiva falou rápido, pegando nos meus pulsos e me encarando animada.

– Contar o que Ginny? -Indaguei rindo do jeito dela.

– Sparty e detenção com o Draco! Como foi? O que aconteceu? Me contaaa!

– Calma! -Ri mais ainda- Não tem nada pra contar... -A ruiva me lançou um olhar de "Aham, sei."- Ok, ok. Vamos sentar primeiro, já estou cansada de ficar de pé!

Gina me puxou para a mesa da Grifinória. Como ainda eram 18:20h/06:20PM, não haviam muitas pessoas no salão. Depois dela insistir mais um pouco, contei sobre Vítor e o menino que eu ainda não sabia o nome. Para evitar muitas perguntas sobre a detenção e não correr o risco de mencionar o episódio com o centauro, mesmo relutante, contei sobre o meu sutiã na árvore e Malfoy me levantando. Quando terminei de falar, a ruiva me encarava boquiaberta e com os olhos brilhando. Tapei sua boca quando vi que ia gritar.

– Au, Ginevra! -Ela mordeu minha mão.

– Desculpa, mas é muita emoção! -Disse rindo- E não é Ginevra! -Deu um tapa na minha perna- Espera, o Draco colocou a mão aqui não foi? -Indagou, agora dando leves tapinhas na minha coxa. Senti meu rosto corar, me lembrei daquele toque e... ARGH!

– Infelizmente! -Respondi, fazendo uma careta.

– Ah, qual é Marin? Vai dizer que não gostou? -Perguntou com um sorriso malicioso.

– Gina! -A repreendi- Tudo o que sinto pela doninha é raiva!

– Por enquanto. -Piscou ainda com o sorriso malicioso. Revirei os olhos, por mais que negasse, no fundo tinha medo de que ela estivesse certa. Aquela loira andava invadindo meus pensamentos com muita frequência- Se fosse eu, teria jogado mais coisas pro alto, só pra fazer ele me levantar.

– Para com isso, Gina! -Levantei tentando repreendê-la novamente, mas não consegui não rir- Vem!

– Pra onde? -Se levantou.

– Não sei, andar por aí! -A ruiva assentiu e caminhamos em direção às escadas- Me conta como estava Hogsmead hoje.

– Ah, normal! Compramos doces, muitos doces! -Riu. Andávamos devagar e Gina comentava sobre Hosgsmead, quando vejo a doninha vindo em nossa direção. Meu coração acelerou. "Droga!" Pensei. "Que merda está acontecendo comigo?"

– Ai, Malfoy! -Falei alto. Aquele idiota passou esbarrando em nós.

– Quem manda não olhar por onde anda? -Se virou com aquele sorrisinho sarcástico- Ou melhor, com QUEM anda. -Alfinetou Gina, que mostrou o dedo à ele. Ri com aquilo, por mais que ela babasse pela doninha, não demonstrava. Malfoy nos olhou com desprezo e virou as costas

– Viu o por que eu sinto raiva dele? -Perguntei quando voltamos a andar. A ruiva riu pelo nariz.

– Eu também tenho raiva dele. Mas isso não quer dizer que ele não seja... Gostoso. -Disse ainda rindo.

– Ah, sei lá... -Fiquei sem argumentos. -Não sei, talvez.

–Eu disse! -Rimos- Você deveria entrar pro time de Quadribol!

– Eu? Por Merlin! Morro de medo de altura! -Exclamei- Mas por que essa ideia logo agora?

– Não é pelo Quadribol. É pelo vestiário, depois do Quadribol! -Disse rindo maliciosa.

– Gina! — A repreendi pela terceira vez, mas é claro que eu ri também. Ela era terrível. — Posso passar a ceia com vocês hoje? -Perguntei depois de um tempo caminhando em silêncio.

– Por quê? -Indagou- Q-quer dizer, por mim tudo bem! É que normalmente você recusa...

– Tudo bem. É que... -Não queria contar pra ela a verdade, depois de ter apertado os mamilos da doninha com que cara eu iria ficar sentada de frente pra ele?- Sei lá. Posso?

– Pod... Ah, acho que não vai dar hoje, Marin.

– Por que? -Indaguei fazendo biquinho.

– A Professora Minerva disse que terá um comunicado na ceia. E quando tem esses comunicados ela pede que todos se sentem em seus lugares. Foi mal...

– Não é sua culpa, Ginny. Mas, comunicado? Que comunicado?

– Também não sei. Talvez seja sobre o correio. Mais para os alunos do primeiro ano. -Deu de ombros.

– Correio? Ah meu Merlin! -Me lembrei da carta que enviei aos meus pais- Não podia enviar cartas? Vou ganhar outra detenção?

– Calma, Marin! -Gina disse rindo- Não é nada disso. É que aos domingos recebemos as cartas, presentes e outras coisas, no café da manhã. Talvez ela queira avisar aos calouros.

– Aaahh... -Suspirei aliviada- Então talvez a carta dos meus pais também cheguem! -Sorri animada.

– Sim! -Sorriu também.

Continuamos vagando pelo castelo, conversando. Gostava de passar meu tempo com Gina. As vezes ficávamos em silêncio, mas não era constrangedor ou infortúnio, e sim um silêncio confortável, aqueles que se dá entre velhos amigos. Só que no nosso caso, não tínhamos nem uma semana de amizade. E isso me fazia gostar ainda mais dela.

O tempo passou e o sino tocou. Sim, descobri que nos finais de semana e feriados, eram os sinos que indicavam os horários de café da manha, almoço e ceia. Particularmente preferia o badalar dos mesmos ao som irritante dos sinais. 20h/08PM.

Me despedi de Gina e caminhei desanimada em direção à mesa da Sonserina. Ia me sentar em um lugar afastado do que Malfoy costuma sentar. Mas Blásio logo me viu e acenou, chamando. Por um momento pensei em fingir que não vi, mas não tive coragem. Mudei meu curso e caminhei contrariada, me sentando entre ele e Astoria. Pansy estava sentada de frente à Blásio, tinha a cabeça abaixada sobre a mesa.

– Ta sumida hein? -O moreno falou me cutucando nas costelas.

– Pára Blá-asio-o -Falei rindo- Tenho cosquinha, PÁRA!

– Deixa a menina, Zabini... -Astoria ria.

– É! Me deixa. -Afastei as mãos dele de mim- E não estou sumida, apenas ocupada.

– Hmmm, ocupada? Posso saber com o que? -Falou com um ar malicioso.

– Ai, Blásio! -Ri- Parece a Gina!

– Gina?- Indagou.

– Gina Weasley, Grifnória. -Fiz um gesto com a cabeça em direção à ela.

– Ah, a ruivinha. Quer dizer que ela também é ocupada? -Riu.

–Ah, cala boca! -Ri revirando os olhos. Percebi que a Parkinson não tinha levantado a cabeça até agora. Cutuquei Astoria e apontei pra ela. Astoria apenas levantou os ombros, fazendo um "não" com a cabeça. Ela também não sabia o que Pansy tinha.

Minutos antes do banquete aparecer, Malfoy chegou na mesa. Se sentou ao lado da branquela, de frente pra mim.

– Porra, Zabini! Por que não me acordou? -Perguntou nervoso.

– Pensei que tivesse capacidade de acordar sozinho, meu amigo. -Blásio falou debochado. Astoria assoviou e soltei um risinho. A doninha me lançou um olhar odioso. Pigarreei olhando para a frente do Salão, o ignorando.

– Boa noite alunos! -A voz da Professora McGonagall foi ouvida e a conversa se sessou- A maioria de vocês já deve estar sabendo do comunicado que pretendo fazer hoje. -Passou os olhos por todo o ambiente- Pois bem, normalmente selecionamos os novos monitores antes o início das aulas. Mas esse ano, graças a alguns probleminhas, houve um atraso. Porém os mesmos serão selecionados hoje. -Um murmurinho invadiu o Salão. Malfoy levantou uma sobrancelha, com aquele ar arrogante, o que me fez revirar os olhos- Silêncio por favor. Como todos sabem, monitores são sempre um menino e uma menina de cada casa, que estão cursando o quinto ano. Alunos inteligentes e que servem de exemplo. Eu e o Professor Dumbledore, juntamente de todos os outros professores, passamos esta semana observando alguns alunos, partindo de suas notas nos anos anteriores. Então, neste momento, tenho o prazer de anunciar-lhes os novos monitores.

Um clima tenso percorreu todo o salão. Minerva pegou um pedaço de pergaminho, passou os olhos e abriu um largo sorriso. Pigarreou.

Ana Abbott e Ernesto Macmillan, novos monitores da Lufa-Lufa! -A mesa da Lufa se levantou em aplausos- Padma Patil e Antônio Goldstein, monitores da Corvinal! -A mesa da Corvinal fez o mesmo- Hermione Granger e Ronald Weasley, Grifnória!–Neste momento eu sorri, olhei para a mesa da Grifnória e estavam todos felizes aplaudindo. Minha vontade de correr e abraçar os dois foi enorme...- Marine Carter e Draco Malfoy, Sonserina!

Meus pensamentos foram interrompidos, meu corpo travou, minhas pernas amoleceram. Olhei ao redor e a mesa da Sonserina aplaudia, todos os olhares se voltavam para mim e para... Malfoy. O som das palmas me atordoavam, o encarei, ele me olhava com fúria, como se fosse me atacar a qualquer momento. Blásio me chacoalhava sorrindo, Pansy me encarava nervosa, Astoria aplaudia...

– Não pode ser... -Murmurei em voz baixa, quando os aplausos já haviam se sessado.

–Peço para que os alunos selecionados compareçam na sala do Professor Dumbledore as nove horas em ponto. Bom banquete, boa noite! -Minerva voltou a se sentar juntos dos outros professores. Alguns do salão ainda aplaudiam, outros já estavam desfrutando da comida...

– Existe par mais perfeito que Marine e Draco? -Blásio disse rindo. Eu e Malfoy o encaramos ao mesmo tempo- Relaxem monitores, é brincadeirinha...

Durante toda a ceia, a doninha me fuzilou com o olhar. Enquanto no olhar de Pansy tinha... Inveja? Não... Não podia ser. Comi por comer, minha fome tinha passado com aquela notícia. Eu, monitora? Era pra rir? E pra piorar, com a doninha oxigenada.

– É melhor torcer pra que seja um engano. -Malfoy disse sem me encarar, depois de um tempo- Ou sua vida será um inferno.

– Te digo o mesmo... Doninha. -Me encarou, suas pupilas estavam desenhadas em um fio. Tinha os braços cruzados sobre a mesa. Cerrei os olhos.

– Dá pra parar vocês dois? -Astória interviu.

"Isso é só o começo".

Notas finais
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