Eu & Você
9 Escolhas ruins?
Notas iniciais
P. O. V. Bella
Depois que tudo estava em seu devido lugar e a casa aprecia impecável pensei que minha mãe mudaria de idéia sobre aquela história maluca de “namorado”, entretanto quando fui conversar com ela na cozinha, me deparei com ela cantarolando e andando de um lado pro outro.
— Bella! — Ela exclamou vindo em minha direção. — Tenho uma notícia ótima pra você!
Edward Cullen é gay! — pensei.
O que mãe? — Duvido que seja coisa boa mesmo…
— Edward ligou e disse que aceita o seu caloroso pedido de encontro...
— O que?? Eu não marquei nada! — Eu não ia tirar aquela idéia de sua cabeça nunca.
— Ah, mas você pode desmarcar se decidiu não sair mais com ele amanhã à tarde — Minha mãe fazia parecer que eu realmente tinha marcado aquilo quando todo o universo sabia que tinha sido ela. Uma ótima atriz...
— Você deveria salvar o contato dele já hein — dizia ela rindo.
— Aff. — reclamei.
Depois daquele fracasso de conversa entre mãe e filha, fui para meu quarto novamente para procurar a folhinha de papel com o numero de Edward.
Peguei meu celular e salvei seu número como “O Cullen”. Então, depois de bater na minha própria testa umas três vezes, liguei.
— Oi, Edward?
— Oi Isabella! — Ele parecia surpreso. — Está tudo bem?
— Am... Está tudo sim. Sobre nosso encontro amanhã... — Parei de falar.
O que é isso Isabella? Está se recusando a dar um fora nesse cara, sério?
— Está tudo certo né? — Ele perguntou receoso.
— Sim, está sim. Amanhã as três então?
No momento eu não sabia por que estava fazendo aquilo, mas comecei a me perguntar depois: será que era uma idéia tão ruim assim? Não ia fazer mal só uma amizade né?
— Claro! — Ele respondeu animado. — Mas você já sabe aonde quer ir?
Juntos decidimos que iríamos dar uma volta no parque da cidade e tomaríamos um café, depois disso desliguei o celular e me joguei na cama. Então eu ia sair com Edward Cullen por vontade própria? Que loucura — Eu pensei.
O pior foi que num estante me peguei um pouco ansiosa para me encontrar com ele.
O lugar que Edward tinha aceitado ir, não sabia ele, era o meu preferido. O parque da cidade era um pouco longe, porém sempre cortava o caminho indo pela floresta nos fundos da minha casa. Lá era tranquilo, sem muitas pessoas e o melhor, era ao ar livre.
Naquela tarde de domingo, o tempo decidiu ficar de bom humor e conforme as nuvens iam se distanciando no céu, pequenas brechas do sol surgiam sobre o gramado de casa.
Eu estava esperando Edward e nós iríamos de carro até lá. Enquanto colocava pensamentos em ordem, eu também absorvia aquele sol sentada na área de casa sobre os degraus da entrada.
O Cullen chegou pontualmente na hora marcada e não sabia por que aquilo tinha me deixado um pouco irritada. Pessoas se irritam com atrasos, não com pontualidade.
Levantei e fui até ele que saia do carro para abrir a porta do carona pra mim. Me senti até um pouco esquisita por aceitar que outra pessoa abrisse a porta de um carro pra mim, eu conseguia fazer sozinha. Exibido, pensei.
— Você pode me dizer onde é exatamente? — Ele me perguntava olhando para os lados da estrada.
Tínhamos ido pelo caminho longo para não passar pela floresta.
Expliquei como chegar lá e depois perguntei:
— Você nunca foi lá?
— Não. — respondeu ele um pouco envergonhado — Lugares públicos não são meus preferidos.
— As vezes não tem ninguém lá, é bem bom. Aposto que vai mudar de idéia.
Naquela hora eu já estava dizendo coisas íntimas sobre mim sem ao menos me dar conta do risco. E se ele achasse outra coisa?
Sentamos em uma das mesinhas de pedra espalhadas pelo grande pátio gramado. As flores não haviam florescido ainda então um enorme verde nos cercava por todos os lados. Havia muitas árvores de um lado, e do outro podíamos ver a cidade. Para mim não poderia existir local mais perfeito para se passar uma tarde.
— É realmente incrível aqui — Edward cantarolou com sua voz perfeita vinda tão próxima de mim.
Estávamos sentados um do lado do outro e mais a frente havia um casal e duas crianças brincando com um cachorro.
— É... — respondi distraída.
— Isabella, sei que devo estar sendo um estraga prazeres nesse momento mas você falou com a sua mãe? Está tudo bem?
Sobre isso... Bem ele tinha me acertado em cheio com uma pedrada na cabeça. O que eu ia dizer? Ah não eu decidi dar uma chance ao sonho dela do nosso casamento, só que não.
— Bom, sim, — menti — e eu queria que você soubesse que nós até podemos ser amigos mas não passa disso ok?
Que fora mais fora, credo.
— Está me dando um fora então? — Ele me perguntou sério me fazendo ficar um pouco assustada, mas logo começou a rir.
— Tudo bem Isabella, está ótimo assim pra mim.
Ótimo? Tipo maravilhoso? Pensei com um pouco de decepção.
Seu sorriso era encantador e agora eu sabia que ele tinha pelo menos um pingo de senso de humor. Estava parecendo mais um ser humano com sentimentos agora e percebi que eu havia sido muito idiota por julgá-lo antes de conhecê-lo melhor.
Edward como o cavalheiro que agora eu reconhecia que ele era, buscou lanches para nós e comemos lá mesmo no pequeno campo onde naquele momento só havia nós dois.
Ele me contou que trabalhava com seu pai no consultório, mas não fazia muita coisa e aquilo não era o suficiente pra ele. Ele sonhava poder ser dono de um negócio dele próprio e perder a fama de "filhinho de papai". Era muito legal ouvir ele contando dessas coisas, um cara que parecia certo das coisas e feito na vida, falando em sonhos e liberdade.
— Realmente você é famoso por isso — comentei um pouco sem jeito. — Mas você deve ter muitos amigos né?
— Os de verdade não são muitos, mas eu tenho sim. Muitas pessoas chegam a mim por interesse apenas e tive que aprender a não cair na conversa de qualquer um.
O pai de Edward era doutor, dono de um consultório particular e a família Cullen era dona do maior hospital da região, todos eram da área, tirando Edward.
Ele sentia-se deslocado do resto da família, talvez por ser adotado, e de alguma forma eu me sentia igual.
Conversamos por tanto tempo que começou a escurecer.
Ele não perguntou muito de mim, talvez para não incomodar, mas eu, ao invés disso, o enchi de perguntas fazendo quase um interrogatório.
— Foi ótimo passar a tarde com você. — Nos despedíamos dentro do carro já na porta de minha casa.
— Não foi ruim — Eu disse rindo.
— Então está bem, tenha uma boa noite Isabella. — Ele sorriu para mim.
— Boa noite Edward, e a propósito, pode me chamar de Bella.
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