Eu Sou a Noite

16 O primeiro amor - parte 1


No dia seguinte da promoção de Kohaku, a vida se seguia normalmente, como na escola de ensino fundamental, onde Shippou cursava o segundo ano, lá percorrendo o corredor do pátio durante o recreio, ele notou que uns 3 garotos um pouco mais velhos do que ele, estavam perturbando uma menina, jogando o caderno dela de uma mão para a outra.

SHIPPOU – Mas são os mesmo que mexiam comigo.

Shippou, se inspirando na coragem de InuYasha em combater o crime as noites, se aproximou da confusão chamando a atenção dos meninos.

SHIPPOU – Parem com isso! Devolvam o caderno da Satsuki.

Os 3 meninos se surpreenderam com a coragem de Shippou e atenderam o pedido dele e assim devolveram o caderno a Satsuki, mas quando pensou que estava tudo acabado, Shippou foi agarrado pelos 3 meninos e colocado na lata do lixo de cabeça para baixo e os meninos saíram rindo do local.

SHIPPOU – Que droga!(tentando sair da lata de lixo) — Eles ainda me pagam.(e Satsuki se aproxima dele ainda na lata de lixo)

SATSUKI – Você está bem Shippou?

SHIPPOU – Estou, mas poderia me ajudar a sair.

Satsuki inclina a lata de lixo para que Shippou saísse com mais facilidade e assim ele o fez.

SATSUKI – Queira me desculpar Shipppou, foi tudo culpa minha, se não tentasse me ajudar, aqueles idiotas não fariam isso com você.

SHIPPOU – Eles já mexiam comigo, não precisa se desculpar.(rindo)

A verdade era que não foi apenas o exemplo de InuYasha que fez Shippou agir, ele também fez isso por gostar muito de Satsuki, que tinha mesma idade.

SATSUKI – Eles não podem se dar bem sempre.

SHIPPOU – E o que podemos fazer?

SATSUKI – Eu tenho uma idéia...mas vamos perder todo o recreio.

Satsuki puxou Shippou pelo braço para que ambos fossem até o portão de entrada e saída da escola.

SHIPPOU – O que vamos fazer aqui?

SATSUKI – Isso!(ela mostra 3 sprays de cores diferentes) — Agora ao trabalho.

SHIPPOU – Trabalho? No que está pensando?

SATSUKI – Você é muito mole, Shippou! (ela começa a escrever no portão com o spray) — Fique olhando e me avise se alguém se aproximar.

SHIPPOU – É hoje que me dou mal.

Shippou não acreditava no que estava acontecendo, ele estava sendo cúmplice em um delito, pois enquanto ele ficava vigiando se estavam a sós, Satsuki ficava escrevendo coisas contra o diretor da escola.

UM TEMPO DEPOIS

Já bem perto do final do recreio, Satsuki e Shippou se aproximaram dos armários dos meninos malvados e colocaram neles cada um dos sprays usados no portão.

SHIPPOU – Você quer botar a culpa neles? Eu não sei se isso é correto.

SATSUKI – Você é muito bobo mesmo! (fechando os armários) — Não quer dar uma lição neles?

SHIPPOU – Sim, mas eles podem ser expulsos por isso.(voltando para junto dos outros)

SATSUKI – Não serão não! O diretor deve dar só uma advertência a eles.(rindo)

SHIPPOU – Ainda acho errado o que estamos fazendo.

SATSUKI – Pelo contrário, Shippou! Não é injustiça o que estamos fazendo, apenas estamos deixando mais visível a malvadeza daqueles meninos para o diretor.

Eles estavam dobrando o corredor quando Satsuki nota a aproximação do diretor pelo local e recua junto com Shippou.

SATSUKI – Agora é a segunda parte do plano.

SHIPPOU – O diretor está vindo?

SATSUKI – Isso! Faça como combinamos.

Satsuki e Shippou aguardam ansiosamente a aproximação do diretor, que ao dobrar o corredor nota que Shippou e Satsuki estavam conversando e ouve com atenção.

SATSUKI – É verdade Shippou? Você viu aqueles 3 alunos da 5ª série usando spray no portão?

SHIPPOU – É verdade e guardaram os sprays nos armários deles.

SATSUKI – O diretor vai ficar uma fera...mas não vou dizer nada se não eles se vingam em mim.

SHIPPOU – E nem eu.

Satsuki e Shippou estavam fingindo e perceberam que o diretor tinha escutado a conversa deles e ido em direção aos armários dos alunos.

MAIS TARDE

Durante a saída dos alunos, Shippou e Satsuki passaram em frente a diretoria da escola e puderam notar que o diretor conversava com os 3 meninos malvados com um dos sprays na mão.

DIRETOR – Como puderam fazer isso?(um dos meninos tentar falar) — Isso não importa! Vocês receberam uma advertência e mandarei que seus pais venham aqui.

O diretor enchia os meninos com sermões para a vibração de Satsuki e Shippou, que estavam vendo tudo pela janela e comentavam isso durante a saída.

SHIPPOU – Eles apenas foram suspensos, você tinha razão.

SATSUKI – Eu não falei? Com isso eles nos deixaram em paz.

SHIPPOU – Você é muito inteligente Satsuki.(ele estava encantado pela menina)

SATSUKI – Isso porque sou filha de meu pai, foi ele que me ensinou essas coisas.(rindo)

SHIPPOU – Puxa, você gosta muito dele.

SATSUKI – Gosto, mas ele tem muito pouco tempo para mim, está sempre trabalhando, mas é um homem muito inteligente.

SHIPPOU – Eu queria essa inteligência para mim, me ajudaria muito na prova de matemática na semana que vem.

SATSUKI – Mas eu sou boa em matemática...por que não vem a minha casa para estudarmos juntos?

SHIPPOU – Posso mesmo?(todo animado) — Pois gostaria muito de ir.

SATSUKI – Vai lá hoje.(naquele momento se ouve uma buzina de carro) É o Jaken que veio me pegar.

SHIPPOU – Quem?

SATSUKI – Jaken! Ele é uma espécie de empregado de meu pai, é ele que cuida de mim quando meu pai está trabalhando.

Satsuki se despede de Shippou e vai para junto de Jaken, entrando no carro e depois acenando para o amigo, que ficou acenando de volta até o carro sumir no horizonte, o fascínio de Shippou por Satsuki era tanto que ele nem percebeu a presença de Kagome do lado dele.

KAGOME – Shippou! Shippou! Está me ouvindo.

SHIPPOU – Kagome?!(ele se assusta ao vê-la)

KAGOME – Por que a surpresa? Eu falei que ia te buscar hoje.

SHIPPOU – Por nada.

KAGOME – E quem é sua amiga?

SHIPPOU – Quem?(se fazendo de desentendido)

KAGOME – Terra para Shippou.(acariciando a cabeça dele) — Está no mundo da Lua? Estou falando daquela menina para quem não parava de acenar.

SHIPPOU – Ela é só uma colega.

KAGOME – Colega, é?(com cara de desconfiada)

SHIPPOU – Apenas colega...agora podemos ir.

KAGOME – Tá bom!

Kagome não conseguia segurar o riso, o que deixou Shippou um pouco envergonhado, pois ela tinha percebido que o menino estava vivendo o primeiro amor.

MAIS TARDE

Trabalhando em sua sala no jornal, A Gazeta de Tóquio, Sesshoumaru trocava informações com os outros jornalistas quando o telefone toca e ele atende.

SESSHOUMARU – Alô!

SATSUKI – Sou eu papai!

SESSHOUMARU – Satsuki, eu já não te falei para não me ligar no trabalho?

SATSUKI – É que preciso pedir um favor ao senhor.

SESSHOUMARU – Tudo bem, o que quer?

SATSUKI – Eu queria saber se posso trazer um colega para estudar em casa?

SESSHOUMARU – Desde que o Jaken sempre esteja em casa, pode sim.

SATSUKI – Mesmo?! Pode deixar, obrigada papai.

SESSHOUMARU – Mas espero que esse seu colega não fique até muito tarde, pois eu vou trazer alguém que eu queira que conheça.

SATSUKI – Tá pai.

Ao colocar o telefone de volta no gancho, Satsuki fez uma cara feia, o que chamou a atenção de Jaken.

JAKEN – O que foi menina? O seu pai proibiu de trazer o colega?

SATSUKI – Ele permitiu sim.

JAKEN – Então qual é o motivo dessa cara de brava.

SATSUKI – O meu pai disse que vai trazer alguém aqui que ele quer que eu conheça...deve ser a nova namorada dele.

JAKEN – Então é por isso que está brava? Tem que entender que seu pai precisa estar ao lado de alguém, ninguém consegue viver só.

SATSUKI – Eu sei, mas ainda sinto falta da minha mãe...eu ainda não acredito que ela me abandonou.(ela deixa uma lágrima escorrer pelo rosto)

JAKEN – Não pense mais nisso, menina...você ainda tem o seu pai e ele te ama.

SATSUKI – Eu sei.(Jaken enxuga a lágrima)

JAKEN – Agora vai avisar o seu colega.

SATSUKI – Tá!(aí ela se toca de um problema) — Ai! Eu me lembrei que não sei o telefone da casa dele.

Satsuki coçava a cabeça na tentativa de ter uma idéia de como avisar Shippou, e enquanto isso já de volta ao restaurante, Kagome comentava com InuYasha o que tinha visto mais cedo ao buscar Shippou da escola.

INUYASHA – Isso não tem nada de mais.

KAGOME – Você fala isso por que não viu com seus olhos, devia ter visto o jeito dele quando acenava para a menina, foi tão bonitinho.

INUYASHA – O que quer dizer?

KAGOME – Que o Shippou está vivenciando seu primeiro amor, não acha isso meigo?

INUYASHA – Se é meigo ou não eu não sei, mas não acha que ele é muito jovem para ter uma namorada?

KAGOME – Mas isso não é namoro como o nosso, é coisa de criança...e sem falar que para ser namorada do Shippou essa menina teria que passar pela minha aprovação.

INUYASHA – Você parece a minha mãe...sempre superprotetora.

KAGOME – Isso por acaso é mal?(ela encara ele)

INUYASHA – Você não me entendeu...o que eu disso foi um elogio.(ele da um beijo nela)

KAGOME – Acho bom mesmo.(e ela retribui o beijo)

INUYASHA – Você é a melhor mãe do mundo.

InuYasha e Kagome se beijam, demonstrando como o relacionamento dos dois estava firme, mas esse beijo foi interrompido pelo toque do telefone e Kagome foi imediatamente atender e naquele momento Shippou estava em seu quarto escrevendo poemas, mas não tinha muita inspiração, o que demonstrava a pilha de rascunhos jogados do lado cama.

SHIPPOU – Eu não sei o que devo escrever para ela.

E no momento em que Shippou pensava, Kagome bate na porta do quarto dele, o que faz o menino se livrar do rascunhos antes de atender a porta.

SHIPPOU – O que foi Kagome?

KAGOME – Sua colega quer falar com você.(ele trouxe o telefone sem fio até ele)

SHIPPOU – Que colega?

KAGOME – O nome dela é Satsuki e...(ele toma o telefone dela)

SHIPPOU – Pode deixar que eu falo com ela.

KAGOME – Tá!(ela fica parada na porta)

SHIPPOU – Eu quero privacidade.

Apesar de querer ouvir a conversa, Kagome tinha entendido o recado e assim saiu do quarto, mas ficou encostada na porta para tentar ouvir a conversa sem chamar a atenção de Shippou, que atendeu o telefonema.

SHIPPOU – OI Satsuki, como conseguiu o telefone do restaurante?

SATSUKI – Você disse uma vez para mim que sua mãe trabalhava no restaurante do InuYasha, e por isso eu procurei na lista telefônica.

SHIPPOU – Eu não disse que era inteligente?

SATSUKI – Mas tem uma coisa estranha em tudo isso.

SHIPPOU – o que?

SATSUKI – Se eu não me enganar, eu já ouvir o meu pai falar uma vez esse nome...InuYasha.

SHIPPOU – Talvez eles já se conheçam.

SATSUKI – Pode ser, mas não quero falar sobre isso...eu te liguei para te dizer que poder vir aqui hoje.

SHIPPOU –Legal...eu vou precisar muito de sua ajuda em matemática.(rindo)

Shippou estava muito alegre em saber que poderia ver novamente Satsuki e nem tinha percebido que Kagome estava escutando a conversa e quando fazia isso, a gerente foi surpreendida por InuYasha.

INUYASHA – Que coisa feia está fazendo, Kagome.(ela se assusta)

KAGOME – Quieto, InuYasha.(tapando a boca dele) — O Shippou pode ouvir.(ele tira a mão dela da boca)

INUYASHA – Não devia ficar vigiando o seu filho assim.

KAGOME – Eu não posso evitar, é mais forte do que eu.(fazendo charminho)

INUYASHA – Isso não é motivo para...

InuYasha não consegue completar a frase pois Shippou sai do quarto depois de ter atendido o telefonema de Satsuki.

SHIPPOU – O que estão fazendo aqui?

KAGOME – Nada! Nós só viemos pegar o telefone de volta, não é InuYasha?

INUYASHA – É! Claro que é!(balançando a cabeça negativamente)

SHIPPOU – Mas eu já ia levando de volta.(ele da o telefone a Kagome) – Já que está aqui, InuYasha, eu gostaria de pedir um favor.

INUYASHA – Pode falar.

SHIPPOU – É melhor conversarmos aqui dentro.

INUYASHA – Tá!

Shippou entrou no quarto e InuYasha o seguiu fazendo Kagome seguir os dois até Shippou ficar na frente dela.

SHIPPOU – É só o InuYasha.

KAGOME – Mas eu sou como sua mãe.

SHIPPOU – Mas esse é o problema.

INUYASHA – Kagome! Volte ao trabalho.

Shippou e InuYasha entram no quarto deixando Kagome furiosa com o fato de ter ficado de fora da conversa.

KAGOME – “Os dois vão me pagar.”(pensando)

Kagome volta para seu trabalho no restaurante, mas ela estava curiosa para saber o que Shippou queria com InuYasha.

Próximo capítulo = O primeiro amor – parte 2