Eu Não Quero Ser Só Uma Memória
1 Você está aonde eu quero ir
Notas iniciais
Midoriya cruzou os últimos corredores daquele bloco do hospital, aflito para chegar logo na ala de observação. Avistou Todoroki e Kirishima conversando no final do percurso, cujas atenções se voltaram para recebê-lo.
Ele se inclinou, respirando em ofegos longos e com as mãos apoiados sobre os joelhos. Buscava se recuperar da combinação desagradável de uma tarde inteira lutando contra vilões e da longa corrida que o levou às pressas até ali, após uma ligação de emergência de Kirishima.
— Me desculpem pela demora! Eu vim o mais rápido que pude!
Todoroki meneou a cabeça em um gesto despreocupado, e Kirishima tentou se concentrar no herói recém-chegado, por mais que seu olhar insistisse em se desviar.
Não demorou para que Izuku focasse suas atenções integralmente naquela direção também. Se aproximou da janela de vidro, que separava o corredor de um dos quartos, e embaçou-a com sua respiração descompassada.
Avistou Bakugou no centro do recinto inteiramente branco, vestindo uma camisola descartável e com uma autêntica carranca de poucos amigos. Não deixou de notar que o corpo grande, em altura e compleições, se tornava ainda mais chamativo naquele figurino do que no traje costumeiro.
Tentou refrear a agitação que surgiu no peito quando sua presença foi notada por ele — e pode fazer leitura labial de alguns palavrões proferidos.
— Como ele está? — Perguntou aos outros heróis, deduzindo que algum médico já tivesse conversado com eles sobre o quadro de Katsuki.
— Os efeitos do sedativo já passaram. — Com seu tom calmo habitual, Todoroki respondeu.
— Se-Sedativo?!
Deku arregalou os olhos em puro choque. Sabia que o cenário havia sido caótico pela ligação quase histérica de Kirishima, mas aquilo estava além de suas expectativas.
— Ah, é. — O herói de poderes duais replicou ante a surpresa do amigo. — Ele ficou muito agressivo depois que foi atingido pela individualidade do vilão. Tiveram que sedá-lo para que ele não explodisse a ambulância.
A informação girou na mente de Izuku, que se viu subitamente muito desnorteado com a situação.
De todos os contratempos envolvendo individualidades de vilões que ele presenciou ao longo de sua carreira como herói profissional, esse que acometeu Bakugou estava entre os mais peculiares, sem dúvidas.
Em resumo, no final do curso de heróis, Todoroki tomou a frente de alguns segmentos na agência do pai. Com seu ingresso oficial, levou consigo para a empresa os outros dois recém-formados que se sobressaíram a seu lado na academia — como o Big Three de sua turma: Bakugou e Midoriya. Desde então trabalhavam juntos. Já fazia quatro anos.
Nesse tempo, disputaram o ranking de heróis com unhas e dentes. E claro que Deku e Ground Zero tinham que flutuar entre o primeiro e segundo lugar constantemente, com sua rivalidade mesclada a certo grau de amizade — o possível que se poderia ter com alguém como Katsuki.
Já Kirishima, que após a formatura foi contratado por uma grande e respeitada agência na cidade vizinha, por vezes era escalado para missões com parceiros de outras empresas. E foi exatamente o que aconteceu naquele dia em particular: Bakugou, seu melhor amigo desde a U.A., e o próprio Todoroki o acompanharam no que parecia ser um resgate simples num desmoronamento causado por vilões.
Haviam se aproximado com segurança, a muito custo do controle de rompantes de impulsividade que por vezes acometiam Red Riot e, principalmente, Ground Zero. A operação foi bem sucedida, e o trio de heróis se preparava para bater em retirada. Foi então que baixaram a guarda, e o golpe veio.
Um vilão escondido disparou sua individualidade contra Katsuki, na tentativa de fugir, se aproveitando da distração do herói que berrava com o chefe por seu jeito indiferente.
— Depois do golpe tudo ficou estranho. — Todoroki narrou a Midoriya. — Ele começou a fazer perguntas insistentes, e estávamos confusos sobre isso. Quando a ambulância chamada pela polícia chegou, ele ficou realmente irritado e perguntou o que tínhamos na cabeça. Respondi "cabelo" e ele se descontrolou.
Izuku abriu um pequeno sorriso ante a história. Achou aquilo a cara dos dois.
"Todoroki-kun é realmente muito literal".
Uma vez sedado, Bakugou foi atendido no hospital.
Diagnóstico: atingido por uma individualidade de amnésia.
— Ele ainda não lembra de nada? — Midoriya perguntou, se aproximando do vidro. Foi fuzilado pelo olhar furioso de Bakugou, que claramente estava farto de continuar na sala de observações e sendo efetivamente observado.
— O médico disse que apesar do efeito da amnésia ser temporário, não sabe quanto vai durar. Deve melhorar um pouco a cada dia, até que a memória se restabeleça completamente. — Mais uma vez Todoroki explicou, alheio à aflição dos outros presentes. — De qualquer forma, ele pelo menos não esqueceu como usar a individualidade. Poderia ser pior.
Aquelas palavras não trouxeram muito conforto. Izuku ainda digeria o excesso de informações, enquanto o chefe parecia completamente convicto de que era apenas mais um incidente de trabalho estranho.
Enquanto isso, Kirishima estava escorado à parede, conservando um silêncio abissal — o que para alguém animado e extrovertido como ele, era preocupante.
Mesmo abalado, Deku finalmente notou aquele detalhe.
— Kirishima-kun, você está bem?
Red Riot abriu um sorriso angustiado, coçando a nuca em embaraço pelo flagra.
— Não é nada másculo acabar roubando a atenção do cara hospitalizado, mas estou bem chateado. — Confessou. — Meu melhor amigo não lembra quem eu sou. Nunca pensei que fosse passar por algo assim.
Izuku arregalou os olhos, voltando-os novamente ao herói que tentava parecer ameaçador mesmo naquela camisola. O contato visual foi especialmente desconfortável, ao passo que um sentimento de vazio lhe tomou o peito.
— Será que o Kacchan também esqueceu de mim?
Sentiu tapinhas cúmplice nas costas provenientes de Kirishima, que compreendia boa parte da mortificação dele.
— Não fique triste também, Midoriya. — Todoroki, que observava tudo mais distante, tentou apaziguar. — Não é assim tão ruim que ele não se lembre de você e de todos esses anos que vocês dois se conhecem.
Izuku acabou ainda mais arrasado, refletindo em silêncio enquanto Kirishima aconselhava Todoroki a não "confortar" mais ninguém.
A ideia de Bakugou não lembrar da história dos dois era perturbadora. Foram amigos, colegas, conhecidos de longa data, rivais, bons rivais e um tanto amigos novamente, necessariamente nessa ordem. Uma vida inteira, agora esquecida.
— Ele vai receber alta. O que vamos fazer sobre isso? — Todoroki não percebeu que o amigo ainda não estava totalmente recomposto e jogou a pergunta no ar.
— Os pais dele já sabem? — Kirishima deduziu que a melhor alternativa era procura-los.
— Estão em um cruzeiro. Não consegui contata-los, e a mãe dele até deixou uma mensagem grosseira na caixa postal dizendo que não queria ser incomodada sob nenhuma circunstância.
— Ah, cara, isso complica...
— Alguém vai ter que leva-lo para casa.
Os três se entreolharam. Todoroki pareceu odiar a própria sugestão — já tinha que aturar um desmiolado barulhento sob o mesmo teto que ele, não suportaria outro.
Kirishima estava com a agenda muito lotada, e isso não era segredo para ninguém. Sua agência exigia de Red Riot tudo que ele tinha, e seu chefe não era do tipo "aberto a desculpas".
Midoriya pareceu subitamente radiante ante a indisponibilidade dos demais.
— Todoroki-kun e Kirishima-kun, se concordarem, eu posso ficar com o Kacchan. — Sugeriu, com um suave rubor adornando sua face. — Talvez até consiga ajudá-lo com a amnésia...
Pela primeira vez desde sua chegada, finalmente viu o familiar sorriso ziguezagueado de Kirishima aparecer.
— Essa ideia é ótima! Você é quem conhece o Bakugou há mais tempo, com certeza vai saber o que fazer! — Ele concordou imediatamente, esperando que Todoroki também apoiasse.
E não apenas apoiou como suspirou em puro alívio.
— Vou te dar a semana de folga para fazer companhia ao Bakugou, Midoriya. E caso precise, posso te ajudar, e até podemos... — Abriu uma careta de puro horror. — Podemos revezar em qual casa ele fica.
— Obrigado, Todoroki-kun! — Assentiu.
— Valeu, Midoriya! — Kirishima deu um meio abraço em Izuku, em comemoração. — Você tem uma tarefa super maneira! Manda ver!
— S-Sim! Claro!
— Então é bom começar se apresentando. — Comentou o chefe. — Talvez você tenha mais sorte que nós e ele se lembre de você logo de cara. Mas caso não lembre, não fique desesperado. Não será a primeira vez que você ajuda esse caso perdido.
Desta vez, Todoroki acertou nas palavras. Izuku mentalizou aquilo e sorriu. Mesmo que Kacchan — o Kacchan que ele conheceu a vida inteira — não lembrasse dele, não deveria ficar aflito. Deveria ajuda-lo com um sorriso no rosto, tal qual exibia em suas aparições como herói.
Com essa esperança bateu na porta do quarto, que podia ser aberta exclusivamente por fora.
— Kacchan? — Chamou com receio, aguardando a permissão para entrar.
Não houve resposta, apenas uma expressão entediada de Bakugou por ter mais um desconhecido invadindo o quarto.
— Kacchan? — Izuku insistiu, estranhando o silêncio.
— Ahn? É comigo?
Midoriya direcionou a ele um pequeno olhar encabulado. Nem por um instante havia considerado que o outro não lembraria que era o Kacchan. Aquilo fez uma angústia salpicar no peito, porém não se rendeu a ela.
— Posso entrar? — Pediu cordialmente.
— E dizer "não" adianta? Toda hora algum infeliz desgraçado invade o quarto!
Definitivamente, ele ainda era o mesmo. Midoriya sentiu algum conforto ante a constatação, por mais que as circunstâncias já confirmassem: Bakugou também não lembrava dele. O olhar denunciava isso. Era o mesmo de sempre, enviesado e irritado, porém carregado de uma curiosidade digna de quem estava lidando com um estranho.
Izuku se acomodou na cadeira ao lado da cama, onde Katsuki estava sentando em posição displicente, ignorando a existência do travesseiro.
— O que você e aqueles outros extras irritantes tanto olhavam aqui para dentro? Perderam alguma coisa por acaso?
Aqueles questionamentos deixaram Midoriya tenso. Tomou-os como algo mais voltado ao âmbito retórico — o que não o ajudou muito a decidir como deveria agir.
— Você não se lembra mesmo de nós? — Perguntou com um fio de esperança, desconversando.
— O médico de merda disse que a individualidade que me atingiu apaga memórias pessoais.
— Então você não se lembra de nada? Nem de ter se tornado um herói? De quando estudou na U.A.? Da sua carreira?
— Qual parte de memórias pessoais você não entendeu, caralho?!
Deku apertou os lábios. Realmente a amnésia era completa. Se Katsuki não se lembrava da coisa mais importante em sua vida — a bem-sucedida carreira de herói — do que poderia lembrar?
— Aí, e quem é você? — Bakugou cortou o silêncio reflexivo.
Izuku sentiu o desconforto à pergunta se manifestar na forma de um frio na barriga. Teria realmente que começar do zero com ele.
Focou no objetivo de ajuda-lo ao invés dos calafrios que se remexiam por suas estranhas. Abriu seu sorriso de herói, que parecia tornar o tom destoante de suas sardas mais saliente.
— Meu nome é Midoriya Izuku. Nos conhecemos desde o início da infância. Fomos amigos nessa época, e depois nos tornamos colegas de sala desde o primário até a U.A., que sempre foi a academia de heróis dos nossos sonhos.
— E aqueles dois lá fora?
Os olhares de ambos se voltaram para o vidro, através do qual viram Todoroki e Kirishima conversando mais despreocupados, como se tudo estivesse completamente bem encaminhado.
— Hm...o Kirishima-kun é seu melhor amigo desde o primeiro ano na U.A.. — Midoriya prosseguiu com sua apresentação. — Hoje ele trabalha em uma agência de heróis na cidade vizinha, e às vezes vocês se reúnem com os amigos da academia para colocarem a conversa em dia.
— Você fala como um maldito stalker que sabe tudo sobre a vida de todo mundo, principalmente da minha. Que lixo isso...
Izuku corou com o comentário, porém estava decidido a continuar. Ele se concentrou em não gaguejar e dessa vez apontou para o outro amigo.
— E o Todoroki-kun é nosso chefe. — Sentiu-se orgulhoso quando a voz saiu firme. — Trabalhamos juntos na agência do pai dele.
— Ou seja, eles são figurantes.
Como se soubesse que estavam sendo mencionados, Todoroki e Kirishima entraram na sala de observações. Deduziram que já havia sido tempo suficiente para uma primeira conversa, e que deveriam explicar juntos a decisão de deixar Katsuki aos cuidados de Midoriya.
— Ainda não lembra de mim, Bakubro? — Kirishima perguntou enquanto se aproximava da cama. — Você me chama de cabelo de merda!
Os três acompanharam o olhar que Bakugou direcionou ao topo da cabeça do amigo. Notou a raiz escura começando a aparecer, em contraste com o tom vermelho vibrante do restante do cabelo.
— Dá para ver o motivo. — Torceu o rosto em uma careta.
— E me chama de meio a meio. — Todoroki também expôs seu apelido. — Às vezes de pavê.
— Também dá para ver o motivo, porra!
Uma risadinha coletiva dos presentes enfureceu Katsuki, que soltou pequenas explosões de suas mãos. O brilho alaranjado e o barulho não surpreenderam ninguém, o que o enfureceu mais ainda.
— Do que estão rindo, seus bastardos de merda? Eu nem sei quem vocês são! — Explodiu mais forte desta vez, tentando parecer ameaçador.
As risadas cessaram, e desta vez eles o olharam com determinação. Especialmente Izuku, que o encarou com a solenidade de uma promessa.
— Kacchan, vamos te ajudar a se lembrar.
Na verdade, a ideia de começar do zero com Katsuki estava o animando. Teria a oportunidade única de ser visto pelo herói explosivo sem os rótulos que sempre o seguiram.
— Me ajudar...? — Bakugou sussurrou.
Midoriya tardou a perceber que fez uma péssima escolha de palavras. Bakugou tentou acerta-lo com uma explosão, ao pular da cama de hospital em um reflexo extremamente rápido.
— Me ajudar? Que mané me ajudar! — Ele projetou o corpo na direção do outro. — Acha que eu preciso da sua ajuda com a minha própria cabeça, seu...
— K-Kacchan, por favor, escute! — Izuku exclamou, levantando da cadeira em resposta ao gesto temperamental. — É importante!
Ao ver Katsuki tão próximo — com a típica postura de galo de briga — levantou as mãos involuntariamente em rendição.
Apesar dos dentes rangendo, houve uma diminuição perceptível na agressividade exalada por Katsuki. Kirishima até tentou apaziguar o momento com um toque gentil no ombro do amigo, do qual ele se desvencilhou em um movimento calculado.
Olhou os três de esguelha. Claramente não desistiriam do que quer que estivessem pensando.
Seria melhor ir direto ao ponto.
— Foda-se. O que vocês querem comigo, afinal? — Cruzou os braços e perguntou com desconfiança.
— Você vai ter alta. — Sem cerimônias, o chefe explicou. — Parece que seus pais estão viajando e não querem saber de ninguém, e por isso você vai ter que ficar na casa de um de nós por enquanto. O Midoriya se ofereceu, então...bom, você vai com o Midoriya.
— Não me diga o que fazer, meio a meio!
A indagação de Bakugou trouxe um tom de familiaridade ao trio. E eles sabiam bem como lidar com aquelas reações.
— Kacchan, tudo bem para você? — Izuku reforçou. Aquele era o método que aprendeu a usar quando queria dobrar o orgulho gigantesco de Bakugou, que odiava se sentir encurralado ou sem alternativas.
No final, ele cedia. E não foi diferente daquela vez. O resmungo precedido de alguns palavrões cuspidos comprovou que mesmo durante a amnésia, a técnica ainda era infalível.
— Tanto faz. Ir com você não pode ser pior que ficar aqui. — Ele respondeu, olhando com desdém para a própria camisola.- E vê se me arranja uma roupa logo, seu bosta!
O três suspiraram aliviados.
*-*-*
A sensação de estar sozinho com Bakugou em seu carro era estranha, mas não sobrepujava a euforia custosamente disfarçada.
Izuku estava ainda mais concentrado do que o normal no trânsito, dominado por uma urgência irracional de impressionar Katsuki ou, ao menos, não cometer nenhum erro ao volante na frente dele.
Já Bakugou estava indiferente. Mantinha sua típica atitude individualista, calado durante todo percurso, e olhando a paisagem da janela sem expressão alguma.
Midoriya levou uma buzinada do carro de trás e recriminou-se ao se flagrar observando seu passageiro ao invés de prestar atenção ao trânsito. Corou e voltou as atenções para frente, frustrado.
Sabia que estava sendo bobo, afinal o outro herói só permitiu aquela maior aproximação entre os dois porque não se lembrava de toda reprimenda que nutria por ele, entretanto...o coração palpitava pateticamente toda vez que olhava para o lado e o via ali.
Abriu um sorrisinho involuntário, sentindo uma necessidade aguda de dizer algo.
— Como você está se sentindo, Kacchan?
Esperava receber uma resposta atravessada ou um insulto. Ao invés disso, ele desfez sua postura contemplativa para se virar em na direção de Midoriya e encara-lo. Sentiu o olhar escarlate sobre si e corou ainda mais.
— "Kacchan"? Que tipo apelido é esse? — Apesar das palavras ácidas, o tom rouco e arrastado da voz de Bakugou não demonstrava irritação genuína.
— A-Ah...eu... — Izuku se interrompeu ao notar a própria gagueira nervosa.
— Tanto faz. Você disse que fomos amigos de infância, não é? Aposto que deve ser herança dessa época aí.
Izuku não se recompôs o bastante para firmar a voz apropriadamente para responder, então optou por permanecer em silêncio. Seria embaraçoso explicar os motivos pelos quais manteve o apelido infantil para um marmanjo daqueles.
O restante do caminho foi imerso em quietude por parte dos dois. O apartamento de Midoriya ficava próximo à agência de heróis, num bairro estrategicamente escolhido.
Naquela semana, no entanto, não teria que se preocupar com patrulhas e relatórios. Gostaria de estar em campo, fortalecendo sua imagem como herói número um e futuro símbolo da paz, mas não tinha dúvida alguma de que preferia estar ao lado de Bakugou naqueles dias de necessária ajuda.
Kirishima emprestou algumas roupas suas para o amigo, que embora fosse mais alto, usava o mesmo tamanho. Todoroki também levou a muda extra que Bakugou deixava no armário da agência, e com isso o guarda-roupas, a única coisa com que Izuku não poderia auxiliar o herói explosivo, estava completo. Todo o mais estava sob os cuidados dele.
Pela primeira vez, sentiu que realmente poderia fazer algo por Katsuki — a pessoa que sempre o inspirou a ser mais forte e chegar mais longe — e que só perdia para All Might em sua lista de heróis preferidos.
Estava feliz por estar ao lado dele naquele momento.
Até a total recuperação da amnésia, estaria aonde Kacchan precisasse.
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