Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada
13 Ubachuva... Oo
Eu não sei se mais alguém aqui já ouviu a expressão “Ubachuva”. Nem preciso dizer que na hora em que meu pai disse, eu fiquei meio confusa, mas não demorou nem cinco minutos pra eu entender perfeitamente o porquê daquela bendita expressão: em Ubatuba chove praticamente o ano inteiro!
Foi tudo tão rápido: nós descarregamos o carro e começamos a organizar as coisas dentro apartamento. Eu terminei minha parte e fui ver o lado de fora da pousada, afinal o mar é maravilhoso e a pousada é pé na areia. Mas como Deus não tava muito afim de papo comigo naquele dia, assim que eu coloquei os meus pezinhos lindos e delicados pra fora do apartamento e respirei bem fundo pra sentir o ar puro limpando os pulmões, caiu a maior chuva que eu já tinha visto! Nem preciso dizer que eu voltei pra dentro toda encharcada e com cara de assustada.
Minha mãe não conseguia parar de rir da minha carae meu irmão começou a fazer piadinhas.
- Até que enfim, hein Dani! Tava na hora já, né! Daqui há alguns dias a gente ia ter uma reunião de urubus no jardim de casa achando que tinha alguma coisa morta! – e começou a rir descontroladamente.
Me aproximei enquanto o tonto se contorcia de tanto rir e dei o maior pedala na cabeça dele! Minha mãe me deu um mega olhar de reprovação, mas eu fingi que não era comigo e fui pegar uma toalha pra tomar um banho decente. Assim que saí do chuveiro, coloquei meu pijama, escovei os dentes e fui dormir.
Acordei no sábado um tanto cedo, acho que foi o pesadelo que eu tive com o Henry. A gente brigava e ele dizia que nunca mais ia falar comigo e começava a andar rápido me dando as costas, eu chamava, mas ele me ignorava... Tá, esse sonho foi super tosco, eu sei, mas não foi o sonho em si que me desesperou e sim o fato de o Henry brigar comigo e não querer mais ser meu amigo. Durante essa última semana foi ele quem alegrou os meus dias, mesmo ainda estando meio abatido por causa da vaca da Andréa. Sim eu descobri quem foi a estúpida que magoou o meu Henryzinho. E só não bati nela porque ela tem duas vezes o meu tamanho...
Olhei pela janela do quarto e vi que a São Pedro não tava pra brincadeira. Ainda estava chovendo. Mas mesmo com aquela aguaceira toda e com o vento que estava batendo, o dia ainda estava super abafado! Coloquei um vestido verde limão e uma rasteirinha estilo gladiador que eu amo de paixão. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo e passei só um gloss. Apareci na cozinha e meus pais estavam arrumando a geladeirinha de praia com uns refrigerantes, sucos e cerveja, muita cerveja! E numa outra sacola coloram um monte de salgadinhos, ainda bem que tinha bastante Ruffles e Doritos, porque eu amo de paixão!
Eu só não tinha entendido muito bem o por quê de toda aquela arrumação, afinal, estava chovendo e o dia não estava para passeio.Foi então que me lembrei que meu celular estava sem bateria e fui colocá-lo para carregar, mal sabia eu que mais tarde aquilo salvaria minha vida...
- Mãe, pai... O que exatamente significa toda essa arrumação? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Nós vamos passear, ué! – minha mãe respondeu com cara de “Não está óbvio?”.
- Hello... Tá chovendo e eu não tô a fim de pegar praia com chuva. – falei sorrindo sinicamente.
- Ainda bem que ninguém perguntou nada pra você, né filhinha? – respondeu com o mesmo tom que eu.
- Mãe, eu não acredito que a gente vai pra praia com essa chuva! Isso é tão... Tão... Argh! Eu nem consigo encontrar as palavras pra descrever isso! – eu estava ficando nervosa e minha mãe ia ficar também se eu continuasse a discutir.
Meus pais terminaram de arrumar tudo e nós entramos no carro, nem preciso dizer que já estava praticamente toda molhada, né? Fomos até o centro de Ubatuba, até uma praia horrível, que ficou mais feia ainda com o céu nublado. Parecia que a água era imunda, sabe? Mas eu ainda não tinha visto o pior!
Um pouco à frente de onde meu pai estacionou o carro, tinha uma placa gigante escrito: Passeios De Escuna. “Tá legal! Morri! Ou melhor, vou morrer se meu pai estiver mesmo pensando no que eu acho que ele está pensando! Eu me recuso a fazer um passeio de escuna com essa chuva e esse tempo! Ai, como eu queria saber dirigir, ou no mínimo ter dinheiro, assim eu pegava um táxi e ia embora pra casa, nem que tivesse que ficar na casa da minha avó!”
- Vamos logo, senão a escuna vai embora sem a gente! Corre, vai filho, vem Dani! – gritava meu pai com a geladeirinha na mão enquanto minha mãe segurava os salgadinhos e trancava o carro.
- Vocês só podem estar brincando, né? Eu não vou fazer passeio algum de barco com essa chuva, o mar deve tá muito bravo e o barco vai virar! Se liga pai, isso é uma escuna, não um navio! – falei desesperada, tentando abrir os olhos deles.
- Dani pára de frescura e vem curtir o passeio! E daí se o barco virar, não foi à toa que você fez três anos e meio de natação foi?- meu pai disse isso como se me fosse me fazer mudar de idéia, e o pior... é que fez!
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