Sete anos e dez dias.

Eu sabia porque continuava contando.

Não em calendários.

Não em relógios.

Mas na ausência dela.

Cada amanhecer era apenas mais uma coisa que Bella não viu.

Naquela manhã, a chuva caía fina sobre Forks, transformando as ruas em reflexos escuros e distorcidos. Eu estava sentado no alto das árvores perto do cemitério, imóvel, observando as gotas baterem contra a lápide cinzenta.

Isabella Marie Swan Cullen.

Ainda parecia impossível.

Então ouvi vozes.

Humanas.

Um caminhão de mudança parou na rua próxima ao cemitério — uma casa antiga, vazia havia anos. O motor desligou com um gemido metálico.

Um homem saiu primeiro. Cerca de trinta anos. Pensamentos comuns. Cansaço, contas, preocupação com caixas molhadas pela chuva.

A mulher desceu logo depois.

E o mundo inteiro pareceu inclinar sob meus pés.

Grávida.

Muito grávida.

Quase nove meses.

Mas não foi isso que me congelou.

Foi a voz dela.

Não igual à de Bella.

Não exatamente.

Mas havia uma cadência estranhamente familiar. Uma suavidade hesitante entre as palavras. O mesmo jeito de respirar antes de falar.

Meu corpo ficou rígido instantaneamente.

— Cuidado com aquela caixa, Aaron — ela disse, segurando a lombar enquanto caminhava devagar. — Tem as coisas do bebê aí.

Bebê.

O homem sorriu cansado.

— Você devia estar descansando, Lily.

Ela revirou os olhos.

Bella fazia isso daquele mesmo jeito.

O pensamento me atingiu como veneno.

Não.

Não era possível.

Eu me afastei imediatamente, rápido demais para um olho humano perceber, desaparecendo entre as árvores antes que o cheiro dela me alcançasse completamente.

Porque havia algo errado.

Errado de um jeito impossível.

Ela não cheirava como Bella.

Mas… havia ecos.

Notas quase idênticas misturadas ao cheiro humano.

Como uma memória enterrada profundamente.

Alice apareceu naquela noite.

Literalmente apareceu.

Um borrão dourado entrando pela janela da minha casa antes mesmo que eu percebesse sua aproximação.

Os olhos dela estavam enormes.

Assustados.

— Edward.

Eu me virei devagar.

— O que houve?

Ela não respondeu imediatamente.

Só me encarou.

Então seus pensamentos começaram a explodir rápido demais.

Confusão.

Choque.

Medo.

E uma imagem.

Um bebê.

Por um segundo, não consegui respirar.

Olhos castanhos profundos. Grandes demais para o rosto pequeno. Exatamente como os de Bella nas fotografias humanas da infância.

Alice levou a mão à boca desnecessariamente.

— Eu achei que estivesse imaginando.

Meu peito endureceu como pedra.

— O quê?

— Eu tive uma visão quando eles cruzaram a fronteira de Forks.

Outra imagem atravessou sua mente.

A mulher grávida segurando o ventre.

O bebê se movendo.

Olhos castanhos impossivelmente familiares.

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

— Isso não significa nada — eu disse imediatamente.

Mentira.

Porque eu já estava aterrorizado.

Alice balançou a cabeça devagar.

— Edward… eu vi o rosto dela.

— Não.

— Eu vi.

Ela parecia perturbada pela própria visão.

— Era como olhar para Bella quando criança.

Raiva subiu instantaneamente dentro de mim.

Não dela.

De esperança.

A esperança era cruel.

Perigosa.

Sete anos tinham me ensinado isso.

— Bella morreu — eu disse friamente. — Eu segurei o corpo dela.

Alice deu um passo mais perto.

— Eu sei.

Mas os pensamentos dela continuavam girando ao redor da mesma imagem.

Os olhos.

Os mesmos olhos.

Naquela noite, pela primeira vez em anos, eu não fui ao cemitério.

Fiquei observando a casa da mulher grávida da floresta.

As luzes acesas.

As sombras se movendo atrás das cortinas.

O som do coração dela.

E outro.

Menor.

Rápido.

Forte.

O coração do bebê.

Tum-tum-tum-tum.

Eu deveria ter ido embora.

Deveria ignorar aquilo antes que destruísse o pouco controle que ainda restava em mim.

Então ouvi a mulher rir dentro da casa.

E por meio segundo horrível…

Soou exatamente como Bella.