Eu Me Lembro - Crepúsculo
55 Obrigada
Quando chegamos na casa do tio Charlie, a chuva já tinha diminuído bastante.
Jake desligou o carro e ficou me olhando por um segundo antes de sair.
Como se ainda estivesse verificando se eu continuava ali.
Eu sorri pequeno pra ele e desci do carro abraçada no meu ursinho.
As luzes da casa estavam acesas.
Quentes.
Acolhedoras.
Meu peito apertou estranhamente assim que subi os degraus da varanda.
Familiar.
Muito familiar.
Jake abriu a porta sem bater mesmo.
— Charlie? Trouxe a fugitiva.
Ouvi passos pesados vindo da cozinha.
Então tio Charlie apareceu carregando duas sacolas de mercado ainda.
Quando me viu, a expressão cansada dele suavizou imediatamente.
— Ei, monstrinha.
Sorri automaticamente e corri pra abraçar ele.
E no instante em que os braços dele me envolveram…
A lembrança veio tão forte que quase me derrubou.
Escuridão.
Frio.
Choro preso na garganta.
Uma cama.
Pesadelos.
A porta do quarto abrindo devagar.
Charlie sentado na beirada da cama enquanto eu chorava silenciosamente.
“Outro pesadelo?”
Meu peito apertou violentamente.
A tristeza daquela lembrança era enorme.
Pesada.
Senti lágrimas enchendo meus olhos antes mesmo de entender direito.
Então outra memória veio junto.
Charlie trazendo chocolate quente.
Sentando comigo em silêncio.
Fingindo que não escutava quando eu chorava mais tarde.
Minha respiração falhou.
E antes que eu percebesse…
Abracei Charlie mais forte.
Muito forte.
O coração dele desacelerou preocupado imediatamente.
— Ei, pequena?
Minha garganta queimava.
Porque agora eu lembrava da dor dele também.
Da preocupação.
Da culpa por não conseguir ajudar.
E sem pensar…
As palavras escaparam.
Baixinhas.
Quebradas.
— Obrigada por cuidar de mim quando ele foi embora.
O mundo inteiro parou.
Charlie congelou instantaneamente.
O coração dele falhou uma batida inteira.
Jake ficou imóvel perto da porta.
A casa inteira pareceu silenciosa demais.
Então Charlie se afastou só o suficiente pra olhar pra mim.
Confuso.
Assustado.
— O quê?
Mas eu já estava chorando agora.
Sem entender completamente por quê.
Só sabia que aquela tristeza era antiga.
Muito antiga.
Charlie passou a mão no meu cabelo devagar.
Tentando me acalmar.
Mas os olhos dele estavam arregalados.
Porque ele reconheceu aquela frase.
Reconheceu o jeito que falei.
E talvez…
Talvez uma parte dele tivesse reconhecido até a dor.
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