Ninguém falou muito depois disso.

Porque qualquer palavra parecia perigosa agora.

Charlie permaneceu parado perto da cozinha como se ainda estivesse tentando acordar de um pesadelo. Sue voltou para o andar de cima silenciosamente. Carlisle apenas agradeceu pela confiança antes de caminharmos até a porta.

E eu…

Eu não consegui olhar para trás.

Porque sabia que se olhasse para aquele corredor outra vez, ouviria o coração pequeno de Maliza batendo no andar de cima.

E alguma coisa dentro de mim cederia completamente.

A chuva tinha diminuído quando entramos no carro.

Forks parecia fantasma naquela hora da noite.

As ruas vazias. Névoa baixa entre as árvores. Luzes distantes borradas pela água no vidro.

Carlisle dirigia em silêncio absoluto.

Mas eu conseguia sentir o peso dos pensamentos dele mesmo sem ouvir uma única palavra.

Preocupação.

Comigo.

Sempre comigo.

Meu corpo inteiro continuava rígido no banco do passageiro.

As mãos fechadas forte demais.

Porque eu ainda sentia o abraço de Maliza.

Ainda conseguia ouvir:

“Você voltou.”

Como Bella falaria.

Como Bella sentiria.

Não.

Fechei os olhos imediatamente.

Isso era impossível.

Precisava ser.

Carlisle finalmente falou depois de vários quilômetros:

— Edward.

Não respondi.

Ele segurou o volante por alguns segundos antes de continuar:

— Você não precisa decidir o que acredita hoje.

Uma risada seca quase escapou da minha garganta.

Porque essa era exatamente a questão.

Eu já estava acreditando.

E isso me aterrorizava.

Carlisle diminuiu a velocidade lentamente perto da estrada que levava ao cemitério.

Claro.

Ele sabia.

O carro parou suavemente no acostamento molhado.

Por alguns segundos ficamos em silêncio dentro do carro.

Então Carlisle falou muito baixo:

— Seja qual for a verdade… Bella te amou profundamente.

Meu peito queimou instantaneamente.

Olhei pela janela escura sem responder.

Carlisle colocou a mão no meu ombro uma única vez antes de me deixar sair.

E então fui embora.

Correndo.

A floresta desaparecendo num borrão escuro enquanto o cheiro de chuva e terra molhada preenchia meus pulmões desnecessários.

Eu precisava vê-la.

Precisava lembrar da verdade.

Bella estava morta.

Eu vi.

Eu senti.

Cheguei ao cemitério rápido demais.

A chuva fina caía silenciosa entre as lápides enquanto caminhei diretamente até ela sem precisar olhar.

Bella Marie Swan Cullen.

O nome gravado na pedra parecia mais cruel naquela noite.

Fiquei parado diante do túmulo por um longo tempo sem me mover.

Então lentamente me ajoelhei na terra molhada.

E pela primeira vez em muitos anos…

Não consegui controlar a dor.

Porque agora ela vinha misturada com esperança.

E esperança era infinitamente mais perigosa.

Passei a mão fria sobre o nome dela na lápide.

— Isso não é você.

A voz saiu quebrada.

Fraca.

Como se eu estivesse tentando convencer a mim mesmo.

O vento atravessou as árvores silenciosamente.

Então outra memória me atingiu.

Maliza dormindo no meu colo.

Segura.

Familiar.

Viva.

Meu corpo inteiro tensionou violentamente.

— Bella…

O nome escapou antes que eu pudesse impedir.

E naquele instante horrível…

Eu percebi que não estava mais falando com o túmulo.