Maliza’s p.o.v


Eu tenho nove anos agora.

Quase dez.

Meu aniversário é dia 13 de agosto.

Eu gosto dessa data.

Não sei exatamente por quê, mas sempre sinto alguma coisa quentinha quando penso nela.

Muita coisa mudou nesses últimos cinco anos.

Depois que tio Charlie morreu… eu comecei a passar ainda mais tempo em La Push.

A casa ficou silenciosa demais sem ele.

E quando tia Sue morreu cinco meses depois…

Pareceu errado.

Como se Forks tivesse perdido um pedaço importante dela mesma.

Jake ficou sozinho na casa depois disso.

Mas eu ia muito lá.

Às vezes só pra ficar sentada no sofá enquanto ele mexia na moto ou fazia comida reclamando da vida.

Às vezes pra ouvir histórias da tribo.

Às vezes porque ele parecia triste quando ficava sozinho tempo demais.

Mas eu também ia muito pra casa dos Cullen.

Quase sempre depois da escola.

Estou estudando na Forks High School agora porque minha mãe decidiu que eu era “adiantada demais”.

Emmett chama isso de “ser nerd igual a Bella”.

Rosalie bate nele toda vez que ele fala isso perto de mim.

Quase sempre quando saio da escola minha mãe me deixa na casa do Jake ou na dos Cullen até ela ou meu pai terminarem o trabalho.

E honestamente…

A casa dos Cullen já parece minha também.

Esme sempre faz comida humana pra mim mesmo ninguém ali precisar comer.

Carlisle me ajuda nas matérias difíceis.

Alice escolhe roupas pra mim sem pedir permissão.

Rosalie finge que não gosta quando deito no colo dela enquanto ela lê.

E Emmett ainda perde videogame pra mim porque ele é ruim.

Muito ruim.

Hoje eu tava indo pra lá por outro motivo.

Um importante.

Porque finalmente decidi contar pro Edward.

Quem eu lembro ser.

O carro da minha mãe parou na frente da casa dos Cullen e ela olhou pra mim antes de eu sair.

— Quer que eu te busque mais cedo hoje?

Balancei a cabeça.

— Não. Acho que vou ficar até mais tarde.

Ela sorriu pequeno.

Minha mãe já tinha parado de estranhar muita coisa fazia tempo.

Inclusive o fato de eu preferir passar tempo numa casa cheia de pessoas estranhas e frias.

— Tá bom. Me liga depois.

Assenti e saí do carro abraçada na mochila.

A chuva caía fraquinha sobre a floresta enquanto eu subia os degraus da varanda.

Nem precisei bater.

Alice abriu a porta antes.

Claro.

Ela abriu um sorriso enorme imediatamente.

— Finalmente.

Franzi a testa.

— Você já sabia que eu vinha.

— Sim, mas eu gosto de dramatizar.

Revirei os olhos entrando na casa.

O cheiro de comida veio da cozinha imediatamente.

Esme.

Sorri sem perceber.

— Ela fez lasanha de novo?

Alice parecia ofendida.

— Você nem deu oi.

— Oi, Alice.

— Melhor.

Tirei os tênis perto da porta enquanto escutava Emmett gritando alguma coisa sobre videogame na sala.

Normal.

Tudo normal.

Mas meu coração começou a bater mais rápido quando senti outro cheiro.

Frio.

Doce.

Floresta e chuva.

Edward.

Ele estava em casa.

Meu peito apertou imediatamente.

Porque hoje eu finalmente ia falar.

Ia contar pra ele.

Que eu lembrava.

Mesmo que ainda doesse um pouco admitir.

Subi a escada devagar segurando mais forte a mochila.

E encontrei ele sentado perto da janela aberta do quarto.

Lendo.

Claro.

Os olhos dourados levantaram imediatamente quando me viu.

E instantaneamente aquela expressão apareceu no rosto dele.

Aquela que ele só fazia comigo.

Como se me ver ainda surpreendesse ele todos os dias.

Meu coração apertou quentinho.

Então entrei no quarto e falei antes de perder coragem:

— Acho que finalmente lembrei quem eu era.