Eu Me Lembro - Crepúsculo

70 Reencarnação part. 2



Maliza’s p.o.v


No dia seguinte, acordei ouvindo batidinhas leves na porta do meu quarto.

Ainda tava meio escuro lá fora.

Forks sendo Forks.

Me enrolei mais no cobertor por alguns segundos até a porta abrir devagar.

— Maliza?

A voz da minha mãe saiu baixinha.

Gentil.

Abri um olho só.

— Hm…

Ela entrou no quarto sorrindo pequeno já segurando uma caneca.

Chocolate quente.

Automaticamente sentei na cama.

— Você tá me comprando.

— Sim.

Peguei a caneca imediatamente enquanto ela ria baixinho.

Meu quarto ainda tava bagunçado do jeito que deixei ontem: mochila jogada perto da escrivaninha, livros empilhados tortos e uma blusa dos Cullen esquecida na cadeira.

Minha mãe percebeu.

Claro.

— Você praticamente mora naquela casa já.

Sorri tomando um gole do chocolate quente.

— A comida da Esme é melhor.

— Traidora.

Ri baixinho.

Mas assim que a risada diminuiu…

As lembranças de ontem voltaram todas de uma vez.

Edward.

O quarto.

“Eu lembro de ser Bella.”

Meu peito apertou imediatamente.

Minha mãe percebeu na hora que fiquei quieta.

Ela sentou na beirada da cama me observando cuidadosamente.

— Pesadelos de novo?

Balancei a cabeça devagar.

— Não.

E era verdade.

Pela primeira vez em muito tempo eu não tinha tido pesadelos.

Só sonhos estranhos.

Floresta.

Chuva.

Olhos dourados.

Minha mãe passou a mão no meu cabelo com carinho.

— Então o que foi?

Olhei pra caneca quente nas minhas mãos por alguns segundos antes de perguntar baixinho:

— Mãe… você acredita em reencarnação?

Silêncio.

Ela não respondeu imediatamente.

Só ficou me olhando.

E isso já respondeu metade da pergunta.

— Por que tá perguntando isso?

Dei de ombros pequeno.

— Só curiosidade.

Mentira horrível.

Minha mãe conhecia minhas mentiras.

Suspirou baixinho antes de falar:

— Acho que algumas pessoas deixam marcas fortes demais pra desaparecer completamente.

Meu peito apertou estranho.

Levantei os olhos lentamente pra ela.

— E se elas voltarem?

Ela sorriu triste.

Como alguém que já tinha pensado nisso antes.

— Então talvez seja porque ainda tinham alguém pra amar aqui.

Minha garganta queimou imediatamente.

Porque meu cérebro pensou nele sem pedir permissão.

Edward.

Minha mãe percebeu minha expressão e estreitou os olhos levemente.

— Isso tem a ver com os Cullen?

Revirei os olhos automaticamente.

— Tudo sempre parece ter a ver com os Cullen.

Ela riu baixinho.

— Porque você ama aquela família.

A frase saiu simples.

Natural.

E meu peito apertou tão forte que quase doeu.

Porque ela tava certa.

Muito certa.

Terminei o chocolate quente em silêncio enquanto a chuva batia fraca na janela.

Então minha mãe levantou da cama.

— Vai se arrumar antes que você se atrase.

Assenti.

Mas antes dela sair do quarto…

Perguntei sem pensar:

— Mãe… quando eu nasci, aconteceu alguma coisa estranha?

Ela parou na porta imediatamente.

E pela primeira vez naquela manhã…

Pareceu nervosa.

Muito nervosa.

Virou devagar pra mim.

— Por que você perguntou isso?