Minha mãe continuou parada na porta por alguns segundos.

Silenciosa.

E aquilo sozinho já me deixou nervosa.

Porque minha mãe normalmente respondia tudo rápido.

Até quando não queria responder.

Apertei mais forte a caneca nas mãos.

— Por favor.

Ela desviou os olhos por um instante.

Pensando.

Ou tentando decidir quanto deveria me contar.

Então suspirou baixinho e voltou a sentar na beirada da cama.

Meu coração começou a bater mais rápido imediatamente.

— Tá.

A voz dela saiu calma.

Mas não completamente.

— Quando você nasceu… algumas coisas foram estranhas.

Endireitei a postura sem perceber.

Minha mãe passou a mão pelos próprios dedos nervosamente antes de continuar:

— Primeiro porque você nasceu cedo demais.

Assenti devagar.

Isso eu sabia.

— O parto foi complicado. Muito complicado.

Meu peito apertou estranho.

Uma sensação ruim atravessou meu estômago sem motivo claro.

Minha mãe percebeu.

— Ei, tá tudo bem.

Ela segurou minha mão antes de continuar.

— Você ficou quieta quando nasceu.

Meu coração falhou uma batida.

— Quieta?

Ela assentiu lentamente.

— Os médicos ficaram assustados porque você não chorava.

A chuva parecia mais alta agora.

Ou talvez fosse só meu coração.

Minha mãe sorriu pequeno, emocionada com a lembrança.

— Mas aí… você abriu os olhos.

Franzi a testa.

— E?

Ela respirou fundo.

— E você olhou direto pro Charlie.

Meu peito apertou violentamente.

— O tio Charlie tava lá?

— Tava.

A voz dela suavizou imediatamente.

— Ele praticamente adotou a gente quando chegamos em Forks.

Sorri pequeno sem perceber.

Isso parecia muito com ele.

Minha mãe continuou:

— Quando você olhou pra ele… ele começou a chorar.

Silêncio.

Fiquei encarando ela sem entender.

— Por quê?

Ela hesitou.

Só um segundo.

Mas eu percebi.

— Porque você tinha os olhos de alguém que ele perdeu.

Meu coração disparou imediatamente.

Bella.

Minha garganta queimou.

Minha mãe apertou minha mão mais forte.

— Charlie ficou estranho por dias depois que você nasceu.

Olhei pra janela tentando organizar os pensamentos.

Então perguntei baixinho:

— Mais alguma coisa aconteceu?

Minha mãe ficou quieta novamente.

E isso me assustou mais do que qualquer resposta.

— Mãe?

Ela soltou o ar devagar.

— Na primeira noite em casa… você teve febre muito alta.

Franzi a testa.

— Bebês têm febre.

— Não daquele jeito.

Meu peito apertou.

Minha mãe agora parecia realmente nervosa lembrando.

— Você chorava como se estivesse assustada. Muito assustada.

Apertei o cobertor involuntariamente.

Então ela falou a frase que fez meu corpo inteiro gelar:

— E no meio da madrugada… você falou uma palavra.

O mundo inteiro pareceu parar.

— O quê?

Minha mãe me encarou diretamente agora.

Os olhos brilhando assustados até hoje.

— Edward.

Silêncio absoluto.

Minha respiração falhou.

Não.

Não era possível.

Minha mãe percebeu imediatamente meu desespero crescendo.

— Você era só um bebê — ela falou rápido. — Talvez tenha sido só um som parecido.

Mas pela expressão dela…

Nem ela acreditava nisso.

Levei a mão até o peito sentindo o coração bater rápido demais.

Porque alguma coisa dentro de mim reconhecia aquilo.

Reconhecia profundamente.

Minha mãe passou a mão no meu cabelo devagar.

Tentando me acalmar.

— Depois disso você nunca mais teve aquela febre.

Olhei lentamente pra ela.

A garganta queimando.

— Você contou isso pra alguém?

Ela assentiu devagar.

— Pro Charlie.

Claro.

Meu peito apertou quente outra vez.

— E ele falou alguma coisa?

Minha mãe sorriu triste.

Muito triste.

— Ele disse que algumas pessoas amam tão forte… que talvez não saibam como ir embora completamente.