Eu Me Lembro - Crepúsculo
71 Nascimento part. 2
Minha mãe continuou parada na porta por alguns segundos.
Silenciosa.
E aquilo sozinho já me deixou nervosa.
Porque minha mãe normalmente respondia tudo rápido.
Até quando não queria responder.
Apertei mais forte a caneca nas mãos.
— Por favor.
Ela desviou os olhos por um instante.
Pensando.
Ou tentando decidir quanto deveria me contar.
Então suspirou baixinho e voltou a sentar na beirada da cama.
Meu coração começou a bater mais rápido imediatamente.
— Tá.
A voz dela saiu calma.
Mas não completamente.
— Quando você nasceu… algumas coisas foram estranhas.
Endireitei a postura sem perceber.
Minha mãe passou a mão pelos próprios dedos nervosamente antes de continuar:
— Primeiro porque você nasceu cedo demais.
Assenti devagar.
Isso eu sabia.
— O parto foi complicado. Muito complicado.
Meu peito apertou estranho.
Uma sensação ruim atravessou meu estômago sem motivo claro.
Minha mãe percebeu.
— Ei, tá tudo bem.
Ela segurou minha mão antes de continuar.
— Você ficou quieta quando nasceu.
Meu coração falhou uma batida.
— Quieta?
Ela assentiu lentamente.
— Os médicos ficaram assustados porque você não chorava.
A chuva parecia mais alta agora.
Ou talvez fosse só meu coração.
Minha mãe sorriu pequeno, emocionada com a lembrança.
— Mas aí… você abriu os olhos.
Franzi a testa.
— E?
Ela respirou fundo.
— E você olhou direto pro Charlie.
Meu peito apertou violentamente.
— O tio Charlie tava lá?
— Tava.
A voz dela suavizou imediatamente.
— Ele praticamente adotou a gente quando chegamos em Forks.
Sorri pequeno sem perceber.
Isso parecia muito com ele.
Minha mãe continuou:
— Quando você olhou pra ele… ele começou a chorar.
Silêncio.
Fiquei encarando ela sem entender.
— Por quê?
Ela hesitou.
Só um segundo.
Mas eu percebi.
— Porque você tinha os olhos de alguém que ele perdeu.
Meu coração disparou imediatamente.
Bella.
Minha garganta queimou.
Minha mãe apertou minha mão mais forte.
— Charlie ficou estranho por dias depois que você nasceu.
Olhei pra janela tentando organizar os pensamentos.
Então perguntei baixinho:
— Mais alguma coisa aconteceu?
Minha mãe ficou quieta novamente.
E isso me assustou mais do que qualquer resposta.
— Mãe?
Ela soltou o ar devagar.
— Na primeira noite em casa… você teve febre muito alta.
Franzi a testa.
— Bebês têm febre.
— Não daquele jeito.
Meu peito apertou.
Minha mãe agora parecia realmente nervosa lembrando.
— Você chorava como se estivesse assustada. Muito assustada.
Apertei o cobertor involuntariamente.
Então ela falou a frase que fez meu corpo inteiro gelar:
— E no meio da madrugada… você falou uma palavra.
O mundo inteiro pareceu parar.
— O quê?
Minha mãe me encarou diretamente agora.
Os olhos brilhando assustados até hoje.
— Edward.
Silêncio absoluto.
Minha respiração falhou.
Não.
Não era possível.
Minha mãe percebeu imediatamente meu desespero crescendo.
— Você era só um bebê — ela falou rápido. — Talvez tenha sido só um som parecido.
Mas pela expressão dela…
Nem ela acreditava nisso.
Levei a mão até o peito sentindo o coração bater rápido demais.
Porque alguma coisa dentro de mim reconhecia aquilo.
Reconhecia profundamente.
Minha mãe passou a mão no meu cabelo devagar.
Tentando me acalmar.
— Depois disso você nunca mais teve aquela febre.
Olhei lentamente pra ela.
A garganta queimando.
— Você contou isso pra alguém?
Ela assentiu devagar.
— Pro Charlie.
Claro.
Meu peito apertou quente outra vez.
— E ele falou alguma coisa?
Minha mãe sorriu triste.
Muito triste.
— Ele disse que algumas pessoas amam tão forte… que talvez não saibam como ir embora completamente.
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