Notas iniciais
Nota:. Leiam a nota depois do capítulo, por favor.


Eu conseguia ouvir tudo.

O coração dela — irregular, cansado, insistente.

O sangue correndo rápido demais pelas veias frágeis.

Os ossos cedendo pouco a pouco sob a força impossível daquela criança.

E ainda assim, Bella sorria.

Mesmo deitada naquela cama improvisada, coberta de suor, pele translúcida como papel molhado, ela encontrava forças para sorrir para mim como se aquilo fosse apenas mais uma dificuldade humana qualquer. Como se não estivesse morrendo diante dos meus olhos.

- Edward... — ela sussurrou, a voz fina. — Ela está bem?

Ela.


Nossa filha.


A criatura dentro dela se movia rápido demais. Forte demais. Eu podia ouvir o estalar microscópico dos tecidos internos de Bella cada vez que a bebê se agitava. Cada movimento era uma violência.

Rosalie segurava Bella pelos ombros enquanto eu tentava ignorar os pensamentos histéricos dela. Jacob andava de um lado para outro como um animal preso numa jaula. Carlisle ainda não tinha voltado.


E eu... eu estava ouvindo minha esposa morrer em tempo real.

O cheiro do sangue já começava a tomar o cômodo.


- Ela está viva — menti.

Bella fechou os olhos por um instante, satisfeita. Como se isso bastasse.

Então veio a contração.

O corpo dela arqueou imediatamente, um grito rasgando sua garganta. Não era humano aquele som. Era puro sofrimento. Eu segurei sua mão com cuidado absurdo, aterrorizado de quebrá-la.


- Bella, olha pra mim — eu disse rápido. — Respira.

Mas ela já estava entrando em pânico. O coração acelerou num ritmo caótico.


Tum-tumtum-tum-tumtumtum-

Errado.

Muito errado.

E então aconteceu.

Um movimento brusco sob a pele do ventre dela.

Um estalo.


Nítido.


Alto.


A costela.

Eu ouvi antes mesmo de Bella gritar.

O osso partiu de dentro para fora, perfurando tecido, rasgando pulmão. O cheiro de sangue inundou o quarto como fogo.


Bella soltou um som sufocado e seus dedos esmagaram os meus.

- EDWARD-

Ela tossiu sangue.

Rosalie recuou imediatamente, os pensamentos dela virando um borrão vermelho de sede. Jacob rosnou no canto do quarto.

Mas eu só via Bella.

Só Bella.


Seus olhos arregalados.

O terror.


A dor.


A vida escapando dela rápido demais.

Eu abri o ventre dela com as mãos trêmulas porque não havia mais tempo. Não havia delicadeza. Não havia humanidade sobrando em mim.

Só desespero.

A bebê estava lá, coberta de sangue, pequena demais, silenciosa demais.

Silenciosa.

Meu mundo inteiro congelou.

Não havia choro.


Não havia coração.


Nada.


Por um segundo horrível, eu não consegui entender. Minha mente simplesmente recusou a realidade diante de mim.

Então Bella segurou meu braço.

Fraco.


Tão fraco.

Olhei para ela imediatamente.

Os lábios dela já estavam ficando azuis.


- Edward... — ela murmurou.

Eu puxei a seringa do veneno com velocidade absurda.

- Não. Não, não, não. Bella, fica comigo.


Eu injetei o veneno direto no coração dela.

Esperei.

Um segundo.


Dois.


Três.


Nada.

O coração dela falhou num ritmo irregular.

Tum...

...

Tum...

Bella me encarava, mas os olhos já estavam distantes.

- Eu amo vo-

O último batimento veio como um suspiro.

E acabou.


O silêncio foi pior do que qualquer grito.

Porque eu ainda conseguia ouvir tudo ao redor.

O vento nas árvores.

Jacob chorando baixinho no canto.

Rosalie parada, imóvel.

Mas Bella...

Bella não fazia mais som nenhum.

Eu segurei o corpo dela por horas.

Talvez dias.


Não sei.

O veneno nunca funcionou.

Nossa filha nunca respirou.

E pela primeira vez em mais de um século, eu desejei não ser imortal.




Notas finais
Nota:. Nessa fanfic não terá romance nem com o Edward e nem com o Jacob.