Eu Ficarei Ao Seu Lado
15 Capítulo XIV- Laços de família II- Carlisle
Notas iniciais
POV Carlisle.
Cansaço.
Essa era a palavra que definia meu estado físico, mental e espiritual.
Desde quando perdi minha esposa, minha querida Esme, venho me dedicando o tempo todo ao trabalho.
Foi uma forma que encontrei de não sucumbir a dor de não tê-la mais comigo.
O tempo em que estou no hospital consome minhas forças e chego a esquecer minhas dores, preocupando-me apenas com as dores alheias, porém quando volto para casa não tenho para onde fugir.
Lá é o lugar onde a sinto mais perto de mim.
É como se ela ainda estivesse ali, ao meu lado, mas eu sei que não está.
Isso me mata aos poucos, aumenta minha dor, minha tristeza, minha culpa.
Minha total incapacidade e impotência diante da doença dela tirou meu chão.
Sentia o peso do mundo em minhas costas, tinha a nítida impressão que tudo escorria pelas minhas mãos.
Devido a necessidade de controle, tornei-me um homem super exigente e frio. Principalmente com meus filhos.
Fiz exatamente o contrário do que prometi a Esme.
Eu disse que cuidaria deles, os amaria e protegeria sempre, no entanto fiz cobranças e mais cobranças, impus minhas vontades e acabei perdendo o amor e admiração de um deles, Edward.
Meu caçula sempre fora diferente de mim, era a cópia fiel da mãe e isso me manteve afastado dele após a inesperada partida dela.
Eu sentia muita dor ao olhar para ele e ver os olhos, nariz e até cor dos cabelos dela.
Vivia em conflito interno, comecei a evita-lo, queria apenas que ele estudasse e se mantivesse ocupado no hospital o suficiente para que não me fizesse lembrar do enorme buraco em meu peito.
Emmett era mais parecido comigo, mas seu jeito carinhoso tinha muito da mãe, porém eu não dei mais espaço para eles usarem desse tipo de sentimento comigo.
Me joguei de corpo e alma no trabalho e exigia que eles fizessem o mesmo, acabei me afastando dos meus filhos, e não tinha forças para voltar a ser o pai carinhoso e companheiro que sempre fui.
Faltava uma pessoa naquele quadro de família perfeita, ela não iria mais voltar. Minha família estava destruída.
Pelo menos era assim que eu pensava.
Tornei-me um homem frio, distante e objetivo.
Quando Edward disse que iria fazer música, tive medo de perde-lo.
Eu sabia que ele estava seguindo seu caminho.
Eu estava perdendo o controle sobre ele, e isso não podia acontecer, eu não queria enfrentar nada que não fosse determinado por mim.
Tudo tinha que estar dentro dos meus padrões, das minhas vontades, não podia deixar nada escapar por entre meus dedos, assim como a vida de Esme escapou.
Era como se estivesse impotente em relação a ele da mesma forma que estive em relação a doença de Esme.
Não admiti que tive orgulho de sua atitude, afinal ele estava indo contra tudo para ir em busca dos seus sonhos.
Fui rude e intolerante, deixei que o medo e a dor fosse mais forte que o meu amor de pai.
Esme sentiria muita vergonha da minha atitude, eu estava fazendo tudo errado.
Ao invés de cuidar e proteger meus filhos estava afastando-os de mim com meu egoísmo, porque não foi apenas eu que a perdi.
Quando minha amada Esme faleceu, fiquei sem a esposa e meus filhos sem a mãe.
E o laço de mãe e filho não é mais forte do que marido e mulher?
Pensei somente em minha dor, no meu sofrimento e ao invés de buscar consolo e consolá-los afastei-os.
Assim que Edward saiu de casa me arrependi profundamente pelas palavras bruscas que lhe disse, pensei que ele precisava de um tempo, que voltaria e poderíamos conversar com calma.
Mas ele não voltou, a culpa e arrependimento me devastaram.
Nos primeiros meses senti raiva de toda aquela situação, cheguei a odiar a mim mesmo.
Tinha que fazer alguma coisa, tentei conversar com Emmett a respeito, mas ele pediu que esperássemos mais um pouco, que Edward deveria estar bem.
Concordei com ele, minha única opção era esperar.
Eu queria meu filho de volta, queria poder pedir perdão, e mesmo não concordando com sua decisão iria apoiá-lo, porque essa foi a promessa que fiz a Esme e era o minha obrigação como pai.
Os meses passaram e minha angústia aumentava.
Emmett tentava não demonstrar, mas ele também estava preocupado, no entanto sempre tentava me acalmar.
Nossa relação estava voltando a ser como antes.
Passávamos mais tempo juntos, chegamos até a fazermos alguns progamas juntos.
Estava recuperando o amor do meu grandalhão, faltava o do meu caçulinha, um pequeno sorriso brotou dos meus lábios ao pensar nisso.
A quanto tempo que eu não sorria?
Fiquei enclausurado em minha dor que não percebi que eles sofreram tanto ou mais do que eu.
Pedia a Deus apenas que eu pudesse recuperar o tempo perdido, e que Edward me perdoasse.
Quase um ano longe dele, sem saber seu paradeiro, se estava bem, estudando, trabalhando, isso estava me matando.
Estava decidido a procurar um detetive particular, mas notei que algo havia mudado.
Emmett estava mais leve e sorridente dizendo que em breve eu teria uma surpresa. Com certeza era sobre Edward, porém não queria entrar em detalhes, tive que apelar.
Avisei que iria procurar um detetive particular, então ele teve que abrir o jogo e confirmar o que eu já desconfiava, tinha encontrado Edward.
Segundo Emmett, ele estava bem, feliz e estava prestes a realizar um dos seus sonhos,que tinha outras novidades, mas que o próprio Edward contaria para mim, bastava apenas esperar mais alguns dias até ele resolvesse algumas coisas.
Fiquei sem entender direito, mas a felicidade que senti ao saber que meu filho estava bem, me fez superar a ansiedade e esperar quando ele pudesse vim até mim.
Enfim minha vida voltaria ao normal.
No entanto, hoje quando chego ao hospital para meu plantão, recebi a notícia que uma moça tinha dado entrada na emergência, acompanhada pelos meus dois filhos.
Fiquei ansioso, por Edward estar tão perto de mim, ao mesmo tempo fiquei sem saber o porque deles estarem ali com uma moça.
Que moça seria essa?
Alguma estranha que eles encontraram na rua, quando Emmett estava indo para casa com Edward?
Tantas perguntas, nenhuma resposta.
Pedi o protocolo de entrada da tal moça para saber quem a estava atendendo e o que foi diagnosticado. Qual não foi minha surpresa ao saber que o próprio Emmett a acompanhava e que Edward ainda estava no hospital.
Dirigi-me até minha sala e imediatamente liguei para Emmett.
— Alô, Pai?
— Oi Emmett, já estou no hospital e me informaram o que aconteceu por aqui, quem é essa moça e cadê o Edward.
— Pai é uma longa história, o Ed iria falar com o Sr., mas não deu tempo, vou explicar por alto, porque pelo resultado que tenho aqui em minhas mãos a situação é complicada, já mandei chamar o Jared para dar uma olhada no exame, não queria sair daqui sem um diagnóstico preciso, porque Edward está desesperado.
— Desesperado por quê? Essa moça é amiga dele, você a conhece?
— É a namorada dele pai.
Edward namorando? O que foi que eu perdi?
— Como assim namorada dele Emmett? Onde Edward conheceu essa moça?
— Pai, já disse que a história é longa e que o Sr. saberá de tudo. Eu prometo, mas preciso de sua ajuda. Antes de ser namorada do Ed a Bella é um ser humano, jovem, cheia de sonhos, preciso que olhe o exame, acabei de mandar para o senhor dar uma olhada.
— Certo Emmett pode mandar o resultado que vou dar uma olhada, qual foi o exame que fez nela?
Apesar de ter feito a pergunta, já imagina qual era a resposta, pois se ele pediu ajuda a Jared, tinha alguma coisa a ver com oncologia.
Ouvi um suspiro cansado do outro lado da linha.
— Uma tomografia craniana pai.
No segundo seguinte o ar me faltou.
— Certo Emmett mande imediatamente o exame que quero ver agora.
— Vou mandar... E pai... Ela é a mulher da vida dele ... O Ed vai precisar de nós.
Uma pontada de dor tomou meu coração, me vi em um Dejávu.
Esme também era a minha.
Deus!!
Eu não podia fraquejar agora, meu filho precisava de mim.
Ouvi o barulho do aparelho do fax e corri para pegar o exame.
Estava a um logo tempo olhando aquele exame, sem acreditar na terrível coincidência da vida.
Pedia a Deus que não permitisse que meu filho passasse pelo mesmo sofrimento que eu passei.
Estava indeciso se iria até ele ou se pediria a Emmett para trazê-lo, quando a porta da minha sala foi aberta.
Deparei-me com Edward com uma aparência desolada, lágrimas banhando seu rosto, parecia exausto.
Entrou na sala dando alguns passos em minha direção e caiu de joelhos.
— Pai me ajude por favor, não deixe minha Bella... Meu anjo... Não!
Céus!!!
Não podia ver tanto sofrimento em meu filho, o pior é que eujá tinha passado por isso, sabia a dor que ele estava sentindo.
Caminhei até ele, ajoelhei-me à sua frente, abraçando-o fortemente.
— Calma filho, estou aqui, vou ajudar sua namorada, vai ficar tudo bem, eu prometo!
Essa promessa eu faria o possível e o impossível para cumprir.
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