Eu Cuidarei De Você.
14 Capítulo 14 - Russel (parte 1)
Notas iniciais
Quinn ficou estática. Parecia até não respirar, encarava o nada como se estivesse perdida. E então disse baixo, mas firme:
Q: Não. Ele... Não.
J: Quinnie...
Q: Por que a senhora está fazendo isso? Eu não quero aquele homem aqui! [angustiou-se]
J: Ele me ligou... Quinn, essa casa é dele.
Q: Então eu vou sair.
J: Ele não vem pra ficar. Ele vem conversar [disse com a voz trêmula]
Q: Ele está vindo agora?
J: Sim.
Q: Rach... Rach, por favor, me tira daqui. [agitou-se na cadeira]
R: Hey, calma [aproximou-se, afagando-lhe o ombro]. Judy, eu posso levar a Quinn embora? [levantou o olhar para a mulher]
Judy assentiu nervosa, mas pediu que Rachel esperasse. Foi para o quarto e voltou com um objeto em mãos, estendendo para a morena: as chaves do carro.
J: Eu prefiro que vocês levem o carro.
Rachel pegou as chaves e guiou Quinn para fora da casa. Abriu a porta do carona e a colocou cuidadosamente lá enquanto guardava a cadeira no porta malas. Entrou, colocando o cinto de segurança em si e em Quinn e deu partida no veículo. Enquanto dava ré para sair dali percebeu a respiração alterada da loira. Ela dirigiu em silêncio e sem rumo e quando estava a uma distância segura da suntuosa casa dos Fabray, parou no acostamento. Tirou o cinto de ambas e puxou a namorada para um abraço, apenas tendo uma ideia do porquê de estar reconfortando-a.
R: Por que esse medo todo? [sussurrou, beijando um pouco abaixo da orelha da loira]
Q: Eu não queria encontrá-lo... [disse com a voz falha, o rosto escondido no colo da morena].
R: Por ele ter te expulsado de casa?
Q: Também... [puxou o ar] Ele é um homem repulsivo, Rach! [desabafou, começando a chorar].
Rachel apertou ainda mais Quinn contra seu corpo.
R: Shhh... Ei, tá tudo bem, vamos parar de falar sobre isso... [afagou as costas dela com uma mão enquanto a outra acariciava seu seus cabelos claros]. Você quer ir pra minha casa?
A loira assentiu ainda encolhida no abraço de Rachel.
O homem parado na soleira da porta examinava o interior da casa e a mulher em sua frente. Aspirava o ar como se certificasse de que estava tudo em ordem, seu olhar calmo, mas frio. As mãos no bolso da calça social e uma expressão presunçosa no rosto largo. Deu um passo para frente, fazendo a outra recuar e entrou, fechando a porta de sua casa.
J: Russel. O que você está fazendo aqui? [tentou manter a voz firme]
R: Eu te disse no telefone. Parece que tudo aqui está como eu deixei. [disse satisfeito] A mesa posta e você me esperando, como deve ser.
A arrogância estava estampada na cara do homem.
J: Não seja ridículo, Russel.
R: Mais respeito com o seu marido. Será que eu me ausentei por tanto tempo que você esqueceu como deve se dirigir a mim?
J: E-eu me dirijo a você da forma que eu quiser. [gaguejou]
Russel arqueou a sobrancelha, fazendo Judy reparar a semelhança com a filha mais nova por uns breves segundos. Mas, ao contrário de Quinn, esse gesto de seu marido causava medo.
R: O que você pensa que está fazendo? [sua voz era calma, mas cortante] Achou que eu não voltaria pra botar ordem nesse lugar? Você não me expulsou daqui Judy [deu um sorrisinho], eu sei que você contou essa história para os outros. Como se tivesse descoberto a minha traição e me tirado de casa, mas ambos sabemos que quem saiu fui eu. Por que eu não aguentava mais a mulher fraca que você é. E não me arrependo, tive um grande momento [abriu um largo sorriso irônico]. A Claire é muito mais mulher do que você.
Judy cambaleou por um momento, profundamente afetada pelas palavras do homem. Com um fio de voz disse:
J: Eu quero o divórcio...
R: Essa casa é minha. Os negócios que você está administrando são meus. O dinheiro é meu. Você sabe que eu posso dar um jeito de te deixar sem nada se você fizer isso. Eu posso inclusive dar um jeito de você sumir. [ameaçou sem um pingo de emoção na voz]
O silêncio era cortante. Russel deliciava-se com a falta de reação de Judy. Amava a sensação do controle que exercia nas pessoas. Andou para longe da esposa, dando a volta na mesa principal da sala e seu olhar recaiu sobre os livros que estavam na mesinha de centro. Assim como a mochila jogada ao lado do sofá.
R: O que é isso? [virou-se irritado] Eu não disse que queria aquela garota fora daqui? A bastarda está aqui também?
J: Ela é nossa filha!
R: Ela não é nada minha! [exaltou-se, uma veia latejando perigosamente no pescoço] Eu pensei que ela fosse alguma coisa. Que viraria alguma coisa, que nem a irmã dela. Mas ela é só uma vadia, igual a todas as outras mulheres.
J: Você não se atreva a falar assim da Quinn! [aproximou-se, ficando a meros centímetros do homem].
Russel desferiu um tapa na face esquerda da esposa com as costas das mãos. Ela tropeçou com a força do golpe e segurou-se no sofá para não cair.
R: Eu pensei que estava tudo normal. Que você não se atreveria a me enfrentar. Mas vejo que estou precisando te colocar no seu devido lugar. Minha mulher não levanta a voz pra mim. Mulher nenhuma levanta a voz pra mim.
Judy segurava com as mãos o lado da face acertado, chorando silenciosamente. O medo e a submissão se manifestando dentro dela.
R: Eu dou um mês pra encontrar isso aqui do jeito que eu quero. Por sorte sua eu preciso viajar. Mas quando eu voltar, quero aquela pecadora fora daqui e a casa impecável. Tudo no seu devido lugar... [disse para si mesmo encarando o nada, uma expressão doente no rosto].
O homem sentou-se, pegando uma caneca e colocando café. Tomou o líquido devagar e silenciosamente, sentado na cadeira com uma postura imperial. Uma expressão de satisfação no rosto. Quando terminou, levantou-se e encaminhou-se para a porta, fechando-a ao sair sem dizer mais nada.
Q: Rach, eu já fui à fisioterapia hoje. [dizia divertida vendo a morena massagear suas pernas sobre o sofá]
R: Eu sei que você já foi, boba. [deu a língua para a loira, ignorando-a]. Estou te ajudando...
Q: Você está é se aproveitando de mim.
Rachel fez uma cara tão indignada e ofendida que Quinn teria gargalhado, se a vontade de beijá-la não tivesse sido maior, fazendo-a puxar a morena para seus lábios.
R: Quinn Fabray! [disse se afastando dos braços da loira e apontando o dedo para ela, pronta para palestrar sobre a atitude de sua namorada].
A loira apenas a puxou de volta, conseguindo dessa vez encostar seus lábios. A morena não disse mais nem uma palavra. Quinn sorriu vitoriosa durante o beijo. Rachel se separou depois de um tempo para olhá-la e acariciar seu rosto.
R: Como você está?
Q: Agora eu estou bem [disse calma]
R: As coisas eram tão estranhas naquela época... [disse olhando para seu polegar, que fazia uma carícia sutil nos lábios de Quinn].
Q: Qual época?
R: Quando você foi morar com o Finn.
Q: Isso parece que tem séculos, Rach [arqueou uma sobrancelha].
R: Eu sei. Mas eu sinto o que senti naquela época até hoje. Eu estava magoada. Não sei agora se pelo Finn. [ficou em silêncio alguns segundos pensando] Era um pouco por ele sim, mas eu estava preocupada com você. E eu fui tão egoísta!
Q: Você está falando sobre ter contado para o Finn que o bebê era do Puck?
R: Eu estou falando sobre a minha obsessão em ficar com o Finn, desde o início e que fez a gente brigar tanto. Numa hora eu estava pedindo para o Jacob não espalhar no colégio que você estava grávida e na outra eu estava fazendo o Finn terminar com você. Eu só pensei em mim. [concluiu envergonhada]
Q: Você fez o que com o Israel? [sorriu, vendo a morena ficou mais sem graça] Esquece, isso tem muito tempo... Não tem importância agora.
R: Você gostava de mim? Naquela época? [encarou-a curiosa]
Q: Eu acho que eu gostei de você desde a primeira vez que eu te vi Rachel.
A morena viu a cumplicidade no olhar intenso de Quinn. Não que duvidasse do que ela tivesse respondido, mas ao ver os olhos esverdeados tão sinceros estremeceu por dentro. Por que a loira precisava ter sido tão cruel todo esse tempo?
R: Por que você fez tudo o que fez?
Quinn não disse nada por um tempo, parecia não saber responder ou não ter encontrado as palavras certas. Foi com um sorriso de lado que finalmente falou:
Q: Acho que eu estava só pensando em mim também. E se você estiver envergonhada pelo o que fez comigo eu acho que fiz muito pior. Por que você sempre demonstrou se preocupar comigo enquanto eu nunca demonstrei nada em relação a você. Eu vou entender se não acreditar em mim.
R: Claro que eu acredito! [lhe deu um selinho] E você demonstrou sim Quinn, por mais que tenha demorado. Esse ano nos tornamos amigas, não foi?
Q: Foi... É só que... Eu passei três anos do seu lado. E tudo o que você precisou todo esse tempo foi de cuidado. E ninguém pareceu se importar, por mais que o idiota do Hudson tenha por um surto de inteligência percebido um pouco da garota especial que você é, você teve que fazer tudo sozinha esse tempo todo. O lugar em que você está hoje foi conquistado somente por você. E eu sempre te puxando para baixo e você sempre se recusando a continuar no chão. Você não pode me culpar por eu achar que não te mereço.
R: Você passou por tanta coisa Quinn... [tentava justificar]
Q: O que não me fez amadurecer.
R: Amadurecer um sentimento não é tão fácil quanto parece. Ainda mais por mim, e não estou falando da pessoa fácil de lidar que eu sei que não sou [disse sorrindo], mas do fato de que eu sou uma garota. Hoje eu posso dizer que consigo te entender muito melhor do que antes. Não compreendo todas as suas atitudes, mas também não acho que você deve se martirizar por isso. Se tivemos que usar esse tempo todo para amadurecer e estarmos aqui, juntas dessa forma, eu passaria por tudo de novo. [disse com a determinação que não podia ser mais Rachel Berry]
Q: Você não existe [balançou a cabeça]. Como você consegue ser tão perfeita assim o tempo todo? Rachel, só não sabe lidar com você quem é idiota demais para não perceber o quão incrível você é... [segurou o rosto da morena, encantada].
R: Ninguém nunca falou de mim dessa forma... [abaixou o olhar] Acho que eu sempre esperei por alguém assim, que dissesse essas coisas pra mim e fizesse tudo ter um sentido. Alguém que bastasse me olhar pra todas as minhas dúvidas e inseguranças sumissem. Só foi uma surpresa descobrir que justamente essa pessoa tinha que ser você... E foi também a melhor surpresa que eu podia ter tido.
Quinn segurou o braço da morena, beijando sua mão, seu pulso, e sentindo o cheiro daquela pele dourada e quente. Rachel era sua. Ela iria fazer de tudo todos os dias para se redimir de quem um dia tinha sido com ela. Aquela pessoa maravilhosa que cuidava tanto dela ia ter tudo o que merecia. Todo o respeito amor que a loira sempre devia ter tido por ela. E quem sabe um dia Quinn Fabray a merecesse...
O pescoço da morena era levemente sugado pela loira, que alternava entre beijos e mordidas. Tudo feito de forma muito calma.
Q: Eu sou apaixonada por você [sussurrou, sentindo o arrepio de Rachel ao escutar isso]. Onde estão seus pais?
R: Trabalhando... [disse com a respiração já pesada]
Q: Eu queria conhecer o seu quarto... [sorriu sobre o pescoço moreno]
R: Está tentando me levar para a cama Fabray? [disse gargalhando, afastando-se e levantando uma sobrancelha para a loira].
Q: Eu preciso muito fazer amor com você agora... [disse de forma carinhosa]
Sem dizer mais nada Rachel a levou para o quarto.
O suor era compartilhado. Os gemidos enchiam o quarto e as duas pareciam uma só. O contraste da pele morena com a pálida parecia formar uma mistura perfeita.
Q: Olha pra mim Rachel [pediu, vendo que a morena se perdia no momento].
Rachel com dificuldade abriu os olhos e Quinn via a perfeição no rosto da namorada. A respiração ofegante e cortada, os lábios grossos entreabertos e o prazer contido em sua expressão, os cabelos colados em seu rosto e caindo em cascata por seus ombros nus. Enquanto os enegrecidos olhos brilhavam ao fitá-la com um carinho evidente.
R: Respira, meu amor. Eu amo você... [disse acariciando seu rosto com a mão livre e puxando-a para se deitar, colando-a em seu corpo, deixando apenas o espaço para tocá-la].
Quinn penetrava Rachel, com um pouco mais de urgência, e sentia a morena se esforçar para se sustentar. Ela não tinha forças para mais nada, apenas para se reconfortar nos braços de Quinn enquanto sentia o orgasmo chegando. Tinha sido incrivelmente demorado. A loira havia feito tudo com uma calma impressionante, apreciando demoradamente cada parte do corpo de Rachel, procurando guardar na memória cada pequena reação, cada toque, cada beijo trocado. A morena não conseguia falar... Seu corpo estremeceu sobre o de Quinn, cada nervo carregado de fortes impulsos elétricos que se distribuíam em ondas por seu corpo cansado e saciado. O gemido longo e a falta de ar, para em seguida cair de vez sobre a namorada, que a abraçou. Não sabia em que momento tinha acontecido, mas o cansaço a fez dormir ali mesmo enquanto sentia os afagos da loira por seu corpo, acalmando-a.
Acordou nessa mesma posição, dando-se conta de que devia estar extremamente desconfortável para a loira, que continuava acordada, acariciando-a. Quando quis girar para o lado Quinn a manteve no mesmo lugar.
Q: Fica aqui... [disse rouca]
R: Meu amor, me desculpa, eu dormi... Que horas são? Sua mãe vai ficar preocupada... Ela já ligou? [disse muito rápido]
Quinn abriu um largo sorriso para ela.
Q: Se você tivesse conseguido ficar acordada seria um feito e tanto.
R: Sua mãe...
Q: Minha mãe não ligou.
R: Quer ligar pra ela?
A loira assentiu, fazendo Rachel se levantar para buscar seu celular. Ela gemeu com o afastamento súbito do corpo quente da morena.
Rachel viu o semblante da loira ficar preocupado assim que ela discou o número e conversou com sua mãe, desligando rapidamente.
Q: Rach, eu acho que aconteceu alguma coisa. A voz dela... [angustiou-se]
R: Eu te levo pra casa [disse subindo em cima dela de novo]. Obrigada, por ter feito amor comigo desse jeito tão perfeito [beijou-lhe nos lábios apaixonadamente].
Q: Não tem outro jeito de fazer amor com você...
A morena sorriu antes de se levantar para se vestir e vestir a loira. O sorriso a acompanhou o tempo todo até as duas estarem prontas para sair e parecia não querer mais abandonar o seu rosto...
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