Eu Cuidarei De Você.
15 Capítulo 15 - Russel (parte 2) - Você é minha...
Notas iniciais
Q: Cansada? [perguntou dentro do carro, deitada no ombro da morena].
R: Um pouco [sorriu de leve]
Q: Como você vai pra casa?
R: Eu pego um táxi... [beijou-a na lateral da cabeça]
Rachel sentiu o corpo da namorada enrijecer conforme iam se aproximando da casa dela, então segurou sua mão.
R: Ele não foi embora?
Q: Foi...
R: Então relaxa...
Q: Eu estou com medo.
R: Eu estou aqui. Nada vai acontecer com você. [disse firme, entrelaçando a mão com a da loira, sentindo o corpo dela ir relaxando].
Chegando lá foram recebidas por uma Judy sem expressão, que logo entrou na cozinha. A morena acomodou Quinn no sofá, dando um beijo carinhoso em sua testa.
R: Te vejo amanhã na aula?
Q: Você não vai ficar aqui?
R: Quinn... Está tarde. E você precisa conversar com a sua mãe. Pelo jeito que ela estava quando abriu a porta eu não acho que eu deva ficar aqui...
A loira virou o rosto, desviando o olhar e Rachel puxou de volta.
R: Ei, não faz assim... Eu amo você [disse, arriscando um rápido selinho], eu vou ficar esperando você me ligar...
Quinn observou ela sair pela porta e lhe dar um lindo sorriso antes de fechá-la. Era tão injusto que em todas as vezes em que elas faziam amor terem que se separar. Ficava aquela sensação de que faltava alguma coisa. Queria ficar sozinha com ela, por pelo menos um dia inteiro, sem rupturas bruscas. A sensação que tinha era que as coisas agora pareciam frias e sem importância quando corpo quente da morena não estava com o seu e ela não podia mais ver aquele sorriso. Suspirou, vendo Judy aparecer na sala novamente. Quinn então prestou realmente atenção no rosto de sua mãe. Ele estava marcado.
Q: Mãe, o que é isso no seu rosto? [perguntou assustada] Aquele... Aquele imundo não encostou o dedo em você, encostou? [sentiu a raiva lhe ferver corpo, começando a compreender].
J: Quinn, a gente precisa ter uma conversa [disse tão baixo que sua voz não passava de um murmúrio].
Q: Ele bateu em você?! [desesperou-se, ao ver que a mãe não tinha negado].
J: Calma, por favor. Eu não quero falar sobre isso agora.
Q: Mãe! Ele...
J: Quinn Fabray! Fique calada! [gritou, séria e firme].
A loira assustou-se com o tom empregado por sua mãe, parando para escutar o que ela tinha para falar. Nunca tinha visto ela desse jeito. Judy parecia estar reunindo coragem para dizer alguma coisa, respirava fundo várias vezes e passava a mão nos cabelos loiros, idênticos aos da filha.
J: Eu menti pra você. [finalmente falou com a voz embargada e o olhar vazio]
Q: Como assim?
J: Eu menti. Eu não expulsei Russel de casa.
Q: Então por que ele ficou tanto tempo fora? [disse devagar, tentando raciocinar].
J: Ele... Foi morar com outra mulher em Cleveland. A gente discutiu e ele me deixou aqui sozinha. [disse com a voz trêmula]
Q: Por que você não me disse a verdade? [mudou o tom, preocupando a mãe].
J: Eu tive medo! [as lágrimas escorreram] Ele me disse coisas horríveis! Sobre eu não ser mulher suficiente pra ele e... E... E me deixou! [concluiu chorando]
Q: Medo de quê? [exaltou-se] De não ser a mulher que ele quer que você seja? Mãe! O Russel não quer uma mulher, ele não quer uma filha, ele quer marionetes! Pessoas que fiquem do lado dele, mantendo as aparências e fazendo tudo o que ele manda! Ele não sabe o que é ter uma mulher de verdade, ele não sabe o que é sentimento, ele só sabe o que submissão e medo. E num relacionamento de verdade não existe espaço pra essas coisas! Você não é menos mulher por causa dele! É ele que não soube ser homem pra você!
A mulher desabou num choro intenso e Quinn não sabia o que fazer. Nunca tinha visto Judy se descontrolar dessa forma. Nunca tinha visto a dor que ela sentia realmente se manifestar. Nunca tinha visto seus medos expostos daquela maneira.
Q: Se você se submeter a ele, se deixar ele te definir. Aí sim você não estará sendo mulher. [disse baixo e de forma um pouco mais calma]
J: Eu não posso... Eu tive duas filhas com ele, eu casei com ele. Eu amei aquele homem! E tudo o que ele faz me machuca tanto! [caiu de joelhos, em frente à filha].
Q: Você tem que saber a hora de deixar ir mãe... Ele não é o que você pensava e você não merece isso! Peça o divórcio, se livre daquele homem, arrume um de verdade! [segurou o rosto dela com as mãos]
J: Ele me ameaçou. [encarou os olhos da filha] Ele disse que era pra eu te tirar daqui que ele volta em um mês. E que eu não posso me separar dele, que ele vai me deixar sem nada...
Quinn pensava que não podia sentir mais nojo e repulsa do que estava sentindo pelo homem que durante tanto tempo chamou de pai, mas ao ouvir essa declaração de sua mãe, seu ódio alcançou um patamar em que fez ela tremer, tamanho era o descontrole.
Q: Isso não existe. [disse entre dentes]
Judy a encarou confusa, ainda chorando.
Q: Ele é casado com você. Ele foi casado com você durante anos. Não existe essa de te deixar sem nada, isso é impossível! Nenhum juiz vai permitir isso.
J: Ele ameaçou me matar.
Q: Então nós vamos à polícia. Isso é ridículo.
J: Você não conhece seu pai...
Q: Eu sei o tipo de gente com quem ele anda. Eu sei o tipo de pessoa que ele é. Não duvido das palavras dele, até porque ele é um doente. Mas eu não vou deixar isso acontecer. Você vai entrar com esse pedido de divórcio e ele não vai encostar um dedo em você, e nem em nenhuma de nós duas, se não ele vai ter que se resolver é com a polícia. E se ele pensa que eu não sei nada sobre a vida podre dele, vai se surpreender com o que eu tenho para contar. [disse com um brilho perigoso, mas firme nos olhos] E você pare com isso, você é uma mulher extraordinária que cuidou de duas filhas praticamente sozinha enquanto tinha que aturar aquele hipócrita nojento.
Quinn puxou Judy para um abraço, consolando-a.
Q: Esquece, esquece aquele homem... Está na hora de ser quem você é... [sussurrou para a mãe] Ele não tem nenhum poder sobre a gente...
Parecia que tinham ficado horas ali. Por fim, Judy levou a filha para o quarto, um pouco mais calma e tranquilizou-a dizendo que estava tudo bem antes de descer. Quinn sabia que não estava, sabia que era difícil, mas sabia que ela ia conseguir se impor. Se Quinn tinha conseguido, ela conseguiria também.
Precisava escutar a voz da morena. Da sua morena. Então ligou para ela.
R: Oi amor, eu já estava com o celular na mão, achando que você não ia me ligar...
Q: Ei... É claro que eu ia te ligar [revirou os olhos]
R: O que aconteceu aí? Você demorou...
Q: Minha mãe [suspirou], o hipócrita do Russel ameaçou ela.
R: Em que sentido? [falou preocupada]
Q: Não quer deixar ela pedir o divórcio... Disse que ela ia ficar em nada. E que era pra eu sumir daqui.
R: O quê?! Quinn... [preocupou-se]
Q: Eu estou bem... Ele não pode fazer isso. [tranquilizou]
R: Por que tudo isso agora?
Q: Parece que ele foi morar com outra mulher, e voltou.
R: E como você está?
Q: Triste pela minha mãe... E morrendo de raiva dele. [disse, deixando transparecer o que sentia].
R: Você nunca chama ele de pai...
Q: Porque ele não é. Eu não tenho pai.
R: Você não se sente mal por isso?
Q: Eu nunca senti como se ele fosse meu pai Rach. Ele nunca realmente se importou. Era frio e distante em casa, me tratava como uma princesa na frente dos outros. Eu já me senti péssima por isso, mas desde que ele me expulsou eu não me sinto mais assim. Eu quero distância dele.
O telefone ficou mudo por alguns instantes.
Q: Estou com saudades de você... Acredita? [disse com um tom de voz completamente doce e diferente do que estava usando antes]
R: Claro que acredito [sorriu], eu também estou.
Q: Parece que a gente sempre tem que se separar...
R: Não fala assim. Eu me sinto mal... [chateou-se]
Q: Por quê?
R: Você sabe que eu não gosto de sair de perto de você. E tendo que sair eu me sinto péssima, querendo passar cada minuto com você, porque a formatura é daqui a pouco e você vai pra Yale e eu provavelmente vou pra Nova York e não sei como vai ser. [desabafou]
Q: É nisso que você está pensando? [surpreendeu-se] Você quer conversar?
R: Agora não...
Q: Rach...
R: Está tarde Quinn. Eu não quero roubar sua noite de sono discorrendo sobre as minhas inseguranças.
Q: Você dá tanta atenção às minhas... Por que eu não posso me preocupar com as suas?
R: É claro que você pode, mas não agora. Agora você vai dormir e eu também. Amanhã a gente conversa. Ou melhor, vamos adiar esse assunto o máximo que a gente conseguir...
Q: Rachel. Você sabe que adiar não vai fazer você se sentir melhor não é? Eu conheço você, você não pode guardar uma coisa assim por tanto tempo que uma hora explode...
R: Eu sei... Mas me deixa guardar só por hoje... [pediu]
Q: Só por hoje. [cedeu] Eu amo você.
R: Eu também amo você... Obrigada por hoje, por tudo o que falou, por tudo o que fez, pelo seu carinho... [disse de forma doce]
Q: Não precisa agradecer... O meu amor é todo seu.
R: E o meu é seu...
O telefone ficou mudo de vez e o sorriso que parecia não querer sair do rosto de Rachel estava agora em ambas.
S: Que lindo, o casal arco-íris voltou, yay! [disse batendo palmas]
Q: Não enche Santana. [ignorou, passando direto pela latina e seguindo pelo corredor].
Rachel apenas sorriu, revirando os olhos e seguindo a namorada. Santana resmungou algo sobre gente que se esquece dos amigos porque começou a namorar e saiu andando.
R: Eu acho que você devia conversar com Santana [disse baixinho]
Q: Pra que? Pra ela sair com uma espingarda atrás do Russel pronta pra usar o instinto Lima Heights Adjacent nele? Quero minha amiga em liberdade e não presa.
R: Exatamente por isso que você deve conversar com ela, porque ela é sua amiga.
Q: Eu vou conversar com ela, mas não agora. Acho que eu tenho um outro assunto pra tratar antes disso. [encarou a namorada]
A morena fechou a cara e saiu andando na frente.
Q: Rachel Berry. [chamou irritada] Nem pensar.
R: O dia estava ótimo... [desacelerou o andar]
Q: E vai continuar [segurou sua mão quando a alcançou]. Conversa comigo.
R: Você quer mesmo conversar aqui no meio do corredor? [arqueou uma sobrancelha, provocando-a].
A loira estreitou os olhos. Mas a voz saiu trêmula:
Q: Rachel...
R: Desculpa [sussurrou].
Q: Vem comigo... [saiu sem dizer mais nada, soltando a mão da morena um pouco incomodada].
Foram parar no auditório. Quinn deslizou até a frente do palco e se virou para Rachel.
Q: O que foi aquilo ontem?
R: Eu falei o que eu estava pensando nesses dias. A gente vai se separar de uma forma ou de outra [concluiu triste]
Q: É o que vai acontecer? [perguntou temerosa]
R: Como assim?
Q: A gente vai se separar? Você vai terminar comigo quando a gente tiver que ir embora daqui? [a voz saiu falha]
R: Vai ser complicado...
Q: Rachel, não, você não pode fazer isso. [desesperou-se]
R: Calma, deixa eu terminar de falar... [tranquilizou, esperando a loira se recompor] Eu não vou terminar com você, claro que não. Mas me dói pensar que a gente não vai estar tão perto uma da outra. Relacionamentos à distância são complicados. [abaixou a cabeça] E eu não queria conversar sobre isso agora. Eu tenho medo, de não estar próxima o suficiente de você e você se cansar disso.
Q: O Finn estava disposto a ir pra Nova York com você. E antes disso ele estava disposto a continuar com você estando lá ou não. Você acha que eu vou deixar você escapar? Ou que eu vou me cansar de você? [perguntou incrédula] Eu não estou brincando Rachel, quando eu falo que te amo. [encarou-a séria]
A morena nada disse. Quinn suspirou antes de dizer irritada:
Q: Acho que você tem razão. Não é hora pra gente conversar sobre isso. Vamos fingir que nada está acontecendo e quando for a hora vamos simplesmente ficar sem saber o que fazer.
A loira virou a cadeira para sair dali, mas Rachel se postou na sua frente e Quinn pode ver os olhos marejados da morena.
R: Eu só estou com medo [disse chorosa]
Q: Eu também estou. Mas a certeza que eu tenho é a de que eu vou continuar com você. Eu disse que queria você pra mim e eu não vou te deixar ir. A gente vai fazer dar certo. [concluiu determinada]
Quinn puxou a morena para seu colo, envolvendo-a num abraço apertado onde Rachel se acomodou fragilizada.
Q: Eu não quero te deixar triste conversando sobre isso, mas não vamos deixar de falar sobre esse assunto está bem? Você precisa se sentir segura e eu não vou fingir que nada está acontecendo.
A morena assentiu ainda com o rosto escondido no pescoço pálido de Quinn.
Q: Eu não vou te deixar ir. Você vai pra Nova York, mas você é minha... [disse com uma enorme segurança do que queria que não sentia há dias]
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