Eu Aceito
16 Rain
Notas iniciais
Houve uma demora mas aqui está,mais um!Nos vemos lá embaixo,senão estraga tudo,kkk.
Vocês sabem que eu nunca deixo link's,mas essa musica merece.
Rain-Breaking Benjamin.
http://letras.terra.com.br/breaking-benjamin/133682/traducao.html
Enjoy
Take a photograph
It'll be the last
Not a dollar or a crowd could ever keep me here
Comecei a despertar preguiçosamente naquela manhã, sentindo-me ainda sonolenta. O espaço vazio na cama, denunciando que Gustav já havia saído me fazia crer que não era tão cedo para que ainda me sentisse cansada. Talvez ainda fosse o clima, tão frio que me faria dormir o dia inteiro, ou o fato de ter pego no sono praticamente durante a madrugada. Fizemos amor apaixonadamente na noite anterior para depois ficarmos horas a fio, apenas falando de nós e de planos para o futuro.
Faziam quase dois meses que eu havia parado com os anticoncepcionais e feito uma consulta com meu médico, este garantindo-me que engravidaria facilmente, assim que meu organismo estivesse pronto para isso. Não comentei nenhuma das coisas com Gustav. Não o queria ansioso, pelo contrario, o faria uma grande surpresa quando finalmente acontecesse. Realmente estava encantada com a ideia, a forma como seus olhos brilhavam ao falar em expandir a família. Já havia inclusive participado seu desejo a Nick que vibrou com ele com a possibilidade de ter um irmãozinho. Meu coração era sereno, tranquilo e repleto.
Espreguicei-me sentindo o estalar dos ossos, ponderando uma vez mais entre levantar ou não. Decidi que já havia passado da hora, então simplesmente levantei da cama indo rumo ao banheiro. Ainda pouco disposta, nem pensei em tirar o pijama confortável depois de escovar os dentes, apenas joguei sobre o corpo um robe pesado, descendo logo em seguida.
Como sempre, assim que me viu, Nick correu em minha direção, abraçando-me com força, ao seu lado sempre o fiel Harry correndo tanto quanto Nick.
-Bom dia amor...-Apertei o pequeno totalmente agasalhado, como se fosse sair para a rua gélida.
-Bom dia mãe. Você demorou a acordar hoje, já fiz dois bonecos de neve esperando que levantasse... -Enquanto falava, gesticulava incansavelmente me fazendo sorrir. Apesar de todo o frio que nosso pais podia proporcionar, ainda se podia brincar do lado de fora, pois as nevascas, nos últimos dias, geralmente aconteciam a noite dando trégua durante o dia.
-E a que devo tanta espera?...-Reconheci em seu rosto o sorriso travesso, tão parecido com o do pai, quando queria de mim alguma coisa. Nick revirou os olhinhos antes de falar.
-Aletta vai ao centro da cidade hoje... Posso ir também?...-Bem que Aletta me falara das compras da casa. Não havia problema que Nick a acompanhasse, já que o caseiro os levaria em meu carro. Era impressionante como em alguns aspectos Nicholas pudesse se assemelhar tanto a Tom, a fisionomia do rosto ao falar, fora a própria aparência e o modo como falava, como se pudesse usa r todos os argumentos do mundo. Por outro lado, embora não houvesse nenhum traço sanguíneo de Gustav nele, poderia jurar que a doçura nos olhos e na voz e cautela enquanto falava poderia muito bem ser herdada do padrasto. Suspirei longamente ao pensar na ultima palavra... Gustav estava longe de ser o padrasto de Nick, era sim o pai que ele tanto almejava. Ver-me tão distraída chamou sua atenção.
-Mãe?...-Chamou ele... -Eu posso ir?
-Claro... Apenas comporte-se.
Como se tivesse ganhado o dia, saltitou para alguma parte da casa chamando por Harry como toda criança que acaba de conseguir algo faria.
Andei até a cozinha encontrando Aletta debruçada sobre uma lista de compras, meticulosamente conferida.
-Conhecendo como a conheço, duvido que esteja faltando algo....-Falei atraindo sua atenção sinalizando o papel.
-Ah, bom dia senhora!...-Era incrível como seu semblante parecia iluminar-se na nossa presença .Chegava a pensar que de alguma forma, Gustav pudesse suprir para ele a falta do filho que ela jamais teve e que no geral pudéssemos ser a sua família. Amava Aletta, como se fosse parte da minha família, uma mãe zelosa sempre atenta a mim...-Já estou de saída se a senhora não se importar.
-Tudo bem Aletta...-Andei até a cafeteira servindo-me um pouco do liquido fumegante...-Tem certeza que Nick não atrapalhará?...-Parecia que eu a havia insultado, tamanha a surpresa em sua expressão. Apenas ergui as palmas como se me desculpasse pelo meu comentário. Bebi um gole do café dando atenção a bancada, nela um maço de papéis e o telefone celular de Gustav. Andei até ela, xeretando por cima as folhas com o logotipo da gravadora...-E essas coisas?...-Aletta tinha conhecimento de qualquer coisa existente naquela casa.
-O senhor parecia apressado hoje cedo... -Dormir muito tarde não surtia efeito só em mim afinal, provavelmente Gustav estivesse atrasado...-Enquanto organizava a pasta, acabou deixando na mesa estes papeis e o telefone. Tentei ir atrás dele mas era tarde...-Aletta zanzava pela cozinha, pegando a bolsa e lista como se aquilo fosse a missão da vida dela.
Os acompanhei até a saída, acenando para Nick sorridente no carro. Andei até a cozinha novamente para soltar a xícara que ainda segurava. O celular vibrava sobre a bancada insistentemente. Mordi o lábio olhando para ele me perguntando se realmente deveria pegá-lo, até que parou. Soltei a xícara quando novamente ele se pôs a vibrar. Talvez fosse melhor que eu o atendesse, se fosse importante poderia sugerir que a pessoa ligasse diretamente para a produtora. Segurei o aparelho, como se estivesse infligindo alguma lei do bom senso. No visor não apontava uma chamada e sim uma série de mensagens de texto não lidas. Estranhamente, enquanto olhava o aparelho em minhas mãos, uma pergunta martelava instantemente em minha cabeça, sobre o que seria tão urgente. Novamente oscilava, meu dedo pousado sobre a tecla que abriria as mensagens enquanto uma voz, muito baixa por sinal, em minha consciência me dizia para não ser uma bisbilhoteira. Impulsiva, abri as mensagens.
Não sabia mais como respirar. Todas elas, mais de dez nos últimos quinze minutos, eram da mesma pessoa, Trina, um nome que claramente lembrava de ter visto meses atrás em um dos papéis de sua mesa. Não sentia dúvida alguma sobre isso, abri uma a uma, teclando rapidamente até que chegasse a ultima. Em todas, claramente ela reclamava na demora em vê-la e como isso lhe traria consequências, em uma chegou a dizer que iria até ele então.
Prontamente meus olhos passaram a arder e embora eu não soubesse o que pensar me inclinava a acreditar que estava interpretando mal os fatos. Segurei firme o aparelho subindo as escadas apressadamente parando somente em meu quarto.
Simplesmente é inacreditável o modo com que umas simples fagulha possa desencadear as chamas. Em meus pensamentos confusos, as imagens dele chegando tarde da noite, sobressaiam-se ,assim como todos os questionamentos que eu já havia lhe feito .Foram a meses atrás ,mesmo assim era como um quebra-cabeças formando-se em minha mente, terminando com a fatídica noite em que eu adormeci no sofá esperando por ele, onde ele mesmo confessou que não estava trabalhando e por ultimo me disse que sentia muito, algo que eu jamais havia me atrevido a pensar novamente, que havia ficado para trás, junto com tudo de ruim que houve entre nós, mas que naquele momento parecia ter um significado maior.
Olhei novamente para a mensagem ,as mãos gélidas e trêmulas, apertando a tecla que chamaria pelo remetente. Era como se eu precisasse me certificar, ter a certeza. Sequer chamou duas vezes e a voz do outro lado se pôs a falar incontrolavelmente enquanto eu permanecia calada, apenas escutando.
-Como ousa me ignorar dessa forma? Eu juro Gustav, que conto tudo a sua esposa. Gustav, Gustav!
Meus olhos fecharam-se enquanto o aparelho encontrava o chão. Torpor era tudo o que eu sentia, mais nada, nem uma lágrima nem um sentimento enquanto dobrava meus joelhos e deixava meu rosto encontrar o carpete do quarto, vencida pela dor descomunal de ser enganada. Nada, apenas torpor.
Meu coração parecia não bater, minha voz parecia não existir assim como nada em mim. Tudo o que parecia vidente era uma nuvem de chuva ácida sobre minha cabeça, derretendo e acabando com tudo, enquanto reflexos da noite anterior passavam incontrolavelmente na minha cabeça, alertando-me do quão longe podem ir as mentiras e as palavras falsas. Levei as mãos aos ouvidos como se pudesse cessar a sua voz que vinha apenas de minhas memórias, sussurrando juras enquanto fazíamos amor.
A lembrança do seu corpo no meu, a forma como me beijava e me amava, insistia em me perseguir causando-me quase repulsa, como se eu me sentisse suja, contaminada por suas mentiras, ingênua demais pera não reconhece-las e tola demais para me deixar enganar, mais uma vez. Levantei do chão, trôpega, querendo chegar ao banheiro. De um jeito qualquer, retirei minhas roupas, resvalando para dentro do box, deixando a água morna levar o que quer que fosse de mim.
Ele me enganava, mentia para mim, tanto ou mais do que Tom.
-Mentiroso... -Ouvir minha própria voz ,nada mais do que um sussurro dolorido, tornou tudo tão real, que simplesmente não suportei, deslizei pelo azulejo frio chorando compulsivamente, me libertando da angustia que me dilacerava por dentro.
Não sabia ao certo, quantos minutos fiquei ali, mas parecia que havia secado por dentro. Ainda trêmula desliguei o chuveiro, passando pelo corpo uma toalha. Andei até o quarto, sentindo frio, embora na casa aquecida não fosse possível que eu o sentisse, era apenas a dor do meu coração manifestando-se fisicamente. Vesti um único agasalho largo e uma calça jeans, sem a mais remota ideia que qual seria o próximo passo. Tudo ,meses, dias e horas me vinham no pensamento como um aviso sombrio...Acabou Anna, essa era toda a felicidade a qual você tinha direito.
I don't have a past
I deserve the chance
Not a family or honest plea remains to say
Notas finais
Na reta final é preciso ligar um ponto que outro,então aí está!
Não me matem ou odeiem!
O próximo será narrado pelo Gusti...Achei este tão triste gente,juro que me deu até dor de cabeça escrevendo...
Sabem o que fazer,ainda espero sugestões sobre a próxima fic!
Nota:
O nome do capítulo não tem nada a ver com chuva realmente,é somente sobre a parte em que Anna fala sobre"chuva ácida" e de como eu vejo um momento triste,como se chovesse o tempo inteiro.
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