Eu Aceito

17 As vezes nos esforçamos em vão


Notas iniciais
Então galera,mais um...Agora já tá pertinho do fim,chorando rios aqui.Postei hoje uma nova fic,espero ver vocês por lá...Não vou dar muitos detalhes pra não contar coisas demais,kk.
Ainda teremos um capítulo bônus desta fic!Anciosa por ele!
Usei neste Snuff do Slipknot...Achei a cara do capítulo!Quem não conhece,vale a pena ouvir!Beijos,um especial pra quem recomendou!Amei os últimos reviews! o/
Enjoy

Acordei praticamente por instinto naquela manhã, já que o despertador não o havia feito. Calmamente, retirei um braço que envolvia Anna não querendo acordá-la me pondo em pé. Permiti-me observá-la por um instante. Anos e anos desejando-a em silêncio, agora vendo-a adormecida tão linda e tranquila em nossa cama, era como ter meu pequeno milagre pessoal a cada manhã.

Tomei um banho rápido para despertar realmente, descendo logo em seguida.

Aletta esperava por mim com um olhar curioso e com a mesa posta. A contra gosto, fiz-lhe uma desfeita ignorando a mesa tomando somente uma xícara de café sem ao menos sentar-me.

-Sinto muito Aletta, mas tenho pressa...-Falei enquanto remexia em minha pasta, verificando se tinha tudo o que era necessário. Um maço de papéis era indispensável naquele dia, já que se tratava de um contrato importante a ser assinado no fim da tarde. O peguei em minhas mãos, dando uma breve olhada. O celular passou a vibrar no fundo da pasta, chamando minha atenção, no visor uma chamada de alguém que eu não desejava falar tão cedo. Ignorei a chamada ,soltando o telefone.

Acordar em cima da hora com certeza me dispersava. Novamente subi as escadas, em direção ao nosso quarto a procura do casaco pesado que me ajudaria a enfrentar o inicio da manhã, insuportavelmente gélida. O vesti com agilidade, mas me vali de um minuto para lhe afagar os cabelos dizendo-lhe um eu te amo no ouvido. Para ela o tempo nunca era curto.

Desci rapidamente as escadas, aquele prometia ser um longo dia, com compromissos além do normal. Peguei as chaves do carro e a pasta logo em seguida gritando até logo para Aletta quase na porta da saída.Com a mesma agilidade entrei no carro, distanciando-me gradativamente da casa. Pelo espelho retrovisor percebi Aletta acenando, ela não tinha o costume de se despedir de mim na porta,pelo visto nenhum de nós estava em seu normal naquela manhã.

O fluxo do transito estava favorável a mim,cheguei a produtora em menos tempo do que de costume,pegando o elevador logo em seguida.Mal passei pela porta de vidro e Agnes lançou-me um olhar ,levantando-se de sua cadeira em uma atitude desajeitada , beirando o desconforto.

-Bom dia Agnes...-Cumprimentei-a franzindo um pouco o cenho, em meses Agnes nunca se mostrara tão embaraçada.

-Bom dia senhor...-Ergui as sobrancelhas como se o gesto pudesse amenizar qualquer que fosse o ponto de tensão. Em um suspiro ela se pôs a falar...-Tenho pelo menos vinte recados,todos da mesma moça...-Enrijeci-me quase adivinhando de quem se tratava...-Eu disse que o senhor não havia chego,mas ela insistiu insinuando que eu mentia...-A pobre Agnes já beirava o histerismo, sem conseguir encontrar um modo de justificar-se, provavelmente pensando que se tratava de um contato importante da produtora e não de uma...Suspirei. Pensar em Trina com os adjetivos que eu tinha em mente realmente não melhorava a situação. Apertei as têmporas, pressentindo uma dor de cabeça em breve. Ergui minha mão, interrompendo Agnes antes que a pobre tivesse uma sincope bem ali.

-Tudo bem Agnes.E onde estão os recados...-Com um olhar desconfiado ela se pôs a procurar. Ainda receosa, me passou uma ultima informação.

-Em suma senhor, em todos eles a moça pede que entre em contato com ela imediatamente.

-Tudo bem então...-Falei caminhando em direção a minha sala.

Acomodei-me em minha cadeira, afundando-me um pouco no couro macio, me permitindo um minuto de sossego e de lembranças.

Tom e eu conhecemos Trina quando ela não passava de uma menina, jovem como nós, em uma época em que ainda era nos permitido uma vida normal, antes da fama, na escola que frequentávamos.Com o passar do tempo a amizade deles evoluiu para algo que nem mesmo eu sabia explicar ao certo,ela o amava e o aceitava da forma que era,com todos os seus defeitos e falhas.Não importava onde Tom passasse a noite,sempre poderia voltar para ela na manhã seguinte.Nem mesmo nossa fama precoce os separou,ou abalou a fixação que ela tinha por ele,pelo contrário,com a fama veio o dinheiro e com ele creio que foi mais fácil para Trina,e sua índole duvidosa,permanecer com Tom.Poderia jurar que da errática forma que viviam,permaneceriam juntos para sempre,ele sendo um Bom Vivant ela com sua ganância afagada. Foi então que surgiu Anna e todas as mudanças que ela viria a trazer para nossas vidas. Quando a conhecemos ,duvidei desde o primeiro instante que as intenções de Tom fossem diferentes das que teria com qualquer outra,mas o tempo mostrou meu equívoco. Não foi fácil, ou barato, para Tom convencer Trina que eles não poderiam mais permanecer juntos. Para seguir sua vida Tom deu a ela uma significativa quantia em dinheiro que a manteve fora da Alemanha por quase trêz anos.Voltou trazendo com ela todo o tormento possível,quando Nicholas era apenas um bebe,procurando por Tom,este como o boêmio que sempre fora,não demorou para tornar o casamento que ela tinha com Anna um romance a três.As vezes me perguntava se fizera o certo, permanecendo alheio a atitude reprovável do meu melhor amigo, fazia o que podia sem interferir de fato, apenas me abstinha. O amor secreto que eu nutria por Anna nunca me permitiu que fosse eu a lhe contar qualquer coisa,nunca poderia vê-la sofrendo,não mais do que já sofria.Além do mais,sempre tive esperanças,no fundo do um ser eu acreditava,com pesar eu confesso,que a historia deles pudesse ser diferente,que mais dia ou menos dia Tom percebesse a dadiva que tinha e terminasse de uma vez por todas com Trina.

Então aconteceu, na noite em que ele havia me prometido através de um telefonema que seria a ultima vez, ela o persuadiu novamente, bêbado, aconteceu o acidente na companhia de Trina. Sabendo de meus sentimentos por Anna,certamente através de Tom,e do esforço que eu havia feito pra que a transferissem de hospital,não demorou para que me procurasse,meses depois de tudo, exindo-me dinheiro como a boa oportunista que era,apoiada na informação que tinha. Ou pagava a ela ou iria até Anna, lhe diria que estava com Tom antes dela e o que era pior, que diria que estava com ele no acidente. Paguei a ela durante o ultimo ano, pois ver Anna sofrendo novamente não era uma opção para mim.

Nos últimos meses,exigia mais,sempre mais...Chegou a criar situações para tentar-me como se eu fosse Tom, querendo ocupando ao meu lado o lugar que ela tinha em sua vida. Rejeitá-la só fazia com que seu ódio por Anna aumentasse já que ,ironicamente, ela possuiu o único homem que Trina já amou e possuía um homem que poderia dar-lhe o que ela queria, dinheiro.

Ainda no final daquele dia lhe daria um ultimato, ela não poderia ficar ligando a todo o momento trazendo o risco de me comprometer com minha esposa... Ou aceitava o dinheiro calada ou não receberia mais nada.

Suspirei, esfregando os olhos. Aquele seria um longo dia, ficar pensando em Trina ou no passado não ajudaria em nada. Peguei minha pasta a procura dos documentos que precisaria para aquela tarde. A revirei concluindo com um muxoxo que eles não estavam ali.

-Mais essa agora... -Provavelmente os tinha deixado em casa, pois estavam na pasta antes de eu sair. Peguei o telefone na mesa chamando por Agnes, prontamente ela atendeu... -Agnes, tente atrasar meus compromissos em uma hora, é tempo o suficiente para que eu vá até minha casa e volte, esqueci documentos importantes... -Ela assentiu e eu me preparei para sair novamente.Colocava meu casaco enquanto entrava no elevador, alguns minutos depois já estava em meu carro.

Já estava na metade do percurso e chegaria rápido, talvez Anna já estivesse acordada e pudesse me dar um beijo de bom dia. Anna...Meses junto a ela e eu ainda sorria de uma forma besta ao lembrar seu rosto, nunca em toda a minha vida eu me senti tão feliz.As vezes me perguntava se era correto sentir raiva ou ciúmes quando ela mencionava Tom.Não era muito usual que ela o fizesse, mesmo assim quando tocava em seu nome ou acordava assustada durante a noite tendo pesadelos com ele,eu sentia uma angustia em meu peito,como se ela não o tivesse esquecido...Era isso ou pensar que se ele estivesse vivo eu não estaria com ela.Era um constante conflito interno,uma divisa do meu ser que lamentava por ele ,mas se alegrava por mim.Seria egoísta demais?Não mais do que ela fora,para todos nós.

Bury all your secrets in my skin
Come away with innocence, and leave me with my sins
The air around me still feels like a cage
And love is just a camouflage for what resembles rage again

Estacionei diante da casa indo rapidamente em direção a entrada.A sala me parecia muito silenciosa, assim como o resto, nenhum ruído de meu filho correndo pelos cômodos. Andei até a sala de jantar, o ultimo lugar que eu havia na bendita pasta.Não estavam ali. Andei até a cozinha os encontrando-os sob a bancada, talvez fosse esse o motivo de Aletta ir até a porta e eu não lhe dei atenção. Peguei o maço fino e parecia irresistível subir as escadas, nem que fosse por um instante.

Andei até o nosso quarto, a porta estava entreaberta. A emurrei com a ponta dos dedos entrando vagarosamente, o silêncio era quebrado com o choro abafado de Anna,o rosto escondido entre as mãos, sentada na cama. Como não poderia ser diferente tive vontade de correr até ela, afagar-lhe o rosto e consola-la pelo que fosse o motivo de seu pranto. Adiantei-me um passo, chutando levemente alguma coisa, atraindo sua atenção, os olhos vermelhos me fitando com raiva. Abaixei-me pegando meu telefone, nele as mensagens de Trina. Então eu percebi que meus esforços para protege-la não serviram de nada e que a essa altura suas conclusões eram precipitadas.

Tentei parecer calmo, engolindo a seco, começando aquela conversa com a frase mais tola do mundo.

-Anna, simplesmente não é o que você está pensando.

Notas finais
Sabem o que fazer!
Já é hora de pensar com carinho em recomendar(ou não) a fi