Eu Aceito

18 Nada que eu já não soubesse


Notas iniciais
Me redimindo pela demora,aqui está mais um,o penultimo!Ahhh
Eu escrevo chorando gente!Pela Anna e por mim !
Enjoy

O barulho diante mim atraiu minha atenção. Não esperava vê-lo, não agora, talvez nunca mais. Se Aletta não estivesse com Nicholas ,e com o carro, o mais provável é que eu simplesmente tivesse saído dali, para longe dele e suas mentiras, apenas partido. As lágrimas finalmente haviam parado, pelo menos por hora.

Gustav parecia transtornado, como Tom toda a vez que eu o confrontava. Abaixou-se pegando o celular em suas mãos, uma resposta para a minha imagem diante de si.

-Anna, simplesmente não é o que você está pensando.

Mal ele sabia que naquele momento eu não pensava, não sentia, mal respirava. Fiquei alguns instantes vendo as palavras lhe sufocarem a garganta, tentando sair, provavelmente seriam mais artimanhas, uma tentativa a mais de me enganar. Havia apenas uma questão para mim, uma que não calava que não me permitia raciocinar.

-Por quê?...-Perguntei a ele... Que fosse uma mentira, eu apenas precisava saber onde eu havia errado com ele... -Você me enganou...

-Anna, por Deus, me deixe explicar... -A voz de Gustav saia sufocada, entrecortada... -Essa mulher não significa nada para mim, eu só preciso que você me escute meu amor...

Ejetei-me da cama, ficando em pé ao som das palavras, como ele ousava?

-Eu não quero ouvir nada... Nada de você... -Cuspi as palavras, a mais pura raiva finalmente manifestando alguma reação em mim... -Você me jura amor mas não passa de um mentiroso, um manipulador...-Ele meneava a cabeça mas não dizia nada, apenas me escutava enquanto eu me aproxima ao berros...-Você foi pior do que Tom!

Os músculos de seu rosto enrijeceram a boca fechando-se em uma linha fina ao ouvir aquele nome. Em passos largos ele chegou a mim, pegando-me pelos cotovelos como se pudesse me desferir um tapa se não ocupasse as mãos. Os olhos pairaram sobre mim de um modo que me fizeram retrair-me.

-É isso o que você pensa sobre mim?...-Naquele momento tive medo, não dele mas de alguma coisa que me alertava interiormente...-Você nunca confia em mim porque não consegue esquecer o que ele te fez! Eu tenho uma noticia para você Anna, eu não sou Tom Kaulitz...-Ele me soltou em um gesto brusco, levando as mãos ao rosto rubro de raiva logo em seguida...-Como pude achar que isso daria certo?...-Os olhos encontraram os meus, derrotados e magoados... -Acabou Anna. Eu abro mão desse casamento a três... -Em passos pesados e ágeis se dirigiu a porta, deixando-me confusa e aturdida. Parou por um instante me olhando pela ultima vez... -Trina não é minha amante... Era amante de Tom...Eu só não queria que ela magoasse você.

As palavras me atingiram como uma flecha, diretamente no peito enquanto o via bater a porta. Fiquei imóvel por um segundo sentindo-me perdida, incrédula, arrasada e acima de tudo, culpada. Corri para a porta, gritando seu nome, tendo dificuldades em abri-la. Rapidamente ele cruzava a sala, ignorando meu chamado. Novamente bateu a porta da frente, enquanto eu não havia descido todo o lance de escadas. Quando finalmente cheguei ao lado de fora, pude ver seu carro perdendo-se de vista, deixando-me apenas com a visão do que era branco coberto pela neve. Em menos de cinco minutos todas as minhas convicções haviam caído por terra e agora eu estava perdida. Claramente eu o magoei e sequer podia ir atrás dele.

This is as quiet as it gets hush down now go to sleep we were once perfect me and you will never leave this room


H H H Hush you color my eyes red your loves not live its dead this letters written itself inside out again when rivers turn to roads and lovers become trends

H H H Hush this is where it ends

Talvez tenha chamado Aletta pelo pensamento. Calçava um par de tênis quando ouvi o barulho de meu carro, não peguei nada, nem um casaco apesar do frio medonho e nem uma bolsa, apenas parti em disparada escadas abaixo.

Aletta entrava sorridente com Nicholas pela porta da frente, seu rosto contorceu-se ao deparar-se comigo e Nick rapidamente correu ao encontro de Harry, distraindo-se com ele.

-Senhora... -Aletta começou a falar mas eu a interrompi, lhe abraçando com força...

-Eu estraguei tudo Aletta. Onde estão minhas chaves, preciso ir atrás dele....-Podia sentir o inchaço de meu rosto e minhas próprias palavras me assombrando. Era como se eu precisasse sair correndo dali se fosse necessário, qualquer coisa para lhe pedir que me desculpasse. Não havia dúvidas para mim, eu havia me equivocado. A forma como ele olhou para mim, cortou-me o coração.

-Está com o caseiro, ele ainda está tirando as compras do carro... -O rosto da senhorinha era espantado, gesticulava para o lado de fora e então eu saí... -Anna, espere por favor, coloque um casaco pelo menos.

Fechei o porta malas com força, tirando das mãos do homem as chaves, desculpando-me por minha hostilidade. Ele apenas me observava enquanto eu entrava no carro. Dei a partida e saí com rapidez.

-Respire Anna...-Falei comigo mesma tentando não pensar em suas palavras...Ele havia me deixado graças a minha estupidez. Senti frio, ainda vestia apenas jeans e o moletom, o que não era o suficiente em um dia de inverno. Liguei o aquecedor e tentei manter a calma no volante.

Estacionei diante do edifício entrando nele com a mesma agilidade. Meu coração palpitava no peito, ao pensar no que eu diria...Tantas vezes ele se mostrou vulnerável a mim, então eu faria o mesmo, me desculparia da forma que fosse por meu erro.Tomei o elevador e a minha tensão só fez aumentar quando finalmente ele parou no andar. Agnes parecia surpresa ao vêr-me,vindo logo em minha direção sem falar nada.

Engoli a seco.

-Ele está ai?...-Perguntei ofegante vendo a surpresa no rosto de Agnes,exitante na resposta.

-Não...Ele foi para casa,pegar documentos...-Mordi o lábio inferior pensando onde poderia ter ido,até que uma ideia me ocorreu.Aproximei-me de Agnes,falando baixo.

-Agnes,eu preciso de um endereço...Trina.Não sei o sobrenome,mas por favor,tente encontar...-Se aquele endereço estivesse ali eu iria até ele.

-Senhora não sei se devo...-Agnes encolhia os ombros,talvez espantada com minhas atitudes.

-Deve!...-Exaltei-me. Respirei fundo, tentando manter a calma...-Por favor, procure o endereço...-Alguma coisa em mim a fez ceder, talvez a famosa cumplicidade feminina. Andou até a porta de Gustav entrando em seguida. Alguns minutos depois ela voltou, trazendo algo nas mãos.

-Isso foi tudo o que eu encontrei com esse nome...-Ela me passou o mesmo papel rosado que eu havia visto tempos atrás e um outro,escrito com sua letra que eu já conhecia,contendo um endereço no centro da cidade...-O endereço eu copiei de um arquivo.Vai me causar problemas senhora...

-Não, eu prometo que não. Muito obrigado Agnes...-Nem ouvi oque ela me disse,apenas chamei o elevador novamente, saindo dali.

No carro mais uma vez olhei para os papéis, o endereço era conhecido, seria fácil encontrar...O que me chamava a atenção era o rosado, não tinha dúvidas, era uma conta bancária. Os soltei no bando do passageiro, rumando para o endereço.

Estacionei diante da casa, coferindo uma vez mais o endereço, realmente era ali. Ao contrário do que eu pensava, o carro de Gustav não estava ali o que fez com que eu me perguntasse se o endereço pertencia a ela realmente. De qualquer forma, eu só saberia se descesse do carro. Nunca me senti tão segura ou determinada em minha vida, andei com passos firmes até a casa, tocando a campainha. Não demorou em que a porta se abrisse.

Ela parou por alguns instantes ,no rosto um certo sarcasmo enquanto me analisava,com certeza era ela, Trina e ela sabia muito bem quem eu era. Ela se afastou um pouco, oferecendo-me passagem e eu entrei.

Trina não deveria ser mais velha do que eu, o corpo magro era marcado por uma roupa justa e escura, acentuando as curvas e ressaltando os cabelos loiros. Os olhos azuis me especulavam com curiosidade e nenhum espanto. Meus olhos percorreram pela sala bem decorada e organizada, em uma mesa um porta retratos de prata com uma foto de Tom, andei até ela analisando a fotografia onde ele sorria.

-É uma bela casa...-Falei quebrando o silêncio.Ela andou até um pequeno bar da sala servindo-se de alguma bebida...-Você também é muito bonita...-Precisava saber o que ela queria,instigar-lhe,descobrir o que pretendia com Gustav já que Tom não estava mais ali.

Ela sorriu, parecendo amistosa diante do meu elogio.

-A casa foi seu marido quem me deu, quanto à beleza não foi o suficiente... Não consegui manter um nem mesmo conquistar o outro com ela... -A amargura na voz era explicita... -Olhando para você fica fácil entender o porque, Anna...-Ela pronunciou meu nome com desprezo e sarcasmo.

-Pretendia conquistar Gustav?...-Minha voz era firme e indiferente, quase uma conversa ,mesmo assim ele enrijeceu-se ...-Tom não foi o suficiente?...-Disse enquanto cruzava os braços.

Ela acendeu um cigarro,visivelmente nervosa.

-Tom morreu me deixando sozinha...Sem nada. Gustav poderia ter o lugar dele em minha vida se não estivesse apaixonado por você...-Ela fumava,de uma forma alterada ...-Falando nisso,me diga uma coisa Anna,o que você tem de tão especial?...-Ela abaixou o olhar ao continuar falando...-Tom não a deixaria,nem por mim nem por ninguém,ele a amava mais do que me amou um dia,tanto que me deixou por você...-A surpresa em meu rosto foi evidente,tamto que não passou despercebida...-Sim minha quedida!Você foi a outra nesta história,não eu...Quando ela a conheceu me deu dinheiro para que eu partisse,para esquece-lo.Quando voltei,já estavam casados e com um filho!Ele nunca quis se casar comigo e nem ter um filho apesar da minha insistência.A você ele deu tudo,ele a amava.Não como você que se casou com outro assim que pôde.

-Não fale de uma coisa que você não sabe...-Rebati sem me alterar.Aquela mulher era uma desequilibrada,discussões não renderiam nada.

-Ah eu sei... Todo mundo sabia que Gustav era apaixonado por você... Inclusive Tom... -Engoli a seco...-Tão apaixonado que no ultimo ano me deu dinheiro para que eu não a importunasse...-Dinheiro...Então era apenas dinheiro o que ela queria...-E para que eu não lhe contasse que Tom nunca havia me deixado de fato.Ele se perdeu ao apaixonar-se por você,não conseguia deixar de ser o que era e isso o desesperava...-Senti pena na amargura que tinha...-Corria para cá ou qualquer outra com cada discussão,com medo de perde-la e isso me matava.Ele deveria ter ficado comigo que sempre o apoiei,que esteve com ele até o ultimo momento,inclusive no acidente..-Abaixei meu olhar dominada pelas lembranças ...-Gustav não queria que soubesse, que eu estava no mesmo hospital de Tom depois do acidente, e ele deu um jeito nisso. Suspirei.

Se ele soubesse que não havia nada a esconder... Que eu já sabia desde sempre, ouvindo os rumores no hospital sobre a amante de Tom Kaulitz internada no hospital, aquele dia não estaria acontecendo. Não havia mais nada a fazer ali.

-Gustav fez mal em lhe dar dinheiro...Eu sempre soube...-O espanto lhe dominou o rosto...-Adeus Trina.

Saí dali,sem ao menos deixar uma becha para que ela rebatesse. Havia mais a ser feito do que continuar com aquela discussão falida, havia alguém mais importante, que eu precisava mais do que tudo naquele momento, havia Gustav.

Eu só precisava passar em um lugar antes.

Notas finais
Sabem o que fazer!Não me maltratem!kkk