Eu Aceito
3 Lar doce lar
Notas iniciais
Desculpa pela demora ,não vai mais acontecer...
Dedico este capítulo a Heide,que me mandou uma Mp muito fofo,e a gaby_cury,que está companhando minha segunda fic com o Gus...Aqui está minhas lindas mais um capítulo.
Espero que gostem,todas vocês...Muito obrigado por todosss os reviews,adoro eles.
Enjoy
No caminho para minha nova casa, junto do então meu marido, a única coisa que me perturbava mais do que o fato de estar casada com Gustav, era o silencio medonho, que se acomodou conosco na saída do cartório, quebrado apenas pelos sons do próprio carro, ou aqueles vindos da rua. Talvez não fosse de todo mal, estava aproveitando o percurso, que já duravam vinte minutos, para tentar me tranquilizar. Nunca estive na nova casa de Gustav, visitas por pura cortesia não faziam parte da nossa estranha convivência. Tudo o que eu sabia, era que ele preferira há maios ou menos três meses trocar o agito do centro da cidade, pela tranquilidade que a nova casa, longe da área urbana, oferecia.
Ele dirigia silenciosamente ao meu lado, tanto que parecia aborrecido de alguma forma. Não que eu não estivesse acostumada com o semblante fechado de Gustav, mas o modo com que estava agindo, constantemente olhando-me de soslaio, me dava a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, acabaríamos por ter uma pequena discussão. Isso também não era novidade, discordávamos em quase tudo. Senti-me culapada pensando que ele parecia mais sereno antes da minha hesitação diante do juiz, mais tarde, com jeito, explicaria que foi apenas um momento de distração.
Tentei me distrair com a bela paisagem, tomada de arvores cobertas de musgo e o verde vivo das folhagens rasteiras , olhando pela janela, embora me perguntasse se deveria ser eu a quebrar aquele silêncio. Incomodava-me pensar que poderia ser assim todos os dias de nossa vida dali em diante, não gostava de pensar que poderia ter errado, novamente, ao me casar. Olhei para ele mais uma vez, disposta a resolver qualquer que fosse o problema. Gustav também parecia absorto em si, meneando a cabeça vez outra... Longe de mim tentar adivinhar o que se passava em sua mente, decidi por continuar calada.
Quando ele girou a direção tomando uma estrada de terra a aliança reluzente parecia um raio de sol no dedo dele. Naquele momento, olhando o anel, refletindo sobre seu significado, pensei comigo mesma que, mesmo que não fosse por amor, mesmo que estivéssemos casados, mas não juntos, eu tentaria ser uma pessoa agradável, tentaria ao máximo fazer de mim e de Gustav a família perfeita para Nick e começaria por acabar com silencio perturbador e ridículo.
-Algum problema?...-Coragem Anna, pensei comigo mesma ouvindo minha própria voz, sentindo-me satisfeita por ela ter se proferido com delicadeza e precisão, ocultando meu receio de ouvir alguma grosseria.
Ele me olhou com os olhos semicerrados, analisando por um instante meu rosto fitando o dele. Ele encarou novamente a estradinha de terra diante dele ao falar.
-Por um momento achei que desistiria... Que me envergonharia diante das pessoas e diria não... Ele parecia estranhamente sereno ao me falar o que lhe incomodava. Bingo! No fim Gustav não era tão difícil de ser compreendido, era teimoso, arrogante e sempre adquiria uma postura séria quando era contrariado. De fato não ficaria feliz vendo a mulher com quem estava para casar com uma atitude pouco decidida diante do juiz em pleno momento da cerimonia. Me senti mais culpada pondo-me em seu lugar. Não havia muito a ser dito.
-Me desculpe... -Murmurei envergonhada... -Nunca tive a intenção de desistir e não estou arrependida. Deveria ter prestado mais atenção no que estava fazendo... -virei meu rosto novamente para a janela, observando os galhos das arvorem formarem uma espécie de túnel natural e bem mais adiante a entrada principal do meu novo lar.
Gustav estacionou na entrada para carros, desceu Fazendo a volta, abrindo a porta do passageiro para que eu saísse. Não encontrei seu olhar quando me ofereceu a mão, ajudando-me a sair do carro. Era difícil o equilíbrio perfeito no caminho de paralelepípedos com o tipo de calçado que eu usava, espero que perceber isso, explicasse o fato de ele ainda não soltar minha mão ao dar os primeiros passos rumo a casa.
A propriedade era indiscutivelmente linda. O gramado era bem cuidado com centenas de flores dispostas em pequenos canteiros ornamentais, instintivamente sorri para elas. A casa em si era uma beleza a parte, um encontro perfeito entre o moderno e o rústico. Enquanto as pedras pareciam lembrar uma construção antiga, uma das paredes era totalmente envidraçada, deixando a mostra, mesmo do lado de fora, a escadaria interna. Uma perfeição. Era difícil, crer que ali morava, até uma hora atrás, um homem solteiro.
Assim que nos aproximamos da porta principal, uma pequenina senhora, aparentando ter uns cinquenta anos esperava por nós, nos lábios um sorriso tímido e nos olhos azuis um certo receio. O cabelo era parcialmente grisalho, e o corpo levemente rechonchudo. Alguma coisa nela fez com que eu me lembrasse de minha tia e fiquei feliz por ver na senhora algo familiar.
Senti a mão de Gustav aberta em minhas costas quando paramos diante da senhorinha que se revezava entre olhar para nós e para os próprios pés.
-Anna... -Começou ele... -Esta é Aletta. Trabalha comigo há dois anos, se não se opuser, ela poderá te ajudar com a casa e com Nick.
Para mim estava claro da onde vinha aquele olhar de Maria em minha direção, de alguma forma ela tinha medo que minha presença determinasse se ela ainda trabalharia na casa ou não. O que Gustav havia dito sobre mim para ela? Que espécie de bruxa eu seria, para me opor a presença da senhora simpática na casa?
Olhei para ele que tinha um raro e doce sorriso no rosto, dirigido a senhora e não a mim é claro.
-Mas é claro que não me oponho. Prazer em conhecê-la Aletta... -Aproximei-me estendendo a mão, e ela ,como se pedisse autorização de Gustav, olhou para ele, depois a segurou apertando-a com delicadeza. O sorriso da pequenina pareceu iluminar o seu rosto. Com a voz tímida ela dirigiu-se a mim, em um alemão atrapalhado.
-obrigado senhora...
Logo depois voou para dentro da casa, como se tivesse passado por uma prova de fogo. Procurei no rosto de Gustav uma explicação para a fala embaralhada da senhora de nossa língua. Como se pudesse ler meu semblante confuso, ele se pôs a explicar, gesticulando com a mão tirada do bolso enquanto a outra ainda pousava, confortavelmente, no meio de minhas costas.
-Aletta é holandesa na verdade, de uma cidadezinha na fronteira da Alemanha, onde alemão e a língua secundaria, embora ela não fale muito bem entende tudo com perfeição.
-E porque ela mora aqui agora?...-Quis saber, estranhamente interessada na historia da senhora de aparência fragilizada.
-Ela casou-se jovem o marido morreu a deixando sem posses, nunca teve filhos e não conseguiu emprego onde morava. Um dia apareceu na produtora procurando por algum emprego...
-E você a levou para trabalhar em sua casa... -O interrompi admirada com a atitude nobre... Suponho que ajudava Gustav com as pequenas coisas que ele poderia fazer sozinho no apartamento onde ele morava anteriormente e duvido que a pequena Maria conseguisse dar conta da casa com aquela magnitude... Sorri levemente para meu marido reconhecendo seu gesto de bondade. Ele parecia desacertado, com meu sorriso bobo, então simplesmente me indicou a entrada principal da casa oferecendo-me passagem.
-Mamãe... -Nicholas veio correndo em minha direção assim que me viu passar a porta, pulando em meu colo logo em seguida.
-Oi lindo... -Beijei seu rosto apertando-o contra mim.
-Meu quarto é muito legal mãe, tanto quanto o antigo... Tenho todas as coisas que eu tinha lá.
Olhei para Gustav questionando mais uma vez, enquanto Nick se perdia pela casa na companhia de Aletta, que olhava para ele como se encarasse um pequeno Deus, gostei mais dela naquele momento, uma boa forma de agradar uma mãe é amar primeiro a seu filho.
-Bastava ter trazido as coisas dele... -Se bem conheço Nick, o que de mais importante poderia ter seriam os brinquedos e o vídeo game.
-Quarto novo, coisas novas... -Disse ele de forma inexpressiva. Que desperdício, pensei comigo mesma, doaria os brinquedos do quarto antigo assim que possível.
Dei uma boa olhada na enorme sala da casa. Do lado de dentro, pude ver melhor a longa escadaria que levava ao andar superior. As arvores vistas da parede de vidro, mexiam suas folhas com o vento leve do lado de fora, fazendo com que aquela imagem parecesse uma pintura animada, do alto da escada, com certeza, poderia se ter uma bela visão do jardim. De resto, a sala era decorada com perfeição, em tons claros contrastando com o piso de madeira, altamente polido, escuro. Existia nela uma lareira imponente trabalhada em pedras que fazia tudo parecer mais aconchegante juntamente com alguns tapetes em pelo alto e claro.
Gustav deu alguns passos a minha frente voltando-se em seguida para mim, me surpreendendo durante minha pequena analise.
-É claro que pode mudar o que quiser, é a dona desta casa agora...
Abaixei meus olhos dos dele... Nunca pensaria em mexer em nada tão perfeito, mas o modo como ele falava comigo, estava me deixando sem graça. Um dom estranho que ele tinha, me fazer corar com facilidade, as vezes de raiva ,confesso, outras por pura vergonha, e ele sabia disso.
Estendeu-me a mão novamente. Olhei para ela ,depois para ele enquanto a segurava. Ele parecia fazer tal coisa somente para me guiar, mas o simples toque da minha palma na dele, me fazia sentir estranha. Tentei não pensar nisso enquanto subíamos juntos as escadas.
Adamamos pelo amplo corredor passando por algumas portas fechadas enquanto Gustav me dizia de que cômodos se tratavam até que subitamente paramos diante de uma.
-Este, é seu quarto... -Percebi nele a necessidade de desviar o olhar do meu enquanto girava a maçaneta... -É de frente para o de Nick. O meu é no fim do corredor.
Senti uma onda estranha passar do meu estômago para a garganta, tornando-se um pigarro nervoso quando ele disse a última frase. Sabia que havia falado aquilo somente para me deixar sem graça, e ele havia conseguido. Pude notar seu sorriso satisfeito enquanto abria a porta de vez revelando-me o quarto. Aquilo parecia uma pagina tirada de uma revista de decorações
-Eu realmente espero que goste...-Gustav Schäfer estava realmente esperando minha aprovação. O fato de eu gostar ou não do quarto fizera nascer um vinco de preocupação entre os olhos enquanto olhava para mim, que só desapareceu ao ver-me sorrir em aprovação.
Não havia meio de eu não gostar do quarto, parei no centro dele observando cada detalhe. O ambiente era claro na pintura e mais ainda recebendo a luz do sol, passando livre pela porta de vidro aberta da ampla sacada. As cortinas esvoaçavam de leve com o vento. A cama era de tamanho anormal, até para o maior modelo que eu já tenha visto, e estava milimetricamente arrumada com vários travesseiros e almofadas, tudo em tons pastéis dando uma delicadeza clássica a cada detalhe. Era perfeito em outras palavras. Dei alguns passos até a sacada parando na porta, parando para observar em uma mesinha, o belo vaso de cristal cheio das mais lindas flores da estação. Toquei as pétalas com a ponta dos dedos admirada com tanta precisão, cada detalhe, cada móvel endireitado no mais puro intuito de fazer daquele quarto, o quarto perfeito.
Um arrepio passou por minhas costas, alojando-se na nuca ao ouvir a voz grave de Gustav logo atrás de mim. A proximidade era tanta que pude sentir o calor emanando dele.
-Comentei comAletta sobre esta sua loucura por flores... -Por nada no mundo eu me viraria para conferir, mas poderia jurar que ele tinha os lábios quase encostando no lóbulo de minha orelha ao falar suavemente...-Ela as colheu e colocou aí para agradá-la.
Semicerrei os olhos incomodada com a proximidade dele ao falar.
-São realmente lindas... -Foi a única coisa que pude dizer.
-Por falar nisso, ali... -Apontou ele em direção ao lado de fora, aproximando, se era possível, seu corpo ainda mais do meu, para um espaço meio oculto por pequenas arvores ornamentais... -Foi adaptada uma pequena estufa para você... Poderá plantar o que quiser além das flores do jardim, se assim quiser. ..-Aquele ato gentil com certeza me pegou desprevenida, girei para ele na intenção de agradecer-lhe, não calculando que ,de frente, ficaria tão próxima de seu rosto, tão próxima de seus lábios....-Não precisa arranjar outro hobby... -Os lábios dele praticamente roçaram nos meus ao falar...-Não quero que pense que casar comigo tenha significado abrir mão de qualquer coisa.
Minhas bochechas ardiam, parecia que se eu falasse alguma coisa, qualquer coisa, o contato das bocas seria inevitável. Passou por minha cabeça, se viesse a acontecer, se ele me beijasse naquele momento seria algo que eu não gostaria? Já não tinha certeza... O perfume vindo dele, os lábios convidativos tão próximos aos meus, fizeram com que minha boca se entreabrisse na esperança que meus atos decidissem por mim. Meu lábio inferior sentiu mais forte o roçar do lábio morno dele, fechei os olhos sentindo que aquele seria o momento que sua boca tomaria a minha.
A porta abrindo-se em um rompante nos afastou completamente. Nick olhava curioso, enquanto Gustav ia na direção dele, tomando-o em seus braços, no rosto voltava a mesma expressão austera que tanto me irritava, a mascara de homem grosso que de vez em quando ele perdia quando estava junto a mim.
-Eu comentei com você que precisaria viajar... -Ele chegou à porta com o menino nos braços, visivelmente conturbado... -Saio amanhã bem e cedo e volto em dois dias. Se precisarem de mim estarei trabalhando.
Saiu, com meu filho nos braços, me deixando sozinha, na dúvida se era o mesmo homem, se desdobrando em agrados há um minuto saindo por aquela porta. Estava claro para mim que Gustav não tinha a menor intenção de aproximar-se de mim, não sem arrepender-se no minuto seguinte, e eu teria foco nisso, não me deixaria levar novamente.
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