Eu Aceito
4 Conflito pessoal
Notas iniciais
Heidi,você indicouuuu!!(Linda!)
Guenta coração!
Beijo a todas
Hipnotize-System of a Down
Ter dormido naquela cama confortável teria sido uma experiência única, se eu tivesse pregado o olho. A imagem de Gustav não saia da minha mente... O quão próximo ele esteve de mim, a boca ,o perfume dele misturado aos das flores do quarto...Não posso negar, naquele momento eu o quis, mas a forma como ele fugiu na primeira oportunidade que teve ,chegou a me insultar. Era obvio que havia se esquivado de mim, o porquê eu não sabia e tentaria não pensar nisso.
Ele havia voltado tão tarde na noite anterior que sequer me atrevi a ir falar com ele. Levantei da cama indo voando em direção ao banheiro enquanto escovava os dentes com uma mão ,puxava o short do baby-doll com a outra, tomaria uma banho gelado, talvez isso refrescasse minhas ideias.
Entrei no chuveiro e me arrepiei no primeiro contado com a água gélida. Lavei meus cabelos e corpo sem a menor pressa e me enxuguei logo em seguida. Parei diante do closet gigantesco uma blusa qualquer, optando sempre pelo conforto, mas ali, com Gustav andando pela casa... Por um lado gostaria de me sentir a vontade, em minha casa, ele mesmo havia dito. Por outro sentia que precisava manter o decoro. Os hábitos antigos falaram mais alto. Catei um short jeans surradinho e uma blusa preta. Penteei os cabelos e antes de passar pela porta suspirei longamente...Era a primeira vez que acordava naquela casa, meu primeiro amanhecer ali ainda não estava devidamente encorajada a descer, mas Nick precisava de mim...Passei pela porta do meu quarto rindo bobamente, teria de relaxar mais ou seria um suplicio todo dia.” Esta é sua casa Anna, não aja feito louca”, falei para mim mesma enquanto saia para o corredor.
Teria ido primeiro ao quarto de Nicholas, mas dali mesmo pude ouvi o som da televisão e sua risadinha gostosa abafada no andar de baixo, o cheiro maravilhoso de café chegou até mim no meio da escadaria, estava com fome já que na noite anterior me recusei a jantar ,muita informação acaba com o meu apetite.
-Bom dia lindo. ..- Aproximei-me de meu filho tirando sua atenção da tv. Assim que me viu me abraçou com força. Deus como eu o amava...Com tudo o que fez na vida ,de bom e de ruim, Tom poderia ser condecorado de qualquer forma ,por ter me dado um filho perfeito.
-Oi mãe-Beijei as bochechas como se não o visse a dias ...-Mãe...-Resmungou ele.
Andei na direção da cozinha, guiada pelo cheirinho convidativo, quando passei pela ampla porta pude ver Aletta atenta a suas atividades.
-Bom dia!...-Aquela senhorinha me fazia sorrir facilmente, principalmente quando parecia envergonhada diante de mim.
-Senhora... -Começou ela, parecendo nervosa... -Já acordou... -Teríamos que praticar alemão com certeza... -Estava subindo com seu café como o senhor mandou antes de sair.
Gustav já não estava em casa? Pensei que ainda poderia estar dormindo, eram oito horas, mas não que não estaria...”Viajar amanha cedo”, como fui esquecer...Este homem me confunde. Em um dia nos casamos, no outro nem se digna a a tomar café da manha comigo, sem falar que viagem de negocios um dia depois do casamento não me parece nada bom. Suspirei vendo Aletta andar descompassada pela cozinha gigantesca, como se nem soubesse o que fazer primeiro. Na bancada uma bela bandeja parcialmente arrumada, com frutas e pães .Provavelmente o café que Aletta me levaria. Sem sequer perguntar qualquer coisa ,peguei jarra da cafeteira, servindo na xicara disposta na bandeja .Aletta me olhava curiosa enquanto eu me sentava na bancada da cozinha.
-Era para mim,não era...-Perguntei sorrindo apontando a bandeja.
-Eu levaria em sua cama... Se quiser arrumo já a mesa da sala de jantar... -Se não a interrompo ela sairia mesmo a arrumar a mesa enorme somente para mim.
-Estou bem aqui Aletta...-Disse a ela que não parecia satisfeita,como se estivesse errando em seu trabalho...-Gustav já saiu não é?...-Ela balançou a cabeça afirmando... -Pelo que conheço de Nick ele já deve ter comido uma boa tigela de cereais, não é verdade?...-Ouvir o nome de meu filho fez se alargar um sorriso enorme na boca da pequena...
-Sim senhora, cuidei dele assim que acordou...-Respondeu ela satisfeita
-Então se sou só eu ,quero comer aqui mesmo...-Finalizei para que não parecesse tão preocupada.
Imediatamente ela pareceu relaxar os ombros, voltando com mais tranquilidade para dentro da cozinha. Beberiquei o café comendo algumas coisas da bandeja.
-A senhora acorda cedo... -Fiquei feliz por ela finalmente estar a vontade para falar comigo...-As namoradas do senhor sempre acordavam para o almoço. Instintivamente ergui meus olhos para ela, que parecia que ia explodir com o rosto ,passando do branco, para o vermelho .Como se tivesse me insultado de alguma forma, ela levou a mão a boca, voltando a parecer nervosa.Era obvio que ele deveria ter muitas mulheres,era jovem ,rico ,e quem me dera não fosse tão bonito...Pelo menos se fosse feio,eu teria mais dificuldades para olhar para ele,mas não era.Ele era simplesmente lindo.Bebi um pouco mais de café tentando não pensar no tipo de mulher que já estivera com Gustav.Gesticulei para Aletta se acalmar antes que tivesse um enfarte bem ali na cozinha.
Sei que ela não fez por mal,mas o comentário passou a pipocar na minha cabeça. Não acreditei que faria isso, quando vi ,já estava perguntando.
-Aletta...-Comecei com calma chamando a atenção da senhora, que simplesmente tinha voltado a seus afazeres, como se tivesse se arrependido de falar comigo...-Já estiveram muitas mulheres por aqui?...-Mordi meu lábio parecendo criança,enquanto ela me olhava de forma estranha.De qualquer forma Aletta era mulher,sendo assim me entendia e se aproximou devagar.
-Nesta casa não...Desde que viemos para cá,ele não trouxe ninguém...-Começou ela ,sussurrando como se alguém pudesse ouvir...-Mas na casa anterior...-Ela parou enquanto eu baixava os olhos..Nem sei porque me incomodou ouvir aquilo...-Mas eu nunca o vi tão sorridente,ou colhendo flores por ai...Ele mesmo arrumou o arranjo no seu quarto...
Se andava sorridente eu não podia dizer,para mim estava a mesma coisa,carrancudo e mal –humorado,mas ter arrumado as flores me pegou de surpresa.Abria a boca para perguntar se não havia sido ela,como ele disse,mas desisti.Me fireza uma gentileza daquelas e nem mesmo reconhecia isso...Vai ver não tinha vontade de parecer gentil para mim.Que seja!
Bem sabia que não havia jeito de ser Aletta a dar conta da arrumação da casa.Quado chegamos juntas a sala,depois do café,havia brotado ali uma mulher que cuidava da pequena bagunça causada por Nick,que podia ser ouvido brincando do lado de fora.
Aletta pareceu ralhar com ela em uma língua diferente,e a senhora voou em direção as escadas subindo rapidamente.
-Ela entende o que você fala?...-Perguntei diante da velocidade com que Aletta foi obedecida...
-Não ,mas tem medo de mim...-Sorriu a senhorinha.Era difícil pensar que alguém tão doce pudesse por medo em alguém.Rrealmente gostava de Aletta...-A propriedade é grande,ela é a arrumadeira e o marido o caseiro e jardineiro da casa,moram em uma casa de empregados aqui mesmo.Poderá contar com eles quando quiser.
-E você Aletta?...-Me ocorreu perguntar pensando que seria demais que fizesse o percurso de meia hora ,para chegar e trabalhar ali.
-Eu tenho um quarto de empregadas aqui...Mas se a senhora se incomoda...-Estendi a mão para que parasse por ali.
-Minha nossa mulher!O que Gustav falou sobre mim?...-Perguntei com bom-humor para não intimida-la novamente.
-O senhor só a elogia... -Não esperava por isso, meu sorriso sumiu aos poucos esperando que ela continuasse... -Ele a ama senhora, eu sei...
E saiu rumo a cozinha,embora não pudesse me ouviu respondi a ela em um murmúrio
-Está enganada...
Pensei no que Aletta havia dito,senti curiosidade em saber em como chegara a estas conclusão equivocada. Seria tão mais fácil...Se nos amassemos provavelmente poderíamos estar juntos agora,se ele me amasse gostaria de estar comigo,provavelmente teria me beijado ontem.
-Não faça isso com você mesma Anna...Não perca o foco de porque está aqui,foi praticamente um favor da parte dele...-Repeti para mim mesma saindo pela porta em direção a o jardim, indo de encontro a Nick. Brincamos até a hora do almoço, preparado por Aletta. Naquele dia, distraída com meu filho consegui não pensar nada ,nem em ninguém...Nada de Tom,nada de Gustav,somente meu filho e eu.
Nick estava tão exausto que adormeceu no sofá mesmo, tirando uma soneca em plena tarde, fora manhã daquelas onde brincamos como dois alucinados. Olhei para as escadas pensando se realmente gostaria de voltar para o quarto.Não...Decidi ir novamente para o jardim, amanha Gustav voltaria para casa e talvez eu não andasse por ali com tanta liberdade.
Caminhei alguns instantes, vez o outra abaixando para remover algum mato importunando as flores, foi só naquele momento, ao deparar-me com ela ,que lembrei da estufa que Gustav mencionara. Entrei deparando-me com uma grande concentração de flores e folhagens, não demorou para que estivesse absorta em cuidar delas. Ao que me pareceu fiquei ali por mais de uma hora, totalmente relaxada. Depois de fazer tudo que era possível lavei as mãos na pia dali e saia para o jardim novamente, iria ao centro em breve para comprar algumas mudas.
Tirei o chinelinho que usava ,afundando os dedos dos pés na grama macia, uma sensação relaixante, passei as mãos pelos braços, sentindo um ventinho gélido do fim da tarde.
-Espero que não esteja plantando nada ilegal ali dentro... -A voz se propagava atrás de mim, pegando-me desprevenida embora eu soubesse muito bem de quem era. O Gustav original só poderia ter sido abduzido e mandaram este com resquícios de bom-humor. Tentei não sorrir, inutilmente, ao virar-me para ele.
-Deveria ter pensado nisso antes... -Anna, não sorria tanto, pensei comigo, mais aturdida ainda por ele estar retribuindo. Um sorriso lindo. Nunca o tinha visto daquela maneira, tão sereno, ou sorridente. Muito menos me lembrava da ultima vez de tê-lo visto usando jeans e camiseta. Precisei falar qualquer coisa para evitar e encara-lo... -Não chegaria somente amanha?
-Sou um homem casado... -Ele deu de ombros, as mãos tipicamente dentro dos bolsos... –Tenho compromissos aqui também... -Sorriu mais uma vez, me vendo brincar nervosamente com as mãos...-Não vai dar um beijo em seu marido...-Sabia que cedo ou tarde o olhar cínico iria aparecer...-Um abraço que seja. Qualquer dia Nick vai querer saber porque os pais nunca trocam caricias.
Demorou mas apareceu... Lá estava ele tentando me tirar do sério. Desta vez nem ele esperava por minha atitude. Embora sentindo as bochechas arderem andei até ele em atitude decidida, enquanto Gustav me encarava, sorriso desfeito, com um ponto de interrogação no olhar. Cheguei até ele e o abracei pela cintura, olhando em seus olhos, fiquei na ponta dos pés selando seus lábios saindo em direção a casa logo em seguida. Girei nos calcanhares para provoca-lo.
-Você não vem? Nick deve estar com saudades. Mais uma vez ele deu um sorriso torto e andou junto comigo em direção a casa.
Pela primeira vez jantamos os três juntos, Gustav se desdobrava em agradar Nicholas e falar comigo somente o indispensável. Vez ou outra, Nicholas arrancava de nós risadas, com seus comentários inocentes.
Após o jantar levei Nick escada acima, deitando-o na cama.
-Mamãe...-Começou ele enquanto eu o cobria , sentando a beira da cama logo em seguida...-Porque o tio Gustav não pode ser o meu pai?
Se pudesse faria uma mágica para impedir que as lágrimas começassem a brotar nos meus olhos diante da pergunta do meu filho. Olhei para a foto de Tom, encima do criado mudo pensando por um momento aonde eu havia errado, qual teria sido o motivo ,qual a minha parcela de culpa para um casamento que começou como um conto de fadas, ter se tornado minha maior decepção. Ele amava nosso filho, do mesmo jeito torto que me amava. Lembro-me de quando ele nasceu, como ele babava com ele nos braços e como fazia suas vontades...Mas, no fim, deixou a desejar como pai ,assim como marido. Talvez teria sido melhor tê-lo deixado antes do fim, mas como eu poderia saber?
Olhei de volta para meu filho, e os olhinhos castanhos ainda esperavam uma resposta.
-Bom...-Pigarreei tentando firmar a voz que saia entrecortada...-Estamos casados agora,então ele é seu pai a partir de agora...-O sorriso do pequeno surgiu do nada, iluminando o rosto...-Mas você tem que saber, seu pai o amava muito...
-Eu sei mãe,sinto falta dele...-O abracei forte deixando uma lágrima escapulir, enxugando logo em seguida para que ele não percebesse...
Ele ainda me encarava com um sorrisinho estranho, se bem o conhecia queria de mim mais alguma coisa.
-Desembucha... -Pedi sorrindo também para o rostinho angelical, enquanto ele revirava os olhos brincando com os dedinhos...
-Será que eu posso chama-lo de pai, o tio Gustav?...-Falou por fim, meio envergonhado.
-Deve perguntar a ele, sabe como é, uma conversa entre homens... -Ele riu alto... —Mas amanhã, agora é hora de dormir garoto. Boa noite filho.
-Boa noite mãe.
Saí do quarto de Nick com o coração do tamanho de uma ervilha, entrei no meu quarto apertando os olhos com força para não chorar, nunca mais choraria por Tom novamente. Tomei um banho rápido, vesti uma camisola, um robe pretendendo descer, estava com sede, tomaria alguma coisa gelada.
Desci sem sequer acender alguma luz, da parede de vidro a lua parecia iluminar tudo. Na cozinha, abri a geladeira pegando um grande copo de suco, indo novamente em direção a sala.
-Esta sem sono?...-A voz se propagava do centro da sala, onde Gustav estava sentado de forma que, com tão pouca luminosidade, não dava para notar sua presença. Tremeliquei de susto e um pouco mais de raiva. Aproximei-me alguns passos vendo ele se levantar, o cheiro de perfume masculino forte no ar. Dei alguns passos ficando nas costas do sofá de frente para ele.
-Pelo jeito você também... -Falei seca, vendo-o fazer a volta pelo sofá. O acompanhei com os olhos até que ficou diante de mim. O rosto claro era mal iluminado, mesmo assim vi um sorriso fraco se formar em seus lábios. Ele também tinha um copo nas mãos, pelo cheiro nada alcoólico, tirou o meu de minha mão e depositou em uma mesinha junto ao dele. Por um instante ele apenas manteve seu olhar no meu, enquanto eu tentava engolir uma bola de ansiedade alojada na garganta. Um passo a mais e minha preocupação era não ficar extremamente perturbada com ele tão perto de mim.A mão dele cobriu um lado de minha face,por um breve momento o toque morno fez meus olhos se fecharem,para depois se abrirem e encontrar os dele.
Why don't you ask the kids at Tiananmen Square
Was fashion the reason why they were there?
They disguise it, hypnotize it
Television made you buy it
-Já tem muito tempo que eu perco o sono...-Sussurrou ele aproximando-se um pouco mais acabando por tocar seu peito no meu.Passou a língua pelo lábio inferior ,sorriu por um instante e encontrou minha boca de leve, analisando minha reação com o olhar. Não pude oferecer resistência, não pude negar,eu queria que ele me beijasse. Fechei meus olhos permitindo que o beijo acontecesse sutil no inicio, com o simples encontro de lábios.
Aos poucos o beijo quase romântico, tomou um rumo que eu não previa. A língua dele encontrava a minha em uma sincronia perfeita, era a primeira vez que nos beijávamos realmente. No dia do meu casamento com Tom ele era apenas um garoto provocando o amigo ao me beijar.Agora era um homemem.
A boca dele era macia e tinha o encaixe perfeito com a minha. Ele apertava contra ele sem pudor nenhuma boca explorando a minha com vontade. Em um giro, do nada, usou a mesinha atrás dele me acomodar, fazendo com que minhas pernas enlaçassem sua cintura. Meus dedos enterraram em seu cabelo assim que senti a boca dele sugar com força meu pescoço, uma mão subiu livremente por debaixo do meu robe, por vezes apertando com força minha coxa, a outra havia tomado meu seio pressionando-o com leveza enquanto o dedo polegar circulava por ele. Já era insuportável meu desejo por ele.
E pensar que há um minuto eu estava prestes a chorar por um homem que nunca me mereceu na verdade. Um momento de sanidade atingiu meu ser enquanto mais uma vez a boca dele era minha. Eu estava prestes a misturar tudo entre nós, agora eu o queria demais, fugindo do propósito de nossa união, e como seria depois? Se estragasse tudo agora, veria o rosto sofrido do meu filho mais uma vez... Estava sendo egoísta em me deixar levar, não podia fazer isso com nós três.
-Desculpa... Eu não posso... -Me desvencilhei dele vendo a confusão tomar conta do seu rosto, substituindo o desejo... -Eu não quero... -Falei por fim, dando-lhe as costas subindo as escadas depressa.
Notas finais
Escutei ela o tempo inteiro durante o capítulo!
Reviewsss??
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