Eu Aceito

5 Atitude Inesperada


Notas iniciais
Oi
Muito obrigado pelos reviews meninas,amoo todos
Mais um!
Enjoy

Cheguei ao meu quarto em um átimo, como se tivesse cometido o maior pecado do mundo. Fechei a porta atrás de mim, temendo vê-lo passar em direção ao seu quarto, tudo o que eu não queria era encara-lo, não naquele momento. A minha cabeça era um turbilhão de pensamentos confusos, meu coração pulsava rápido. Levei a ponta dos dedos aos lábios, quase podia sentir o gosto do beijo dele somente com a lembrança. Fiz besteira, conclui por fim, eu sabia que ele não sentia nada demais por mim, desejo era fácil, ambos tínhamos, mas e resto? Não faria isto comigo mesma, me portar como se fosse sua amante quando éramos casados, fosse qual fosse o motivo. Nossa relação já era estranha e complicada demais, colocar sexo na equação não melhoraria em nada. Dei passos pesados, indo em direção a minha cama, para mais uma noite onde eu não conseguiria dormir.

De fato, minha cabeça trabalhou a noite, uma briga interna entre meus hormônios e a razão. Refleti a minha situação de todos os ângulos, cheguei a me confortar pensando que não havia feito nada de mais e a me crucificar pensando em como havia ido longe. Com certeza um “não”, não melhoraria nada nos humores do meu marido... ”Eu não quero...” fora a mentira mais deslavada que já lhe havia dito.

Acompanhei o surgimento das primeiras horas do dia, era demasiado cedo mesmo assim levantei indo em direção ao banheiro. Uma noite não dormida tem um efeito devastador no rosto de uma mulher, as olheiras eram evidentes abaixo dos olhos e as pálpebras eram inchadas.

Tomei um banho, o efeito da agua morna contribuiu, pelo menos, na dor muscular...

Depois de me vestir saí para o corredor, embora não escutasse ruído algum, nem mesmo de Aletta zanzando pela casa, era cedo demais até mesmo para ela. Ainda não sabia o que faria, mas continuar no quarto estava fora de cogitação, estava enlouquecendo ali. A casa era silenciosa, sendo cinco e trinta da manha. Desci as escadarias indo diretamente para a cozinha, hoje a cafeteira seria ligada por mim, até podia imaginar a cara de Aletta diante da cena.

Gustav estava sentado na bancada, o rosto enterrado entre as mãos, ficando alerta assim que me viu. Tive dificuldades em analisar seu rosto, o olhar apesar de fixo em mim, era distante de alguma forma, deixando-me confusa, a expressão era a mesma de sempre, quem o visse poderia jurar que era incapaz de sorrir. Pensei por alguns momentos se deveria apenas encará-lo de volta ou falar alguma coisa. Me libertando desta tarefa ele se pôs de pé, catando uma maleta de cima da mesa, a aquela hora e já estava impecavelmente vestido, o terno escuro salientando no rosto dele uma noite mal dormida, evidenciando olheiras arroxeadas debaixo dos olhos.

-Quero que me desculpe... Me excedi na noite passada, não vai voltar a acontecer...-A voz rouca mais parecia um chicote em minha direção.

Sem ao menos esperar qualquer coisa de mim, uma resposta que fosse, saiu cozinha afora. Alguns segundos depois, ouvi a porta principal sendo fechada. Suspirei pesadamente lamentando tudo aquilo.

Dois meses se passaram desde aminha chegada aquela casa. Meus contatos com Gustav sempre se limitaram aos comprimentos do dia e as refeições de fim de semana, quando a desculpa do trabalho não valia nada, durante ela chegava tão tarde que cheguei a ficar uma semana sem ve-lo, já que saia igualmente cedo. Quando Nick estava diante de nós, portava –se como se não tivéssemos conflito algum, por vezes beijava meu rosto diante do olhar satisfeito de nosso filho. Sim, ele permitira, como se pudesse ser diferente que Nicholas o chamasse de pai, para a alegria do nosso pequeno objetivo em comum. Gustav sempre se desculpava com ele, prometendo recompensa-lo pela falta que fazia. Era como viver junto de Jekyll & Hyde, para Nicholas o lado bondoso e sorrisos de pai orgulhoso diante dos pequenos feitos do menino, sobrando para mim o lado monstro, embora nunca me ferisse com palavras e sim com os olhares. Eu havia procurado por aquilo, havia de arcar com as consequências, além do mais me bastava que nestes meses ele estivesse sendo para Nick o pai que Tom nunca havia sido.

Naquela noite deitei logo após o jantar, me sentia física e mentalmente exausta. Depois de um banho relaxante .não demorou para que eu adormecesse somente para ser torturada em sonhos.

Na imagem turva a única coisa que podia ver com clareza era o caixão, Bill o irmão gêmeo de Tom chorava inconsolavelmente, tanto ou mais do que eu, que mantinha Nick junto a mim segurando-o pelos ombros com Gustav ao meu lado, tal qual o dia de seu enterro. No dia em questão fui forte o suficiente para consolar Bill e ao meu filho, embora ninguém me perguntasse como eu me sentia, exceto ele. Gustav afagou meus cabelos enquanto eu chorava minha perda, diferentemente daquele sonho que estava tento, onde ninguém falava comigo, e eu via Nicholas sendo levado para longe de mim pelo próprio Gustav. Quando olhei para o caixão, agora estava aberto e Tom, me olhava enfurecido... ”Como pode se casar com ele?” esbravejava enquanto se punha de pé, o rosto contorcido em fúria enquanto para mim restava esquivar-me diante dele.Foi impossível conter as lágrimas quando despertei daquele pesadelo sentindo meu coração doer tão forte, que pensaria poder estar enfartando.

Sequei o rosto freneticamente tentando controlar minha respiração descompassada, o ar me faltava e corri para a sacada inflando os pulmões com ar fresco da madrugada. Uma luz, de faróis a direita da casa chamaram minha atenção, ainda mais quando permaneceram acesas mesmo depois de eu ouvir o motor sendo desligado. Desceria e veria do que se tratava. Sai cautelosamente em direção ao corredor parando logo em seguida na escadaria não acreditando no que via.

Gustav passava pela porta principal cambaleante, lutando com o próprio paletó na tentativa frustrada de tira-lo. Meus olhos estavam estreitos sobre ele, tentando averiguar o que tinha do alto da escada onde eu estava a única conclusão que consegui tirar da cena que via é que ele havia bebido. Estava literalmente, cambaleando de bêbado, e se eu não fosse ajuda-lo, cairia ali mesmo.

Desci as escadas sem acender a luz, apenas tendo a claridade que vinha da parede de vidro.

Aproximei-me dele com os braços cruzados em sinal de desagrado. Agora ele tinha dificuldades até mesmo para fechar a porta que acabara de abrir, sabe-se lá como. Demorou alguns instantes para que notasse minha presença.

-Anna!...-Ele exaltou meu nome como se visse uma divindade diante de si, sorrindo de forma irônica, ainda sem poder parar direito nos próprios pés...-Ai está você minha esposa, esperando por mim como deve ser.

-Desde quando você bebe?...-Nunca em anos eu havia visto tomar mais do que uma taça de champanhe em ocasiões especiais, e agora parada a dois metros dele, podia sentir o cheiro forte de uísque, assim como sentia em Tom nas piores noites de bebedeira. Tentei manter a calma enquanto o via aproximar-se de mim em passos difíceis.

-Hoje eu bebi minha querida... Bebi muito por você... -Mesmo alcoolizado, mantinha a atitude superior de sempre. Discutir com ele não levaria em nada, eu sabia bem disso então decidi apenas ajuda-lo a subir.

Aproximei-me mais dele, sentindo mais forte ainda o cheiro de bebida e talvez cigarro. Nunca pensei que passaria por isso novamente, não com ele. A estabilidade emocional que Gustav tinha a oferecer a mim e a Nicholas foi um fator crucial para que eu me casasse com ele, mesmo sem ama-lo. Passei um de meus braços por sua cintura apoiando o dele em meus ombros, segurando em sua mão. Comecei a dar junto a ele passos lentos em direção as escadas, tentando desviar do olhar que ele mantinha fixo em mim.

-Eu o ajudo a subir... -Minha voz não era mais do que um sussurro enquanto ele por vezes errava o degrau da escada com o pé e eu rezava para que não acabasse por derrubar nós dois.

Após ajuda-lo a subir com dificuldades a escadaria, paramos diante da porta que era de seu quarto, engoli a saliva, pensando que pela primeira vez cruzaria aquela porta.

Sustentando seu peso com o lado de meu corpo, abri a maçaneta da porta, segurando-o novamente em seguida. A proximidade de meu corpo ao corpo dele já estava me deixando nervosa, ainda mais quando olhava para seu rosto e encontrava seus olhos me encarando. O calor do corpo de Gustav passava facilmente para o meu, penetrando a seda fina de meu robe.

Tentei concentrar-me menos na sensação que tinha pela sua proximidade e mais na tarefa que tinha pela frente.

Entramos no amplo quarto que era o dele. Passei os olhos pelo cômodo bem decorado procurando pela porta do banheiro. A cama de Gustav era gigantesca, mesmo assim havia espaço o suficiente no quarto para uma poltrona ao lado de uma pequena estante com um aparelho moderno de som. A decoração do quarto era encantadoramente perfeita, prevalecendo o branco pelas paredes e tapetes, e preto na roupa de cama. Senti meu rosto corando violentamente, quando seus olhos me surpreenderam olhando para ela. O sorriso do bêbado saiu malicioso e fiquei agradecida intimamente por não ter comentado nada. Apenas o guiei para que sentasse na cama, tirando dele o paletó, as meias e os sapatos.

Andamos para a porta que só poderia ser o banheiro. Assim que entramos liguei o chuveiro em temperatura gelada enquanto pensava que eu mesma teria que coloca-lo para dentro do Box de vidro.

Meet me down by the jetty landing
Where the pontoons bump and spray
The others reading, standing
As the Manly Ferry cuts its way to Circular Quay
Hear the Captain blow his whistle
So long shes been away
I miss our early morning wrestle
Not a very Happy way to start the day
She don\\'t like That kind of behaviour

Procurei não encontrar seu olhar ao voltar-me novamente para ele. Vi minhas mãos tremerem um pouco enquanto liberava a fivela do seu cinto, e o botão da calça, para facilitar a saída da camisa de dentro dela. Abaixei novamente a cabeça pensando que teria que tirar dele as roupas, suspirei baixinho para não deixa-lo perceber meu nervosismo. Ergui minhas mãos lentamente em direção do colarinho da camisa abrindo o primeiro botão, até o ultimo, lentamente até que o peito estivesse nu diante de mim. Era quase impossível que meu olhar não encontrasse o dele uma vez ou outra enquanto eu o fazia. Ergui na altura de minha cintura um de seus punhos abrindo o botão da manga da camisa e logo após o outro. Agora só me restava tira-la do corpo dele e eu o fiz, deixando totalmente despido da cintura para cima enquanto tentava conter minha respiração que saia de forma desordenada, e meu coração pulsando forte no peito. Estava com um pouco de vergonha, reconheci para mim mesma abrindo o zíper da calça, deixando que ela deslizasse até o chão. Novamente apoiei seu corpo, praticamente nu se não fosse pela boxer preta, ao meu, levando-o para o chuveiro.

Ele se queixou um pouco da temperatura da água sobre ele, mesmo assim empurrei sua cabeça para debaixo da ducha, molhando as mangas longas do meu robe. Depois de alguns minutos ,a barra do robe tocando o chão já estava tão encharcada quanto as mangas.

Sustentei mais um pouco sua cabeça na agua fria para que ela amenizasse parte da embriaguez. Gustav desceu uma de minhas mãos de sua cabeça a lateral do próprio corpo, fazendo-a permanecer na boxer que vestia a única coisa que o separava da nudez total.

-Você esqueceu uma peça de roupa... -Os olhos dele estavam nos meus de forma desafiadora. Sabia que em sã consciência ele jamais se aproveitaria de mim, mas nuca o tinha visto bêbado antes, então temi por mim naquele minuto e ele percebeu isso... -Estou propondo, não te ameaçando.

-Você está bêbado... -Retruquei tentando não me alterar.

Então em um gesto bruto ele pressionou-me com seu corpo contra a parede, pegando meu rosto entre suas mãos, tão sério que já nem tinha certeza se estava realmente tão bêbado assim.

-Eu posso ter bebido, mas nem isso fez eu me esquecer de que eu te amo...-A boca dele encontrou a minha ferozmente, com uma urgência que estava me assustando, mas me envolvendo mesmo tempo.

Em um empurrão forte o afastei de mim.

-Me solta!...-Ordenei a ele entredentes e ele obedeceu, indo mais uma vez para debaixo da ducha fria. Engoli a saliva e desliguei o chuveiro, ajudando-o novamente a sair.

Passei uma toalha por sua cintura e fomos em direção a cama dele, agora, apesar de ainda precisar de meu apoio, ele já não jogava mais seu peso contra mim, podia leva-lo com mais facilidade. Sentei Gustav na beira da cama para afastar os lençóis do lugar onde dormiria, nem mesmo isso ele poderia fazer por ele mesmo.

-Sabe o que Tom me disse Anna, no dia em morreu?...-Parei imediatamente de mexer na cama e olhei para ele. No ultimo ano esta questão martelava em minha cabeça e seguiria assim, pois eu jamais perguntaria... -Ele me disse que se não tivesse interferido, eu teria sido um marido melhor para você.

As palavras dele me apunhalaram... Ouvir o nome de meu marido morto, dito pelo melhor amigo de uma forma que eu jamais havia visto fez meus olhos marejarem. Eu sabia que ele estava com raiva de mim, mas não o deixaria me magoar usando o passado. Não permitiria.

-Deixe Tom fora disso Gustav... -Pedi a ele com a voz quase inaudível. Senti raiva ao ver que na expressão de Gustav havia apenas a nítida vontade de me torturar com suas palavras.

-Ele não era tão bom quanto você pensava... -Ele disse ao ver que não conseguia de mim a raiva que esperava ao falar de Tom, a boca fechada em uma linha reta. As palavras dele não eram exatamente mentiras, então tentaria manter a calma.

-Eu sei... –Respondi magoada voltando a arrumar os travesseiros e os lençóis.

Ajudei que se deitasse e o cobri. Estava pronta para voltar ao meu quarto quando o ouvi chamar meu nome, parei na porta virando-me em direção da cama.

-O que?...-Cheguei a temer seriamente que estivesse se sentindo mal. Então com o maior escárnio que pode ele, olhando-me de forma lasciva, mostrou a boxer que vestia em sua mão e jogou-a no chão.

-Se mudar de ideia...

Saí dali batendo a porta com força entrando em meu quarto. Tirei o robe parcialmente molhado e deitei em minha cama. Tentei o máximo que pude, mas não consegui evitar chorar. Ele havia me insultado com suas atitudes e me ferido com suas palavras e estava doendo.

Acordei no dia seguinte ainda pensando na noite anterior. Senti raiva de mim por ter remorso de não ter observado Gustav durante a noite, bêbado do jeito que estava não me surpreenderia que se afogasse com o próprio vômito. Senti uma pontada de pânico com o pensamento. Levantei-me da cama em um pulo e andei depressa até seu quarto, abrindo a porta depressa. Olhei para a cama e ele não estava nela. Foi então que a porta do banheiro se abriu e ele saiu enxugando os cabelos, envolto da cintura para baixo em uma toalha preta. Encontrei seu olhar por um minuto e virei nos próprios calcanhares indo em direção da porta novamente.

-Anna... -A voz dele saia rouca. Voltei meu corpo novamente na direção dele... -Eu...

-Eu só vim ver se estava tudo bem com você... -Interrompi o que ele estava prestes a dizer, vendo que ele tinha dificuldades em encontrar as palavras certas.

-Fiz alguma coisa para magoar você?... -Perguntou ele abaixando o olhar. Para mim era uma novidade ver o prepotente Gustav envergonhando-se diante de mim. Não o lembraria de nada, apenas tentaria esquecer-se de suas palavras duras.

-Nada que Tom já não tivesse feito uma ou mil vezes antes de você... -Falei a ele brincando de forma nervosa com as próprias mãos. Nesta hora percebi que sequer tinha cobrido meu corpo e estava com uma roupa mínima de dormir... -Eu vou voltar para meu quarto.

-Seja o que for que eu tenha dito, não era real... — Esquecerei então que ele havia dito que me ama, pensei comigo mesma, raiva o levou a beber não amor... — Eu prometo a você que nunca mais vai se repetir. Esqueça tudo, por favor. Nem lembro o que me levou a beber tanto... -Nesta hora pude ver que mentia.

-Por mim... -Seus olhos arregalaram-se para mim. Pigarreei contendo um riso... -Por mim não tem problema contato que Nick não veja... Seria uma decepção para ele... -Falei já sem nenhum traço de humor.

Ele fechou os olhos com força, provavelmente lembrando que não devia um comportamento decente só a mim.

Andei até ele sentindo que precisava confortá-lo.

-Não vá trabalhar hoje... -Pedi sem coragem de olhá-lo nos olhos... -Foi uma noite difícil para nós dois. Ele tentou falar qualquer coisa em discordância, mas eu me antecipei... -Nick precisa mais de você em casa, eu preciso mais de você em casa... -Desta vez olhei fixo em seus olhos. Como resolveríamos nossas diferenças se ele mal parava em casa? Daqui a pouco, reprimindo e nutrindo raiva pelo mal entendido, seria um porre por dia. Diria a ele que não era uma questão de querê-lo, isso seria tolice negar... Apenas não podia correr o risco, isso resolveria tudo entre nós. Eu apenas precisava encontrar as palavras certas.

Ele apenas sorriu de leve e concordou com a cabeça. Voltei para meu quarto pensando no dia que teria pela frente e pela longa conversa que me aguardava.

Notas finais
Sabem o que fazer!
Reckless-Australian Crawl