Eu Aceito

2 A hora do sim.


Notas iniciais
Meninas,mais um capítulo!Aguardem pois ainda vai pegar fogo entre estes dois...Muitos momentos tensos e de pura luxúria!Adoro!
Beijos
Enjoy

Acordei cedo naquela manhã, apesar de ter dormido muito pouco, ou quase nada na noite passada, meu telefonema para Gustav tirou de mim o cansaço do corpo, estava eufórica demais para conseguir pregar o olho. Nem em mil anos ele poderia prever que eu ligaria ainda naquela noite, dando-lhe a resposta que queria de mim.

Na tarde de ontem, enquanto eu assinava os papeis de alta hospitalar de Nicholas, Gustav surgiu na porta principal do hospital para levar-nos para casa.

Enquanto andávamos em direção ao quarto de Nick ele me surpreendeu com o pedido de casamento. Ele já havia cogitado a ideia uma vez antes, logo que Tom morreu, alegando que eu e Nicholas precisávamos de alguém que cuidasse de nós. Seria algo ridículo e obsoleto se partisse de qualquer outro homem e não de Gustav, um casamento por conveniência, mas ele já dedicava parte de seu tempo a nos há tantos anos, que não me parecia tão absurda a ideia de casamento, mesmo que não houvesse amor.

Liguei dando o meu sim o deixando atônito no outro lado da linha. O modo como ele se comportava com Nick era mais do que o suficiente para que eu concordasse, ele era mais pai do meu filho do que Tom fora um dia. Estava sempre presente quando ele adoecia ou simplesmente queria sua companhia. Casar com ele seria um pequeno sacrifício para mim diante de todo o bem que faria para meu filho. Gustav não estava apaixonado por mim, mas estava disposto a ser meu marido, abdicar da vida de solteiro sem esperar nada em troca, isso, bem ou mau, fazia dele um homem melhor.

Ainda naquela manha ele viria, para acertarmos o que seria mais um contrato de união, do que um casamento. Talvez saber disso tivesse me despertado tão cedo. Sai da cama indo direto para o banheiro, prendi meu cabelo, lavei o rosto e escovei os dentes. Precisava me movimentar ,me distrair, sem pensar que em poucas horas reforçaria minha decisão, cara a cara com ele.

Fui ao quarto de Nick, abri lentamente a porta sem querer acorda-lo. Dormia profundamente. Voltei à cozinha, me servi de uma xicara de café e fui para o jardim. Uma das coisas que mais me encantava e por vezes me acalmava, era estar envolvida entre minhas flores.

Vesti luvas e um avental, começando por tirara as folhas mortas e as ervas daninhas que impediam o crescimento de algumas mudas novas. Em poucos minutos já estava tão absorta em minha tarefa que o som dos pássaros era as únicas coisa que invadia meus ouvidos e povoava a minha mente.

-Creio que sentirá falta disso quando mudar de casa... Gustav e a terrível mania de se aproximar sem fazer barulho, ou talvez houvesse feito ,o que importa é que mais uma vez me pegou de surpresa. Me levantei em um pulo ficando em pé .Alguma coisa naquele homem tinha o dom de me fazer perder as palavras. Não sei se era a expressão, poucas vezes propensa a esboçar alguma simpatia, ou a própria postura que tinha. Já havia me perguntado muitas vezes o que levava um homem tão bonito a parecer tão insatisfeito. Pisquei algumas vezes pensando em algo a dizer.

-É a penas um hobby, posso arrumar outro... -Passei a face da mão limpando uma gota de suor em meu rosto, o sol estava a pino naquela hora da manhã lembrando em nada o dia chuvoso de ontem. Enquanto eu vestia um short jeans e uma blusa fina, e ainda assim sentia calor, Gustav parecia muito confortável vestindo terno. Pelo menos ele evitava sempre a gravata mesmo assim, não me lembrava da ultima vez de tê-lo visto em roupas mais casuais. Trazia com ele uma pasta em uma das mãos enquanto a outra estava escondida no bolso, dali certamente iria para a produtora.

Ele ainda olhava para mim daquela forma que sempre me fazia corar, aos poucos aproximou-se de mim ficando a apenas alguns centímetros. Tirou a mão que tinha no bolso e levou até a parte interna do paletó. Tirou dele um delicado lenço claro, passando pela minha face, quando o devolveu ao bolço havia nele uma mancha de terra. Deveria ter tirado as luvas antes de passar a mão suja na cara, pensei comigo sentindo minhas bochechas arderem com o gesto dele. Passei por ele entrando em casa pela porta dos fundos, que dava na cozinha. Ele simplesmente me seguiu.

Entrei indo direto para o banheiro. Olhei no espelho e realmente ainda havia uma pequena mancha de lama, fora isso ainda tinha os meus cabelos que mais podiam ser comparados a feno emaranhado. Lavei o rosto e passei a de cabelos pelos fios castanhos, deixando-os soltos desta vez. Respirei fundo e andei novamente até a cozinha, onde Gustav me esperava sentado em uma das cadeiras. Coloquei a cafeteira para funcionar e me sentei também, ficando de frente para ele. Coloquei as mãos em cima da mesa e brinquei com elas de forma nervosa, rezando para que ele fosse sutil ao tocar no assunto do casamento e que, por Deus, não perguntasse se eu tinha certeza.

Ele mexeu por um instante dentro da pasta que trouxe consigo, tirando de dentro dela um pequeno maço de papéis, entregando-os para mim.

-Se você concordar podemos oficializar dentro de uma semana... -Empurrei de volta para ele os papeis para ele, não entendendo um termo sequer em uma breve analise...-É o contrato nupcial, formalidades de qualquer casal que está prestes a se casar.

Violentamente meu rosto corou, fazendo com que um sorriso de canto nascesse nos lábios dele. Pelo menos vexar-me o fazia sorrir.

-Uma semana? Tão rápido?...-Vi o sorriso desaparecer de imediato com minha pergunta.

-Eu propus, mas quem aceitou foi você... -Grosseiro! Apenas o encarei em sinal de desgosto. Ele coçou a testa, mas desculpar-se com certeza não ia. Por um segundo questionei minha decisão, o veria muito pouco, pois nunca se cansava do trabalho. Mas como seria quando estivéssemos juntos, tomando decisões como agora? Gustav era temperamental demais para aceitar minhas objeções, estava acostumado a ter sempre o que queria... –Olha... -continuou ele tentando manter a tranquilidade... -em outras circunstâncias eu acredito que precisaria de tempo, mas como se trata apenas de uma ida ao cartório, uma semana está de bom tamanho. Além do mais, eu tenho uma viagem importante de negócios agendada para daqui um mês, gostaria de ir tendo resolvido isso.

Quanta sutileza! Querer resolver mais um de seus acordos antes de uma viagem.

-Acerte tudo, eu estarei lá... -Tentei ser tão ríspida quanto ele era comigo, meio sem sucesso eu acredito, só consegui que sorrisse ironicamente novamente.

Uma semana, sete dias, é um tempo relativamente curto, para quem anda com os nervos a flor da pele. Naquela tarde minha vida daria um giro, uma mudança tão drástica, que sequer passou por minha cabeça que pudesse ser possível. Nick não cabia em si, sabendo que naquele mesmo dia passaríamos a morar com Gustav, que a partir daquele dia ele passaria a exercer o papel de seu pai. Já havia arrumado tudo que levaria para minha nova casa e por fim meu coração começara a bater descompassadamente, vendo que se aproximava a hora, onde eu me uniria oficialmente a Gustav.

Mais uma vez pensei em Tom. No dia do nosso casamento quase não cabia em mim de tanta satisfação e agora lá estava eu tão nervosa, no mal sentido, que esperava o momento em que começaria a chorar desconsertadamente. Um casamento por amor, tendo acabado bem ou não, sempre é diferente de um casamento sem sentimento algum, senão o bem estar de todos.

Já havia tomado um banho e o motorista já havia pegado Nicholas e o levado para a nova casa. A principio não tinha ideia do que vestir, não era por que seria apenas no civil que eu apareceria de qualquer jeito. Quando se aproximava das três, horário que havíamos marcado no cartório, maquiei de leve meu rosto, coloquei um vestido que nada fazia lembrar uma noiva. O modelo que marcava bem a cintura era em um tom lavanda com um decote em v, nas costas e no busto, com comprimento na altura dos joelhos. Por ultimo calcei um belo par de sapatos de salto e finalizei meu cabelo, prendendo-o em uma parte deixando que a outra caísse por minhas costas.

Juntei em mim coragem, peguei meu carro e parti para meu compromisso. No caminho até o cartório lembrei-me da ultima discussão que tive com Tom, um dia antes de morrer, onde apesar de tudo, ele tentava justificar seus atos repulsivos. Como se não bastasse me faltar como marido e como pai, ainda fazia insinuações em relação à Gustav, como se soubesse de algo que eu desconhecia, depois, como de costume me abraçava forte, dizendo que não suportaria a ideia de viver sem mim. Agradeci aos céus por Nick não presenciar muitas destas cenas, já bastava o meu orgulho ferido.

Se eu quisesse, poderia viver junto ao meu filho sem preocupações com dinheiro ou nada do gênero, ao menos neste ponto Tom garantiu nossa tranquilidade, Gustav nos repassava fielmente o que tínhamos direito, tendo Tom como seu sócio. Fora isso ainda havia uma fortuna pessoal ,que eu usaria somente para meu filho, já que foi deixada pelo pai. Mas, daqui a pouco tempo, uma mãe somente não seria o suficiente para Nicholas. As perguntas viriam junto com a carência de um pai,e a forma como ele se sentia junto a Gustav...Aquele homem me perturbava de uma maneira inexplicável, mas seria eternamente grata pelo amor deliberado ao meu filho.

Estacionei meu carro diante do cartório, suspirei mais uma vez, apertei com força o volante. Percebi que ainda tinha no dedo o anel que Tom havia me dado. Meus olhos marejaram diante da lembrança do momento onde eu estava tão feliz.

-Faria de mim o homem mais feliz do mundo, se dissesse sim meu amor. Case-se comigo...-Disse ele ao por a linda joia no meu dedo, tirando de mim a fala.

Balanceia cabeça apetando os olhos com força para impedir a insistente formação de lágrimas nos olhos, se chorasse ,seria visível, ficava com o rosto inchado e vermelho quando acontecia.

Tirei o anel do dedo, colocando-o com cuidado em minha bolça para guardar mais tarde. Dez anos no mesmo lugar fizeram com que uma depressão em meu dedo denunciasse que ali, até pouco tempo, existia uma joia. Desci do carro indo para o cartório, onde Gustav me esperava na entrada. Seu olhar me percorreu da cabeça aos pés, fazendo com que um arrepio passasse por minhas costas, me perguntando no que estaria pensando, o olhar não era malicioso, ao contrário, tinha para mim certa adoração. Ele estava impecavelmente vestido como sempre, desta vez usando uma gravata escura, como o resto da roupa.

-Olá... -Mordi o lábio inferior tentando não olhar em seus olhos enquanto eu o cumprimentava.

-Está atrasada, pensei que não viria...-Por um momento pude jurar que senti alívio em sua voz. Seria ele mesmo capaz de pensar que eu faltaria com a palavra dada?

-Eu disse que estaria aqui... -Tentei parecer calma para não fazer nascer nele a irritação de costume. Gustav, mais uma vez me surpreendendo, ofereceu sua mão para mim. Olhei por um momento para a mão estendida em minha direção, e a segurei, enquanto ele me guiava em direção ao cartório.

Lá dentro o juiz de paz já nos aguardava junto a ele dois funcionários de Gustav que serviriam como testemunhas. O senhor de meia idade olhou para mim de forma curiosa perguntando se poderia dar inicio aos proclamas, assenti com a cabeça dando inicio as formalidades que me uniriam a Gustav.

Enquanto senhor juiz proferia as palavras que me tornariam a esposa do homem ao meu lado,pensei em sua palavras, as que usara para me convencer a unir minha vida a dele. Como eu não era uma mulher qualquer, entregue aos prazeres do corpo como simples diversão, Gustav me assegurou que não haveria intimidades entre nós, somente se eu quisesse, me fazendo corar como nunca com as ultimas palavras. Moraríamos em sua casa, como deveria ser, mas teria meu próprio quarto.

-Anna?...- O juiz parecia estar insistindo pela segunda vez com suas palavras, tirando-me de meus devaneios. Olhei para Gustav encarando-me com a expressão mais séria do mundo...-É de livre e espontânea vontade que vem aqui hoje?

-Sim... -Respondi ao juiz com um leve sorriso, desculpando-me por minha distração em um momento de tanta importância.

Então, fazendo as perguntas necessárias a mim e Gustav ele nos declarou como marido e mulher, sugerindo que o noivo beijasse a noiva. Na hora mais uma vez, minha cabeça vagou vendo uma cena semelhante no dia de meu casamento com Tom, quando Gustav, me beijou de forma inesperada. Tal qual a vez anterior, ele tomou meu rosto em suas mãos, aproximando seu rosto do meu. Esperei que seus lábios tocassem os meus, vez ou outra, diante dos alheios a nosso casamento de faixada, seria necessário, porém ,ao invés de beijar meus lábios como eu esperava, ele depositou um beijo suave em minha face sussurrando em seguida.

-Só vou beija-la de verdade quando você me pedir.

Senti-me envergonhada diante do juiz e testemunhas ali presente, presenciando o ato insolente daquele que agora era ,oficialmente, meu marido. Mais uma vez, pegou em minha mão, enlaçando seus dedos aos meus, levando-me embora dali.

Notas finais
Muitos reviews,deixem este coraçãozinho feliz!
beijos