Eterno

3 Capítulo 3:


Templo do Grande Mestre.

A bela mulher loira andava pelos corredores do Templo principal com altivez, usufruindo do raro privilégio de possuir a permissão concedida pela deusa Atena para caminhar por entre as Doze casas e o Templo do Grande Mestre, como companheira daquele que futuramente poderá ocupar o cargo de Patriarca. Função provisória esta que o Cavaleiro de virgem, atual esposo da deusa da Justiça, exerce atualmente e logo espera passar adiante.

Apesar da relutância de Camus em aceitar tal função, Olesya tinha planos mais ambiciosos a serem realizados. A mulher para diante da sala do Trono, um local de acesso restrito apenas cavaleiros de ouro ou outros de castas menores, quando convocados pelo Grande Mestre.

No momento, não havia ninguém ali. Atena estava ausente, acompanhada por seu marido, em uma visita ao vilarejo. A loira deu um sorriso de lado e estendeu a mão para empurrar a enorme porta de madeira. Será que teria a oportunidade de..?

—Senhorita Olesya. –a voz de Shun de Andrômeda chama a sua atenção. O rapaz a fitava com ar desconfiado, mas mantinha um sorriso amigável no rosto. –Que surpresa encontrá-la aqui!

—Shun, não é? Hyoga nos apresentou ano passado. –disse a loira sorrindo. –Visitou nossa casa com a filha de Camus.

—Nike... sim. Eu a orientei para conseguir sua armadura de prata. –Shun colocou as mãos atrás do corpo. -Não lhe avisaram que não possui permissão para entrar nessa sala?

—Oh, não.... –ela colocou a mão sobre o peito em um gesto teatral. –Devo ter me confundido. Me disseram que por aqui havia uma bela biblioteca que eu poderia ter acesso. Achei que era aqui.

—A Biblioteca fica para lá. –Shun apontou para o caminho que ela havia feito para chegar ali. –A segunda porta à direita, depois dos sentinelas.

—Claro. –ela lhe sorri gentil se afastando. –Obrigada, cavaleiro.

Assim que se vê longe do olhar de Shun, a expressão angelical do rosto de Olesya muda drasticamente, maldizendo o homem que aparecera de modo inoportuno.

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Rodório.

Camus olhava para o rosto levemente irado da morena diante dele, ainda sem reação com a acusação dela. Depois de um breve momento, lembrou-se da promessa que havia feito a ela quando ainda era uma menina sobre as tais bombas de chocolate.

—Eu não sou nenhum tratante. –foi a única coisa que conseguiu dizer diante das acusações desferidas pela garota.

—Ah não? –ela estreitou o olhar e apontou o dedo para o rosto dele acusadoramente. –Doze anos, três meses e sete dias que estou esperando pelo que me deve! Se isso não é ser um tratante, eu não sei o que é!

—Eu estive ocupado! –não conseguia desviar sua atenção dos olhos escuros da garota.

—Deve ser muito lerdo para ficar ocupado com o que quer que seja por doze anos e esquecer uma dívida! –ela respondeu com cara de quem não acreditou na desculpa que havia dado.

—Você tem uma língua bem ferina, garota!

Camus respondeu, sentindo-se irritado pela maneira que ela havia se referido à sua pessoa. Ficava pensando onde estava o respeito aos cavaleiros dourados que os cavaleiros menores deveriam ter pelas patentes.

Foi quando os dois se deram conta de que ainda estavam nos braços um do outro, mesmo enquanto discutiam. Suas faces ficaram ruborizadas com a constatação, mas por algum motivo que desconheciam, não conseguiam se afastar.

Então, um grito de guerra em timbre infantil se fez presente e um garoto de cabelos negros espetados, com seus aparentes dez anos, saltava contra Camus, com a perna esticada como se pretendesse atingir o rosto do Aquariano com um chute no ar. Mas, Camus foi mais rápido e pegou o chute antes que o atingisse com enorme facilidade, soltando finalmente Esperanza e erguendo o menino pelo tornozelo no ar.

—Solte-me, maldito! –o menino esperneava tentando acertar socos em vão em Camus, que ergueu uma sobrancelha analisando o pequeno atrevido e achando-o bem familiar.

—HECTOR! –Esperanza gritou para o menino, envergonhada. –O que pensa que está fazendo?

—Protegendo a minha irmã de um tarado! –ele respondeu, cruzando os braços e olhando furioso para Camus, mesmo estando de cabeça para baixo.

—Irmã? –Camus fitou o menino e depois a jovem. –Ah, sim... é cara do seu pai mesmo.

—Como conhece meu pai? –o menino perguntou furioso, apontando o dedo para Camus. –Exijo que me responda!

—Você não está em condições de exigir nada! –Camus disse com tamanha frieza que Hector estremeceu e engoliu em seco. –Acaso sabe quem sou, menino? Tem consciência do erro que está cometendo ao erguer sua mão contra um cavaleiro de ouro?

Hector sentiu um medo irracional.

—É o seu último erro! –disse Camus com ar ameaçador.

—Dá pra soltar meu irmão? –Esperanza pediu, suspirando.

—Apenas ensinando que não deve enfrentar um inimigo mais poderoso sem ter certeza de que está preparado para morrer.

—Ele tem só dez anos e é aprendiz ainda! –Esperanza retrucou.

—Já ensinava isso ao Hyoga quando ele tinha oito.

—Ensinou o meu mestre? –o menino arregalou os olhos surpreso e encarou Camus, ficando boquiaberto com a constatação de quem ele poderia ser. –AAAHHH, VOCÊ É O MESTRE DO MEU MESTRE! CAMUS!

—Isso de “mestre do meu mestre” só podia ter vindo do Hyoga... Algo tão ridículo! –Camus resmungou.

—Hyoga de Aquário? –Esperanza pareceu surpresa e depois fez uma careta. –Tá explicado porque ele é tão esquisito...

Camus soltou o menino, que caiu no chão de modo desajeito e em seguida se levantou rapidamente, encarando o ex-cavaleiro de Aquário como se fosse um inimigo mortal.

—Hyoga não é esquisito! De onde tirou essa afirmação descabida?!

—Nada não. –Esperanza desconversou, puxando o garoto pela gola da camisa para longe de Camus. –Não suma do Santuário, ainda vou querer o que me deve!

—Me solta, Espê! –pedia o menino sendo arrastado. –Isso é humilhante para mim, o futuro cavaleiro de Cisne, ser arrastado por minha irmã dessa maneira!

—Garota maluca... –Camus suspirou e depois pegou o caminho oposto ao dos irmãos, na direção das Doze Casas.

Caminhou pensando na garota chamada Esperanza e no quanto ela é bonita. Na verdade, teve que admitir que ela era linda! Dona de uma boca naturalmente rosada e carnuda, um corpo... e belos e expressivos olhos, que o faziam lembrar alguém.

Nisso, a imagem repentina de Milo passou por sua mente. Primeiro, dele ainda como cavaleiro, seu amigo... depois como sua contraparte feminina, ao qual teve que se submeter por um capricho divino. E constatou porque os olhos de Esperanza o impressionaram tanto. Apesar de serem de cores diferentes, o faziam se lembrar de Milo.

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Nos aposentos destinados aos Hóspedes de Atena na Décima terceira Casa.

Olesya se olhava no enorme espelho, com uma expressão séria em seu rosto. Depois toca a superfície deste com as pontas dos dedos e a imagem começa a ondular como se fosse líquida ao contato de sua pele.

—Meu senhor... sua serva aqui está. –ela murmurou, parecendo em transe, enquanto um som incompreensível vinha do espelho. –Ainda não consegui pegar a Adaga dourada, como o senhor deseja. Me perdoe... sei que espera há séculos por isso.

O reflexo do espelho oscila, aparecendo a imagem distorcida de uma figura masculina.

—Tenha mais alguns dias de paciência, meu senhor. Por favor... Eu terei a Adaga. A arma que pode matar um deus será sua. Não irei falhar com o senhor!

A imagem desaparece em seguida, voltando ao normal. A mulher apenas sorri.

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Em frente à Casa de Áries.

—Como assim? Andando no Templo do Patriarca? –Nike perguntou à seu amigo Shun, cruzando os braços e fitando os demais que o acompanhavam, entre eles Hyoga e Kiki, atual guardião de Áries. –Ela não sabe que não pode andar lá sem a companhia de um cavaleiro? Pelo que eu saiba, ela largou de ser uma amazona para ser a “noiva” do meu pai.

Nike disse a última expressão com tanto desprezo que acabou arrancando um riso de Kiki, mas ele logo disfarçou ao ver o olhar raivoso da garota de cabelos azulados.

—Não está exagerando, Nike? Ciúmes dessa relação de seu pai com a Olesya? –Hyoga perguntou à menina que conhecia desde que nasceu e considerava uma irmãzinha. –Afinal, eu me lembro que você incentivava ele a sair daquela casa no meio do nada e conhecer pessoas. E ele a conheceu e se dão bem...

—Hyoga, quando eu falei para meu pai sair de casa e conhecer pessoas, namorar um pouco, eu não pedi que ele ficasse “noivo do Satanás Loiro”! –respondeu a garota irritada. –Ela não me desce. Tem algo nela que... é falso!

—Eu acho que ela tem algo estranho, sim. Algo nela não me inspira confiança. Eu... não gosto dela. –disse Shun atraindo os olhares espantados de todos. –O que foi?

—Estão vendo? –Nike apontou para Shun. –Até o Shun sente que ela não é boa pessoa. Ele não gosta dela! Pronto! Quer argumento melhor que esse?

—Bem... –Shun tentou dizer algo.

—Justo o Shun, que é igual a um filhote de Corgi e que gosta de todo mundo, não gosta dela! –Nike enfatizou, para o constrangimento do cavaleiro de Andrômeda. –Meu pai tem que saber disso!

—Nike, deixa eu te lembrar que da última vez que tentou falar sobre a Olesya com seu pai, vocês discutiram... você foi embora para o Santuário e eles foram morar juntos? –comentou Kiki.

—Em outras palavras: Camus não admite que se intrometam em sua vida! –Hyoga enfatizou. –Chegar nele com argumentos rasos sobre a namorada só irá abrir brecha para outra discussão entre vocês. E convenhamos, não me falaram nada que me fizessem acreditar que Olesya não seja uma boa pessoa para o mestre Camus.

—Capaz deles até marcarem data de casamento só de comentar algo. –Nike suspirou e levou as mãos à cabeça, com raiva. –Meu pai sabe ser uma toupeira com as mulheres!

—Isso quer dizer que não vai fazer as pazes com seu pai agora? –Shun perguntou preocupado.

—Eu quero... –ela fez uma expressão preocupada. –Mas ele é muito teimoso!

—E por falar em seu pai. –Hyoga apontou com o olhar Camus, que se aproximava. –Não fale nada, mocinha! Ainda não!

Camus parou diante do grupo e olhou para Nike. A garota abaixou o olhar, sentindo-se novamente com cinco anos de idade e sendo pega em alguma traquinagem por ele, sendo repreendida apenas com o seu olhar.

—Nike... tudo bem? –Camus foi o primeiro a quebrar o silêncio constrangedor. –Não sabia que havia voltado de sua missão.

—Foi algo simples. –ela respondeu sem graça. –Eram apenas arruaceiros dando trabalho na região.

—Ex- cavaleiros de prata querendo usar seus dons para causar crimes não deveria ser algo tão simples. –Camus arqueou a sobrancelha.

—Para ela foi, pois Nike é uma amazona de prata muito forte! –Kiki comentou atraindo o olhar de Camus e deixando Nike corada. –Deve se sentir orgulhoso, Camus.

—E eu sinto. –ele respondeu simplesmente, passando pela filha e indo até o cavaleiro de Áries. –Tenho permissão para subir?

—Mestre Camus... acho que não precisa de permissão já que...

—Não disse que assumiria o cargo, Kiki de Áries. –Camus o interrompeu e depois olhou para Hyoga. –Conheci seu pupilo hoje, Hyoga.

—Ah, não... o que Hector fez dessa vez? –Hyoga realmente parecia preocupado.

—Nada, apenas conversamos. É um menino espirituoso! –Camus deu um sorriso de lado, imaginando os problemas que o pupilo deveria dar ao loiro. –Nike, podemos conversar logo mais?

—C-claro!

—Ótimo! Amanhã depois do teste para a armadura de Escorpião que irei presidir. –respondeu subindo as escadas. –Avisarei a Atena que farei logo isso como Grande Mestre, mas que assim que terminar passarei o manto para outra pessoa. Vamos conversar um pouco depois disso.

Assim que Camus sumiu de vista, Shun virou-se para Kiki e Nike e perguntou sorrindo:

—Quando vão falar para ele que estão juntos?

A pergunta direta fez ambos engasgarem e ficarem vermelhos de vergonha. Kiki ficou nervoso, não sabia o que falar e Nike começou a rir constrangida.

—B-brincadeira sem graça, Shun! Eu e o Kiki? Somos só amigos!

—Sem cabimento! –Kiki reforçou. –Eu vou indo. Tenho coisas a fazer!

—E eu também tenho... coisas a fazer.

Ambos saíram dali rapidamente, cada qual pegando um caminho diferente e Hyoga balançou a cabeça negativamente.

—Quando vão parar de agir como se não soubéssemos que estão ficando? –Hyoga perguntou.

—Boa pergunta! –Shun começou a rir.

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Casa de Escorpião.

Camus parou sua caminhada rumo à Décima Terceira Casa, diante do Templo. Por um momento hesitou em entrar naquele lugar, mas decidiu que estava mais do que na hora de enfrentar seus fantasmas. Passou pela porta principal e caminhou por seus corredores agora vazios.

A cada passo, podia escutar a voz de Milo. Todas as vezes em que conversaram ali, riram ou brigaram. Ele para de andar e toca em seu peito, sentindo a saudade doer novamente e se amaldiçoa por permitir que isso o incomodasse depois de tanto tempo.

Olhou para o lado e viu o pedestal onde a Armadura dourada de Escorpião repousa. Ficou ali parado admirando-a por um longo tempo até que tomou uma importante decisão. E a passos lentos saiu de dentro daquela casa, tentando deixar seu passado para trás.

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Manhã seguinte, Coliseu.

Vários cavaleiros, soldados e aspirantes se reuniam para ver o nascimento de um novo Guardião dourado. Por vinte e três anos, a Casa de Escorpião esperava por um novo Cavaleiro e talvez nessa manhã ele, ou ela, surgiria naquela arena.

Todas as atenções estavam voltadas para a morena que alongava esperando dar início ao teste final. Por anos, Esperanza ostentou uma armadura de bronze e agora, que havia atingindo o Cosmo Máximo, estava apta para mostrar seu potencial para Atena.

Em um lugar de honra na Arena, estavam Atena sentada em um trono de pedra acompanhada por Shaka e por Shura. O cavaleiro de Capricórnio sem dúvida estava muito ansioso pelo desfecho daquela prova.

—Acalme seu coração, Shura. –Shaka pediu sorrindo.

—É fácil falar. –Shura sorriu nervoso. –Estou tremendo igual vara verde de ansiedade! Eu confio que ela vai vencer, mas... e se não conseguir? Será uma decepção enorme para a minha menina!

—Sei que é seu coração de pai falando alto. –respondeu Shaka. –Ela não é mais uma menina há muito tempo, e falando como seu ex-mestre, sei que Esperanza é a única que está apta a usar a Armadura de Escorpião.

—Confiante em seu treinamento?

—Destino. –Atena respondeu com um sorriso sereno nos lábios. –E me lembre de convencermos aquele teimoso a ficar.

—Será uma batalha e tanto. –Shaka riu.

—Vamos conseguir. –Atena riu junto e depois voltou a sua atenção para a chegada de sua convidada. –Seja bem vinda, Olesya.

—Senhora Atena. –Ela faz uma reverência. –Há muito tempo que eu não via algo assim. Um teste para armadura sagrada!

—Por favor, sente-se e assista ao nosso lado. –Saori apontou a poltrona ao lado de Shaka e esta sentou logo em seguida. –Já irá começar.

—É aquela moça magricela que irá ser testada? –Olesya a olhou e deu um riso debochado. –Acho que a pobrezinha não vai aguentar dois minutos.

Shura a olhou com raiva e estava a ponto de dar uma resposta atravessada para a mulher, mesmo sendo acompanhante de um grande amigo, mas Shaka tomou a iniciativa.

—Vê-se que mesmo tendo usado uma armadura de Atena anos atrás, a senhorita nada sabe sobre o verdadeiro poder de um cavaleiro. Que não reside em força física ou aparências. –Olesya olhou para Shaka de lado. –Está no Cosmo a verdadeira força! E acredite quando eu digo: aquela jovem é mais forte do que imagina!

No Centro da Arena, Esperanza tentava controlar seu nervosismo. Viu entre os espectadores na arquibancada rostos conhecidos como os de sua mãe e de seu irmão, amigos de treinos e missões. Pousou o olhar em uma garota de cabelos azulados que estava de braços cruzados e encostada a um pilar, conversando com um rapaz de cabelos ruivos.

A garota reparou nela também, e a morena acenou para ela sem saber exatamente o motivo, apenas por vontade. A garota olhou para o rapaz e em seguida acenou de volta timidamente, fazendo um sinal positivo de boa sorte.

Esperanza sorriu, aquele gesto lhe deu um pouco de confiança, e logo escutou o Cavaleiro Shaka de Virgem pedir silêncio para ter a palavra:

—Amigos, hoje vamos ter a honra de ver um combate pela armadura dourada de Escorpião. –apontou para a urna acima deles. –Esperanza, amazona de prata de Grou irá provar seu valor e se merece a honra de estar entre os mais poderosos, diante de Atena e de todo o Santuário.

Então, um homem usando roupas civis entra na Arena e Esperanza o olha surpresa ao reconhecê-lo. Era Camus.

—Pois devo dizer que com Camus ela não vai aguentar dois minutos, senhor Shaka. –Olesya enfatizou, sorrindo.

Shaka nada respondeu, se limitando a observar a luta que iria começar atentamente.

—Me falaram que eu lutaria com um cavaleiro de ouro. –disse Esperanza a Camus. –Não um ex-cavaleiro. Achei que seria Hyoga de Aquário ou o Seiya de Sagitário.

—Deveria ser assim. –Camus respondeu. –Mas ontem eu passei pela Casa de Escorpião e pensei melhor sobre isso.

A garota o olhava atentamente.

—Essa armadura pertenceu a alguém muito importante em minha vida. Alguém que amei muito. –falou olhando diretamente para a jovem. –Decidi que não permitiria que qualquer um a usasse. Quem quer que fosse seguir o legado de Milo, deveria ser alguém que o merecesse. Então, pedi que eu pudesse realizar o teste pela armadura.

Esperanza viu que Camus elevava seu cosmo, o ar ficando cada mais vez mais frio a ponto de alguns espectadores começarem a tremer. Por instinto a morena se posiciona de forma defensiva.

—Só permitirei que use essa armadura se provar para mim que realmente a merece, menina. –ele ergue a mão e reúne seu cosmo em sua palma. –Se me vencer, eu a reconhecerei como sucessora de Milo de Escorpião. Se não conseguir isso... certamente irá morrer aqui.

Ele fecha o punho envolvendo o cosmo que havia reunido e ergue a braço para desferir seu golpe.

—PÓ DE DIAMANTE!

E o cosmo avança perigosamente contra a garota, que coloca os braços diante de si para tentar se proteger dele. A luta mortal pela armadura de ouro de Escorpião estava começando.

Continua...