Eternidade Infernal
1 Eternidade Infernal
Notas iniciais
Eu não revisei, então talvez tenham erros. ;)
Molly abriu os olhos e tudo que viu foram cores claras, em tons pastéis. Por alguns segundos não se deu conta de onde estava, mas então se lembrou do que tinha acontecido.
Sherlock, seu noivo, a havia matado para defender a família do amigo. Como não se lembrava de nada ruim que havia feito, Molly deduziu que estava no céu. Ao contrário de Sherlock.
Ira. Era tudo que sentia no momento. As pessoas sentem ira no céu? Talvez não, mas Molly sentia. Até pensou que tivesse o perdoado enquanto morria, mas agora via que estava era com muita, mas muita raiva. Levantou-se da grande nuvem em que estava e parou a primeira pessoa (ou seria anjo?) que encontrou.
- Como desço para o inferno?
- O que?
- Você ouviu. COMO DESÇO PARA O INFERNO?
O anjinho parecia assustado. Pensou por um momento se não tinham se enganado quanto a colocar aquela mulher no céu. O que vira nos olhos dela era uma raiva ensandecida.
- P... Por aqui. Você pode descer por aqui.
Molly encarou uma longa escada em caracol. E a obstinação tomou conta de si, segurou no corrimão e começou a descida.
- É quente aí embaixo! – Gritou o anjo para ela.
- Quente vai ficar a bunda de alguém que está lá!
Desceu correndo as escadas, sem se importar com o que viesse pela frente. Poderia enfrentar o próprio capeta com todo o ódio que sentia.
Chegou até um lugar que mais parecia uma caverna. Pessoas estavam sendo esturricadas, espetadas, cozidas. Mas Molly sabia que nada disso seria o bastante para fazer Sherlock pagar.
Olhava atentamente para todos, procurando por aquele ordinário. Enfim o viu tomando um relaxante banho em um caldeirão de água fervente. Cachorro!
Molly correu e no caminho passou por um diabinho distraído que tinha um longo tridente nas mãos. Tomou dele e correu ainda mais, antes sequer que ele percebesse o que aconteceu.
Chegou até o caldeirão e parou. Não percebeu que todos a sua volta olhavam para ela. Molly conseguiu paralisar e assustar o inferno. O que uma moça com rosto angelical, vestida de branco e com um tridente na mão fazia no meio do inferno, quando deveria estar no céu com uma harpa (sem o tridente, é claro)?
- Sherlock, seu imbecil. Desça daí agora!
- Molly? O que você está fazendo aqui?
Sherlock achou, por um momento, que Molly viria salvá-lo. Até que encontrou seus olhos. E eles faiscavam mais do que o fogo que aquecia o caldeirão.
- Acho melhor você descer, campeão. A moça não está de brincadeira. Sinceramente, tenho medo dessas que vem de cima com fúria. – Até o diabinho que estava tomando conta para que ele não saísse da tortura estava intimidado por Molly.
- A-G-O-R-A, Sherlock!
Ele desceu lentamente. Talvez tivesse preferido ficar no caldeirão até que sua pele se soltasse do seu corpo.
Chegou até a frente de Molly e a olhou.
- O que eu quero saber é por que raios você me matou. – Molly intercalava cada palavra com uma espetada do tridente em Sherlock. – Você é um idiota de um traidor, Sherlock. – Mais espetadas.
- Eu precisava salvar os Watson, Molly. Ai! Isso dói!
- Se não fosse para doer eu não estaria te espetando. Você é um cretino, Sherlock. UM CRETINO! UM TRAIDOR! – Molly olha em volta e finalmente percebe que todos pararam e estão assistindo. Um sorriso maquiavélico se forma em seu rosto. – Oi, pessoal! Estão gostando do show? Sabe o que esse infeliz fez comigo? – mais uma espetada – Me matou. E sabe por quê? Para salvar o fofo do amigo dele. E sabe o que eu era dele? NOIVA! – muitas espetadas – O que a gente faz com pessoas assim?
- Mata! Mata!
- Não gente, ele já morreu. – Molly revira os olhos, pessoalzinho tapado aqui embaixo.
- Espeta! Espeta!
- Agora senti firmeza em vocês! – Ela se virou para Sherlock que já estava encolhido e a encarando com olhar de cachorro perdido e o espetou mais ainda. Não estava nem um pouco compadecida. Perdeu uma vida! Tinha 34 anos e perdeu a vida porque um idiota atirou em seu peito para salvar outros idiotas. Podia estar saindo com Lestrade uma hora dessas, mas não, estava morta. MORTA.
Virou-se para o diabinho que tomava conta de Sherlock e que agora estava se divertindo.
- Moço, me empresta esse negócio que você usa para acender o caldeirão? Obrigada.
Começou a aquecer a ponta do tridente. Deixaria várias marcas em Sherlock agora. Queria ver ele se orgulhar da pele alva agora. Ele não podia morrer, de qualquer forma.
Estava quase colocando seu plano em ação quando ouviu uma voz soar atrás de si.
- QUE BAGUNÇA É ESSA NA MINHA CASA?
Deus. Era certo pensar em Deus estando no inferno? Ela não sabia, mas pensou mesmo assim.
Deus, o diabo mor estava aqui. Virou-se lentamente para ele. Quem ousa interromper sua tortura particular a Sherlock?
- Seu Diabo, não quero bagunçar nada, não. Mas esse tipo aqui merece muito mais torturas do que todas que vi por aqui. Sinto informar que seus métodos estão ultrapassados e o senhor deveria contratar uma mulher para organizar a porra toda aqui e...
- OS DOIS PARA A JAULA, AGORA!
- Não, espera um pouco Seu Diabo, você não está entend...
- AGORA!
Molly sentiu o tridente ser tirado de sua mão, e ela e Sherlock foram arrastados pelos diabinhos, que até então riam, e jogados em uma pequena cela.
Meu Deus (de novo, isso não poderia estar certo) eu vim castigar Sherlock e agora, por culpa dele, vou ser torturada tendo que olhar para sua cara por toda a eternidade?
Soltou um grito que deve ter sido ouvido até pelo anjinho que a ajudou.
- EU VOU PEGAR VOCÊ, SHERLOCK! ISSO É TUDO CULPA SUA!
- FAÇAM SILÊNCIO, SEUS INFELIZES. – A voz vinha de algum lugar de fora da cela.
Sherlock a encarava de novo com cara de gatinho do Shrek.
- Eu vou te torturar eternamente, Sherlock. Eternamente. Por sua culpa nós estamos aqui. – Molly sussurrou agora, não queria ser ela a torturada com espetos.
- E posso saber como você vai fazer isso? – Sherlock desdenhava dela.
Ela riu. Sabia exatamente como irritá-lo. O faria querer morrer novamente.
- Um elefante incomoda muita genteee... Dois elefantes incomodam, incomodam muito maaais...
Ah... A eternidade seria longa.
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