Eternamente

3 Recíproco


Notas iniciais
A partir de agora, a narração volta a ser em terceira pessoa, ok? Se em algum momento eu tiver que separar os dois, volto a narrar cada um separadamente e em primeira pessoa. Espero que fique bom... eu na verdade não sei como é a forma preferida dos leitores. Particularmente, amo narração em primeira pessoa, mas como tem gente que não curte, preferi intercalar. Boa leitura!

Stanford – 2005 – Agora

Os dois homens rolavam pelo chão, um tentando acertar o outro sem sucesso.

— Sou eu, Sammy!

Os dois param instantaneamente e Sam se levanta.

— Dean?

Ele sabia que era Dean. Poderia reconhecer seu cheiro em qualquer lugar. Assim como Dean poderia ter dito quem era desde o início, mas não disse. A verdade é que ambos estavam com saudade demais e essa briga no meio da sala escura foi meio que uma... casquinha... que ambos se permitiram aproveitar.

O loiro havia passado os últimos dois dias de viagem ainda brigando consigo mesmo, se iria ou não buscar o irmão. Não importa que dois anos atrás tenha apoiado essa decisão apenas para tentar abafar esses sentimentos absurdos que se desenvolviam dentro dele... a verdade é que sem Sam por perto, tudo que fazia era pensar nele mais ainda. Tinha sonhos extremamente sexuais e explícitos, que o faziam acordar molhado e duro todos os dias. E seu corpo chamava pelo moreno à noite e tudo que podia fazer era acalmar sua necessidade com as mãos.

E depois vinha penas o nojo.

Ele era um pervertido, imaginando esse tipo de coisas com seu próprio sangue... seu próprio irmãozinho... sua mãe estaria se revirando no túmulo e seu pai... bem... provavelmente seu pai o espancaria até não poder mais se mover.

Ele mesmo espancaria qualquer um que tivesse esse tipo de pensamento direcionado a seu irmão...

— Dean! O que você está fazendo aqui?

As luzes já estão acesas e Sam o ajuda a levantar do chão. Também tem uma garota bonita na porta o encarando.

Quem é essa? Será que é a tal namorada que ele queria arrumar?

Dean brinca com ela, elogiando sua roupa e fazendo insinuações sexuais, mas por dentro está implorando aos céus que ela seja apenas a colega de quarto lésbica dele.

Isso não importa agora. Ele precisa falar com Sam a sós e diz isso a ele.

— O que quiser dizer, pode dizer na frente dela.
Oh, porra! É a namorada!

Seu estômago embrulha ao ver o braço moreno envolvendo a cintura da moça. Está muito perto de separar os dois a força e enviar essa garota em um ônibus para o Texas ou o Canadá, ou qualquer outro lugar bem longe do seu irmão!

— O pai foi caçar, e não dá notícias há dias.

Ele não percebe exatamente as palavras que deixaram sua boca, mas elas fazem com que o irmão solte a menina e a mande para dentro.

Graças a Deus!

—*-

Dean esta aqui!

Todo o corpo do moreno está em alerta desde que entrou na sala e sentiu o cheiro de Dean. Ele se jogou por trás do irmão em um impulso por abraçá-lo, mas Dean achou que era uma ataque e a briga começou. Em uma desculpa para continuar tocando, apenas se permitiu tirar um pouco de proveito da situação, até ele se identificar.

Sou eu, Sammy.

Seu pênis pulsou apenas ao ouvir o apelido saindo daqueles lábios... tinha se esquecido como a voz dele era rouca.

Se levanta ao mesmo tempo que Jess chega, e é obrigado a se lembrar que agora tem namorada e que esse no chão é seu irmão!

Agora estão os dois do lado de fora e Dean explica qualquer coisa sobre o desaparecimento do pai, mas Sam não consegue entender metade do que escuta por que tudo que vê é aquela boca se mexendo e aqueles braços abrindo o porta malas e aquela bunda redonda forçando a calça quando Dean se inclina para pegar algo lá dentro.

Porra! Se controla!

Ele tinha esperanças de que a distância afastaria os desejos impuros que sentia pelo irmão, mas a separação só piorou tudo. Ele negaria até a morte se alguém perguntasse, mas nesse momento só quer abaixar os jeans do mais velho até os joelhos e mergulhar sua língua na profundidade daquele traseiro. Sua boca se enche de saliva apenas com a ideia e Sam se sente um depravado pelo pensamento.

Se vira de lado, para não cair na tentação de passear mais ainda pelo corpo do loiro.

— Você me escutou, Sam?

— Sim, Dean.

Não escutou nada, na verdade, mas nesse momento seria capaz de concordar com qualquer coisa.

— Sim, você me escutou ou sim, você vai vir comigo procurar pelo pai?

Oh, merda! Ele quer que eu vá com ele.

Sam largou a caçada, era uma pessoa normal agora, com amigos, namorada e a vida entediante que sempre quis. Não há motivos para voltar pra vida antiga. Ele não gostava da sua antiga vida.

Exceto por Dean.

Então tem um motivo para voltar, contra pelo menos uma dezena de motivos para continuar onde está. Essa decisão era bem fácil.

— Sim. Eu vou com você.

Nunca houve uma decisão na verdade. É o Dean. Sam nunca foi bom em dizer não para ele.

Três horas depois

Estão os dois a caminho de Jericó, último lugar que Dean sabe que o pai esteve.

Dean está dirigindo e Sam finge dormir. Esse carro inteiro está impregnado com o cheiro do loiro e o moreno se sente desorientado, sem condições de ter uma conversa sensata nesse momento.

— Tem três horas que você está fingindo dormir, Sammy.

Arrepio.

— Não me chama assim, porra.

Se Dean soubesse o que esse apelido faz com o corpo de Sam, não repetiria com tanta frequência...

Tem dois anos que não se veem e Sam quer tanto abraçá-lo e beijá-lo que chega a sentir o corpo formigando. Se sente como um viciado em recuperação a quem é oferecido um trago da sua droga favorita. Talvez não tenha sido uma boa ideia ter vindo nessa viagem com ele... pode não conseguir se controlar. Poderia dizer algo comprometedor... ou pior, poderia fazer algo comprometedor.

Deus, não quer nem pensar na surra que iria levar se o mais velho descobrisse o tipo de pensamentos que tem com seu corpo. Sem contar que perderia o irmão para sempre.

Liga o rádio do carro que pra variar está tocando rock e olha pela janela, ajeitando a cabeça no vidro.

— Me deixa em paz um pouco, Dean. Depois a gente vai ter tempo para conversar.

Dean o ignora, cantando junto com o rádio e Sam se permite fechar os olhos novamente, viajando em sua voz. Ele sempre amou o irmão cantando. A mãe cantava Hey Jude para Dean quando era pequeno, e o caçula cresceu ouvindo a mesma canção sendo repetida pelo mais velho quando estava de bom humor. Ele só cantava de dia, por que de noite lembrava da mãe e ficava triste. Nesses dois anos longe, Sam buscou essa música muitas vezes no celular para matar a saudade, mas a versão de Dean sempre vai ser sua favorita.

Mergulha em sono real, ouvindo a voz rouca acompanhando cada música que tocava.

—*-

Merda. Merda. MERDA! Por que eu fui inventar de trazer Sam nessa viagem comigo?

Ele nunca imaginaria que dois anos afastados iria causar uma abstinência tão grande... desde que entraram no carro, tudo que consegue pensar é nesse cabelo balançando de um lado para o outro que praticamente grita para ser agarrado, na boca ligeiramente aberta quando dorme... os braços cruzados no peito e repuxando a camisa xadrez... as pernas tão compridas que poderiam se envolver perfeitamente em sua cintura enquanto o penetrasse lentamente...

PUTA.QUE.O.PARIU! Eu vou enlouquecer, porra! Eu definitivamente vou ficar maluco!

Apenas algumas horas juntos e tudo que Dean podia ver a sua frente era aquele corpo nu e estirado em uma cama, esperando por ele.

Cara, isso é indecente!

Mas não importa, porra! Indecente ou não, ele quer isso mais do que qualquer coisa. Ele quer uma prova do que o vem tentando há quase sete anos. Sua mão se move na direção da calça do maior e sem pensar, estende os dedos para o botão.

Não!

Puxa a mão de volta. Precisa se controlar, merda! E precisa respirar ar puro e dormir um pouco também. A falta de sono está enfraquecendo suas barreiras.

Uma fachada de hotel brilha à frente e sem nem pensar, entra no estacionamento e desliga o carro, chamando pelo irmão.

— Acorda, bela adormecida. Vamos passar a noite aqui e amanhã seguimos em frente.

O rosto sonolento do moreno só aumenta mais ainda o desejo de beijar sua boca, então sai do carro com pressa, precisando ficar o mais longe possível dessa visão irresistível, e pega sua mochila na mala. Sam faz o mesmo.

— Eu posso dirigir, Dean. Por que temos que parar?

Ele parece meio apavorado em pegar um quarto e Dean não entende qual o problema, mas não está em condições de pensar agora.

— Estou dirigindo há dois dias, Sam. Preciso de uma cama. Eu me recupero rápido, só umas horinhas de sono e seguimos em frente.

Ele não questiona e segue atrás do irmão quase a contra gosto. Entram no hotel e param em frente à recepcionista.

— Boa noite, gostaríamos de um quarto, por favor. Apenas pela noite.

A jovem dá um olhar cúmplice a Dean e faz um gesto de aprovação em direção a Sam. Lança os dados do cartão no computador e verifica algo na tela.

— Vocês deram sorte. É nosso último quarto vago. Aproveitem a estadia.

Com uma piscada de um olho só, ela estende a chave e ambos se movem lentamente para o quarto.

— Porra, Dean. A recepcionista pensou besteira.

Ela com certeza pensou besteira. Será que minha cara deu alguma dica?

— Que besteira, Sam? Ela só tá fazendo o trabalho dela. Para de ser neurótico.

A porta do quarto é destrancada e Dean entra.

Inferno!

Só tem uma cama. De casal.

Por favor, Deus. Vou precisar de uma mãozinha aqui.

Nesse momento, Dean preferia se aventurar mais três horas no carro do que ter que dividir a cama com a personificação do pecado. Por outro lado, está exausto. Se tomar seu banho primeiro, com certeza conseguiria pegar no sono durante o tempo do banho de Sam.

Olha para Sam e o irmão está parado na porta com cara de pavor.

— D-Dean... s-só tem uma cama...

— Bom ver que você é observador, Sherlock.

Ele olha da cama para Dean e de Dean para a cama. Abre e fecha a boca sem conseguir formular frase, parecendo um peixe fora d'água.

— Escuta, Sam. A recepcionista disse que só tem esse quarto. Eu estou exausto. Vou tomar banho e cair na cama apagado. Não é como se nunca tivéssemos dividido uma cama na nossa vida...

— Quando éramos crianças, Dean... Não agora... v-você é um h-homem e eu também! Isso é estranho.

Estranho é o mínimo, maninho.

Dean pega uma toalha e roupas limpas e vai para o banheiro.

— Supera, Sam! Não é como se fôssemos um casal ou algo assim.

Se tranca lá dentro sem dar a chance do outro responder. Seu pau está tão duro que se ficasse lá fora mais um pouco, Sam com certeza perceberia.

Porra! Puta merda! O que eu faço?

É só se acalmar. Não é nada demais. Os dois já dividiram a cama mais vezes do que se pode imaginar.

Operando no piloto automático, Dean arranca a roupa e toma o banho mais gelado que seu corpo consegue aguentar, e mesmo assim seu pênis continua apontando pro norte. Impossível sair do banheiro assim. Apenas meia dúzia de movimentos e sua imaginação super realista do corpo de Sam são suficientes para ajudar a aliviar essa tensão, pelo menos por hora...

Sai do banheiro de boxer e camiseta. Não tinha motivo para trazer calça de pijama pois normalmente dorme sozinho e nu, mas hoje percebeu que poderia se complicar.

Seus planos de correr direto para baixo do lençol são atrapalhados por um Sam atordoado no meio do caminho. O mais novo o mira de cima a baixo, narinas dilatadas, rosto indecifrável e mochila nas mãos. Os olhos fixam na boxer do mais velho.

Por favor, companheiro, não desperta agora. Por favor. Não levanta.

— Quer tirar uma foto, Sam?

O moreno sai do estupor, sacudindo a cabeça e corre para o banheiro.

Dean não percebe o real motivo dos olhares de seu irmão, tão preocupado está com os próprios sentimentos conflitantes... apenas deita na cama e puxa o cobertor até o pescoço, fazendo força para dormir, mas seu coração está acelerado demais e sua respiração sai pesada. Está apavorado com a ideia de não suportar a proximidade e acabar fazendo algo constrangedor. Inspira e expira tentando relaxar, mas dez minutos depois ainda está tão desperto quanto antes. Mais desperto, na verdade, se considerar suas partes baixas que ficaram alerta no momento em que ouviu o chuveiro sendo ligado.

Sam no chuveiro é tortura demais para seu corpo, que começa a latejar.

Quando a porta do banheiro se abre e Sam sai, Dean não se vira. Não quer ver o que ele está vestindo. Não quer saber se seus cabelos estão molhados. Não quer sentir o cheiro de sabonete saindo dele. Fica apenas esperando. Um minuto, dois minutos, cinco minutos... mas o irmão não se deita.

Que merda.

Se vira e seu coração quase para. Sua boca se enche tanto de saliva, que provavelmente vai precisar de um babador. O moreno veste calça de pijama e segura a toalha de banho na frente, o que infelizmente impede uma apreciação completa, mas está sem camisa e... porra! É a visão mais perfeita que Dean já teve vida!

Cara, ele definitivamente tem malhado.

Quer cravar seus dentes em cada um dos músculos sobressalentes e lamber em cada ondulação de seu abdômen. Seu pau estica mais e agora a cabeça atravessa a restrição da cueca, deixando que sinta o rastro de umidade e fazendo que tenha uma nova preocupação: será possível sentir seu cheiro?

— Sammy, apaga a porra da luz e vem dormir. Ainda tem muita estrada pela frente e quero descansar. Deita e descansa também.

Ele não se move. Olha como se fosse um animal assustado na beira da estrada e Dean um carro chegando em alta velocidade.

— Eu não posso dormir aí, Dean. – olha em volta como se esperasse que outra cama surgisse por mágica — Quer saber? Vou dormir no carro. Você descansa aqui.

— O que? Tá maluco? Deve estar negativo lá fora. Mesmo que você mantenha o carro ligado e acabe com a bateria, ainda assim vai congelar. – levanta a outra ponta do lençol com a mão um pouco trêmula – anda, Sammy. Para de frescura. A cama é grande o suficiente para dois.

— Dean... você não entende... eu não posso deitar contigo nessa cama!

De início Dean não entende essa cena, mas parando para lembrar de tudo o que aconteceu desde o reencontro...

Oh, merda! Ele percebeu! Ele percebeu que o estou devorando desde que entrei no apartamento dele hoje.

— Sam. Eu não vou te tocar.

Se levanta e vai até ele. Não precisa mais se preocupar com seu pau. Ele murchou no momento que percebeu o medo que Sam sentia. O mais alto se gruda na parede e segura a toalha ainda mais forte a sua frente, como um escudo.

— Porra, Sammy! O que você acha que eu sou? Eu não vou te estuprar. – ter que dizer isso para seu caçula parte seu coração em pedaços. Ele deveria saber que nunca o machucaria... — Eu só... eu não consigo controlar, Sam... me desculpe se te assustei. Pode ficar com a cama. Eu vou esticar um cobertor no chão.

Dean se vira com os olhos ardendo e procura algo para esticar no chão, mas seu pulso é agarrado com firmeza.

— Do que você está falando, Dean? Eu não tô com medo de você, porra! O problema é comigo, não tem nada a ver contigo!

O mais velho está tenso demais para entender qualquer coisa, apenas se vira irritado e empurra o irmão na parede de novo.

— Você está me olhando apavorado, Sam! Eu percebi. Você viu o que está se passando comigo e aí ficou com medo... mas você entendeu tudo errado... Não importa o que eu sinta, Sammy... eu jamais te machucaria ou te forçaria a algo. Como você pode pensar isso de mim?

Agora é Sam que está exasperado. Joga a toalha longe e segura o irmão pela camiseta, invertendo os papéis e o prensando na parede em seu lugar.

Porra, meu pau vai levantar de novo!

— Você bebeu, Dean? Eu não estou com medo de você, merda! Eu estou apavorado, mas é comigo! Eu... eu... Dean... eu não posso me deitar naquela c-cama com você... por que s-se eu deitar... PORRA, DEAN! Para de insistir nesse assunto.

Foda-se! Ele está... será que...?

Finalmente a ficha cai para Dean e seu pau vai de zero a cem em dois segundos, quando percebe que Sam está com medo dos próprios sentimentos e não dos dele.

Mas primeiro ele precisa provar sua teoria. Se inclina sobre o outro e mesmo com a diferença de altura consegue falar bem próximo de seu ouvido.

— Se você deitar... o que, Sammy?

Cada pontinho de arrepio no pescoço do mais novo é como um sinal enorme em neon.

— Merda, Dean. Não me chame assim! Você não vê o que isso faz comigo?

Ah, eu vejo... Agora eu vejo...

— Me responde e me faz entender, Sammy. – vai falando e andando para a frente, forçando o moreno a se mover para trás até que suas pernas tocam a cama – Por que seria um problema dormir na cama comigo?

Sam sussurra um “puta merda" pra si mesmo e depois finalmente o encara. Seus olhos ardem com fogo mal contido. Suas pupilas estão dilatadas e ele inspira profundamente.

— Por que se eu deitar nessa cama, Dean... a última coisa que vou querer fazer é dormir! Você não entende? Não me faça dizer isso em voz alta!

Todas as barreiras do loiro desabam ao seu redor quando percebe que Sam está tão excitado quanto ele, mas ainda não percebeu que é recíproco.

Bem... isso é algo que dá para resolver agora mesmo...

Se inclina pra frente e deixa seu comprimento rígido e pulsante encostar levemente na mão que está entre eles

— Acho que eu não quero mais dormir, Sammy...

Notas finais
GENTEEE Desculpem parar pela metade, mas o capitulo ficou muito grande... Bem, pelo menos eu terei motivação para escrever o próximo capítulo bem rapidinho. Beijos =***