Eternamente
9 Profundamente
Notas iniciais
Dean está preso entre eu e o carro, uma de minhas mãos o segura pela cintura e a outra agarra sua nuca como se estivesse com medo dele fugir.
E eu estou. Estou apavorado com a possibilidade de que ele me empurre e diga que não me quer mais.
Minha boca está grudada na dele, mas ele retribui meus movimentos com apreensão.
Deixo meus lábios caírem para seu pescoço.
— Dean, me beija, por favor. Eu senti tanto a sua falta...
Ele está de olhos fechados, mas sua expressão é quase torturada.
— Sam, você precisa se afastar. Por favor, eu não tô conseguindo pensar direito com você fazendo isso...
Dou um passo para trás e olho em seus olhos. Ele vai me rejeitar. Eu conheço esse olhar... ele tá com medo e vai me rejeitar...
— Isso é só a tensão da caçada, Sam. Lembra o que o pai dizia? Que depois de uma caçada a gente precisava aliviar a tensão senão ia explodir? Você não me quer de verdade... Você só precisa se aliviar... qualquer um serviria. Se eu deixar você continuar, quem vai perder depois sou eu, quando acabar o tesão e você decidir mais uma vez que não quer isso. Sou eu quem vai se quebrar de novo, Sam!
Ele se afasta de mim novamente e eu fico parado no mesmo lugar, pensando em suas palavras. Será que ele realmente acha que eu só estou com tesão? Como pode pensar que qualquer um serviria se é só ele que está na minha cabeça sete dias por semana? E como no inferno eu vou provar pra ele que não é só por uma noite? Que não é só sexo?
Agora quem está encostado no capô com a cabeça baixa é ele.
— Dean... eu sei que sou um bosta, tá? Eu sei que te machuquei pra caralho e falei tanta merda naquele dia que depois deveria ter limpado a boca com papel higiênico... mas eu estava triste e confuso... me desculpa, porra! – ele levanta a cabeça e me olha cansado – eu não posso te prometer que não vou te machucar novamente, porque nós dois sabemos que eu sou um pouco idiota e vou acabar vomitando alguma merda de vez em quando, mas eu prometo que vou te compensar cada vez que fizer alguma besteira. Eu prometo que nunca mais vou mandar você ir embora. Eu prometo que você não vai mais precisar sair de noite, pois você vai passar as noites fazendo amor comigo. E eu prometo que vou fazer de tudo pra você ser feliz do meu lado, Dean.
Conforme falava, fui me aproximando dele, até que nossas pernas estão se tocando. Toco sua bochecha de leve e levando seu rosto para mim.
— Se você não quer mais isso, Dean, essa é a hora de falar. Não me deixe ficar aqui me declarando e fazendo promessas se o que você sentia tiver acabado... mas por favor, se você ainda me quiser, não me faça esperar... eu preciso tanto da sua boca em mim de novo que isso é quase doloroso...
Ele se inclina e agarra minha camisa com força em ambos os lados da minha cintura.
— Sammy, eu sinto essas coisas por você há tanto tempo que não consigo nem lembrar como era antes. Eu estive lutando contra isso todo esse tempo e depois das coisas que você falou, eu prometi pra você que nunca mais iria te tocar, mas você não tem ideia do quanto tem sido difícil fazer isso! Tudo que eu quero é te tocar o tempo todo e as camas são sempre grandes demais sem você nelas e meu corpo está sempre gritando por você... eu simplesmente não consigo imaginar viver o resto da minha vida tentando fingir que não sinto essas coisas – Dean agora ergue os olhos para mim e uma de suas mãos toca meu peito, tenho certeza que ele pode sentir o quanto meu coração bate descontrolado — Eu te amo com todas as minhas forças desde que você nasceu, Sammy, mas em algum momento das nossas vidas, eu me apaixonei por você. E isso pode ser errado para outras pessoas... mas nós nunca fomos convencionais mesmo... nosso trabalho é caçar monstros! Nós nos arriscamos a cada dia. Então, eu não ligo mais se isso entre nós é bizarro... Se for pra arriscar a vida todos os dias, então eu quero você na minha cama todas as noites.
Ele me puxa para baixo e beija minha bochecha e lábios, apenas estalinhos no meu rosto, mas é mais delicioso do que o sexo com qualquer outra mulher que eu já tive.
— Eu também não posso te prometer que não vou te magoar, por que sejamos realistas, nós dois sabemos que eu vou... você provavelmente herdou toda essa sua idiotice de mim... mas eu te prometo, Sammy, que nunca na vida alguém vai sentir por você o que eu sinto. E eu te prometo que vou continuar cuidando de você, e te deixando maluco de vez em quando também, mas eu garanto que vou te fazer feliz a cada dia. Eu te amo, Sammy... eu te amo demais.
E então nossas bocas estão grudadas novamente, completamente dessa vez... ele me beija na mesma intensidade que eu. Sua mão acaricia minha nuca suavemente enquanto a outra entra debaixo da minha camisa e se apoia na minha cintura.
Minhas mãos estão mantendo seu rosto elevado para mim e o deixando firme enquanto mato a saudade do seu gosto. Não sei como ele consegue ficar melhor a cada dia...
Desço as mãos até seus quadris e os aperto com força, puxando para a frente e fazendo com que encoste em mim. Nossos volumes se encontram e solto um ofego, que também ouço na boca de Dean.
— Eu quero você dentro de mim, Dean... eu quero me sentir completo de novo.
A resposta não vem com palavras. Em apenas um movimento, minha camisa se vai e ele já está arrancando a própria jaqueta. Suas mãos descem para meu zíper, enquanto eu me atrapalho um pouco com o seu.
Sinto uma mordida no meu lábio inferior.
— Me beija, Sam. Não para de me beijar, porra!
Amo quando ela fica mandão assim.
Agarro seus cabelos com força e devoro sua boca, queixo, pescoço... mordo seu ombro com força. Quero deixar minha marca nele. Ele é meu agora.
Dean rosna e lambe meu ouvido.
— Eu sou seu, Sam, você sabe disso...
Porra! Ele lê mentes?
Minha calça está embolada nos meus tornozelo. Tiro os sapatos de qualquer jeito e chuto a calça para longe. Ele se levanta e nos vira, me apoiando no carro e tirando o resto de suas roupas com rapidez.
Agora estamos ambos nus e Dean toca meu peito, descendo a mão pelo meu estômago até envolver ao redor do meu pênis. Já estou pulsando em sua mão e não sei quanto tempo vou durar essa noite.
— Dean...
— Eu amo quando você fala meu nome assim... é como se só eu existisse...
— É porque pra mim só existe você, Dean... – puxo sua cabeça até a minha e envolvo as pernas em torno dele – E eu quero você agora. Nós vamos ter muito tempo para preliminares quando chegarmos no hotel. Agora eu só quero você dentro de mim. Eu quero saber que isso é real, Dean.
Ele espalha o máximo de lubrificação que pode em seu membro e apoia na minha entrada.
— Me promete que agora é sem volta... me promete que ainda vai estar comigo amanhã...
— Eu vou estar contigo pra sempre, Dean, eu prometo.
Então ele entra em mim. Suavemente e sem pressa, de um jeito que não fizemos antes... sempre tinha um ar de urgência, como se estivéssemos com medo de tudo acabar antes de termos terminado...
Agora ele sabe que não vai acabar... ele não tem qualquer necessidade de correr.
Começamos a nos mover juntos. Nossos corpos ondulando em perfeita harmonia. Nossas bocas se tocam e nossa respiração vira uma só.
— Você é meu, Sammy? De verdade?
Seguro seu rosto e nossos olhos se prendem um no outro.
— Eu sou seu, Dean. Já tem muitos anos que eu sou seu, mesmo tendo lutado contra isso por tanto tempo...
Ele sorri e me beija novamente.
— E eu sou seu, Sammy. Desde sempre... até o final da minha vida... e por toda a minha morte também.
Pela primeira vez na minha vida, eu não me sinto perdido ou errado. Finalmente sinto que estou onde deveria estar.
Nossos corpos começam a se mover com mais força. Ele envolve seus braços pelas minhas costas e nossa parte de cima está completamente colada, enquanto sinto sua parte de baixo entrando e saindo de mim, fazendo meu canal ondular e enviando sensações por todo meu corpo.
Sua respiração em meu pescoço causa arrepios pela minha pele, enquanto minhas mãos acariciando suas costas fazem o mesmo com ele.
Ouço sua voz baixa, bem perto do meu ouvido.
— Eu amo você, Sammy.
Não consigo me tocar agora, então é realmente uma surpresa quando sinto meus testículos tensionarem e todo meu corpo endurece completamente, relaxando em seguida quando ondas de prazer descem pela minha espinha e se derramam entre nossas barrigas.
Seus movimentos aceleram quando sente meu corpo se contraindo, e segundos depois, sinto seus jatos preenchendo meu interior.
Beijo sua mandíbula, ainda rígida pelo orgasmo.
— Eu também te amo, Dean.
—*-
Vários minutos se passaram, com as pernas de Sam ainda enroladas na minha cintura e meu rosto colado em seu pescoço.
Ainda não dá pra acreditar que finalmente é o cheiro dele ao meu redor. Não quero soltar ele. Não quero correr o risco de isso ser um sonho ou dele voltar atrás de novo.
Vou ficar aqui pra sempre.
Exceto que minhas pernas não vão aguentar essa posição por muito tempo.
Dou um último beijo em seu pescoço suado e me afasto relutante.
— Sam... você está bem? Por favor, me diz que não está arrependido...
Suas pernas se desenrolam e meu pênis sai de dentro dele, mas sua mão segura meu pescoço até conseguir minha atenção completa.
— Sem volta, Dean. Dessa vez é sério. Eu não me arrependo. Eu te amo.
Um peso tão grande se desprende do meu peito que sinto que posso até voar agora...
Estou sorrindo como um bobo e ver seu corpo nu ainda estirado no capô do carro faz com que meu pênis queira voltar para a vida.
— Eu quero você de novo, Sam. Mas dessa vez eu quero uma cama. E você de quatro nela.
Seu rosto fica vermelho e seu pênis incha.
— Por que você fala essas coisas, porra? Então vamos procurar um hotel logo!
É divertido procurar nossas roupas apenas com a luz do farol, principalmente quando não sabemos para onde chutamos as calças e sapatos, mas uns dez minutos depois já estamos dirigindo de novo.
— Não posso acreditar que você me comeu em cima do capô do carro como se eu fosse uma prostituta, Dean!
Ele está brincando, é óbvio, mas me finjo de ofendido.
— Ei! Olha como fala! Você acha que eu pegaria uma qualquer em cima da minha caranguinha? Isso é só para as especiais... tipo a Lauren Gales no décimo ano.
Recebo um soco forte no braço.
— Então eu sou relegado ao nível da Lauren Gales? Não acredito que você comeu aquela metida.
Ele parece um pouco irritado e com ciúme. Eu amo isso. Preciso pensar em outras formas de conseguir essa reação dele.
— Sam?
— Que?
Ele ainda tá puto e por mais que eu goste disso, não vou deixar ele pensando besteira.
— Eu nunca transei com ninguém no capô do carro, além de você obviamente. E eu não fiz nada com a Lauren Gales... ela era uma esnobe nojenta.
— Acho bom.
Nunca pensei que voltaríamos a conversar no carro como duas pessoas normais... bem, não tão normais, considerando que dois segundos atrás ele enfiou a mão entre minhas coxas.
— Olha pra frente, Dean! E se concentra na estrada.
É fácil falar...
— Cadê essa porra desse hotel?
Passam uns bons vinte minutos — durante os quais a mão dele não parou de me acariciar por cima da calça – quando finalmente avisto uma placa. Não olho quantas estrelas ele tem, nem vejo se parece limpo... nesse momento, se tiver uma cama e não tiver pulgas nela, já estou aceitando.
Sam sai atrás de mim e me ajuda com as mochilas no porta malas.
— Parece bom... pelo menos não tem aquela decoração de selva que tinha no último hotel... se eu nunca mais ver uma onça pintada na minha frente ainda vai ser pouco.
Entro na recepção e toco o sino, esperando alguém aparecer. Um homem baixinho e grisalho vem nos atender.
— Pois não.
— Boa noite, senhor. Nós gostaríamos de um quarto.
Sam se debruça, me tirando do caminho.
— Cama de casal, por favor.
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