Notas iniciais
Gente, é minha primeira fic com tematica wincest. Eu vou tentar fazer jus ao tema. Por favor, relevem se começar um pouco chata... eu juro que vai ter muita "ação"! Boa leitura!

Kansas — 1983

Mamãe me levou para dar boa noite ao Sam. Eu ajo normalmente e deixo que papai me leve para meu quarto depois. Eles não sabem que eu passo quase todas as noites dormindo no quarto do meu irmãozinho e eu nunca contei. Não é nada demais. Apenas não gosto de deixar o bebê sozinho. Eu sou o irmão mais velho, mamãe diz que eu tenho que cuidar dele. Então eu cuido.

Mas hoje o papai passou o dia em casa brincando com a gente, então estou cansado demais e acabo pegando no sono assim que deito na cama. Durmo por algum tempo quando...

— MARY!

Levanto da cama assustado e acho que o papai está brigando com a mamãe, mas então sinto cheiro de queimado e um choro de bebê.

Sammy!

Meu primeiro instinto é correr para meu irmão, e saio do meu quarto sem nem calçar meus chinelos. Eu nem gosto de chinelos mesmo...

Dou de cara com o papai no corredor... Ufa... ele já está segurando Sam... mas ele está assustado e coloca o bebê nos meus braços, o que é estranho para mim. Eles nunca me deixam segurar Sammy sem um deles estar me apoiando.

— Leve seu irmão pra fora e não olhe para trás. Vá, Dean!

Não sei o que está acontecendo, mas preciso tirar Sam daqui. Seguro meu irmão firme em meus braços, enquanto corro pelas escadas com um medo absurdo de tropeçar e deixar ele cair. Ainda bem que não calcei os chinelos.

O bebê é pesado demais para meus braços de quatro anos de idade. Bem... quase cinco na verdade. Ainda assim, é difícil manter ele enquanto abro a porta, mas consigo e corro para fora.

Não sinto mais o cheiro de fumaça e meus pés congelam quase instantaneamente com a grama gelada de novembro, o que me faz parar. Seguro meu irmão apertado.

— Está tudo bem, Sammy.

Mas não sei se é verdade. Vejo apenas a luz laranja do fogo na janela onde antes era o quarto do bebê.

Papai finalmente chega e tira nós dois dali na hora que a janela explode. Ainda bem, por que não sei se eu poderia proteger Sammy disso.

Hoje perdemos nossa casa.

Hoje mamãe morreu.

Hoje papai parou de sorrir.

Hoje eu descobri que tenho que proteger meu irmão custe o que custar.

Acho que hoje eu aprendi o que é crescer.

—*-

Nova Orleans – 2005

Acordo com um solavanco e de início nem sei onde estou. Acendo o abajur ao lado da cama e vejo o contorno familiar de mais um quarto de hotel. Todos tem o mesmo papel de parede desbotado, os mesmos móveis gastos e o mesmo cheiro de umidade.

Apesar da noite meio fria, estou suando como se estivesse novamente naquela casa em chamas. Na minha casa em chamas.

Odeio esse sonho... pesadelo... sei lá o que isso é... odeio essa lembrança! Acho que saber que foi real e não apenas um pesadelo que acaba quando acordo é o que me faz odiar tanto. Provavelmente estou pensando nisso por que meu pai não da notícias há dias.

Vim pra cá investigar um problema de vodu na cidade. O pai não queria, ele não gosta que eu vá caçar sozinho. Mas a verdade? Bem, eu precisava ficar sozinho para pensar. Sinto falta do Sam. Às vezes acordo chamando por ele e não quero que meu pai escute. Ele não tolera essas boiolices.

Ele ficava me ligando duas ou três vezes por dia. Mas eu não me engano. Não era por preocupação, mas sim pra me dar mil e uma orientações pra que eu não faça nenhuma besteira... não importa se eu ja tenho vinte e seis anos, ele sempre vai me tratar como um pirralho. Até que pegou um serviço na Califórnia e depois eu não soube mais dele. Nem ele atende minhas ligações.

Estou enrolando aqui, mas sei que tenho quer ir procurá-lo. O problema é que não quero ir sozinho e não tenho a quem recorrer.

Minha mãe morreu, meu pai está desaparecido, e meu irmão... bem, meu irmão preferiu ir pra faculdade do que ficar comigo. Eu nem deveria estar pensando em ir chamar por ele, mas eu não penso direito sem ele comigo... Não sei se ele está comendo direito, ou se está se precavendo na hora de dormir pra não ser pego na cama por alguma criatura. Não sei se ele está em apuros e não teve como me ligar e nem sei se ele pensa em me ligar... nesses quase dois anos ele não ligou nenhuma vez e isso é o mais doloroso.

O problema é que me preocupando com Sam, posso cometer algum erro que custe a vida do meu pai... Então nem posso pensar duas vezes. Preciso trazer Sam de volta.

Ainda estou um pouco nostálgico e deixo meus pensamentos viajarem para o dia em que ele me disse que ia embora...

—*-

Maine – 2003

— Eu vou embora, Dean.

Estamos os dois em um dos horríveis quartos de hotel que o pai sempre escolhe. Ele tem mesmo vista boa para espeluncas. Cada um está sentado em sua cama, de frente para o outro. O pai acabou de sair para pegar informações sobre um caso e o Sam veio com a bomba.

— Você tá maluco, Sammy? O pai nunca vai te deixar ir embora!

— Eu tenho vinte anos, Dean! Não preciso de permissão.

Ele se levanta e começa a andar de um lado para o outro no espaço limitado do quarto. Fico observando sua forma se mover e não posso deixar de apreciar os músculos de suas costas ondulando a cada passo.

Pervertido.

Odeio esses pensamentos que se alojaram em minha cabeça por volta de uns quatro ou cinco anos atrás... ele não devia ter muito mais do que quinze anos quando cheguei no hotel e ele estava dormindo de bruços na cama apenas de cueca. Nada demais na verdade... Eu já tinha visto essa cena mil vezes antes... mas dessa vez, algo foi diferente. Reparei que suas pernas estavam mais peludas e firmes, suas costas morenas e em formato de V estavam um pouco suadas e seus braços curvados por debaixo do travesseiro eram muito mais musculosos do que me lembrava. Algo se contorceu dentro de mim, e se espalhou até meu baixo ventre, fazendo meu pau inchar.

Pervertido. Pervertido. Pervertido!

Tenho vergonha até de lembrar disso.

Sacudo a cabeça para poder sair do devaneio e volto a prestar atenção no Sammy, que voltou a falar.

— Eu odeio essa vida, Dean. Eu odeio caçar. Odeio esses quartos de hotéis baratos. Odeio dormir com um olho aberto o tempo todo... e você sabe que eu odeio o modo como o pai age como se nós fôssemos soldados. Eu preciso ir embora!

Mas e eu, Sammy? Você vai me deixar?

Óbvio que não abro minha boca. Ele não precisa de nenhum irmão fazendo chantagem emocional.

— Sam... é perigoso... você sabe que mesmo sem estar caçando, as coisas estão por aí. Alguma pode ir atrás de você e te pegar sozinho e desprevenido... se o problema é o pai, a gente pode se afastar por um tempo. Eu e você na estrada sozinhos. O que acha?

Ele me olha de cima a baixo como se considerasse a ideia. Seus olhos parecem escurecer por um tempo, mas rapidamente balança a cabeça.

— Não, Dean. Eu não posso ficar sozinho com você... impossível!

O quê? Mas que porra é essa?

— O que você quer dizer com isso, Sammy? Qual o problema em ficar sozinho comigo? Nós ficamos sozinhos desde sempre...

— Bem.. eu só... eu não... só não dá, Dean! Para de me encher de perguntas! Eu quero ir pra faculdade! Eu quero a chance de uma vida normal! Eu quero parar de pensar nas coisas que eu penso... desejar as coisas que eu desejo... uma vez na vida eu quero só... sei lá... fazer amigos... arrumar uma namorada... coisas normais para todo mundo, menos pra gente...

Arrumar uma namorada...

Óbvio que isso é normal. Eu mesmo arranjo uma mulher aqui, outra ali... eu nunca fiquei com um homem. Na verdade nem tenho vontade. Não sei o porque dessa obsessão com Sam. Esse desejo absurdo de arrancar cada peça de roupa do corpo dele e devorar sua boca enquanto encaro seus olhos. Não passa um dia que não pense nisso desde que ele tinha quinze anos!

Talvez isso seja o melhor... se ele for embora, eu não terei mais a tentação se esfregando em minha cara todos os dias... talvez assim eu consiga parar de pensar essas coisas doentias...

— Acho que você pode estar certo, Sam... – meu coração se rompe com as palavras que saem da minha boca, mas me obrigo a terminar — talvez sair de casa possa fazer com que você encontre o que tanto procura.

Não permito que a dor apareça em meu olhos, mas não sei se estou fazendo um bom trabalho. Olho para meu irmão e estou surpreso com a dor que vejo nos seus. A verdade é que esperava ver alívio por eu apoiá-lo, mas o que vejo é quase uma ferida aberta, somado com um brilho de decepção. Não sei como reagir a isso.

Será que ele queria que eu o impedisse?

— Ouça, Sam. Você é meu irmão. Eu te amo. Se ir pra faculdade vai te fazer feliz, eu apoio. Eu só quero a sua felicidade, Sammy.

Essa parte é toda verdade. Eu o amo com cada célula do meu corpo. Eu morreria só para vê-lo feliz.

Me levanto da cama e o abraço, sentindo um arrepio por dentro ao tocar seu tórax nu.

— Eu estou do seu lado, maninho. Só me prometa que vai ligar pra mim se tiver qualquer problema, por menor que seja.

Ele me abraça de volta e me olha com olhos brilhantes. Toca o lado do meu rosto e não sei o que fazer.

— Eu prometo, Dean. Eu ligo se precisar.

—*-

Nova Orleans – 2005

Naquela noite, se seguiu a maior briga de família das nossas vidas. Sam e o pai gritavam como se fossem começar a se socar a qualquer momento. Eu não podia me meter. Sam me pediu para não me meter e eu sempre tento manter as promessas que faço pra ele.

Depois do que pareceram horas de gritos e acusações, ele pendurou sua mochila nos ombros e saiu sem olhar para trás. Sem olhar para mim!

Ele nunca ligou.

Eu também nunca liguei.

Na verdade eu liguei mais de mil vezes, mas nunca deixei tocar. Ele queria esquecer de tudo. Dos monstros... do pai... de mim... então eu não precisava ligar e o lembrar de tudo que ele quis deixar para trás.

Já eu? Eu nunca vou esquecer o momento em que a mamãe chegou com ele da maternidade e o colocou nos meus braços. Ele era pequeno e cabeludo, e estava vermelho de tanto chorar, mas no momento em que o segurei, ele abriu os olhos, apertou meu dedo em sua mãozinha minúscula e parou de chorar, me encarando curioso.

Nesse dia, eu soube que morreria por ele se fosse preciso. E cada dia depois desse, ele foi roubando mais um pedacinho do meu coração.

Eu só nunca pensei que um dia o amaria da forma insana que o amo agora.

Notas finais
É isso, gente. Achei importante colocar os flashbacks. Me desculpem se ficou chato. Beijos.