Eternamente

34 Capítulo 34


Pierre era a pessoa mais engraçada que eu havia conhecido. Ele não parava de falar, nem por um minuto. Fora que ele estava mais empolgado do que eu sobre o meu casamento.

– Então Emy, seu casamento vai ser enorme e com direito a tudo o que uma garota quer. – ele disse todo empolgado.

Eu não queria algo enorme, porque tudo o que eu queria é o Gabe. Meu sonho sempre foi algo em família, mas ao mesmo tempo romântico. Um casamento inesquecível, como em um conto de fadas. Pois é, eu acho que assisti demais aos filmes de princesas.

– Pierre, eu não quero um casamento grande. Quero algo mais simples, mas romântico. – disse, dando de ombros.

Ele fez um careta pra mim e colocou a mão no coração. Eu achei que ele estava enfartando. Meu Deus, só faltava ele estar dando um ataque do coração!

– Você está bem? Pierre respire! – eu estava mais nervosa do que a mamãe a madrinha.

– Emily Campbell, eu vou te bater se você falar isso de novo! Um casamento simples? Deus que me livre! Você merece algo grandioso, ainda mais com um noivo daquele. Desse jeito eu vou ver se organizo. Meu coração fica triste desse jeito.

– Mas eu quero algo pequeno. Sempre quis. Eu quero me lembrar de cada pessoa que foi ao meu casamento, e saber quem é cada um. É um momento importante pra nós, então eu quero que seja do meu jeito, mas eu quero que você organize. Por favor, Pierre.

Ele me olhou e parecia pensar no meu caso. Eu sei que deve haver outros organizadores de casamento, mas eu tinha me dado tão bem com ele. Pierre me tratou bem, e é super divertido.

– Tudo bem. Eu organizo o seu casamento “simples”. – disse, entre aspas – Mas eu só estou aceitando porque gostei de você. E claro, do noivo. Verei Gabe, então isso irá compensar o meu quase ataque cardíaco.

Eu queria gargalhar. Pierre fez uma careta, e colocou a mão no coração ao falar de Gabe. Eu até sentiria ciúmes, mas sabia que ele não iria cair nas garras do Pierre.

– Ei, ele é o meu noivo! – brinquei.

– Infelizmente. É uma pena que não tenha um irmão gêmeo. Agnes, sua ingrata, nem pra você fazer mais um filho igual ao Gabe. Que vida ingrata!

– Eu não tenho culpa, querido. Gabe já me deu trabalho suficiente.

Demos risadas das maluquices dele.

Já estávamos de saída quando Pierre me entregou uma pasta contendo várias coisas sobre decoração de casamento. Ele disse que iria entrar em contato comigo, e eu falei que poderíamos marcar de nos encontrar novamente, mas dessa vez o Gabe, já que ele também é o noivo e eu queria dividir com ele tudo o que iria acontecer no nosso casamento. Então posso dizer que o Pierre amou saber que iria passar algumas horas perto do magia Gabe. Palavras dele, e eu concordo, mesmo com um pouco de ciúme.

Despedimos-nos, e fomos embora.

***

Caramba! Eu só passei um tempo fora e já estava com saudades do Gabe. Com certeza eu estava viciada naquele homem. Meu homem! Mas eu estava tão feliz com tudo o que estava acontecendo com a gente. No começo eu achei que estávamos indo rápido demais, mas hoje eu vejo que demoramos muito para nos livrar do medo que tínhamos de ficarmos juntos. Eu não consigo me imaginar sem ele. Gabe sempre esteve comigo, por isso eu nunca me senti sozinha. Ele sempre vai estar. E mesmo com aquele jeito possessivo, e muitas vezes sarcástico eu o amo. Acho que se ele mudar ele vai perder a sua essência, e eu não quero que ele seja outra pessoa. Gabe é perfeito pra mim.

Desci do carro com a enorme pasta e já fui atrás do meu querido noivo. Queria saber se ele ainda está com ciúme do Pierre. Se ele souber que eu é que tenho que ter ciúme dele.

– Gabe! – gritei por ele, mas não o escutei respondendo.

Imaginei que ele deveria estar no escritório, então fui até lá. Dei duas batidinhas na porta e abri. Gabe estava com a cabeça baixa e parecia que nem percebeu que eu estava ali.

– Gabe? – chamei-o novamente.

Ele levantou a cabeça e olhou pra mim. Sua cara estava fechada, e pelo o que eu o conhecia sabia que estava furioso com alguma coisa.

– Esta tudo bem? – coloquei a pasta em cima do sofá e fui até ele.

Sentei em seu colo e percebi que ele estava tenso com alguma coisa. Suas mãos estavam fechadas em punho e a sua respiração acelerada.

– Estou bem. – respondeu apressadamente, mas eu senti que não era verdade.

– Gabe, está tudo bem mesmo? Você parece... estranho. – perguntei acariciei seu rosto.

Eu estava preocupado com ele, porque raramente Gabe ficava desse jeito. Só quando Chad ou qualquer outro tentava alguma coisa, mas esse não era o caso.

– Eu já disse que estou bem, Emily. Que saco! – disse nervoso

– Credo, Gabe! Não precisava ser sem educação desse jeito. Eu não tenho culpa do seu nervosismo. Eu nem sei por que você está assim. – sai do seu colo, e olhei nervosa para ele.

Ele abaixou a cabeça e respirou fundo. Eu queria era saber o que o deixou desse jeito.

– Desculpe-me, princesa. Eu só estou...

– Olha, se você estiver assim por causa do Pierre...

– Não é por causa dele. Quero dizer, ele tem uma parcela de culpa. – falou, diante de mim.

– Gabe, o Pierre é gay! Do tipo que te acha lindo e que não parava de falar de você. Acho que sou eu que tenho que ter ciúmes aqui. Não acha?

Ele deu o primeiro sorriso desde que eu cheguei. Não sei se posso respirar aliviada porque sabia que Gabe estava nervoso.

– Que bom! Pelo menos ele não vai tentar nenhuma gracinha com você.

– Mas com você ele vai. – sorri. – Ah, ele me entregou essa pasta com as coisas do casamento. Eu não decidi nada porque quero escolher junto com você. Mesmo você me falando que não entende nada de casamento, mas é o nosso, e eu quero que você decida se gosta ou não gosta.

– Tudo bem. Mas agora eu quero voltar ao trabalho. Tem tanta coisa para organizar.

– Eu vou te deixar sozinho. – cheguei perto dele e dei um selinho em sua boca. – Está tudo bem mesmo? Você sabe que pode contar comigo, não sabe?

– Sei meu amor. E está tudo bem. É só o estresse do trabalho acumulado. – disse me abraçando, e eu senti que ele estava relaxando.

– Ok. Bem, eu vou indo. Vou guardar a pasta.

Sai dos seus braços e fui em direção a porta, mas antes de sair Gabe me chamou.

– Princesa, eu te amo.

– Eu também, meu amor.

Sai, e deixei Gabe acabar com o trabalho acumulado, mesmo achando que o seu estresse não é só por causa do trabalho. Enfim, achei melhor ele pensar, porque eu sabia que ele ficaria bem.

***

Estava acabando de me arrumar porque eu iria passar à tarde com a Vic e o príncipe. Liguei para a casa dela e combinei com a minha tia. Sabia o passeio ideal para ela queimar toda aquela energia que ela tinha. Eu nem cheguei a avisar ao Gabe porque ele estava com um humor do cão. Peguei a minha bolsa e desci as escadas.

– Madrinha, a senhora pode me emprestar o carro? Eu combinei de sair com a Vic.

– Claro, minha querida. Espero que se divirta bastante. Ah, e boa sorte com a Vic!

– Obrigada. – sorri. Dei um beijo nela e na mamãe e fui embora.

Vic estava toda feliz. Estávamos cantando no carro, e ela não parava de contar as aventuras dela e do príncipe.

– Então você se escondeu com o príncipe? Vic, isso não pode! A mamãe fica preocupada! – falei, enquanto dirigia em direção ao parque.

– Eu sei titia, mas foi o príncipe que falou que seria legal a gente brincar de se esconder.

– Ah, foi ele? Que príncipe levado! – fiz cara de brava, mas não aguentei e acabei rindo. – Chegamos!

Desci-a do carro, e fomos passear com o príncipe. Ela não parou um segundo. Brincou, rolou na grama e até tentei descansar, mas esses dois não pararam um segundo. Bem que me falaram que ela não parava e que é terrível. Mas eu estava amando ficar com eles.

– Titia, eu estou amando passear com vocês. – disse me abraçando.

– Ah, minha linda, a titia também está amando! – abracei-a e beijei seu cabelo.

– Tia, eu estou com fome.

– Eu também. O que você quer comer?

– Hum . – ela colocou a mãozinha na boca como se estivesse pensando. – Eu quero sorvete! – falou, gritando.

– Então vamos de sorvete! – gritei.

Fomos à sorveteria que ficava do outro lado da rua. Fizemos o nosso pedido e ficamos sentadas do lado de fora. Pedimos dois milkshakes de chocolate, que estava maravilhoso.

– Está gostando, linda?

– Muito! Eu amei passear com você e o príncipe.

– Eu também amei passear com vocês!

Ela parou de tomar o seu sorvete e ficou olhando pra mim. Eu sabia que iria sair uma bomba ou alguma pergunta cabulosa.

– O que tanto está pensando?

– Tia, eu não queria que você e o tio Gabe fosse embora. – disse com a carinha triste.

– Vic, a titia não mora aqui, então eu vou ter que ir. – cortou o meu coração vê-la daquele jeito.

– Eu queria que vocês morassem aqui. E você vai levar o príncipe embora.

Eu sabia que ela iria sentir falta do príncipe porque eles se deram bem, e ela o amava muito.

– Vamos fazer uma coisa? – ela olhou pra mim e assentiu positivamente. – Você cuida do príncipe pra mim? Eu trabalho muito, então ele ficaria sozinho no meu apartamento. Ele terá duas donas, ok? Quando eu vier pra cá eu cuido dele. Pode ser?

Ela sorriu e veio correndo me abraçar.

– Só não vale ensinar ele a fazer muita bagunça, hein!

– Pode deixar, titia. O príncipe irá ser um bom garoto!

Sorri com a felicidade dela. Acabamos de tomar o sorvete e ela pediu água.

– Aqui, querida.

Ela tomava tranquilamente, quando a bolinha que tínhamos comprado para o príncipe brincar havia rolado para a rua.

– Vic, eu vou pegar a bolinha dele e já volto. Não sai daqui, ok?

– Pode deixar!

Fui até a rua e olhei para ver se não tinha nenhum carro vindo em nossa direção. Agachei para pegar a bolinha azul, cor que ela escolheu já que falou que, mesmo gostando de rosa o príncipe é menino então a bolinha seria azul. Senti um arrepio passar pelo meu corpo e, quando me levantei, vi que um carro estava vindo à minha direção em alta velocidade. Tentei correr, mas meu meus pés parece que saiam do lugar. A última coisa que eu escutei foi a voz da Vic.

– Titia, cuidado!

Gabe

Que porra era aquela em todos os sentidos! Era uma maldita caixa com fotos da Emy. Havia várias fotos dela, desde quando estávamos na Califórnia e várias dela por aqui. Algumas eu aparecia, mas todas tinha um X vermelho no rosto dela. Tinha até de nós dois saindo da academia, que foi o último lugar que saímos juntos.

– Porra! Que caralho é esse? Quem será que mandou essa maldita caixa?

Fui até a empregada que me trouxe o pacote.

– Você sabe quem me trouxe isso? – perguntei, tentando segurar a minha raiva.

– Não senhor. Ele estava na porta quando eu fui abrir. – responder com o nervosismo aparente.

– Você não percebeu ninguém?

– Não! Senhor, eu fiz algo de errado?

– Não. Eu só estou curioso.

Sai da cozinha e liguei para o porteiro. Mas foi em vão. Ele apenas disse que foi um menino que disse que tinha uma entrega e que eu havia autorizado. Merda! Como alguém entra nem um condomínio e o porteiro não avisa? Eu estou furioso com essa merda toda!

Fiquei olhando para a caixa, e me perguntei quem poderia ter mandado e o motivo de ter feito aquilo. Porque raios tinham tantas fotos da Emy e com esse X? Tantas perguntas estavam rondando a minha cabeça, e eu só queria uma resposta. Só isso. Porque não tem motivo de fazerem isso. A Emy nunca fez nada de errado. Eu nunca fiz nada de errado. Confesso que eu estava com medo, porque paparazzi não iriam fazer uma coisa dessas.

Guardei as fotos na caixa, mas assim que eu peguei a tampa dela, eu vi um bilhete grudado do lado de dentro da tampa. Peguei, mas algo me dizia não era coisa boa. Assim que o abri, meu coração gelou.

Espero que tenha gostado das fotos da Emily! Ah, eu estou sempre de olho, principalmente nela! Até logo!

– Filho da puta! Se eu descobrir quem é você, eu te mato! – gritei, e nem me importei com quem poderia ouvir.

Eu me sentia impotente nesse momento. Não sabia se era um homem ou mulher. Se era uma ou duas pessoas. Tudo o que eu sabia era que esse filho da puta estava começando a infernizar a minha vida, e que tinha começado muito bem. Ele estava mexendo com a minha mulher, e isso eu não iria deixar. Eu disse que iria protegê-la, e seria assim.

Fui até o meu quarto e escondi aquela caixa. Ela poderia ser útil em algum momento. Eu queria ligar para a Emy e pedir para que ela viesse embora, mas parecia estar feliz com os preparativos do nosso casamento, e eu não queria tirar a alegria dela. Eu nem iria contar sobre a caixa que eu recebi. Sei que ela ficaria preocupada, e isso era a última coisa que eu queria que acontecesse com ela.

Eu até poderia afogar a minha raiva na bebida, mas eu não queria ficar cheirando a álcool por ai, ainda mais em pleno horário de almoço. Por falar nisso, nem fome eu estava sentindo. A minha raiva era tanta que o que queria era acabar com essa merda toda, ou apenas imaginar que aquilo era um pesadelo e que eu iria acordar a qualquer hora.

Estava tentando trabalhar, mas tudo estava em vão. O meu medo de que algo acontecesse com a princesa. Isso me doía profundamente. Se alguma coisa acontecesse com ela, eu morreria! Pode parecer piegas, mas eu a amo tanto, que eu sou capaz de matar por ela. Se eu descobrir quem está fazendo isso, e se essa pessoa for capaz de fazer algum mal a ela, eu o mato. Sem dó e piedade!

– Merda! E eu achei que teria um pouco de paz! Se eu descobrir quem foi... Você me paga! Eu posso ir ser preso, mas eu acabo com você! – abaixei a minha cabeça e fechei meus olhos. Queria ter um momento de paz.

– Gabe?

Eu achei que estava sonhando com a voz da Emy, mas ao levantar a minha cabeça ela estava parada diante de mim. Ela é tão linda, e tão minha!

– Esta tudo bem? – ela colocou uma pasta em cima do sofá e veio até a mim. Senti o seu perfume, e a minha vontade de sentir o seu corpo junto ao meu.

– Estou bem. – respondi apressadamente e tentava manter a meu corpo calmo.

A Emy me conhecia muito bem e sabia quando eu estava tenso com alguma coisa.

– Gabe, está tudo bem mesmo? Você parece... estranho.

Seu toque me acalmava, mas nem isso estava acontecendo. Meu medo e raiva reinavam em mim. Eu só queria ir atrás dessa pessoa a acabar com ela.

– Eu já disse que estou bem, Emily. Que saco! – disse nervoso.

Eu não queria ter falado daquele jeito, mas eu não pensei na hora. Eu me arrependi assim que vi a sua cara de assustada.

– Credo, Gabe! Não precisava ser sem educação desse jeito. Eu não tenho culpa do seu nervosismo. Eu nem sei por que você está assim. – saiu do meu colo nervosa, e com toda razão do mundo.

– Desculpe-me, princesa. Eu só estou...

– Olha, se você estiver assim por causa do Pierre...

Ah, tinha esse ser também. Mais um para atormentar e ficar rondando a minha noiva.

– Não é por causa dele. Quero dizer, ele tem uma parcela de culpa.

– Gabe, o Pierre é gay! Do tipo que te acha lindo e que não parava de falar de você. Acho que sou eu que tenho que ter ciúmes aqui. Não acha?

Gay? Opa, ai eu gostei! Não que eu vá dar em cima dele, mas é porque ele não vai dar uma de assanhado pra cima da Emy.

– Que bom! Pelo menos ele não vai tentar nenhuma gracinha com você.

– Mas com você ele vai. – sorriu. – Ah, ele me entregou essa pasta com as coisas do casamento. Eu não decidi nada porque quero escolher junto com você. Mesmo você me falando que não entende nada de casamento, mas é o nosso, e eu quero que você decida se gosta ou não gosta.

– Tudo bem. Mas agora eu quero voltar ao trabalho. Tem tanta coisa para organizar. – eu juro que queria ajudá-la a planejar o nosso casamento, mas eu não tinha cabeça no momento.

– Eu vou te deixar sozinho. – chegou perto de mim e meu deu um selinho rápido. – Está tudo bem mesmo? Você sabe que pode contar comigo, não sabe?

Eu sei, mas não com esse assunto. Isso era algo que eu tinha que resolver.

– Sei meu amor. E está tudo bem. É só o estresse do trabalho acumulado. – falei, abraçando-a.

– Ok. Bem, eu vou indo. Vou guardar a pasta.

Antes de ela sair eu tinha que afirmar o quanto eu a amava.

– Princesa, eu te amo.

– Eu também, meu amor.

Assim que eu a vi fechando a porta me joguei no sofá. O mundo estava caindo na minha cabeça, e eu queria mantê-la longe de tudo isso, mas eu sei que será difícil. Eu preciso aprender a enganar o meu corpo quando estiver perto dela. Não posso demonstrar raiva, senão ela pode desconfiar de alguma coisa. E eu não quero isso. Não mesmo!

***

Fiquei enfurnado naquele escritório por uma hora. Escutei a barriga roncando, então o jeito era tentar comer alguma coisa. Sai de lá em direção à cozinha. Preparei um sanduiche e fui até a sala. Minha mãe e madrinha estavam assistindo a uma novela que elas gostam e sempre acompanham. As duas estavam tão entretidas que nem me viram chegar.

– Olá! – sentei no sofá ao lado da minha mãe.

– Ah, meu filho, nós nem vimos você chegar.

– Eu percebi. – sorri.

– Você ficou trancado naquele escritório. Quase que eu fui te tirar de lá.

– Muito trabalho, mãe. – menti.

– Sei. A Emy te mostrou a pasta do casamento. Tem tanta coisa linda, meu filho.

– Ela me mostrou a pasta, mas não cheguei a ver. Quero sentar e ver tudo com calma. – disse. – Por falar nisso, cadê a Emy? Ela não está aqui com vocês? Está descansando?

– Não, ela saiu com a Vic e o príncipe. Disse que ia passear com eles.

O quê? Ela saiu sozinha?

– Ela foi sozinha? – me desesperei ao saber que ela poderia estar sozinha.

– Gabe, ela só foi passear com a Vic. Ela nem vai demorar! – minha mãe tentou me acalmar, mas ela mal sabia o que a Emy poderia estar correndo risco.

– Eu sei, mas ela poderia ter me chamado.

– Se você saísse um pouco do escritório. Gabe, ligue pra ela, talvez você vá encontrá-las e passear um pouco também.

– Tudo bem. Eu vou ligar pra ela.

Peguei meu celular e comecei a discar o seu número, quando um número desconhecido apareceu na tela do meu telefone.

– Alô?!

– Olá, Gabe! – uma voz desconhecida ecoou pelo telefone.

– Quem é? – perguntei nervoso.

– Calma Gabe! Você quer saber demais das coisas! Tudo tem o seu tempo! Antes de tudo, eu quero saber se gostou do meu presente, porque ele foi feito com enviado com carinho.

– Seu desgraçado! Então foi você que enviou as fotos! Se eu te pego...

– Não prometa o que não vá cumprir, Gabe Hunter! Eu sou muito mais esperto, e estou muito mais perto do que você imagina.

– Não mexa comigo! Você não sabe do que eu sou capaz. – peguei as chaves do carro e fui em direção à garagem. Não queria que ninguém visse a minha raiva.

– Quem disse que eu quero mexer com você? Eu quero um peixe muito maior, ou melhor, uma sereia linda de olhos azuis. Você a conhece, Gabe?

– Não mexa com a minha mulher, seu filho da puta! Eu te caço até o inferno se você chegar perto dela!

– Então já pode vir, porque eu estou olhando agora pra ela. – ele riu.

O desgraçado ainda teve a cara de pau de rir da minha cara. Meu medo estava transbordando, mas será que ele estava falando a verdade? Não! Não pode ser verdade!

– Eu não estou mentindo, Gabe. A doce Emy está linda, e está junto com uma menininha e um cachorro. Eles estão tomando sorvete, e nem percebem que eu estou de olho neles, ou melhor, nela.

– Eu vou atrás de você, seu filho da puta! Reze para eu não acabar com a sua vida!

– Pode vir, Gabe! Estou preparado!

Acelerei o meu carro e tentei pensar em qual sorveteria ela poderia estar. A Emy sempre gostou de um parque que tinha dentro da cidade, e na frente dele tem uma sorveteria. Presumi que ela deveria estar ali. Ela tinha que estar ali!

– Não adianta correr, Gabe!

– Cala a boca, seu merda! Você não via chegar perto da minha mulher! Eu mato você antes disso, entendeu?

– Não se eu matá-la antes!

Não! Ele não será capaz de fazer isso! Meu Deus me ajude! Eu preciso fazer alguma coisa! Pisei no acelerador e senti as minhas mãos tremendo.

– Estou sentindo o seu medo, Gabe! Não adianta correr, porque ela já está na minha mira! A pobre Emy está indo pra a rua, e essa será a minha chance de acabar com duas vidas ao mesmo tempo: a sua e a dela!

– Eu faço o que você quiser, mas fique longe dela!

– Tarde demais!

Eu escutei o desgraçado acelerando o carro, e meu coração estava saindo pela boca. Ele não estava brincando, e o meu medo era esse. Antes de virar a esquina, eu escutei a voz da Vic que, mesmo de longe, deu para ouvir que ela pedia para a Emy ter cuidado. Depois disso ficou apenas o silêncio, mas escutei uma risada vinda do telefone.

– Até logo, Gabe! – ele desligou.

– Não! A Emy não! – pedi aos céus. Eu iria descobrir quem é o pedaço de merda que está fazendo isso, e ele iria se arrepender, mas antes eu tinha que saber se a minha mulher está bem, ou se ela está... morta! Não, ela não pode estar! Eu não aceito isso!