Eternamente

35 Capítulo 35


Notas iniciais
Grupo no facebook: Autora de romances - Mayara Silva Grupo do livro: Eternamente Espero que gostem! Beijos

Senti um braço rodear a minha cintura, e depois notei que eu havia caído na calçada. Não conseguia abrir os olhos, porque eu estava com medo de ter acontecido o pior. Meu medo era que aquele carro poderia ter me atropelado, e tudo isso era coisa da minha cabeça. Comecei a rezar, até sentir que havia alguém comigo.

– Emy? Pelo amor de Deus, você está bem?

Escutei a voz de um homem, e ao abrir os olhos, deparei-me com Alex, que me olhava assustado.

– Alex? Ah, meu Deus! Muito obrigada! – eu o abracei fortemente, e agradecia ele a todo o momento. Ele tinha salvado a minha vida, e eu seria eternamente grata a ele.

– Você está bem? – perguntou preocupado.

– Sim... Eu acho que sim. Graças a você que eu estou bem.

Eu fechei os olhos, e abaixei a minha cabeça. Eu não conseguia respirar direito, mas iria assustá-lo ainda mais. Era só eu respirar fundo, e puxar o ar dos meus pulmões.

– Você está sozinha?

– Meu Deus, a Vic! Cadê ela, Alex? – eu já estava entrando em desespero, quando escutei o latido do príncipe, fazendo-me olhar para o outro lado da rua.

– Eu vou buscá-la. Fique aqui!

Eu apenas assenti, e nem sequer me mexi, até porque eu estava tão assustada que não iria conseguir. Por alguns segundos eu vi que a minha vida acabaria. Eu não conseguia sair do lugar, e o medo que eu senti foi descomunal. Minha respiração estava falhando, e eu precisava tomar alguma coisa, e me acalmar. Não queria chegar a casa e assustar a minha mãe, Gabe e os meus padrinhos. Eu tinha que mostrar que estava tudo bem, e que não passou de um susto.

Alex pegou Vic no colo, e pegou a coleira do príncipe. Ele não parava de latir, e a minha menina estava chorando. Meu coração estava partindo ao vê-la daquele jeito. Vic é tão alegre, e sempre falante. Vê-la chorando, e com os olhinhos vermelhos, me deixava triste.

– Meu amor, não chora. – peguei-a e abracei. Ela colocou os seus bracinhos ao redor do meu pescoço e me abraçou. Eu senti o seu medo através daquele abraço, e eu não queria que ela sentisse aquilo.

– Vic, não precisa chorar, meu amor.

– Eu fiquei com medo, titia. Aquele carro iria te pegar. – ela não desgrudava do meu pescoço, e eu senti uma lágrima cair sobre os meus ombros.

– Eu estou bem. A tia está viva, minha pequena. Não quero que você chore, senão eu ficarei triste. Você quer que o príncipe chore também? Ele vai ficar triste se você continuar chorando.

Ela olhou pra mim, e eu me limitei a sorrir. Era só falar dele que ela ficava em alerta. Eu não queria transmitir o quão eu estava assustada. Ela é uma criança, e eu odiava vê-la daquele jeito.

– Ele vai chorar? – perguntou com os olhinhos preocupados.

– Ele vai ficar triste. Você quer que isso aconteça?

Ela pareceu pensar, e logo balançou a cabeça negativamente. Eu limpei suas lágrimas e beijei a sua bochecha. Falei que tudo iria ficar bem, e que aquilo foi só um susto.

Estávamos sentados em um dos bancos que havia por ali. Alex estava ao meu lado, e segurava uma das minhas mãos. Ele tinha me levado para tomar água, o que me ajudou muito. Eu ainda estava tremendo, mas o susto já tinha passado. Vic brincava com o príncipe, e parecia bem distraída. A população que estava presente se assustou, mas eu tratei de dizer que estava tudo bem. Muitos diziam que eu deveria ir à delegacia para fazer um boletim de ocorrência, mas eu não sabia se queria fazer isso. Deveria ser um delinquente que só sabe andar em alta velocidade. Até poderiam achar essa pessoa, mas eu imaginaria que estaria solto após pagar fiança. O que eu queria mesmo era estar em casa, e com o Gabe. Queria o seu abraço, seus beijos e ouvir a sua voz. Ele me acalmava, e sempre foi o meu porto seguro.

– Você está melhor, Emy?

– Estou. O susto já passou, graças a Deus. Eu só quero estar em casa. Só isso.

– Eu vou te levar, pode ser?

Assenti. Eu queria era tomar um bom banho e me jogar na cama.

– Emy?

Virei para ver quem estava me chamando, e me deparei com o Gabe, que vinha correndo em minha direção. Ele parecia desesperado, e eu rosto havia um semblante de preocupação.

– Gabe. – corri até ele, e o abracei.

Ele sempre foi o meu porto seguro. E era naqueles momentos, naqueles braços e naquele homem que eu precisava estar. Nunca me vi longe dele, e nunca vou estar.

– Está tudo bem, meu amor? – ele me abraçava de um jeito forte, como se estivesse com medo de que eu sumisse.

– Mais ou menos. Aconteceu uma coisa que...

– Que coisa? O que aconteceu? – sim, ele estava desesperado.

Contei tudo, e Gabe me pareceu assustado. Ele estava mais do que nervoso, mas eu imaginei que ele ficaria desse jeito. Ele é o meu noivo! A gente se ama, e é obvio que ele teria esse nervosismo.

– Mas você está bem mesmo? – perguntou pela milésima vez.

– Sim! O Alex me salvou!

Ele já havia agradecido o amigo um milhão de vezes. Gabe dizia que seria grato por ter salvado a minha vida. Eu também seria. Alex apareceu do nada, e foi como um anjo. Se não fosse por ele, eu não estaria aqui.

– E você, pequena, como está? – perguntou para a Vic, que estava tão entretida brincando, e comendo um doce que o Alex havia comprado pra ela.

– Bem. – disse, sorrindo. – Você viu que alguém malvado quis fazer com a tia Emy? – perguntou séria.

Gabe abaixou a cabeça, e respirou fundo. Eu sabia que ele ficaria mal também. Gabe era tão protetor comigo, eu sentia que ele estava se sentindo mal com tudo aquilo. Fora que ele ama a Vic.

– Eu vi, Vic, mas tudo vai ficar bem. Foi só um susto, não foi, princesa?

– Claro. Eu já conversei com ela, e disse isso. – sorri.

Olhei para o Gabe, e a minha vontade era de beijá-lo, e de nunca mais sair dos seus braços. Ele iria saber me tranquilizar, e dizer as palavras que sempre me deixavam melhor, e me faziam sentir a mulher mais amada do mundo.

– Gabe. – cheguei perto dele, e peguei as suas mãos. – Vamos embora? Eu preciso levar a Vic pra casa, e quero descansar.

Ele olhou para as nossas mãos, mas logo em seguida olhou para o Alex.

– Você pode levá-las, Alex? Por favor.

O quê? Não! Eu queria que ele me levasse. Não desmerecendo o Alex, mas eu quero ficar com o Gabe, e mais ninguém.

– Não! Eu... Desculpe-me Alex, mas eu quero que o Gabe leve-me.

– Emily, vá com o Alex. Eu preciso passar em um lugar antes.

Lugar? Como assim? Gabe estava estranho. Um jeito que eu nunca o vi. Ele parecia distante, e pensativo. Fora que estava pedindo para o seu amigo me levar.

– Que lugar, Gabe? – perguntei curiosa.

– Coisa do trabalho, Emy. Você sabe que eu estou atolado de coisas para fazer. – disse nervoso.

Coisas do trabalho? Porque será que eu sinto cheiro de mentira? Gabe nunca me trataria daquele jeito. Ele seria o primeiro a querer me levar para casa, e seria o único a querer ficar comigo.

– Coisas do trabalho? Como assim? – eu já estava ficando nervosa com tudo aquilo.

– Não pergunte muito, Emily, eu preciso resolver algumas coisas, mas logo estarei em casa. Alex irá levá-las, e depois eu vou pra casa e fico com você, já que você quer tanto isso.

Eu me senti tão triste por dentro. Gabe falou de um jeito como se eu o obrigasse a ficar comigo. E nunca fiz isso. Sempre foi por vontade dele. Até já discutimos por causa dessa atenção toda que ele tem sobre mim. Ele me olhou sério, e eu apenas me limitei a concordar. Não queria discutir com ele, ainda mais na frente da Vic.

– Vamos, querida. O tio Alex irá nos levar embora.

Peguei a mãozinha dela, e fomos em direção ao meu carro. Gabe ficou parado no mesmo lugar. Nem se despediu de mim, muito menos se limitou em dizer um “até logo” ou “eu te ligo”. Eu estranhei, mas, naquele momento, eu só quero é descansar.

***

Deixamos a Vic na casa dela, mas antes eu pedi que ela não comentasse com ninguém, porque eles ficariam preocupados. Depois eu falaria melhor com eles, e contaria do meu jeito. Eu conheço a Vic, e sei que ela contaria do jeito dela, e exageraria. Ela me prometeu, e disse que seria o nosso segredo.

Alex estacionou o carro na garagem. Ele abriu a porta do carro pra mim, e eu peguei a sua mão de bom grado. Ele era uma pessoa extraordinária. Sempre esteve junto com o Gabe, desde criança. Eu o tinha como irmão, e ele me via como uma também. Alex sempre foi sozinho. Teve poucas namoradas, mas eu tenho certeza que o seu coração pertence à Beck. Preciso conversa com ela, quem sabe não rola algo a mais.

– Obrigada, Alex. Você salvou a minha vida. — sorri.

– Não precisa agradecer, Emy. – sorriu de volta. – Eu fico feliz por ter conseguido chegar a tempo. Nunca que uma caminhada pelo parque foi tão... Cheia de aventura.

Sorri com aquela brincadeira. Graças a sua corrida matinal no parque que ele havia me visto. Ele correu e me salvou.

– Pois é. Já pode correr na maratona, porque você correu pra caramba hoje.

– Pode acreditar. Bom, tenho que ir. Tem certeza que está bem?

– Sim. Eu só preciso de um bom banho, e cama.

– Tudo bem. – ele beijou a minha cabeça, e foi em direção ao táxi que já estava lhe esperando.

Entrei em casa, e fui direto tomar um bom banho gelado. Quero tirar aqueles minutos cruéis e aterrorizantes que estão na minha cabeça. Aquele carro, a pessoa, que nem isso eu consegui ver por causa do meu medo. A voz da Vic e depois eu caindo na calçada. Eu quero esquecer que havia acontecido tudo aquilo. Mas, eu posso fizer que não fosse tão cruel como a frieza do Gabe. Ele estava distante, seja em pessoa e em pensamento. Seu jeito de advogado inquebrável estava presente, mas ele nunca foi daquele jeito comigo. Todos temiam o advogado, mas eu o conhecia, e sei que ele só usava aquela máscara quando queria acabar com alguém. Talvez ele esteja com tanto trabalho, e isso seria a causa daquela sua cara séria e cansada. Eu iria conversar com ele, e o faria descansar.

Coloquei um vestido leve e confortável. Fui atrás da minha mãe, e a encontrei na cozinha junto com a madrinha.

– Oi. – sorri para as duas mulheres que eu mais amava no mundo.

– Oi, minha filha. – mamãe veio até a mim, e me abraçou. – Como foi o passeio? Gabe conseguiu encontrá-la? Ele estava atrás de você.

– Sim, ele me encontrou. Eu preciso falar uma coisa pra vocês.

– Pode falar, querida. Está tudo bem? – a madrinha perguntou.

Contei tudo a elas. Não queria esconder nada, porque eu sei que elas iriam descobrir de alguma forma. E também porque elas eram tudo pra mim. Não posso esconder algo que havia acontecido. Porém, nesse momento, eu poderia me arrepender, mesmo que por alguns segundos. As duas estavam chorando, e estão mais desesperadas do que eu, que quase fui morta.

– Ei, eu estou bem. Estou aqui com vocês. – abracei as duas fortemente, como se eu quisesse mostrar que eu estava viva, e que não era fruto da imaginação delas.

– Ah, minha filha, você quase morreu. Se não fosse pelo Alex...

– Mas eu não morri, mãe. Estou bem viva. – sorri.

– Você deveria ter denunciado esse louco.

– Eu vou fazer isso, madrinha. Mas agora eu quero é me jogar na cama e descasar. O pior já passou. Depois eu irei até a delegacia. Só quero esperar o Gabe chegar.

– Onde ele está, filha?

– Não sei, mãe. Disse que iria resolver alguns assuntos do trabalho. – disse derrotada. – Eu vou me deitar. E vocês, parem de chorar!

As duas assentiram, e eu me despedi com um beijo em cada uma.

Fui até o meu quarto, e me limitei em deitar e fechar os meus olhos. Não quero pensar em mais nada. Só quero focar no meu sono e descanso.

***

Acordei por causa da fome. Minha última refeição foi um sorvete, o que nem foi uma refeição propriamente dita. Antes de ir até a cozinha, peguei o meu celular com a esperança de ter alguma ligação ou mensagem do Gabe. Mas foi em vão. Não encontrei nada, nem um simples “oi”. Aquilo me deixou mais triste do que eu já estava. Gabe estava colocando o seu trabalho, ou seja lá o que ele estivesse fazendo, em primeiro lugar. Pode parecer egoísmo, mas eu só o queria aqui. Não que ele pensasse em revolver assuntos do escritório e dos seus clientes. Eu era a sua noiva, caramba! Só queria senti-lo perto de mim. Só isso.

Preparei daquele sanduiches fáceis e rápidos. A minha fome gritava, e não queria algo demorado. Minha mãe ainda me olhava tristemente, e eu sabia que ela havia chorado muito mais. Pedi que ela não ligasse para o meu pai, porque não queria tirá-lo do trabalho. Quando ele chegasse eu falaria com ele. Perguntei se Gabe havia chegado, e, para a minha surpresa, ou não, ele estava preso naquele escritório. O mundo dele era só ali. Gabe sempre de trabalhar bastante, mas nunca exagerou desse jeito.

Bati na porta, porém não o escutei mandando entrar. Mesmo assim eu abri. Ele estava de banho tomado e com o semblante sério. Estava escrevendo ou assinando alguma coisa, mas eu nem me atrevi a querer saber o que era.

– Gabe. – chamei-o baixo.

Ele olhou pra mim e fechou a cara. Será que eu tinha feito algo errado e não sabia?

Fui até ele com a intenção de fazer uma massagem, ou de tentar fazê-lo descansar um pouco. Deixar o trabalho um pouco de lado. Coloquei as mãos sobre os ombros dele, mas imediatamente ele as retirou.

– Eu estou trabalhando, Emily. – disse nervoso.

– Eu sei. Por isso eu vim até aqui. Quero que você relaxe um pouco, Gabe.

Ele respirou fundo, e olhou pra mim. Eu não conseguia vê-lo por inteiro. Aquele olhar sombrio não era nada parecido com o jeito alegre que eu conhecia.

– Eu não preciso relaxar, Emily. Eu estou ótimo!

– Não parece. Você está estranho o dia todo, e...

– Eu já disse que estou ótimo, Emily. Que saco! – gritou nervoso, e apertando os meus braços, fazendo com que eu olhasse em seus olhos.

Não! Aquele não é o Gabe que eu conheço. Não é o meu Gabe. Ele nunca faria aquilo, muito menos levantar a voz pra mim. Eu o conheço desde que nasci, e nenhuma vez ele havia feito aquilo. Gabe não machucou os meus braços, mas machucou o meu coração.

Soltei-me dos braços dele, e me afastei imediatamente.

– Seu estúpido! – gritei. – Nunca mais faça isso! – apontei o dedo na cara dele, e sai o mais rápido daquele escritório. O que eu mais quero é distância dele. Do homem que eu amo, mas que eu não reconhecia mais.

Fui para o meu quarto, e me deixei levar pelas lágrimas que eu não consegui segurar. Eu iria conversar com o Gabe, mas aquele não era o momento. Eu só quero saber por que ele estava daquele jeito. E coloca tudo em pratos limpos.

Gabe

Eu não podia acreditar no maldito. Eu não viveria sem ela! Ela é um pedaço de mim. Minha alma e meu coração. Não iria sobreviver se soubesse que nãoconsegui cumprir a minha promessa de protegê-la de tudo e de todos. Eu mataria o desgraçado sem dó. Poderia ir preso, mas ele estaria no inferno. Acelerei ainda mais o meu carro, passando até pelos sinais vermelhos, o que resultaria em muitas multas, mas isso é o que menos importava no momento. Era a vida da mulher, da minha Emy que estava em jogo. Eu não sabia se ele tinha cumprido o que havia falado ao telefone, mas só teria certeza quando a visse bem, e nos meus braços. Já não consegui segurar as malditas lágrimas. Elas caiam feita cachoeira, mas eu nem me importava. Poderiam me chamar de maricas ou qualquer coisa, mas eu não estava nem ai.

Parei o carro de qualquer jeito, e desci correndo. Nem me dei ao trabalho de trancá-lo. Corri o mais rápido possível, e avistei Alex. O que será que ele estaria fazendo aqui. Será que... Não! Ela está bem, Gabe. Ela tem que estar! Limpei os olhos, e a vi. A minha mulher estava viva! Graças a Deus! A minha princesa estava em pé ao lado do Alex, a parecia que estava tudo bem. Ao lado dela estava a Vic, que brincava tranquilamente com o príncipe, e comia um doce. Pelo jeito estava tudo bem, porém eu só iria me tranquilizar quando eu ficasse perto da mulher da minha vida.

– Emy? — chamei-a desesperado.

Ela virou-se para mim, e eu só pensei no que poderia ter acontecido.

– Gabe. – correu até a mim, e me abraçou.

Eu senti o seu abraço, e eu pude me acalmar por alguns segundos. Eu morreria se nãoa sentisse novamente. Ela era o meu tudo.

– Está tudo bem, meu amor? – ele me abraçava de um jeito forte, como se estivesse com medo de que eu sumisse.

– Mais ou menos. Aconteceu uma coisa que...

Eu sabia o que havia acontecido, mas não queria assustá-la com isso. Não iria mencionar sobre a ligação, muito menos as ameaças.

– Que coisa? O que aconteceu? – falei desesperado. Eu estava mesmo sabendo de tudo.

Ela me contou tudo, até sobre o Alex. Graças a ele que a Emy está viva. Nunca poderei agradecer por ter salvado a minha vida, porque é isso o que ela representa pra mim.

– Mas você está bem mesmo? – perguntei novamente. Eu iria levá-la ao hospital, mas eu sei muito bem que ela iria odiar.

– Sim! O Alex me salvou!

Sorri novamente para o meu amigo, e não parei de dizer que seria grato por ter feito aquilo. Olhei para a pequena Vic que estava ao meu lado, mas que nem percebeu que eu estava ali.

– E você, pequena, como está? – perguntou para a Vic, que estava tão entretida brincando, e comendo um doce que o Alex havia comprado pra ela.

– Bem. – disse, sorrindo. – Você viu que alguém malvado quis fazer com a tia Emy? – perguntou séria.

Abaixei a cabeça e respirei fundo. Vic também tinha passado pelo susto, e ela é tão criança... A sua voz de preocupada, gritando para a Emy ter cuidado... Aquilo ficará marcado em mim.

– Eu vi, Vic, mas tudo vai ficar bem. Foi só um susto, não foi, princesa? – sorri, e tentei disfarçar o meu nervosismo.

– Claro. Eu já conversei com ela, e disse isso.

Levantei-me e olhei para a mulher diante de mim. A minha vontade de beijá-la, de protegê-la, de senti-la novamente estava grande. Mas eu me lembrei do que aquele maldito havia me falado no telefone. Ele ainda estava por perto, e poderia fazer mal a ela novamente. Eu não iria suportar outro atentado a ela.

– Gabe. – chegou perto de mim, e pegou as minhas mãos. – Vamos embora? Eu preciso levar a Vic pra casa, quero descansar.

Olhei para as nossas mãos entrelaças, e quase cedi ao pedido dela. Olhei para o eu amigo, e sabia o que eu tinha que fazer naquele momento, mesmo que ela não gostasse.

– Você pode levá-las, Alex? Por favor.

Eu queria poder fazer aquilo, mas tinha um assunto para resolver.

– Não! Eu... Desculpe-me Alex, mas eu quero que o Gabe leve-me.

– Emily, vá com o Alex. Eu preciso passar em um lugar antes.

– Que lugar, Gabe? – perguntou curiosa.

– Coisa do trabalho, Emy. Você sabe que eu estou atolado de coisas para fazer. – disse nervoso.

Obvio que eu não iria resolver assunto de trabalho, mas ela não precisaria saber onde eu realmente estaria. Isso era um assunto que eu deveria resolver.

– Coisas do trabalho? Como assim?

– Não pergunte muito, Emily, eu preciso resolver algumas coisas, mas logo estarei em casa. Alex irá levá-las, e depois eu vou pra casa e fico com você, já que você quer tanto isso.

Podem achar que eu fui grosso com ela, mas foi o único jeito de fazê-la ir embora. Emy me conhecia bem, e sabia que não iria desistir para descobrir aonde eu iria.

Ela assentiu. Chamou a Vic e foi embora com meu amigo. Eu queria fazer isso. Acabar com toda essa merda, mas eu sentia que algo poderia acontecer se não a protegesse suficiente. E é esse instinto que está me fazendo ser assim.

– Vamos, querida. O tio Alex irá nos levar embora.

Eu não me despedi dela, o que até eu estranhei. Obvio que eu me senti mal, mas será melhor daquele jeito.

***

Fui até a delegacia para fazer um B.O O policial Owen deveria saber sobre o que havia acontecido. Ele estava cuidando do nosso acidente, então o quase atropelamento da Emy, então aquilo seria mais uma pista para pegar o desgraçado.

– Policial. – apertei a mão dele.

– Sente-se, por favor, Sr. Hunter. Pelo o que o senhor me adiantou, aprece que houve outro atentado a sua namorada.

– Ela quase foi atropela, mas um amigo nosso, que estava por perto a viu e conseguiu salvá-la.

– Ainda bem que ele estava por perto. Mas, conte-me mais sobre isso. Todos os detalhes são importantes.

Contei tudo o que tinha acontecido. Apenas escondi a parte do telefonema. Aquilo era um assunto pessoal. A pessoa que estava fazendo isso me conhecia, e sabia que o meu ponto fraco é a Emy. Então eu resolveria cara a cara com ele.

– Qualquer novidade eu ligo, Sr. Hunter.

Agradeci, e sai.

Estava indo embora, quando decidi parar em um bar. Sei bem que não devemos descontar a raiva na bebida, mas aquela era a minha única opção. Encher a cara e esquecer o merdinha que quer tirar a coisa mais importante da minha vida. A mulher que me completa e me faz feliz. Eu serei capaz de matá-lo se for preciso. Se essa porra pensa que irá chegar perto dela, está redondamente enganado. Eu posso morrer, mas o levarei junto comigo.

Pedi a bebida mais forte que tinha, e desci de uma vez. A garganta queimou, mas eu aguentava outra, e assim fiz.

– Mais uma, por favor. – pedi ao garçom.

– Dia difícil? – encheu o meu copo, e eu pedi mais.

– Uma merda.

– Problemas com mulheres? –perguntou rindo.

– Quem dera. Eu tenho a mulher da minha vida, mas tem um merda atrás da gente.

– E vai resolver na bebida. Isso não é bom, rapaz.

– Eu sei, mas eu preciso esquecer um pouco tudo isso.

– Vá para casa, e fique com a sua mulher. Conselho de gente mais velha.

Olhei para o senhor de cabelos brancos que estava na minha frente. Ele parecia estar sendo sincero. Não acho que a Emy irá gostar de saber que eu estou me afundando na bebida, ao invés de ficar com ela, que é o que eu mais quero na vida.

Paguei pela bebida, e sorri para o senhor. Ele havia me ajudado sem me conhecer. Antes de sair fui até o banheiro para lavar o rosto. Assim que sai, me deparei com um par de seios bem na minha frente.

– Olá, bonitão. – falou, e logo me deu um abraço, fazendo questão de esfregar os seus em mim.

Eu olhei com cara estranha, pedindo mentalmente que ela saísse da minha frente. Ainda mais depois de sentir aquele perfume enjoativo.

– Com licença, eu preciso...

– Parece tenso. Será que não precisa de alguma outra coisa?

– O que eu preciso eu tenho em casa. – disse seriamente.

– Essa doeu. – fez uma careta. – Mas, bem que você poderia procurar uma diversão fora da sua casa. Pelo jeito a sua mulher não está dando conta.

Caralho, que mulher irritante! Se fosse o Gabe do passado, ela já estaria nua, e muito bem comida, mas o Gabe de agora só quer ir embora. Só isso. Nem os peitos dela me chamam a atenção.

– Ela me satisfaz muito bem. Em todos os lugares. E ela nem precisa ter silicones nos seios, dar em cima de um homem noivo e ser irritante como você. Agora, saia da minha frente! – falei, fazendo com que ela abrisse a boca em surpresa com aquilo.

***

Cheguei a casa em poucos minutos. Assim que abri a porta, deparei-me com a minha mãe a minha espera. Sabia que vinha bronca por ai.

– Onde você estava, Gabe Hunter?

Não falei. Eu conheço o jeito dela, principalmente as suas feições quando iria brigar.

– Trabalhando, mãe. – falei, cansado.

Ela chegou perto de mim e me cheirou. Pronto, fui pego!

– Trabalhando aonde, Gabe? No boteco da esquina? Onde você estava, moleque? – gritou.

Ela nunca gritava. Só quando algo a preocupava ou qual quando estava muito nervosa. Acho que ela está na mistura dessas duas coisas.

– Eu não sou moleque, mãe. Não sou mais criança. Sou um homem!

– Então aja como um. A Emy passou por tudo aquilo, e você foi beber? O que aconteceu com você, Gabe?

– Não aconteceu nada. Eu pedi para o Alex trazê-la para cá.

– Pra você ir para o primeiro bar e encher a cara? Que vergonha de você.

– Mãe...

– Vá tomar um banho. Você está fedendo a bebida e um perfume enjoativo. Eu só espero que não tenha feito nenhuma besteira, Gabe, senão você irá se arrepender.

– Eu não fiz nada. Só bebi. – disse decepcionado comigo mesmo. – Cadê a Emy?

– Ela está descansando. Chegou exausta.

– Ok.

Tomei um banho, e tirei todo o resquício de álcool e perfume que poderia ter. Eu queria ir ao quarto dela, mas achei melhor deixá-la descansar. Peguei o meu celular, e vi uma ligação perdida do policial Owen. Retornei de volta, e fui até o escritório para poder falar com tranquilidade.

– Policial, tem alguma novidade? – perguntei desesperado.

– Sim. Sr. Hunte, eu descobri coisas sobre o carro.

– Que coisas? Por favor, não hesite em me falar.

– Eu consegui rastrear o carro que quase atropelou sua noiva.

– Meu Deus! E quem é o dono?

– Então, eu verifiquei para saber se é o mesmo carro que havia batido em vocês.

– É o mesmo? – perguntei nervoso, já não conseguindo conter a minha raiva.

– Não é o mesmo carro, mas a placa é.

– O quê? Eu não acredito! Agora só falta a gente saber quem é o dono do carro. – e acabar com ele.

– Mas a placa é falsa. A pessoa que está fazendo isso é muito esperto ou esperta. Conseguiu fazer por debaixo dos panos, sem deixar rastros.

– Inferno! – bati o punho na mesa. – Obrigado pelas informações, policial.

– Qualquer novidade eu ligo novamente, Sr. Hunter. Até mais.

O maldito é mais esperto do que eu imaginei. Ele deve ter a ajuda de alguém. Ou pior, ele é mais perigoso do que eu imaginei que ele seria. O foco dele é a Emy, mas como uma forma de me atingir, porque sabe que ela é tudo pra mim.

Sentei-me, e comecei a pensar em algum plano. Eu tinha que pegá-lo, antes que ele atacasse de novo. Pensei em todos os nomes possíveis, mas nenhum me odiaria tanto a ponto de fazer isso. Ou será que poderia ser quem eu estou pensando. Não, eu acho que não.

– Gabe. – escutei a voz que me acalmava.

Olhei para ela, mas ao mesmo tempo o medo pairou sobre mim. Ela corria perigo, e eu não sabia quem estava por trás disso. Emy veio até mim, e colocou as mãos sobre os meus ombros, mas eu queria que ela mantivesse distância dos nomes que estavam escritos naquele papel.

– Eu estou trabalhando, Emily. – disse nervoso.

– Eu sei. Por isso eu vim até aqui. Quero que você relaxe um pouco, Gabe.

Respirei fundo, e olhei para a mulher que me tirava o chão. A única capaz de me deixar louco de amor.

– Eu não preciso relaxar, Emily. Eu estou ótimo!

– Não parece. Você está estranho o dia todo, e...

– Eu já disse que estou ótimo, Emily. Que saco! – gritou nervoso, e apertei os meus braços, fazendo com que ela olhasse em meus olhos.

Merda! Eu nunca fiz isso na minha vida! Nunca gritei com ela, ou sequer relei a mão. Eu não sei o que eu fiz. Eu sou um maldito!

Ela me olhou assustada, e aquilo doeu em mim como uma faca enfiada em meu peito. Não suporto vê-la daquele jeito, e nem a distância que estava entre nós.

– Seu estúpido! – gritou. – Nunca mais faça isso! – apontou o dedo na minha cara, e saiu o mais rápido daquele escritório.

Porra. – gritei, desabando no chão, e deixando as lágrimas caírem em meu rosto.

Eu queria me bater por ter feito aquilo. Ela nunca iria me perdoar, eu não iria conseguir sobreviver sem ela. A merda do meu cérebro não pensou, e eu deixei o medo e a raiva tomarem conta de mim. Eu não a merecia, ainda mais agora. Eu toquei nela de um jeito cruel, e sabia que ela não iria me perdoar.